Labels

  • mundo animal
Mostrando postagens com marcador mundo animal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mundo animal. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Quem nasceu pra ser lagarta, nunca será borboleta...



Como diz o ditado:

"Quem nasceu pra ser lagarta, nunca será borboleta"

Como pode alguns colocarem asas em uma lagarta tóxica e mandá-la voar? Esta é uma pergunta que eu não consigo responder. A própria lagarta resolveu ir contra o ciclo natural, optando em continuar se arrastando, mesmo sendo feia (apesar de suas cores), tóxica e repulsiva.

Não avaliaram que ela nem cogitou passar por uma metamorfose! Apesar de se arrastar continuamente, subir um bocadinho durante o dia e escorregar tudo o que subiu durante a noite, ela insiste neste processo e se recusa a mudar, pois ela acredita que não pode perder seu precioso tempo num processo natural como o da metamorfose.

O que lhe resta? Continuar colorida, mas sua cor apenas serve de alerta para os que não são daltônicos, podendo então se esquivar de sua incômoda peçonha e repugnância.

Seus movimentos são lentos, sua insistência em permanecer no “status quo” é irritante, ela tenta fazer com que todas as outras lagartas ao seu redor não percam seu tempo naquele aparente “descanso”, sendo que isso nada tem de descanso: Trata-se de um movimento inexorável.

Ela teme parar no tempo. Teme ser engolida por um “terrível comedor de casulos”, e muito menos, aguentar o possível sofrimento que viria atravessando um processo que faria que sua natureza repugnante viesse a se tornar em algo leve e belo como a borboleta. Olha no espelho, vê suas cores e se dá por satisfeita.

Luta desesperadamente em fugir da natureza e – por isso mesmo – se torna uma criatura pior, pois o tempo de lagarta tem “prazo de validade”. De alguma forma, ela consegue fugir do caminho natural, mas o preço pago é sofrimento em cima de sofrimento: Dela e dos que ela procura atormentar.

As que não cedem ao seus apelos vai em direção ao processo de transformação, mas ela olha para o lado e vê seus “pares pararem”, sem se conformar com o fato. Tenta sacudi-las, mas o processo de todas as demais continua inexoravelmente. Não há volta, a mudança é necessária e natural.

Ela se irrita, agride, ataca com seu veneno mas as outras já se encontram no casulo. Enquanto estas “morrem feias e renascem maravilhosas”, a teimosa lagarta apenas blasfema, tentando convencer as novas lagartinhas de que aquele processo é vergonhoso,” anti-natural” e que, se querem sua proteção de "lagarta-mor", devem abandonar seus desejos de metamorfose.

Todavia, a mentira é “como uma lagarta”: Apesar de suas dezenas de pernas, todas são curtas. A lagarta velha, então, imersa em sua teimosia e repugnância, apenas engorda, se torna mais e mais visível, lenta e acaba explodindo no bico de algum predador que ela tanto temia ou apenas cai do galho e se espatifa no chão.

Antes fosse borboleta. Por mais que o processo de metamorfose gere um prazo de validade menor, ainda assim ela teria visto coisas que nunca viu na vida; teria gozado de prazeres que somente aqueles que podem voar podem desfrutar.

Ainda que as últimas possam acabar “eternizadas” em uma moldura de algum colecionador de lepidópteros, ainda assim – até seu momento final – seria bela, ao contrário da gorda e velha lagarta que explodiria em algum canto de chão qualquer, por não poder mais se sustentar sozinha...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Relações simbióticas (ou a intimidade é uma merda)?


The grass is always greener on the other side;

A grama do vizinho sempre é mais verde que a nossa;

Ou...

A intimidade é uma merda.

Fiquei pensando sobre isso nos últimos dias. Das três frases acima, uma é de minha autoria, adivinhe qual (risos). Isso porque ando conversando com muita gente e tenho visto quantas pessoas são insatisfeitas com seus relacionamentos.

Um vive preso ao passado, pois foram épocas de vacas gordas. Prosperidade financeira, ministério abençoado, uma família unida, uma rede de relacionamentos gigantesca com pessoas do mais alto nível. Perdeu tudo por um adultério. Uma simples puladinha de cerca (não que eu ache “simples”) e pronto: Ruiu tudo o que fora construído ao longo de vários anos.

Perdeu ministério, mulher, bens materiais, prestígio. Recomeçou praticamente do zero com a amante. Anos depois o conheci e tenho conversado muito com ele sobre o fato dele viver dividido entre o que ele era e o que hoje ele é, entre o que ele tinha e o que hoje ele tem, como era a ex-mulher e como é a atual.

Disse a ele que se não virasse a página definitivamente (para um lado ou para outro, mas consciente e definitivamente) sua vida nunca iria progredir. Seria escravizado e torturado por suas questões, como “se eu não tivesse...”, “se eu voltasse atrás...”, “se ela quisesse voltar...”, ou “será que ela ainda me ama?”, será que ela ainda me quer?”, será que devo tentar me reaproximar?” fazem com que ele não seja plenamente feliz hoje (se é que isso é possível, pois como diz Raul, “ninguém é feliz neste mundo tendo amado uma vez...”). Vive olhando para a grama do vizinho, pois hoje outro está pastando nos campos verdejantes que outrora foram seus.

Ao olhar para sua grama atual vê que ela não é tão apetitosa assim. Inicialmente tinha aquela aura de mistério, o fruto proibido, a aventura. Com o passar dos dias porém, descobre-se que a pessoa também ronca, peida, fica mal humorada, tem TPM (misericórdia Senhorrrr!). A doce ilusão do príncipe encantado (no caso, a princesa) se desfez com o convívio diário.

Outros preferem viver na ilusão do que não foi ou poderia ter sido. Algo como “o melhor presidente do Brasil foi o Tancredo Neves”, isso por ele ter sido o primeiro presidente eleito (mesmo que indiretamente) após anos de ditadura militar e ter morrido antes da posse. Criou-se uma imagem do super-homem, o libertador, o “redentor”. Em outras palavras: Não teve tempo pra fazer merda na presidência.

Outro exemplo disso é o da viúva que passa a ter uma nova relação com um outro homem. Coitado do próximo (seqüencialmente falando) se a mulher passar a compará-lo com o santo finado. E eu conheço casais passando por isso. Dá pena de ver. Tudo que o próximo da fila faz é implacavelmente comparado com a maneira como o canonizado fazia. Cruel.

Mas isso só acontece para aqueles que projetam sua felicidade no outro. Felicidade é algo interior, independente de circunstâncias. SOU FELIZ, mesmo que momentaneamente esteja triste com isso ou aquilo. Não preciso “do outro” para eu me completar. Convivo plenamente comigo mesmo, se é possível entender o que eu digo.

Quem estiver ao meu redor não será consumido por minhas debilidades emocionais. Não que eu não tenha nenhuma, mas sou consciente de que não é no próximo que me completo. Não é uma relação de parasitismo, onde o hospede usa o hospedeiro até consumir toda sua seiva e vai embora procurando outra fonte de alimento, deixando o rastro de vidas secas para trás.

Também não se trata de comensalismo, quando um ser vive das migalhas que sobram da alimentação do hospedeiro que o abriga. Pouco ou nenhum dano é causado numa relação dessas, a não ser a desigualdade emocional envolvida. Funciona entre tubarões e rêmoras, não para seres humanos.

Entre nós, humanos, devemos viver em mutualismo, onde ambas as partes se beneficiam. O mutualismo ocorre naturalmente quando dois seres vivem e crescem juntos, ambos tirando proveito dessa estreita associação.