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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Areia movediça...




“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.”
Mateus 24:12-13

Muito tempo se passou desde a última vez que parei para escrever algo neste blog. Entre a multidão de desculpas, acabei me deixando levar pelo comodismo do Facebook, onde insights que poderiam ser transformados em textos se tornaram poucas linhas, apenas para me ajustar ao “formato comercial” e receber alguns “likes”, como se isso fosse algo que presta...

Coincidentemente (ou não), parei de dar vazão ao que vinha do Espírito ao meu espírito, num círculo vicioso difícil de romper. Fui me permitindo engessar, por dentro fui me impermeabilizando, me tornei um espelho que refletia a todos, mas não mostrava quem era eu nem o que do Alto recebia. Por me blindar, conseqüentemente fui me amornando, procurando ficar dentro de minha carapaça e não me dedicar ao dom que recebi do Senhor.

Quais as desculpas para isso? Diante de todos os inúmeros problemas que enfrentei no último ano, parei de viver pela fé e passei a procurar sobreviver pelos meus próprios esforços. Sem fé, fui me tornando pior, e - sendo pior – me tornei pequeno, mesquinho, egoísta, vingativo, repulsivo. Precisava sobreviver, mas passei a usar as armas erradas para isso.

Alguns que me conhecem melhor sentiram a mudança, mas optaram em falar o mínimo possível sobre este assunto para não serem “agredidas” de alguma forma pelo que eu estava me transformando. Por dentro da carapaça, eu sentia que estava mal, mas meu orgulho impedia que eu procurasse uma saída para esta espiral descendente.

Como que sugado por um redemoinho, queria apenas sobreviver, desesperadamente lutando contra meus demônios pessoais, que vieram à tona com toda força. Não me reconhecia mais, nada mais fazia sentido, queria apenas saber de mim, por mais que ainda surgia – esporadicamente – um traço de bondade aqui, outro ali...

Mas isso não era o suficiente. Como alguém – como eu – que já tinha sido usado tantas vezes pelo Senhor, se permitiu endurecer? Como um sapo na chaleira, estava sendo cozido lentamente pelas águas que antes me serviam de campo para pesquisas e descobertas deliciosas no Reino de Deus e sua Graça.

O ambiente que eu inicialmente havia discernido como hostil, mas que – pelo Espírito de Deus – descobri que era este maravilhoso campo a ser desbravado, voltou à estaca zero, pois optei em me deixar levar pelas circunstâncias ao meu redor. Como Pedro, estava andando por sobre as águas, mas temi... e afundei.

Por uma ou outra conversa com pessoas do meu cotidiano, lembrei que estava em débito comigo, com meus amados e com Cristo. Débito este fruto de minha indiferença ao que realmente importava nestas relações: O amor, o verdadeiro Amor, aquele que recebi de Graça e passei a reter por algum desvio de rota, daqueles imperceptíveis no começo, apenas uma fração de grau, mas que me deixaram hoje anos luz de distância do centro da vontade do Pai.

Para voltar, estou me esforçando para escrever estas linhas, como “mea culpa”. É um pequeno passo, mas oro ao Senhor que Ele tenha misericórdia de mim, segure firme em minha mão e me arranque desta areia movediça...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Judas: "Por acaso sou eeeuuu Senhor?"


“E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze. E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair. E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor? E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair.” - Mateus 26:20-23

Oficialmente eles eram doze. Alguns foram chamados por Jesus no começo, outros um pouco depois, uns eram mais íntimos de Jesus, outros tinham outras participações na “logística” do ministério, mas todos andavam juntos com o Mestre, até o momento que as profecias a respeito do Messias deveriam se cumprir.

Tenho certeza que, independentemente da onisciência divina que habitava em Cristo, Ele – naqueles três anos de ministério terreno – sabia muito bem como era cada um deles, quem era de confiança e quem não era, quem aguentaria o tranco e quem arregaria. Mesmo assim, andou com eles, agüentou suas dúvidas, reclamações, picuinhas, disputas internas para saber quem seria o maior no Reino de Deus e todas as outras inúmeras fraquezas humanas que não foram registradas nos Evangelhos.

Ao mesmo tempo que Jesus expulsava demônios, curava todos os tipos de enfermidades, ressucitava os mortos, multiplicava os pães e peixes e "pregava" mensagens maravilhosas (posso imaginar todos os seus seguidores babando!!!!), também dava a entender ou afirmava explicitamente que seria preso, abandonado pelos homens, morreria e ressuscitaria três dias depois. Eles, resumidamente, falavam “de forma nenhuma!”, mas este era seu ministério, esta era sua sina, este era exatamente o motivo pelo qual havia vindo como homem aqui na terra. Só que isso passou a incomodar alguns...

À medida que seu dia se aproximava, tomou o caminho de Jerusalém. Chorou pela cidade, por aquele povo que rejeitava e matava todos aqueles que eram enviados a ela em nome do Senhor. Entrou na cidade e foi recebido como Rei. O cerco se apertava e Ele pediu que alguns dos doze fossem à frente e preparassem um local para que pudessem estar juntos pela última vez, comendo e bebendo. E assim foi feito.

Na mesa, Jesus começou a conversar com eles, falar o que estava por vir e, logo em seguida, iria demonstrar o que isso seria através do partir do pão, que representava seu corpo, e do beber o vinho, que representava seu sangue.

Só que aquilo foi demais para alguns deles. Especificamente para Judas, que aguardava outro tipo de líder. Não um líder que se tornaria Rei num plano "metafísico", digamos assim. Ele esperava um líder militar e político que unisse todos os exércitos da Palestina e derrubassem o poder romano. Mas este não era Jesus.

Judas, em sua lógica mesquinha, sentiu-se “traído” por Jesus por ter entendido errado qual era seu real papel no plano divino e resolveu se vender àquele que ele – Judas – julgava ter mais poder para fazer a “revolução”.

“Traído e vendido”, vendeu por 30 moedas de prata àquele que não tinha preço: Seu líder, seu Senhor, seu Rei, seu Deus. Em sua loucura, realmente acreditou que aquilo era o que deveria ser feito e avançou cegamente em direção ao seu triste papel na história. Saiu da mesa para fazer logo o que ele teria que fazer, encheu o bolso e tomou a frente na mais sórdida tropa de assalto de toda história da humanidade.

Ao encontrar o Senhor da Vida, encenou pela última vez seu papel na trama. Só de pensar no que relatam os Evangelhos sinto ânsia. Melhor colocar aqui:

“E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?”
- Lucas 22:48

Após a prisão, humilhação, julgamento e morte de seu verdadeiro Rei e Senhor, aparentemente arrependeu-se, devolveu o dinheiro e se suicidou. Não necessariamente nesta ordem, eu sei. Triste fim.

Hoje, diversos homens e mulheres se prestam ao mesmo funesto fim. Somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Ele habita em nós e – através de nossas vidas – milhares de Judas encenam os últimos atos deste que se tornou sinônimo de traição. Ao traírem seus próximos, traem ao "Deus em nossas vidas". Eles tem nomes diferentes mas não se tocam que são iguais.

Normalmente, os Judas dos dias atuais são identificados por duas ou três semelhanças ao original: Traem seus pares enquanto dão seus beijos, se vendem por qualquer ninharia e costumam perguntar cinicamente, na tua cara, ao serem confrontados com o fato de todas as evidências apontarem para eles:

“Por acaso sou eu...?"

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A certeza daquilo que esperamos...

"Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos."Hebreus 11:1

Uma forte dor nas costas me acompanhava e se tornava cada vez mais incômoda. No início não dei muita importância, deveria ter sido fruto de um “mosh” que dei no show do Red Hot Chilli Peppers no saudoso festival Hollywood Rock de 1993, quando todos abriram na hora que me joguei e caí de cóccix (pra não dizer bunda, pois não bateu na parte fofinha, mas no osso mesmo...) no chão. Fim de show pra mim, tive que assistir o resto sentado de tanta dor.

Algumas travadas ao andar, virar o pescoço, levantar, sentar... Só quem passou por isso sabe. Amigos “ortopedistas” tentaram “me estalar”, dando um tranco na coluna. Só piorava! Enfim, fui ao médico: Ressonâncias, tomografias, raios-x e foi dado o veredicto: Hérnia de disco na lombar. Nada fazia passar as dores lancinantes, que se irradiavam pelas pernas e me deixavam – literalmente – travado. Levantar da cama levava uns 5 minutos, não por preguiça, mas até encontrar a posição menos pior pra sair sem dor. Licença médica por 10 dias em casa. Dor, muita dor, desânimo, frustração, impotência perante tudo aquilo que me imobilizava.

Certo dia estava eu deitado no chão da sala com a luz apagada. Era o melhor lugar que eu podia ficar (a gente vai se acostumando com a dor e aprendendo a sobreviver né?). Eu estava ouvindo uma rádio cristã que nem conhecia quando – próximo das 18:00hs – o narrador começou a orar. Orou pelas viúvas, órfãos, presidiários, doentes em hospitais em estado terminal e todos os demais “sofredores” de plantão. Eu estava lá, ouvindo tudo “em terceira pessoa” até o momento que o narrador disse:

“Deus está me mostrando um rapaz em casa, deitado no chão, com muitas dores nas costas. É uma hérnia de disco e o Senhor manda te dizer que a partir de agora você está curado, em Nome de Jesus!”

Na mesma hora comecei a chorar e sentir um calor muito grande na região lombar. (Não seu infame, não era fogo no rabo, antes que você venha deturpar meu testemunho...) Coloquei a mão na região e apertei. Não senti nada. Esquecendo da dor e de todas as manobras acrobáticas que havia desenvolvido para sair daquela posição, me levantei como se não tivesse nenhum problema. O resto vocês podem deduzir: Curado, milagrosamente curado!

Talvez alguns de vocês já soubessem desse episódio, mas senti que deveria compartilhar novamente por estar vendo isso acontecer novamente, bem próximo de mim...

Depois de anos, tive algumas recaídas. Entretanto, notei que elas sempre vieram acompanhadas por momentos de profundo stress, aqueles momentos que pegamos todos os problemas de todas as pessoas da face da Terra e achamos que somos os responsáveis em encontrar a solução para cada um deles. Com o tempo, aprendi que não sou Deus nem não sou eu quem teria a obrigação de encontrar as soluções da dor da raça humana. Foi libertador!

Descobri que bem na base da minha coluna tinha um botãozinho mágico. Nele estava escrito “FODA-SE” e tinha que ser apertado com regularidade. Descobri também que este botãozinho estava conectado a um mecanismo semelhante a um disjuntor de eletricidade. Quando a demanda era maior do que minha capacidade de acionar o bendito botão, entrava em alfa do nada, “saía de mim” e via tudo de fora, conseguindo desta forma um foco melhor da situação, o quê se provou ser muito útil.

Um tempo, dois tempos e metade de um tempo depois (é bíblico, sei que está fora de contexto mas é bíblico...) não fui mais acometido daquela maldita dor nas costas. Desde então, procuro compartilhar com os que me cercam três pequenos conceitos que aprendi dessa situação toda:

1) Aquele dia fui curado. Da forma como doía, nunca mais sofri nada parecido. Não fiz novos exames por não sentir necessidade, mesmo com pequenas recaídas que acabei de me referir. Jesus Cristo continua o mesmo, graças à Deus;

2) Todo mundo tem um botãozinho “foda-se” e este deve ser utilizado sempre (e tão somente) quando necessário;

3) Não somos Deus. Não somos responsáveis pela dor alheia, não importa qual seja. Nosso disjuntor tem que desarmar sempre que necessário, senão “travamos” juntos com quem sofre, ficando assim impossibilitados de fazer qualquer coisa.

Utilizei e tenho utilizado esses “três segredinhos” nas mais diversas áreas de minha vida. Problemas que não tenho como resolver de imediato sempre aparecem com alguma solução no tempo certo. Não adianta me desesperar. Incertezas quanto ao amanhã idem. Aliás, de tudo isso, o mais importante e confortante foi descobrir que Deus, no nosso dia-a-dia, faz mais milagres considerados pequenos, frutos do “acaso”, do que somos capazes de discernir.

Estes pequenos milagres é que são os grandes, pois eles são pequenos detalhes diários de uma história de vida sendo escrita. Minha cura foi um presentinho de Deus e necessário naquela época de minha caminhada com Jesus. Tive inúmeras orações respondidas (incluindo uns três infartos de meu pai, que continua conosco) e dez vezes mais orações sem final feliz (incluindo um coma de 5 meses de minha mãe, que faleceu em 2009, vítima de um AVC).

Aprendi a confiar, entendi que quando entreguei minha vida pra Jesus de coração eu realmente perdi o controle de tudo. As dores que vieram em decorrência desta entrega eram, na sua grande maioria, provenientes de tentativas de retomar o controle das situações que não estavam mais sob minha responsabilidade.

Como terminar? Talvez de maneira simplista para quem não sabe exatamente o que significa isso tudo, dizendo: Confie em Deus. Mesmo sem ver um palmo à frente do nariz (para mim, um palmo à frente do nariz é uma grande distância...), dê o próximo passo na certeza de que Ele está no controle de tudo e você está no centro da vontade Dele...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eu com você ou eu CONTRA você?


"Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" - Amós 3:3

Esta interpretação não é minha, surgiu em um Cabra Macho Sim, Senhor, no site da Vem e Vê TV, quando Caio Fábio e o Mega-Bráulio discutiam sobre relacionamentos conjugais.

A postura de um cônjuge em relação ao outro era o foco. Em um determinado momento, eles disseram que alguns casais pareciam que não se relacionavam “um com o outro”, mas – sim – “UM CONTRA O OUTRO”.

E assim realmente tem sido visto em grande parte das relações, não só as entre marido e mulher, mas também na área profissional, comercial, al al al...

Na área que trabalho (logística) não tenho como coordenar tudo ao mesmo tempo, dependendo de terceiros, exportadores, importadores, parceiros, armazéns, caminhões, terminais de carga, armadores, despachantes, pessoas envolvidas na parte documental e financeira. Todos precisam estar afinados ou – na pior das hipóteses – ao menos esforçados para que um processo flua sem grandes entraves. Todavia, o que se vê é um monte de gente querendo que a coisa dê errada para poder te prejudicar.

São muitos interesses escusos. Parece que querem que você erre para poder colocar outra empresa em seu lugar, para te queimar, para ver você se ferrar. Minha área não perdoa erros. Recentemente, inverti dois dígitos em um documento e fiquei uma semana inteira negociando de joelhos para eu não pagar uma multa de 600 reais para corrigir e reemitir o documento. Quem deveria me atender e negociar a isenção da multa simplesmente se omitiu e disse não ser possível. Um outro funcionário, com muito menos bala na agulha, colocou o dele na reta e conseguiu a isenção.

Este é o ponto. Um executivo de contas que ganha dinheiro sobre nós não se esforçou para isentar. Um funcionário da documentação falou com aquela pessoa que o fulano anterior deveria falar e conseguiu. O primeiro só queria contar as verdinhas, literalmente (trabalhamos em dólares). O segundo prezou a relação de anos e colocou isso em prática.

Nos namoros, a mesma coisa. Nos casamentos, a mesma coisa. Nas famílias, a mesma coisa. Não andamos juntos, parece que queremos (não eu, falo como espécie humana) que o outro erre para ter assunto. Típico de pessoas medíocres. Como diz o ditado, “pessoas inteligentes conversam sobre idéias; pessoas normais conversam sobre coisas e pessoas medíocres conversam sobre pessoas”.

Qual o prato do dia? Cabeça de alguém? Não? Ah não, então não quero... Boas notícias não são notícias, más notícias é que são notícias que se vendem sozinhas e que rendem. Neste nível rasteiro, qual interesse alguém tem em falar que fulano está bem, mais bonito, se formou, casou e é feliz? O que dá Ibope mesmo é que fulano traiu cicrana, o filho de beltrano foi preso, caiu o avião e morreu todo mundo. O povão adora a bagaceira...

Acompanho muito de perto estes dramas. Dentro de minha família, na vida de conhecidos, pessoas se digladiando, lançando os pedaços nos liquidificadores e tomando o suco da infâmia. Vizinhos brigando e todo mundo com o copinho colado na parede para ouvir os detalhes mórbidos ao invés de dobrar o joelho e orar pela paz. Famílias desestruturadas, sociedades doentes, agonizantes...

O pior de tudo é que sabemos que isso seria assim. Na verdade, a tendência é que piore, pois lemos:

“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. – Mateus 24:12

Aos que ainda se importam em conciliar, amar, perdoar, curar, fica o próximo versículo:

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. – Mateus 24:13

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tinha me esquecido que não sou o único...


Ora, Acabe contou a Jezabel tudo o que Elias tinha feito e como havia matado todos aqueles profetas à espada. Por isso Jezabel mandou um mensageiro a Elias para dizer-lhe: "Que os deuses me castiguem com todo o rigor, caso amanhã nesta hora eu não faça com a sua vida o que você fez com a deles".

Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. Em Berseba de Judá ele deixou o seu servo e entrou no deserto, caminhando um dia. Chegou a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele e orou, pedindo a morte. "Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados. "

Depois se deitou debaixo da árvore e dormiu. De repente um anjo tocou nele e disse: "Levante-se e coma". Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo.

O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: "Levante-se e coma, pois a sua viagem será muito longa". Então ele se levantou, comeu e bebeu. Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até que chegou a Horebe, o monte de Deus.

Ali entrou numa caverna e passou a noite. E a palavra do Senhor veio a ele: "O que você está fazendo aqui, Elias? " Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me".

O Senhor lhe disse: "Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois o Senhor vai passar". Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve o murmúrio de uma brisa suave.

Quando Elias ouviu, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna. E uma voz lhe perguntou: "O que você está fazendo aqui, Elias? " Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me".

O Senhor lhe disse: "Volte pelo caminho por onde veio, e vá para o deserto de Damasco. Chegando lá, unja Hazael como rei da Síria. Unja também Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel, e unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, para suceder a você como profeta. Jeú matará todo aquele que escapar da espada de Hazael, e Eliseu matará todo aquele que escapar da espada de Jeú.

No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram"
. - 1 Reis 19:1-18

Estou envergonhado comigo mesmo. Sem notar, mais uma vez entrei numa espiral descendente e – quando me dei conta – estava no fundo de uma caverna, lambendo minhas próprias feridas, acreditando piamente que eu era “o único” que estava sofrendo perante um conjunto de situações às quais julgava eu ser opressoras somente para mim.

Numa situação dessas, você de repente começa a contextualizar as situações quotidianas de forma que encontra desculpas para tudo o que você decidir fazer ou deixar de fazer. E se você é confrontado por alguém que quer te tirar deste limbo, abre uma gigantesca lista de tudo o que sofreu, está sofrendo e sofrerá, tentando despertar a compaixão daquele que percebeu que você estava afundando para que ele te deixe em "paz" com seus problemas. Pode até funcionar com um ou outro, mas, com isso, você sai de cena e passa a ser contado entre os coitados.

Quando estamos assim, acreditamos nas nossas próprias justificativas ao descrevermos o quadro que nos encontramos. Afinal de contas, "os leões são assustadores e estão lá fora à espreita, as dores são insuportáveis, as calúnias são dignas de processos por danos morais, as distâncias e alturas são realmente intransponíveis, os caminhos são deveras perigosos, as noites são mais frias e escuras" e por aí vai...

Só que tem um "porém": Gente como eu, quando cai nessa de ficar ficar se achando o coitadinho e se isola, tendo vivido o que já vivi com Deus, não tem para onde correr. Para onde for, encontra o Espírito de Deus incomodando, dando na cara, jogando baldes de água fria para ver se tira o indivíduo deste ridículo estado de apatia.

Assim, “descubro” que não sou o único que está tendo que enfrentar os leões, suportar as dores, levantar a cabeça perante as calúnias, percorrer distâncias desgastantes, escalar picos aparentemente inatingíveis, trilhar caminhos cheios de armadilhas no meio da aparente escuridão.

E isso não tem nada a ver com o que o “sinédrio” disse a mim no texto anterior. Refiro-me ao caminhar que cada um de nós tem pelo simples fato de existir nesta terra cada vez mais desolada, onde o amor cada vez mais se esfria, onde o hedonismo impera, onde as injustiças te cecam. E coitado daquele que não tem a coragem de assumir isso, preferindo usar a capa de super-crente...

Na verdade, não precisava nem ter escrito o que escrevi! Bastava apenas ter colocado o texto bíblico acima e ficaria subentendido tudo o que falei agora. Não sou melhor nem pior do que os outros, muito menos sou o único que está vivendo isso. O problema foi eu achar isso e usar como desculpas para a vontade louca que tive de jogar tudo para cima, esquecendo-me do que diz o Salmista:

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”Salmo 119-105

Lâmpada para os meus pés, não um holofote que ilumina toda a estrada, luz suficiente apenas para eu dar o próximo passo, desde que este seja para frente pois – se eu buscar a segurança total que um covarde precisa para continuar andando – morrerei frustrado, desiludido da fé, desiludido da vida, de Deus...

Ele não promete isso. Ele disse:

“...eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”Mateus 28:20-b

Foi um lindo “sacode” o que levei ontem, e glorifico a Deus por ele (o sacode) ter sido dado exatamente onde eu nem imaginava que levaria, provando que eu não era o único que estava tendo que lidar com toda esta demanda, dentro daquele contexto. E não foi através de algo devastador como um vento fortíssimo, um terremoto ou fogo: Foi como numa brisa suave que ouvi, ao final de tudo:

“...pois João, NÓS, PORÉM, NÃO SOMOS DOS QUE RETROCEDEM E SÃO DESTRUÍDOS, MAS DOS QUE CRÊEM E SÃO SALVOS
(parafraseando Hebreus 10:39)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Está acontecendo algo...



“Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite. E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte. Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Mas ai da terra e do mar! porque o Diabo desceu a vós com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta.”Apocalipse 12.10-12

Tenho certeza absoluta que não sou só eu que está sentindo que neste momento específico da história da humanidade está havendo um alvoroço no mundo espiritual. A coisa está tomando um rumo tão "extra-ordinário" que por vezes me sinto personagem do filme Constantine.

Pequenos detalhes, que se forem analisados individualmente podem ser considerados como mera coincidência, estão acontecendo em grande escala não só ao meu redor, mas também na vida de diversas pessoas que eu conheço. Aquela sensação de “1 + 1 = 3” está demais. De fenômenos físicos a pequenas sutilezas espirituais, um monte de situações está tomando vulto.

Como costumo dizer, parece até que dá para sentir o cheirinho de enxofre no ar. Se você ficar atento, não só o cheiro irá impregnar suas narinas, mas também passará a ver e ouvir certas coisas estranhas acontecendo.

Estou falando sobre isso de maneira aparentemente superficial, mas quem tem o Espírito sabe o que quero dizer. Existe uma opressão no ar. Parece que às vezes você quase chega a ouvir risadinhas pelos cantos, correria de alguém tentando se esconder, a respiração nauseabunda de um ou outro bem próximo a você.

Já vivi algo parecido antes, logo que me converti. Só que agora está algo praticamente tangível, mensurável.

Sábado a noite por exemplo, estava em casa assistindo o Caio Fábio no Vem e Vê TV e estavam debatendo sobre este tipo de fenômeno paranormal. Na verdade foi aí que eu consegui juntar as pecinhas do quebra-cabeças que estavam faltando.

Quando acabou o programa (acho que era o Papo de Graça), chamei minha mulher e ambos nos ajoelhamos na sala. Começamos a orar e, neste momento, parece que uma venda caiu de meus olhos. O Espírito de Deus deu direções muito especificas sobre quais assuntos deveriam ser mencionados em nossa oração. Realmente estava acontecendo coisas estranhas.

Por falar em estranheza, o que tem diferenciado este momento de outros que já notei este tipo de coisa acontecer está sendo o fato de antes o inimigo de nossas almas ser um pouco mais discreto, só que agora não. Parece que o que o imundo e seus asseclas estão fazendo ou prestes a fazer é tão urgente que já não fazem questão de não serem notados.

Para ilustrar, imagine alguém entrando ou saindo de seu prédio com uma sacola nas mãos. Parece algo normal, algum morador que você não conhece ou algum entregador levando algo para um apartamento específico. No caso, a sensação que tenho é a de quê alguém está de mudança, carregando um monte de coisas ao mesmo tempo juntamente com vários ajudantes, sem fazerem questão de respeitar a lei do silêncio.

Esbarram em você e nem se dão conta do que fizeram, pois o que eles estão fazendo é algo tão importante e urgente que parece não importar se esbarrou ou não, se você os viu ou não, de tão entretidos que estão em suas atividades. Parece que eles tem um prazo a cumprir e estão atrasados.

Acho que isso define bem o que estou notando.Quanto a isso tudo, creio que o mais importante que estou fazendo e todos devam fazer baseia-se nas seguintes passagens bíblicas:

“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.”
1 João 1.5-7

E também:

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.”Tiago 4.7

Take care...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sonhei de novo...


"Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará. Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua mão direita. De dia o sol não te ferirá, nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre." - Salmo 121
Sonhei de novo...

Desta vez foi um sonho muito louco, como todo bom sonho.

Estava eu fazendo compras em um lugar, pegando todos os produtos que estava precisando. Não lembro quais eram, só lembro que – ao passar no caixa – em vez de ensacolar os produtos eu os coloquei em 4 caixas grandes.

Na hora de transportar as caixas, eu tinha que descer as caixas uma a uma por escada que estava apoiada como se fosse em uma parede (estas - tanto a escada quanto a "parede" surgiram do nada). Logo que tomei a primeira caixa em um braço e me preparei para descer os degraus, notei que a escada estava presa por dois ganchos metálicos e não mais na parede. Estes ganchos eram presos em uma espécie de cabo de metal e estavam começando a escapar.

Em um movimento típico de sonho, quando nos tornamos quase super-heróis, eu agi como se tivesse um “braço a mais” (no mínimo um a mais, mas deveria estar com vários), segurando a caixa, apoiando a escada (que a esta altura estava abaixo do cabo de metal e permanecia em pé pela misericórdia de Deus...), pegando os ganchos que estavam se desfazendo e os entortando novamente para ficarem novamente na forma de anzóis.

Consegui deixá-los na forma desejada, enrolei as pontas dos mesmos no cabo (isso enquanto a escada balançava muito!!!!) que não mais apoiava diretamente a escada e comecei a descer com a primeira caixa.

No sonho, eu via a cena pelo meu ponto de vista (o de quem estava na escada tentando prendê-la em seu apoio) e via também de fora (como um espectador), o que me deixava tão agoniado quanto. Sei que consegui armar a tralha toda e iniciei a descida...

Nisso eu acordei e tive que levantar rapidamente pelo fato do despertador não ter tocado e com isso a Cilene estava atrasada para o trabalho.

Levantei com aquela sensação de “pqp! Queria saber o final do sonho!

Pelo que entendi e pelo que escrevi no meu texto anterior, fiquei com a nítida impressão que estava de pé pelo fato do Senhor estar me dando tantos braços quanto necessários para me sustentar, ao mesmo tempo que estava recebendo a provisão diretamente dos Céus, mas tendo que controlar todas minhas angústias e temores.

Digo isso pois já caí de escada, dessas de abrir em duas. O cabo que limita a abertura das duas “pernas” da escada se rompeu e literalmente fiquei sem chão, aquela sensação de queda livre que temos no Turbo Drop do Playcenter, indo parar no chão, mais assustado do que machucado.

A sensação da possível queda livre com as compras me gelou a espinha. Ao mesmo tempo, com os meus braços eu consegui apoiar a primeira caixa, segurar a escada (que apareceu do nada) que não estava mais apoiada em nada, arrumar o gancho e o prender neste cabo (que também apareceu do nada), assim como meus braços e mãos. Parecia que Deus estava falando comigo sobre a forma Dele me sustentar sobrenaturalmente...

Ainda estou assustado. Olhar para baixo (o quê denota “olhar para as circunstâncias”) assusta mesmo. O que me manteve intacto no sonho foi não olhar para as minhas limitações na situação e sim acreditar de uma forma inexplicável que não cairia nem deixaria minhas caixas para trás. Parecia que as coisas aconteciam pelo fato de'u pensar que elas tinham que acontecer!

Algum psicólogo ou profeta me ajude a desvendar o mistério...

domingo, 3 de abril de 2011

Que título dou a este post?


Decidi escrever sem ter bem ao certo sobre o quê...

Foi assim desde o princípio deste blog. Não é todo dia que tem um assunto específico. Já escrevi até baseado em "encomendas" da bispa de da apostolisa (eu e meus neologismos...) ou de frutos de conversas com outras pessoas e direções específicas do Senhor. Só que hoje escrevo apenas por escrever.

Escrevo pois através deste veículo, consigo colocar para fora algo que na verdade nem está dentro dos parâmetros convencionais.

Quando decido escrever sem assunto específico, deixo o vácuo em minha mente colocar para fora meus devaneios, minhas emoções, minhas percepções de algo que não é tangível, mensurável.

Pode parecer meio bobo, mas gosto disso. Aliás, para quem é está muito bom (eu = bobo).

Nunca quis demonstrar ser algo ou alguém que sempre teria algo útil para passar ao meu leitor. Escrevo primeiramente para mim e deixo a critério de quem lê decidir se aquilo foi de alguma valia ou não, ao mesmo tempo sem me preocupar com este feedback.

Tem coisa melhor para quem "bloga" (acabou de virar verbo) do que simplesmente sentir o prazer de sentir seus dedos deslisando pelo teclado sem se preocurar com fórmulas, conceitos teológicos ou filosóficos, mas apenas pelo escrever em si?

Como alguém disse por aí, "navegar é preciso, viver não é preciso"...

Escrever também é como navegar, tipo uma terapia entre você e você mesmo. Curto compartilhar estes momentos e a muito tempo não sento a bunda numa cadeira à frente de um teclado de lan house (por enquanto, vou pegar minha máquina em breve, de alguma forma...) sem ter um assunto específico à tratar.

(Aproveito o momento para mais uma vez pedir desculpas a todos aqueles amigos verdadeiros, ainda que através da virtualidade, por não poder estar presente no espaço virtual de vocês.)

Estes dias iniciais de adaptação à Universidade tem me consumido muita energia, mais do que tempo propriamente dito. Tenho que lidar com novos conceitos, orando à Deus para que Ele abra meu entendimento para a enxurrada de informações que tem sido derramada em minha mente.

Ainda estou preso ao modelo antigo de aprendizado, com professores pacientemente explicando as matérias, parando e tirando dúvidas, ao mesmo tempo que faço anotações. Eu sou das antigas e tentei me adaptar ao "novo mundo" desta forma, só que isso simplesmente não está funcionando.

"Todos" os alunos, a grande maioria teens, simplesmente colocam seu "MP mil" sobre a mesa do professor enquanto ele literalmente disseca a matéria. Fui obrigado a me adaptar e somente este fim de semana consegui comprar um "chinezinho" para me auxiliar no processo...

Por falar em dissecar, ontem tive aula de Anatomia. Sabadão, 5 horas de aula, fala sério! Por outro lado, é o dia mais produtivo para mim, pois vou de minha casa pra a facú sem me preocupar em chegar atrasado. E ontem foi punk, muito punk...

Fomos instruídos a levar aventais (jalecos) pois a aula teria uma parte prática. Só não esperava que ela fosse TÃO prática como foi. A última hora de aula foi na "ala, sala" (sei lá o nome daquilo) onde os estudantes de Medicina da facú aprendem a "Anatomia em Braile"...

Antes de descermos, o professor avisou que respeitaria os limites de cada um neste processo de adaptação e não se importaria caso algum aluno não aguentasse entrar no "recinto" (melhor assim). Também brincou, dizendo: "Vocês acharam que o curso de Nutrição se limitaria a aprender receita de bolo?"...

Ao entrarmos, dois cadáveres nos esperavam. Fui direto aos corpos, corpos estes conservados em um produto químico (que ainda vou descobrir o nome) que o deixaram amarronzados. O cheiro era horrível. Não cheiro de carne podre, mas era uma mistura nauseabunda deste tal produto químico com um cheiro de algo que não consigo definir, mas certamente era o dos dois corpos + esta mistura.

Analisamos a musculatura dos cadáveres, matéria teórica da aula anterior. Era impossível respirar fundo sem sentir ânsia. Nunca tive problemas em lidar com estes assuntos (como costumo dizer, tenho "sangue no zóio"), só que desta vez a sensação foi inexplicável.

Olhava aqueles corpos sem vida, um deles "prestando serviços" à mais de 10 anos (segundo um dos alunos de Medicina que ficaram incumbidos de dar esta aula prática) aos alunos da Faculdade de Medicina e Nutrição, com uma pergunta idiota que me incomodou muito durante toda aula: "Imagina você entrar numa sala daquelas e encontrar uma pessoa conhecida sua e que simplesmente desapareceu ou que você imaginou que estava enterradinha da silva?"

Fala sério, eu viajo muito mas era isso que eu pensava durante toda explicação anatômica.

Uma garota não aguentou e saiu da sala, tipo um lugar para necrópsias. Só esqueci de falar no início que na sala ao lado tinha uma portinha entreaberta e nela pude ver alguns caixões vazios. Aquilo aumentou minha sensação de desconforto, pois fiquei imaginando idiotamente que os alunos tinham que sair a noite, pular os muros dos cemitérios e sair carregando caixões nas costas para levar àquele lugar para serem dissecados.

Bem, acho que na verdade precisava desabafar. A sensação de lidar com a morte por este ângulo estava me deixando incomodado. Fiquei também com a sensação de que aquele cheiro não sairia de meu nariz por vários dias...

Well, como diria o filósofo "bigbrotheriano" de algumas edições atrás, "faz parte".

Como ironizou o professor, que venham logo as receitas de bolo!!!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Quer aprender comigo ou com eles?


“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão.”João 10.27-28

Lembro-me como se fosse hoje: No afã de seguir a cartilha denominacional, decidi cursar Teologia. Já não bastava todos os bons livros que comprava aleatoriamente nas livrarias evangélicas, baseando-me apenas nas indicações que recebia ou do que lia nas contra-capas. Não queria mais apenas ser um esquentador de banco. Tinha que mostrar a Deus e aos homens que estava avançando firmemente em direção ao que considerava ser formação de um líder cristão qualificado.

Sem dinheiro, conversei com os diretores do Instituto onde cursaria Teologia. Aceitaram minha inscrição praticamente sem custos em troca de serviços prestados diariamente, chegando uma hora antes do início das aulas e ajudando a tirar cópias das apostilas, limpando a sala de aula, coisas assim.

Orgulhoso, dizia a todos que estava cursando Teologia. Aquilo soava lindo demais, era quase um curso superior, em breve aceito pelo MEC, estas patacoadas todas. Achava o máximo os mapas bíblicos sendo dissecados pelos professores, ver aquele monte de rabiscos em grego e hebraico sem entender patavina nenhuma sendo pacientemente explicados por meus mestres.

Sentia-me realizando um sonho! Se antes já tinha uma relação intensa com meu amado Senhor, imagine então todo “teologado”? Se já tinha experiências extremamente sobrenaturais na área de batalha espiritual, imagine então eu puxando meu canudo de teólogo e esfregando na cara do capeta? E assim eu caminhava, iludido por minha carnalidade, numa tentativa inútil de emoldurar meu Deus num quadro limitado, formalizando uma relação que, apesar de recente, era intensa, verdadeira.

Só que algumas coisas aconteceram neste meio tempo. Coisas ruins, muito ruins...

Um dia cheguei mais cedo do curso e minha ex-mulher não estava em casa. Senti um frio na espinha e saí de casa, deixando tudo como estava. Esperei dar o horário que costumava chegar e voltei para casa. Minha ex estava tomando banho. Naquela época ela assistia novelas e eu perguntei como tinha sido aquele capítulo. Ela comentou que tinha sido legal (bem genérico) mas não tinha prestado muita atenção por estar fazendo outras coisas em casa.

Perguntei então que horas ela tinha chegado e ela me disse que tinha sido tipo umas duas horas antes deu ter aparecido sem ela saber, ao que eu respondi: VOCÊ ESTÁ MENTINDO SUA P*$#@!, ONDE VOCÊ ESTAVA? EU CHEGUEI EM CASA NA HORA DA NOVELA E VOCÊ NÃO ESTAVA!

Prefiro não dar mais detalhes do que aconteceu naquela noite surreal (me dá náuseas mexer nesta fossa...). Só sei que parei o curso no mesmo dia por ter perdido (mais ainda) a confiança em quem deveria estar me dando apoio naquele momento de minha vida.

O que me dava um alento era já ter aquela relação com Deus que alguns tentava fazer eu considerá-la insuficiente e nela Ele me dizia que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”... (Romanos 8.28)

Sem cursar Teologia e com o casamento cada vez mais deteriorado, decidi que não poderia conciliar estar fora de casa a noite para estudar com aquele barco indo a pique que era minha relação. Como estudar então?

Passei a comprar mais e mais livros, só que desta vez voltados para as matérias que tinha começado a estudar no Instituto Bíblico (prefiro não falar o nome para não revelar a denominação). E lá fui eu me engraçar com o primeiro livro que comprei, a respeito de Hermenêutica.

Todo pimpão, andava com aquele livro pra cima e pra baixo, fazendo um esforço desgraçado para conseguir avançar na minha leitura. O problema é que aquele primeiro livro parecia estar selado para mim, não conseguia romper o lacre, não conseguia ler mais do que duas páginas sem ter que parar, respirar fundo, voltar atrás e reler novamente.

Não saía água viva de lá! Não tinha fôlego, era árido, me tirava as forças. Pensava que teria que orar mais para ter entendimento daquilo tudo. Afinal de contas, seria autodidata até o momento que estivesse vivendo outro contexto relacional. Orando por “aquela” sabedoria específica, comecei a ouvir de Deus através de seu doce e irônico Espírito Santo (sim, Ele é bem irônico quando quer, e só quem com Ele se relaciona sabe disso) algumas coisas que iam contra meu intento de me aprofundar nas doces artes hermenêuticas.

Tentava racionalizar o que ouvia e dizia para mim mesmo que deveria ser alguma rádio pirata sendo sintonizada pelo meu receptor espiritual. Só que tinha outro problema: como dizia o Renato Russo em uma das músicas da Legião Urbana, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...”. Sabia o que Deus queria mas estava fingindo não entender. Como poderia me mostrar uma pessoa digna de confiança para aqueles que me ouvissem anunciar as boas novas se eu não tivesse uma sólida base acadêmica na área teológica?

Para bater o último prego no caixão daquele debate com o Senhor, o Espírito Santo falou comigo claramente:

Você quer que Eu continue te guiando e falando contigo como sempre fiz ou prefere seguir a sabedoria deste mundo? Você me conheceu aprendendo regras de como se relacionar comigo e de como interpretar minhas palavras ou foi simplesmente se humilhando e pedindo sabedoria?

Com este esporro via megafone espiritual em minha orelha (e que reverbera até hoje), enfiei o rabinho entre as pernas, peguei o bendito livro da santa, imaculada e indispensável Hermenêutica Bíblica, rasguei folha por folha e fiz uma fogueirinha no fundo do quintal. Entendi que buscava provas documentais para mostrar aos homens que eu tinha uma relação com o Senhor. O problema básico era o preço a ser pago por isso: Deixaria de ter uma relação pessoal e passaria a ser um mero expositor de um produto religioso chamado "deus".

Este meu relato talvez possa escandalizar alguns nobres irmãos que seguiram este caminho. Minha intenção não é esta. Quero apenas dizer que COMIGO o Senhor agiu e vem agindo desta forma. Como eu sei que é Ele e não coisa de minha cabeça? Por ser ovelha e conhecer a voz do Bom Pastor. Como eu posso provar isso? Não posso, apenas respondo por mim, assim como fez o cego de nascença aos que o interrogaram:

Então chamaram pela segunda vez o homem que fora cego, e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo. Perguntaram-lhe pois: Que foi que te fez? Como te abriu os olhos? Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não atendestes; para que o quereis tornar a ouvir? Acaso também vós quereis tornar-vos discípulos dele? Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele és tu; nós porém, somos discípulos de Moisés."João 9.24-28

segunda-feira, 21 de março de 2011

Louvor, comunhão, discernimento, livramento, avivamento...

Há algum tempo tenho notado a presença do Espírito Santo agindo de uma maneira especial em minha vida, me influenciando a tomar decisões e direções específicas, como a muito tempo não acontecia. Isso até se deu (o “não acontecer”) por eu ter endurecido meu coração para alguns assuntos espirituais e relacionais, devido à porradas que tomei e não soube lidar.

Entretanto, desde que notei isso acontecendo, tornei a me inclinar ao Senhor como nos primeiros dias. Inevitavelmente, passei a ter uma maior comunhão com o Senhor e Ele passou a encontrar espaço em mim para agir.

Uma das decisões que tomei e cheguei até a insinuá-la em um de meus últimos posts foi a de que voltei a dar espaço ao sobrenatural de Deus em minha vida. Não consigo conceber uma relação com Deus onde somente a mente ou somente o sobrenatural domine. É necessário o movimento constante do pêndulo em um e outro extremo para que haja uma vida cristã autêntica e equilibrada.

Com espaço para agir, o Senhor passou a me dar discernimento sobre certas situações que eu estava vivendo sem, entretanto, conseguir alcançar êxito.

Isso posto, vou tentar abreviar o que aconteceu comigo este final de semana.

Como alguns da “cúpula” da IBL devem se lembrar, após ter recebido a excelente notícia de ter conseguido uma vaga em Nutrição na Unirio, revertendo um quadro aparentemente impossível (alguns teriam desistido no primeiro “não”), disse em um email de agradecimento aos meus amados irmãos que perseveraram em oração que:

“...com este ‘Sinédrio’ unido não tem oração contrária que resista!

Vou te falar: O que teve de gente que ficou feliz ao ver que eu tinha rodado! Agora, como disse o Velho Lobo Zagallo, VÃO TER QUE ME ENGOLIR!

Não no sentido de orgulho, pois estou ciente que isso que aconteceu foi um "mimo" do Papai, mas no sentido de poder testemunhar que SIM, DEUS FAZ O QUE QUER, QUANDO QUER E SE QUISER!”


Isso foi sexta feira durante o dia. À noite, cheguei em casa após ir à academia, fiz uma pizza (FIZ, não comprei pronta), jantei com meu amor e fomos dormir. Lá pelas tantas da madrugada acordamos com uma explosão muito forte. Corri para a varanda e vi um carro preto, grande, luxuoso (não consegui identificar o modelo) parado em frente ao prédio que moro. Um homem desceu do carro se dirigiu até onde estavam colocados dois grandes sacos de lixo preto, se agachou e aparentemente remexeu os sacos.

Fiquei olhando aquilo sem saber o que ele estava fazendo, até que ele olhou para cima, me encarou por alguns segundos e entrou no carro. Antes de ver o que aconteceria saí da varanda, fechei a porta de vidro e entrei no meu quarto, voltando a dormir alguns instantes depois. Na teoria o carro parado não tinha necessariamente ligação com a explosão...

No dia seguinte pela manhã encontrei o zelador de meu prédio e perguntei se ele sabia o que tinha acontecido. Ele disse que tinha enchido a cara na noite anterior e nem ouviu o que aconteceu. Saí então com ele e expliquei o que havia visto, reconstruindo os movimentos do homem que saiu do carro. O pessoal do bar da frente estava prestando atenção e perguntei também para eles se haviam visto/ouvido algo e um deles disse que o kit gás do carro tinha explodido.

Aliviado, disse “que bom, pois quando houve a explosão fiquei preocupado pela forma que o rapaz ficou olhando para mim quando ele me viu na varanda na hora que ele remexia aqui nos sacos de lixo...” enquanto refiz os movimentos daquele homem.

Para surpresa minha, ao levantar o saco de lixo encontrei algo que não esperava: Um cartucho calibre 12...

Todos vieram ver o cartucho. Eu achei que ele estava deflagrado, o que explicaria o som de “explosão”, mas eles falaram que aquele cartucho estava intacto. Um deles disse para o outro: “é, não explodiu kit de gás p@#*! nenhuma, foi tiro mesmo!...”

Sem saber como agir, peguei o cartucho e disse: “vou encontrar alguém para entregar isso”, obviamente pensando em algum policial. Saí, comprei pão com aquela coisa na minha mão e vi uma viatura da polícia passando na pista contrária ao lado da calçada em que me encontrava. Orei rapidamente a Deus, pedindo que ele não me deixasse entrar em alguma enrascada e acenei.

Eles pararam a viatura e eu comecei a explicar o que tinha acontecido ao policial que estava no volante, enquanto outro desceu com metralhadora em punho e perguntou pra mim: “Ei, isso em suas mãos é munição?” ao que respondi meio que inconseqüentemente: “É exatamente sobre isso que estou falando com seu companheiro...”

Entreguei o cartucho aos policiais (após o que desceu baixar a metralhadora que estava “meio” apontada em minha direção...), fui instruído a ligar para o 190 caso acontecesse algo diferente e fui embora, tremendo nas bases (algumas vezes temo mais a polícia do que os bandidos...).

Conversei muito mais sobre Deus com a Cilene durante aquele dia, um dia “ressaquento” digamos assim. Durante a noite não sabia exatamente o que assistir na TV por “sentir” que não era para perder tempo com nenhum lixo que estava passando. Como que para confirmar o que sentia em meu espírito, faltou luz...

Fui com a Cil para a varanda e conversei muito mais a respeito o que Deus vinha fazendo em minha vida. Falei de minha desilusão com a liderança da igreja que insistia que eu deveria fazer um “A Sós Com Deus” e me deixava com a sensação de ser um neófito na fé (aos olhos deles), falei da forte impressão que a atual igreja que estávamos indo tinha um “quê” de “Arca de Noé”, apenas preocupada em salvar quem estava dentro, falei de minha visão de “não deixar de congregar”, dizendo que “congregar” era mais do quê estar no templo construído por homens e sim estar em comunhão com gente “de Deus mesmo”, como o que tem acontecido entre eu e o René, a Regina, o Cláudio, a Dri, o Wendel (não é jabá nem “puxa-saquismo”, pergunta pra ela se não falei muito sobre vocês, em lágrimas...) e tantos outros que conheci virtual ou pessoalmente e que me influenciaram profundamente.

Sentindo-me mais leve e cansado de levar picada de mosquito, entramos e fechamos a porta da varanda. Sem luz, a sala estava meio abafada. Fomos para o quarto, acendi uma vela e pedi a Deus para que Ele nos desse uma palavra específica sobre o que tínhamos conversado, até para selar aquele momento, pois em nossa conversa foquei muito no que tinha vivido com o Senhor em comunhão simples, sem a necessidade de “um pregando e o resto dizendo amém”...

Enquanto a Cilene foi ao banheiro eu orei a Deus dizendo, “Senhor, eu sei que queres estreitar nossa relação, assim como éramos no início de minha caminhada. Pode deixar Senhor, vou continuar na sua presença mas faz voltar a luz, aqui está muito abafado...”

Abri a Bíblia ao acaso e comecei a ler aleatoriamente, mas NÃO procurando um texto tipo, “fala comigo Deus!”.

Caiu em Isaías 26:

“Naquele dia este cântico será entoado em Judá:

Temos uma cidade forte; Deus estabelece a salvação como muros e trincheiras.Abram as portas para que entre a nação justa, a nação que se mantém fiel. Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia. Confiem para sempre no Senhor, pois o Senhor, somente o Senhor, é a Rocha eterna.

Ele humilha os que habitam nas alturas, rebaixa e arrasa a cidade altiva, e a lança ao pó. Pés as pisoteiam, os pés dos necessitados, os passos dos pobres. A vereda do justo é plana; tu, que és reto, tornas suave o caminho do justo.

Andando pelo caminho das tuas ordenanças esperamos em ti, Senhor. O teu nome e a tua lembrança são o desejo do nosso coração. A minha alma suspira por ti durante a noite; e logo cedo o meu espírito por ti anseia, pois, quando se vêem na terra as tuas ordenanças, os habitantes do mundo aprendem justiça.

Ainda que se tenha compaixão do ímpio, ele não aprenderá a justiça; na terra da retidão ele age perversamente, e não vê a majestade do Senhor. Erguida está a tua mão, Senhor, mas eles não a vêem! Que vejam o teu zelo para com o teu povo e se envergonhem; que o fogo reservado para os teus adversários os consuma.

Senhor, tu estabeleces a paz para nós; tudo o que alcançamos, fizeste-o para nós. Ó Senhor, ó nosso Deus, outros senhores além de ti nos têm dominado, mas só ao teu nome honramos. Agora eles estão mortos, não viverão; são sombras, não ressuscitarão. Tu os castigaste e os levaste à ruína; apagaste por completo a lembrança deles!

Fizeste crescer a nação, Senhor; sim, fizeste crescer a nação. De glória te revestiste; alargaste todas as fronteiras da nossa terra. Senhor, no meio da aflição te buscaram; quando os disciplinaste sussurraram uma oração. Como a mulher grávida prestes a dar à luz se contorce e grita de dor, assim estamos nós na tua presença, ó Senhor.

Nós engravidamos e nos contorcemos de dor, mas demos à luz o vento. Não trouxemos salvação à terra; não demos à luz os habitantes do mundo. Mas os teus mortos viverão; seus corpos ressuscitarão. Vocês, que voltaram ao pó, acordem e cantem de alegria. O teu orvalho é orvalho de luz; a terra dará à luz os seus mortos.

Vá, meu povo, entre em seus quartos e tranque as portas; esconda-se por um momento, até que tenha passado a ira dele. Vejam! O Senhor está saindo da sua habitação para castigar os moradores da terra por suas iniqüidades. A terra mostrará o sangue derramado sobre ela; não mais encobrirá os seus mortos”.

Glorificamos a Deus por aquele momento. Entendemos que Ele havia me dado um livramento de morte aquela noite anterior (afinal de contas, o inferno não ficou nada satisfeito com minha vitória e com o que disse no email que enviei ao presbitério da IBL, glorificando ao Senhor). Entendi que estávamos tomando a direção certa em não mais nos preocupar nos “senhores” que dominavam sobre nós (a “igreja”). Relemos o texto juntos mais duas vezes, glorificando ao Senhor. Nisso, voltou a luz...

Domingo de manhã fomos a outra igreja para visitar, mas EM OUTRO ESPÍRITO. Foi uma benção. Hoje, um novo dia, na presença do Senhor...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sonhei, parte 1

Há alguns anos atrás, sonhei que estava levando minha ex-esposa no ponto de ônibus pela manhã (e sonho de pobre é uma merda mesmo...). No meu sonho, assim que ela pegou o ônibus, veio logo atrás outro ônibus indo para Itapecerica da Serra. Por alguma razão, eu dei sinal. Subi no ônibus e fui até o final da linha. Ao chegar lá comecei a andar pela cidade, mas não era Itapecerica, e sim São Vicente, litoral paulista. Fui andando em direção à Ilha Porchat. Gostava muito de São Vicente naquela época..

Andando pelas pedras vi um homem de joelhos. Parei ao seu lado e vi que ele estava chorando. Coloquei minhas mãos sobre sua cabeça e comecei a ministrar sobre a vida dele. Quando fiz isso eu acordei com o despertador. Sonho louco, pra variar.

Levantamos, tomamos café e fui levá-la ao ponto. Ela pegou o ônibus e adivinha: logo atrás vinha um Itapecerica da Serra. Por impulso dei sinal e subi. Estava encanado com o sonho, queria ver o que ia acontecer.

Cheguei ao ponto final e comecei a andar. Andei, andei e nada acontecia. Fiquei por lá meia hora batendo perna. Decidi voltar para casa.

Peguei um ônibus de volta e desci no Vila Remo. Ao passar em frente a uma padaria tive a impressão de ter ouvido alguém fazendo ‘psiu’, mas não deveria ser pra mim. Continuei andando e ouvi novamente o ‘psiu’, desta vez mais perto. Parei e olhei para trás. Era um homem de uns 40, 45 anos, roupas simples. Ele chegou perto de mim e disse: ‘Você não me ouviu te chamando não?’ Aquilo me irritou. Respondi ‘quem me conhece me chama pelo nome, não olho pra ‘psiu’. O que você quer?’

Ele me disse: ‘Não te conheço mas te vi passando pela porta. Quando você passou uma voz falou ao meu ouvido “chame ele e peça para ele orar por você”. Por isso te chamei.’

Me arrepiei todo. Perguntei: ‘Você é cristão?’ Ele respondeu ‘não, mas ore por mim’.

Me lembrei do sonho, do homem de joelhos e não pensei duas vezes. Coloquei a mão sobre a cabeça dele e comecei a orar. Dizia ‘Deus, em nome de Jesus, toma a vida deste homem em suas mãos...’ Nisso ele começou a tremer e caiu de joelhos. Ele, chorando, me perguntou: ‘moço, que poder é este que você tem?’ Respondi: ‘Eu não tenho poder nenhum, mas Deus, em nome de Jesus, tem todo o poder sobre os Céus e a Terra.’ Um monte de gente passava por nós, mas não estava nem aí. Obedecer é melhor do que sacrificar, como diz a Palavra...

Enquanto eu orava ele chorava e tremia. As pessoas que passavam não entendiam nada. Clamei pela vida dele, pela sua salvação, pela família. Quando acabei de orar ele me disse, com os olhos cheios de lágrimas: ‘Moço, eu estava na padaria tomando pinga com um amigo meu (eram 8 horas da manhã!) e de lá nós iríamos para os cinemas da Av. São João. Iríamos passar o dia assistindo filmes pornográficos. Agora não vou mais. Vem aqui, quero que você ore pelo meu amigo, ele precisa disso que você me fez.’

Entramos na padaria. O outro homem, visivelmente perturbado, ao me ver se encostou no balcão e gritou: ‘Eu não quero nada com você não, vai embora!!!’ O amigo dele replicou: ‘Fulano (não lembro dos nomes deles, para variar), ele orou por mim, quero que ele ore por você!’, mas ele fugia de mim. Fui até a direção dele e peguei em sua mão, mas senti que o que tinha que acontecer já tinha acontecido. Sem fazer julgamentos, mas era para orar só pelo primeiro rapaz. Disse apenas ‘Fica com Deus’ e me voltei para o outro.

Ele me pediu, olhos cheios de lágrimas: ‘Meu amigo, quero que você vá até minha casa e ore por todos que estão lá. Eles estão precisando de Deus’. Falei: ‘Então vamos agora!’ Ele replicou: ‘Não, é melhor que você vá no sábado.’ Ele então me passou o endereço e me mostrou ao longe onde era mais ou menos.

Fui para casa e, à medida que se aproximava o sábado, confesso que fui ficando cada vez menos à vontade para ir à casa dele. É aquela história do ‘panela suja se lava quente’.

Chegou o sábado. Peguei o papel com o endereço, minha Bíblia e fui procurar sua residência. Perguntei pra um onde era a rua; não sabia. Perguntei para outro; também não sabia. Andei uns 10 minutos e confesso que fui ficando aliviado por não encontrar o endereço que ele me passou. Existem situações que tem que ser resolvidas na hora. Voltei para casa com um peso enorme na consciencia.

Na época me condenei muito por não ter insistido em ir no mesmo dia nem de não ter ficado mais tempo procurando a casa dele. Hoje eu entendo que a parada era com ele. O sonho, o ônibus, o andar pelas pedras, o encontro, a oração...

Acredito que não devo ter sido o primeiro a ministrar sobre a vida dele, nem muito menos o último.

Não acho que pisei na bola...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os trens assombrados da linha Osasco x Jurubatuba - parte II (again)



Depois do último post Deus começou a me cobrar algumas coisas... Segue um dos posts que ELE pediu para eu postar novamente... (creia se quiser!)


Me converti na Universal. Conheci Jesus e a Palavra, fui batizado na água e no Espírito, tudo muito rápido. Foi um pronto socorro espiritual, um desfibrilador, uma quimioterapia digamos assim... Inicialmente me fez um bem muito grande por ter me tirado da morte, mas não tinha como continuar por lá depois de um tempo. Neste comecinho já era fortemente direcionado pelo Espírito Santo.

Procurei a Renascer em Cristo. Outro clima, mais jovem, a presença de Deus muito forte também. A ‘Bispa’ Sonia pregava a minha vida. Dava a impressão que ela estava acompanhando cada passo que eu dava. Domingão e pá! O Espírito Santo revelava detalhes de meu dia-a-dia durante a ministração da Palavra. Mas o Espírito não me deixava confortável. Parecia me empurrar para frente.

Sentia que Deus queria cavar mais fundo, pois eu havia dado toda liberdade ao Espírito para me dirigir. Parecia carro velho, onde parava eu pregava.

Fui fazer uma visita à Assembléia de Deus, creio que o ministério do Belém, perto de casa. Deus falou muito comigo, mas foi apenas uma visita. Os usos e costumes foram a razão de minha não permanência por lá. Minha ‘ex’ teria que mudar o ‘look’ e achávamos que não era por ai. Ainda não era casado, apenas namorávamos e ela morava no Jaguaré, razão pela qual passava algumas vezes na semana pela estação de trem de lá.

Nesta estação trabalhava um irmão ‘fogo puro’ chamado Gessi. Quando começamos a conversar ele me disse que era da Congregação Cristã no Brasil e eu disse que era da Renascer em Cristo. Nossa amizade foi se tornando cada vez mais profunda. Este irmão era daqueles que só de olhar em seus olhos começa a profetizar. Deus falava muito comigo através dele, dava até aflição. Ele, no meio da conversa e do nada me olhava, parava e dizia: ‘É varão...’ ficava em silencio por uma fração de segundo e eu sabia que vinha bomba. Ele nem falava ‘assim diz o Senhor’. Falava em primeira pessoa: ‘Eu vou fazer tal coisa em tua vida amanhã’. A parada acontecia do jeito que ele falava, fora fatos e dúvidas que se passavam em meu íntimo e que Deus revelava a ele.

Em nossas conversas, um belo dia estávamos falando sobre nossas igrejas ele fez um convite para eu ir visitar a Congregação onde ele congregava (me perdoe pela aparente redundância). Aceitei o convite e fui com a minha ex no sábado. Ele nos recebeu na estação de trem de Carapicuíba (sim, é longe pra caramba, como diria o Jota Quest) e nos levou à casa dele. Apresentou-nos seus amigos, familiares, irmãos e fomos ao primeiro culto. Deus falou demais. Demais. Demaaaaaaaaiiiiiiiisssss. Foi maravilhoso, me batizei nas águas (já era batizado, mas Deus me quebrou as pernas lá), a ex também.

Voltamos do culto e fomos para a festa de noivado da filha dele. Muito guaraná e salgadinho, bolo e docinhos. Conheci mais irmãos, me senti em casa. Orávamos, louvávamos. Rolou umas profecias dizendo que não era para eu me casar com a Rosi, rolou uns papos fortes sobre doutrina (ela estava de calça de moleton), um monte de coisa. A mesma irmã que falou da maneira de se vestir foi tomada por Deus e usada para ministrar sobre a vida dela. Ela foi batizada no Espírito Santo aquela noite. No fim da festa rolou até um ‘pega-pra-capá santo’: Os irmãos ‘cheios do espírito (com ‘e’ minúsculo mesmo), começaram a quebrar disco de musica secular, televisão, garrafa de bebida... Até eu entrei na ‘unção’ do ‘vâmo quebrá tuuuddoooo’ e joguei uns discos do Raul Seixas pela janela, aff...

No dia seguinte, depois de mais algumas visitas a outras ‘Congregações’ nas redondezas (foi uma imersão o que fizeram conosco), nosso irmão nos levou até a estação de trem e nos perguntou se gostaríamos de nos tornar membros da Congregação. Decidimos que sim, pois havia sido diferente de tudo o que tinha acontecido até então, mesmo pagando o preço de termos que mudar drasticamente nosso estilo de vida, devido aos usos e costumes desta denominação.

Agora que o bicho pega: Tomamos o trem em Carapicuíba e vínhamos conversando sobre tudo o que tinha acontecido naquele fim de semana. É importante frisar que estávamos conversando baixo. O trem não tinha muita gente. Um rapaz que estava sentado no outro extremo do vagão se levantou, veio até nós e pediu licença para conversar. Ele aparentava ser um cara normal, não demonstrava ser algum bandido. Concordamos e ele sentou-se ao nosso lado. Apresentou-se (na verdade não lembro o nome) e perguntou:

‘Vocês são crentes?’

Estávamos à paisana, nem Bíblia estava à mostra. Respondemos como o pessoal da Congregação constuma dizer:

‘Pela graça e misericórdia de Deus, SIM.

Ele perguntou: ‘de que igreja?’. Respondi, cheio de orgulho:

‘Somos da Congregação Cristã no Brasil!’


Nisso, o rapaz arregalou o olho e disse:

‘Aahhhhh.... com vocês eu não posso não!’

Pausa na cena, ‘a lá Matrix’. Inspire, respire...

Eu olhei pra ele e já o chamei pelo nome:

‘diabo, você de novo...’

Já fui querendo expulsá-lo, pra variar. Ele disse para mim:

‘calma, não vou fazer mal nenhum a vocês. Na verdade eu MORRI EM 1967 e estou aqui apenas para conversar um pouco’.

Era ele mesmo, o rabudo. Continuamos ‘conversando’ (entenda: ele falava e eu ficava ordenando que ele se fosse, em nome de Jesus) até que ele se levantou e desceu em uma estação.

Assim que ele desceu, me virei para a Rosi e disse:

'Você viu só como ele ficou quando dissemos que éramos da Congregação? Ele disse que conosco ele não tinha poder nenhum! Agora sim, estamos na igreja certa!'


Levei-a em casa e nos sentamos na calçada por um momento para conversar a respeito de tudo o que iríamos fazer dali para a frente. Meu amor por Deus era (e é) tão grande que estava disposto a tomar a direção que Deus desse para minha vida, para meu ministério. Nisso, o vizinho começou a reclamar que estávamos sentados na frente do portão dele. Nos levantamos. Afinal de contas, éramos servos do Altíssimo e não deveríamos ficar sentados no chão. Meu coração estava cheio de orgulho pela ‘descoberta’ da igreja certa.

No dia seguinte pela manhã, estava indo para o banco (trabalhava na Nossa Caixa). Abri minha Bíblia ao acaso e comecei a ler. Não gosto de brincar com a Bíblia, como se fosse uma caixinha de promessas, mas não há como negar que de vez em quando Deus fala SIM desta maneira conosco. Ela se abriu em Gálatas, e comecei a tomar um tapão atrás do outro:

Gl 1:6-12 - Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo...

A cada linha que eu lia ficava mais e mais tenso. Será que ‘era Deus’? Será que era coincidência? Será que o diabo tava tentando me enganar? Continuei lendo. Caía em trechos falando assim:

Gl 2:3-7 – Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, embora sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar; aos quais nem ainda por uma hora cedemos em sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. Ora, daqueles que pareciam ser alguma coisa (quais outrora tenham sido, nada me importa; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me acrescentaram; antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me fora confiado, como a Pedro o da circuncisão...

Lia e chorava... Cada linha escrita pulava em minha cara. Viva e pulsante... Não era possível! Tinha acabado de sair de um final de semana maravilhoso perante Deus e havia decidido mudar totalmente minha trajetória. Tinha aceitado servir ao Senhor, mesmo sob uma doutrina pesada, cheia de regras, por amor ao Senhor! Peguei meu filho Isaac – minha LIBERDADE – e coloquei no altar em sacrifício. A presença do Espírito Santo era muito forte. Li mais e mais em Gálatas e entendi que não era aquilo o que Deus queria de mim... Abri em outro trecho da Bíblia. Meu queixo caiu mais ainda:

Cl 2:4 – Digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas...

Cl 2:8 – Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo...

Cl 2:16 – Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados...

Cl 2:18 – Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal...


Estava desesperado e ao mesmo tempo aliviado... O Espírito continuava derramando seu bálsamo:

Cl:2-20-23 – Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.

Era Deus e era comigo. Sei que toda Palavra é Deus, mas ali era direto para aquele assunto. Bati o martelo: Não ficaria na Congregação.

Encontrei-me no final do dia com meu irmão Gessi e ele perguntou se poderia me levar para ser apresentado em ‘minha comuna’, que significava a igreja próxima à minha casa. Respondi que não, pois não teria como servir a Deus sob a doutrina da Congregação. Ele caiu pra trás.

‘Depois de tudo o que Deus falou com você lá em casa neste final de semana você NÃO QUER ser apresentado na minha igreja?’


‘Não meu irmão, e você não sabe da metade do que Deus falou comigo DEPOIS deste final de semana!’


Expus as passagens da Bíblia a ele. Como ele é de Deus, por mais que tivesse ficado contrariado, entendeu. Relutou um pouco mas entendeu. Eu disse a ele exatamente as coisas que escrevi entre uma passagem e outra. Meu ministério era um, o dele era outro.

Por outro lado, depois disso tudo, fiquei sem chão. Apresentava a Deus minha angústia por não ter ainda encontrado A IGREJA onde serviria a Deus. Visitava uma aqui, outra ali... Chorava muito a respeito disso. Sabia que tinha que estar sob a autoridade pastoral. E o Espírito sempre me lembrava de uma passagem das Escrituras:

‘O filho do homem não tem onde reclinar a cabeça’...

Nesta época freqüentava assiduamente o Instituto Cristão de Pesquisas, que na época era presidido pelo grande Pr. Paulo Romeiro, que até hoje tem minha grande admiração e respeito. Benção pura, como diria o Pr. Jabes Alencar...

Ia lá direto pois, como tinha sido muito usado pelo inimigo antes de minha conversão, vivia no campo de batalha espiritual, evangelizando pra tudo quanto era tipo de seita, e o ICP era o local onde conseguia muito material para evangelismo e estudo.

Um dia apresentei esta minha necessidade de encontrar uma igreja sadia, que não fosse nem ‘farra do boi’ nem legalista demais. Equilibrada e santa. O Pr. Paulo Romeiro então, após perguntar onde eu morava, indicou a Assembléia de Deus Betesda, de seu amigo pessoal, PR. Ricardo Gondim.

Daí pra frente foi só alegria...

Para finalizar, gostaria de comentar uma coisa: A Congregação é uma benção para quem sente que lá deve servir a Deus. O Corpo de Cristo tem vários membros, todos com sua importância.

A astuta intenção diabo, ao usar aquele homem no trem e dizer através dele que não podia lutar contra mim pelo fato de agora (naquela época) eu ser um crente da Congregação Cristã no Brasil, era apenas de me engessar, me imobilizar e fazer com que eu não desse todos os frutos que Deus queria que eu desse.

Lá eu teria que lidar com usos e costumes, e assim esfriaria da fé ao cuidar do ‘não fazer isso, não comer aquilo, não vestir isso, não olhar para aquilo’. O orgulho que entrou em meu coração após aquela investida do diabo já deveria ter sido o suficiente para eu notar que tinha algo errado.

Satanás é um exímio estrategista, capaz de sacrificar umas peças para ganhar o jogo no final. Não podemos menosprezar suas estratégias sórdidas.

Agora véio, a parada é sinistra!

terça-feira, 15 de março de 2011

João e o pé de feijão, digo, rúcula...


“E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um. Quem tem ouvidos, ouça."Mateus 13.3-9

Apesar de nunca ter morado no campo, sempre tive contato com pequenas hortas que meu pai costuma plantar no fundo do quintal. Sem terra ele não sobreviveria. Como os antigos costumam dizer, ele tem “mão verde”: TUDO o que ele planta ele colhe, impressionante. Minha ex já era o oposto: Qualquer coisa verde que ela tentava manter viva, como um simples vaso de flores, não duravam mais que uma semana, um espetáculo! Chegava a brincar com ela, dizendo que não carpinaria mais o fundo do quintal de uma casa que morávamos e que se transformava em uma belezura de matagal de tempos em tempos: Bastaria ela pegar um regador e sair aguando os pobres matinhos...

Brincadeiras a parte vem o Janjão aqui, começar suas aventuras agrícolas após conseguir um bom espaço na varanda do apartamento que moramos. Assim que nos instalamos comprei um vaso retangular razoavelmente grande e enchi de terra, daquelas que vendem em saquinhos nas lojas especializadas. Saí a procura de sementes e a única que julguei ser possível de plantar naquele espaço foram sementes de rúcula, matinho que eu amo e coloco em praticamente tudo, de saladas a pizzas.

Diariamente estava eu lá, aguando o vaso e olhando constantemente, esperando os brotinhos aparecerem. Que alegria foi a minha quando os primeiros pontinhos verdes começaram a borbulhar da terra! Fiquei todo pimpão, crendo que herdara a bendita mão verde de meu pai. Todo dia aguava o vasinho, vendo os galhinhos pegarem força e crescerem, até uma época que fiquei muito ocupado e chegava em casa só no pó. O prazer de manter minha hortinha se tornou uma pequena obrigação e passei a regar as plantas com certo descaso, quase que conversando com elas e dizendo: “Toma água aí seus matinhos chatos!”

O que eu já tinha ouvido falar mas não acreditava ser verdade (talvez não seja mas tem coisa que os antigos falam que é melhor não duvidar) é que as plantas aparentemente absorvem as energias de quem está cuidando delas. Sendo assim, elas começaram a ficar tristes e algumas folhas começaram a murchar. Ciente de meu pecado, passei a cuidar mais delas, só que aparentemente o estrago já estava feito. Elas ficaram de mal de mim e se recusaram a continuar a crescer.

Irritado, comecei então a deixar elas de castigo: Em pleno verão do Rio de Janeiro, que este ano firmou por mais de um mês acima dos 37 graus, eu as deixava no sol, não levando em conta sua fragilidade e crendo que elas já saberiam cuidar de si próprias. Conseqüentemente, todas elas murcharam, apesar de algumas continuarem verdes.

Arrependido de minha maldade agrícola, voltei a recolhê-las na sombra e dobrei a quantidade de água. Para minha surpresa, elas perceberam que eu tinha voltado a ser um bom garoto e – comovidas com meu profundo arrependimento – passaram a tentar se reerguer. E assim foi, todas ficaram eretas, apesar de não crescerem mais.

Como elas não cresciam mais nem um milímetro e aquela situação se arrastava por semanas, decidi que havia chegado a hora delas. Durante a noite, enquanto elas dormiam, colhi todos os pequenos ramos de rúcula, lancei fora grande parte das folhas secas e aproveitei um pequeno punhado, suficiente apenas para incrementar um prato que fiz naquela noite.

Devo reconhecer: Elas bem se esforçaram. Estavam deliciosas e fizeram o máximo possível para me satisfazer. O problema foi que nesta relação “sementes x JC” eu acabei fazendo menos do que podia. Me dediquei pouco... Alguém com mais espaço e tempo poderia ter comprado aquele saquinho de sementes e elas poderiam ter desenvolvido seu pleno potencial mas eu acabei atravessando seu caminho.

Acho que aprendi a lição. Sábado passado, conforme falei no post anterior, comprei sementes de coentro e alfavaca (um parente do manjericão). “Arei” a terra (grande terra), aumentei a distância entre as pequenas covas e plantei metade em um lado, metade no outro. Reguei bastante e agora voltei a sentir prazer na minha pequena hortinha. Todo dia à noite chego e troco uma idéia com elas, antes mesmo delas colocarem suas folhinhas de fora. Fico olhando e pensando: "Olha lá, daqui a pouco vai nascer!", igual fazemos quando estamos esperando o leite ferver...

Aprendi também outra lição prática: Se até numa relação entre um homem e um vegetal o cuidado, o respeito e o carinho são os responsáveis pelo sucesso ou fracasso da colheita, imagine em nossas relações com o próximo?

Quantas vezes nos irritamos com quem se relaciona conosco e devolvemos a demanda da maneira que ela veio até nós? Como está escrito, “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7a). Numa espiral descendente, cada lado procura revidar de forma que, quando nos damos conta, um está de um lado se achando totalmente certo, cheio de todos os motivos do mundo para não ter cuidado da relação como ela deveria ter sido, enquanto o outro lado está praticamente morto, destruído com nosso descaso. No caso das plantas, até tem como tentar replantar. Já nos relacionamentos...

Parece brincadeira mas Deus falou muito comigo através desta situação simples. Quem entendeu entendeu, quem não entendeu...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tente só um pouquinho mais forte...

Ultimamente ando muito angustiado. Muitos devem ter notado, até porque eu não faço questão de disfarçar. Sou exatamente como todos vocês podem ver, sem grandes surpresas, nem para melhor, nem para pior.

Gosto e prefiro ser assim. Dá menos trabalho poder sair nú de casa, sem ter que me preocupar em cobrir minhas vergonhas. Pior seria se eu usasse uma fachada de intocável, ungido, super-santo. Tanto é que a bandeirinha na foto do meu blog diz claramente: “Perigo: Correnteza”. Sob estas águas, só entre se souber nadar e explorar as profundezas. Caso contrário, fiquem bem confortáveis nos espaços mais seguros, pois aqui procuro abrir minha alma.

Desabafos a parte, foi neste espírito que me encontrava por estes dias. Sem ter ao certo a certeza de estar tomando as decisões corretas, entrei este fim de semana totalmente esgotado. Acordei, fui comprar pão na padaria enquanto minha mulher não chegava em casa (agora ela trabalha a noite), preparei o café quando ela chegou, comemos e fui tentar dormir um pouco ao lado dela, sabendo que dificilmente conseguiria por ter desmaiado na cama na noite anterior.

Logo em seguida me levantei, fui para a academia e malhei sem pressa, apesar do meu corpo ficar pedindo para eu parar (fruto desta "nhaca" desgraçada que acompanha estes momentos de angústia), conversei um pouco com uma instrutora sobre estudos, acabei meu treino, fui à quitanda comprar alguns legumes (queria fazer uma peixada), passei numa loja de artigos de pesca e comprei sementes de coentro e alfavaca (não me pergunte porquê lá vende sementes) para replantar minha pequena horta após uma colheita medíocre de rúcula (isso será melhor tratado em um post à parte) e voltei para casa.

Cheguei cansado e olhei o relógio: 13:00h. Meu amor ainda estava dormindo. Decidi preparar a comida rapidamente, mesmo com vontade de não fazer nada. Lavei o peixe, cortei os ingredientes, joguei tudo na panela e fiquei ali meio que adormecido, cansado, fazendo as coisas pela necessidade e não tanto como pelo costumeiro prazer que tenho em cozinhar.

Nisso ouvi uns ruídos: Era meu amor indo ao banheiro sonambulisticamente. Olhei no relógio e faltavam 15 minutos para as duas da tarde, o horário combinado para acordá-la. Fui lá no banheiro e fiquei fazendo macaquice para ela acordar, coitada. Após abrir os olhos e perguntar as horas ela disse que iria voltar e dormir os 15 minutos que faltavam. Fui até o aparelho de som e pensei: “Vou colocar algum disco que ela goste muito de ouvir para ela acordar disposta”. Entre outros, decidi colocar uma coletânea da Janis Joplin que eu mesmo fiz (bendito Ares & Nero). Não deu outra. Ela ficou feliz com minha escolha e passou do estágio de hibernação de olhos abertos ao de cobrinha mal matada, fingindo que estava dançando deitada na cama.

Com minha missão de acordá-la cumprida, voltei para cozinha e continuei a preparar a comida, só que desta vez saracoteando e me esgoelando todo, pois ouvir Janis Joplin sem ao menos bater o pezinho no chão é sinônimo de alguma deformidade no músculo ouvidor de música de primeira qualidade. Cantava, tocava minha guitarra imaginária e aos poucos fui me alegrando. SÓ QUE eu tenho um curto circuito em meu sistema e quando me alegro ouvindo música começo a me encher do Espírito Santo, independentemente do estilo musical que estiver ouvindo.

Podem me criticar a vontade, mas comigo é assim e ponto. Lá estou eu, cantando música “secular” e me debulhando em lágrimas na presença de Deus. Nisso, veio um renovo em minha alma cansada. O Senhor começou a falar comigo sobre vários assuntos que estavam pendentes ou sem solução visível, me dando direção enquanto mexia a comida na panela (e ouvindo Janis Joplin, não se esqueça). A Cilene apareceu na cozinha e lá estava eu chorando, com cara de gozo indescritível. Ela voltou para o banheiro com um sorriso nos lábios, também cantando e eu fui atrás dela.

Ao alcançá-la apenas consegui dizer:

“Glória a Deus amor, Ele está falando tanta coisa comigo que eu não estou mais agüentando!”

Parei de falar com ela e direcionei esta afirmação feita a ela para Ele, desta vez em forma de pergunta:

“Senhor, porque tudo de uma vez?” (tudo eram as coisas que Ele falava comigo)

“Por que quando você está assim você só presta atenção em sua dor e só me ouve quando eu grito com você”

"E de que forma o Senhor está gritando comigo agora?"


Ele apenas disse: “Ouça!”

Ao fundo, lá estava Janis a plenos pulmões cantando:

“Tryyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy just a little bit harder
So I can love, love, love him, I tell myself
Well, I'm gonna try yeah, just a little bit harder
So I won't lose, lose, lose him to nobody else.
Hey! Well, I don't care how long it's gonna take you now,
But if it's a dream I don't want
No I don't really want it
If it's a dream I don't want nobody to wake me...”


Então eu entendi…

Entendi que Deus usa o que Ele quiser, da forma e na hora que Ele quiser, para nos despertar de nossa letargia e começar o processo de cura de nossas dores....

Ele falou várias coisas e todas eu irei postar por estes dias. Enquanto isso, assista ao vídeo abaixo de um show da Janis de 1969.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tem hora que é melhor não fazer nada...


"O beduíno quando está caminhando pelo deserto e é surpreendido por uma tempestade de areia não tenta voltar correndo para sua tenda para se abrigar. Se fizer isso ele certamente se perderá, pois as dunas mudam de lugar constantemente, não servindo de referencial. Se ele se arriscar segui-las, certamente morrerá. Para se proteger, ele para exatamente onde está, se cobre com sua capa e deixa a areia cair. Quando a tempestade termina, ele se levanta, sacode sua capa, se localiza pelo sol, lua ou estrelas e volta a caminhar até sua tenda, em segurança".


Quem costumava falar isso era o pastor Ricardo Bitun. O conheci ainda na época que ele era o segundo pastor da Igreja Betesda em São Paulo, um grande irmão, quase um paizão para mim.

Lembrei-me deste causo depois de uma breve conversa com uma colega de andar aqui onde trabalho. Ela me perguntou se iria viajar no carnaval. Disse que não, não estava a fim de viajar. Em uma fração de segundo, tentei imaginar o que estaria a fim de fazer. Não estava a fim de ficar no Rio, não estava a fim de ir a algum lugar, não estava a fim de dormir, não estava a fim de ficar acordado, não estava a fim de trabalhar, nem de descansar, nem de ir pra academia, muito menos de... Caramba! Estranhamente descobri que não estava a fim de fazer NADA!

Você também fica assim? Momentos em que nada te satisfaz?

Creio que seja a insatisfação de Eclesiastes com a futilidade que a vida se transforma de tempos em tempos. Momentos que a melhor atitude a se tomar é não tomar nenhuma atitude.

Isso é estranho pra mim, pois creio ser hiper ativo. Mas quando sinto esta bola de ferro presa em meus pés nada me satisfaz. Até fazer nada enche o saco. É aquela sensação de estar de pé em ônibus lotado, parado no “trânsito infernal desta megalópole” (como diria o motoboy “Jackson Five”, personagem do Marco Luque do CQC) em dia de chuva, com as janelas fechadas. Resta o quê a ser feito? Agüentar o desconforto, a irritação e a impotência quieto, resignado.

Fazer como Davi fez quando viu Saul dando um barro na caverna em que ele estava escondido: Ficar quieto, agüentar o cheiro e não poder fazer nada! (quem comentou esta passagem dessa maneira foi o pastor Silmar Coelho, risos...)

Se tentar fazer alguma coisa num momento de extrema sensação de ‘cozimento’ como essa vai fazer caquinha. Se for obrigado a fazer algo possivelmente vai comer cru e quente.

(Nota: Aff, to cheio de exemplos idiotas para falar sobre isso, um verdadeiro ‘parabólico’. É que estou escrevendo do jeito que estou pensando e minha mente hoje está muito adubada...)

Continuando. Tentar agir num momento de incerteza e imobilidade me fez lembrar daquele filme, “Mar em Fúria”, quando os pescadores mandam arrumar o sistema de refrigeração do barco, saem em alto mar para pescar, entopem os porões com uma quantidade absurda de peixes mas descobrem que o sistema de refrigeração ainda estava com o mesmo defeito de antes. Devendo horrores, próximos a perderem o barco e com a chance de pagarem todas as suas dívidas com a venda da preciosa carga a bordo, resolvem voltar, mesmo contra uma tempestade monstruosa que se formava em seus caminhos. O título do filme e a lógica dos fatos apresentados já podem fazer vocês imaginar o que aconteceu com eles...

É isso que dá. Tem hora que é pra ficar parado mesmo, sentindo o mal cheiro, apertado, impaciente, morrendo de calor, coberto pela tempestade de areia.

O importante é não se esquecer que uma hora ela vai passar. Aí você volta a ver as coisas como elas realmente são.