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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Minha alma está triste até a morte...


Vira e mexe acabo chegando aos sentimentos que neste momento estão me consumindo. Olho no espelho de minha alma e fico me perguntando a razão de ser tão aquém do mínimo que gostaria de ser. Sem falsa modéstia ou pieguice, noto a contragosto que por mais que me esforce, faço apenas o mínimo que deveria fazer para ser um pouco “menos pior” do que aqueles que não conhecem a Cristo.

Digo isso de coração, que neste momento está com um peso enorme, fruto da minha incapacidade em avançar a passos largos. Sonho entrar em vôos altos, à velocidade de cruzeiro, tudo equilibradamente disposto. Mas o que vejo como frutos são somente decepções comigo mesmo. Frutos amargos, trazendo angústia e dor.

Entendo perfeitamente o que Paulo quis dizer quando abriu seu coração e falou em Romanos 7:18-24 “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte”.

Não pensem que neste momento de minha vida fiz ou estou fazendo algo abominável ao meu Deus ou ao próximo. Não é isso. Meus algozes me torturam pela minha humanidade falha como um todo. Volto ao espelho da alma e digo novamente: “Rapaz, tu não presta!” Só isso, nada mais.

Vivo pela Graça, somente pela Graça. Não consigo descanso e vejo que isso faz parte do processo. Quem aqui está plenamente satisfeito consigo próprio? Quem aqui vive de glória em glória, sendo cabeça e não cauda, mais que vencedor? Que vida é essa? Minha alma desabafa como fez a de Paulo, quando diz em 1Timóteo 1:15-16: “Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal; mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, o principal, Cristo Jesus mostrasse toda a sua longanimidade, a fim de que eu servisse de exemplo aos que haviam de crer nele para a vida eterna”.

Há momentos assim em minha vida. Creio que na vida de todos deve acontecer algo parecido, mas nestes momentos devo me recolher e aguardar o que está para ser feito por Deus. Creio que seja mais um degrau a subir, creio que seja mais uma revisão, mais um ‘recall’, sei lá. So sei que hoje, como disse Jesus no Getsemani, “...a minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Mt 26:38b.

Vai passar, sei que vai passar. Passar e voltar, como as ondas do mar.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Que porcaria de "crente" é você?

Repostagem "revista e atualizada" - 11 de fevereiro de 2010

Em minha vida e na vida de inúmeros irmãos em Cristo tenho visto certo paradoxo ligado aos nossos estilos de vida, aos nossos usos e costumes particulares em relação ao que vemos e ouvimos como sendo o padrão para ser considerado um verdadeiro cristão.

Vemos testemunhos ‘maravilhosos’ de pessoas que dormiram verdadeiros 'bandidos safados sem vergonhas' e acordaram santos prontos a serem canonizados. Irmãos que não assistem televisão, não torcem por nenhum time, não bebem, não fumam, não olham pro lado, não se iram, dão a outra face para tudo, numa santidade irritante, humanamente impossível de ser alcançada por um reles comedor de feijão.

Estas 'quartas pessoas da Trindade’ dentro de nossas igrejas nos fazem sentir que há algo errado em nossa caminhada com Cristo. Qual a razão de não alcançarmos este ‘nirvana’ cristão? Será que somos os piores dos pecadores e estamos na igreja fazendo parte do joio que cresce no meio do trigo? Você já teve este tipo de questionamento em seu coração?

Quantas vezes você se prostrou com rosto em terra pedindo a Deus que, em Nome de Jesus, você não sentisse mais vontade de assistir novela e se pegou de plantão em frente à telinha para ver o próximo capítulo? Para mim este é fácil, não assisto mesmo porque não gosto, mas imagine como é frustrante você professar sua fé e não conseguir alcançar os elevados patamares dos ‘santos’ que sentam ao seu lado na igreja!

Que fique bem claro: Não me refiro aqui a pecados morais como adultério, prostituição, roubo, homicídio ou outra coisa notoriamente errada, os considerados 'pecados morais'. Digo as pequenas coisas que você não consegue se privar apenas para se encaixar na moldura do que é considerado um 'ser evangélico' (e-ca), ou 'gospel way of life'.

Quem não vive isso em pelo menos uma área de sua vida? Quem não está vivendo isso exatamente agora, desde que se converteu, e não consegue ver nenhuma perspectiva de mudança em sua vida? Qual a razão deste abismo entre o que almejamos ser e o que somos realmente?

Falta de fé?
Carnalidade?
Fraqueza moral?
Falta de jejum e oração?

Não! Protesto! Não é isso!

Quantas vezes já orei, jejuei, fiz votos com toda a sinceridade de meu coração e simplesmente não consegui cumprir? Será que sou o único? Já meti a cara no pó, chorei e clamei a Deus para que ele ‘fizesse a obra’ mas, em resposta, apenas o silêncio divino. Será que Deus não está nem aí para mim ou Ele na verdade tem outra visão da situação?

É difícil admitir, mas também libertador. Pare para pensar comigo: Você crê em Jesus como seu Senhor e Salvador. Anda com Ele, reconhece Sua voz, sabe que é salvo, é batizado MAS (maldito masssssss) sente todas estas dúvidas em relação ao que você é versus o que você gostaria de ser. Não há algo aí que não encaixa? Será que o que você está pedindo para Deus realmente vai ser útil a Ele ou você o pede apenas para ser aceito por homens?

Será que se você parar hoje de beber não vai te transformar num religioso arrogante? Será que se você conseguir parar de fumar hoje não vai fazer com que você se torne um intolerante em relação aos ‘fracos’ e sem vontade própria? Será que se você conseguir viver de acordo com o ‘catecismo’ de sua igreja não vai fazer de você um legalista?

Abaixe suas armas. Jogue as pedras no chão. Pare e pense. Reconheça que Deus é soberano, viu e ouviu suas orações, reconheceu a sinceridade de suas intenções mas simplesmente não fez NADA pois, se o fizesse, você não seria mais útil em Sua soberana vontade!

É difícil de aceitar isso mas é muito bom. Queremos ser ‘perfeitos’. Não queremos ser mal vistos e mal entendidos. Precisamos ser aceitos pela irmandade. Não queremos viver nos escondendo dos irmãos na hora de tomar uma cervejinha. Morreremos de vergonha se o pastor nos encontrar na praia dentro daquele biquinizinho (falo isso pelas irmãs). Mas é isso o que Deus quer?

Como diz nosso brother Paulo em sua carta aos irmãos da Galácia, por que começamos tão bem no Espírito mas, depois de um certo tempo de caminhada, começamos a nos aperfeiçoar nas obras da carne? Pare mais uma vez para pensar! Lembre-se de quando você se converteu e mergulhe naquele primeiro amor maravilhoso, que simplesmente te aceitava como você era! É difícil crer que Deus te aceita como você é?

CLARO que mudanças haverão. Mas não no nosso tempo! A passagem das águas que brotam do trono de Deus em nossas vidas nos purificarão a cada dia, mas não de uma vez! Deus respeita nossas limitações. Ele não derruba a casa e constrói outra irreconhecível em seu lugar de uma hora para outra. Deus não seria digno de ser amado se assim agisse. Não havería opção de não amá-lo! Não teríamos que dia a dia nos negar, tomar nossas cruzes para seguí-lo. Seríamos coagidos. Um monte de gente no Céu, muito a contra-gosto, mas fazendo a única coisa que faria sentido para não sermos eliminados por Ele. MAS... GLÓRIA A DEUS que não é assim, e por isso eu sou loucamente apaixonado por Ele!

Ele faz um constante processo de reforma, que é incômodo, longo e irritante (mas necessário). Vemos algumas mudanças aqui, outras ali, mas todas lentas ao nosso entendimento limitado.

Lembra de quando Deus deu a terra prometida ao povo judeu mas disse que não iria eliminar todos os habitantes da terra de uma vez? Como está escrito em Êxodo 23:27-30: “Enviarei o meu terror adiante de ti, pondo em confusão todo povo em cujas terras entrares, e farei que todos os teus inimigos te voltem as costas. Também enviarei na tua frente vespas, que expulsarão de diante de ti os heveus, os cananeus e os heteus. NÃO OS EXPULSAREI NUM SÓ ANO, PARA QUE A TERRA NÃO SE TORNE EM DESERTO E AS FERAS DOS CAMPOS NÃO SE MULTIPLIQUEM CONTRA TI. POUCO A POUCO OS LANÇAREI DE DIANTE TE DE TI, ATÉ TE MULTIPLIQUES E POSSUAS A TERRA POR HERANÇA”.

Um processo progressivo, lento, até que nossa natureza humana suporte toda a grandeza da natureza divina em nós. Será que estou errado? Creio que não.

Termino com Paulo:

“E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte”. – 2Co 12:7-10

Todo mundo especula sobre o que era o espinho na carne de Paulo, mas uma coisa eu tenho certeza: CADA UM TEM O SEU. E há um agravante. Esta porcaria de ‘defeito de fábrica’ é um MENSAGEIRO DE SATANÁS. Qual a razão disso? SE o espinho fosse algo ‘de Deus’, seria fácil aceitar. Mas ele é algo totalmente contra o que consideramos justo, certo ou aceitável. Ele nos machuca por isso! E por que Deus não o tira, deixando-nos ser torturados dia e noite com a dor, a vergonha, a consciência?

"Simples meu filho...", responderá o Senhor:

“...a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.


Post Scriptum: Ao reler este texto hoje, 21 de Junho de 2011, vejo que TUDO o que está escrito nos Evangelhos possuem uma "essência" tão intensa (me faltam palavras...) que somente apontam para uma direção, como podemos ter um vislumbre no Sermão do Monte, por exemplo:

"Vocês ouviram o que foi dito: 'Não adulterarás' Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração." - Mateus 5:27-28

E que raio de essência é esta???????????

Quem olha para alguém que o atrai e não sente alguma "coisinha" diferente? E olha que estou sendo politicamente correto, pois iria dizer alguém do sexo oposto, o quê - infelizmente - não se enquadra na atual realidade "pós MP 122"...

O que quero dizer é que Jesus nos pede coisas aparentemente impossíveis, mas não para nós não conseguirmos cumprir e sermos então lançados no inferno, mas sim que - obviamente - não consigamos cumprir e nos voltemos à ELE e peçamos perdão por nossos pecados.

É ISSO O QUE ELE QUER
!!!! Esta é a essência das aparentemente impossíveis leis e cobranças que estamos a anos-luz de cumprirmos!

Se não fosse isso, por qual razão Jesus diria em resposta aos que o questionaram sobre...

"Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Respondeu Jesus: " 'Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento' Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: 'Ame o seu próximo como a si mesmo' Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." - Mateus 22.36-40

Que o Espírito Santo de Deus lhes abra o entendimento quanto a isso tudo e - como diria o "Bilú" e Tiago 1.4, vocês busquem o "conhecimento"!!!!!!!!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Técnicas de garimpo gospel em contraste com o Pai Nosso...



Pai Nosso, versão "Mateus 6:7-13" revisto e comentado...

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos” – Deveriam invejar os gentios com suas vãs repetições, pois esta igreja não ora: DECRETA. A religiosidade dos gentios é um tapa na cara da igreja, que parte esfriou, parte se intelectualizou, outra se imbecilizou...

“Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” – Sabem que Ele sabe o que nos é necessário. O grande problema é que não se satisfazem com isso. Necessário não é mais do que a obrigação de Deus! Querem o que não precisam. Como diz Tiago 4:3, “Pedem e não recebem porque pedem mal, para o gastarem em seus deleites”. Querem luxo, conforto, glória, honra e poder. Querem dominar a mídia comprando redes de TV, querem comprar jatinhos para enviarem a lã tosqueada de suas ovelhas para o exterior. Garimpam o céu, dão gravata em Jesus, torcem o braço de Deus e jogam em sua cara a sua Palavra, ameaçando, determinando, exigindo...

“Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome” – Muito conveniente. No início falam as palavras mágicas, a senha de acesso ao cofre, visando impressionar o Deus onisciente com suas bonitas palavras e, tentando enganar o ‘trouxa’, tomar posse da benção...

“Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” - Querem ser reis neste reino, não querem ser reinados por Ele. “Tua vontade” é sinal de fraqueza. Para eles, ninguém que ora assim consegue alguma coisa de Deus! Tem que sair na voadora e no rabo de arraia, pois eles tem direitos...

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje” - Pão é para os pobres, querem participar de banquetes, fazer orgias com os líderes deste século e entupirem-se de tudo o que este mundo pode lhes oferecer... Ah, pena que não era a igreja de hoje que foi tentada no deserto pelo Diabo, teriam aceitado tudo o que o inimigo ofereceu...

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores” – Esquece isso. Faça um voto com o ‘deus’ destas igrejas e não cumpra para ver! Será levado aos verdugos, e só sairá de lá quando tiver pago até o último centavo, com juros e correção...

“E não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal” – Aqui é o fim da linha. Já caíram em tentação. Servem à deusa fortuna e à deusa riqueza. Foram seduzidos pelo deus deste século, e suas almas estão a caminho do abismo. Não querem ser libertos deste mal, pois eles SÃO deste mundo e ESTÃO neste mundo...

Que Deus, em nome de Jesus, possa abrir os olhos e os ouvidos de todos os que estão entrando neste caminho por desconhecimento da Palavra e pela falta de sabedoria. Parafraseando Tiago 1, “peçam-na a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada e agitada pelo vento”.

sábado, 23 de abril de 2011

Um para trás, dois para frente, de novo...



Por qual razão frequentemente sinto que as coisas começam a ficar sem sentido? Comer ou não comer não altera o apetite, rir ou chorar não abala o estado emocional, correr ou deitar não alivia o corpo, orar ou não orar não me aproxima mais de Deus.

Sem eu perceber, a luzinha de alerta começou a piscar. Falha no sistema, sensação de já ter vivido aquilo antes.

Um passo atrás não é sinônimo de dúvida ou falta de fé. Pelo contrário. A meu ver, este passo atrás muitas vezes é necessário para pegar impulso e seguir em frente. Não tenho resposta para tudo. Me canso e me sinto frágil muitas vezes. Sou obrigado a recomeçar com frequência, e a sensação de impotência no começo pode gerar imobilismo e frustração, mas depois vejo que estas emoções conflitantes são o campo fértil para novas perspectivas.

Tive que recomeçar várias vezes, de várias formas. Por vontade própria ou por força das circunstâncias. Perdi quase tudo que havia conquistado e me senti um fracasso. Fiquei impotente, sem norte, sem direção ou coragem de continuar. Mas a vida tem seus caminhos misteriosos e, com toda sua sutileza, me empurrou para frente. Mesmo com medo e dor, continuei caminhando. Desejando a morte e quase jogando a toalha, vi que não tinha opções. Avancei.

Esta nova força advinda da fraqueza pode soar contraditória, mas não é. Como diz Paulo em sua carta aos Coríntios “Pois, quando sou fraco é que sou forte” (2Co 12:10). Não levo este pensamento de Paulo ao campo espiritual apenas. Assumir a fraqueza abre um leque de novas e impensadas opções. Muitas vezes estamos perto demais de nossos problemas, inseridos demais em nossas situações cotidianas e ficamos sem uma visão da situação como um todo. Se afastar um pouco do tabuleiro do jogo gera uma visão melhor da situação, possibilita reavaliamos a estratégia e entrar novamente na batalha.

Não vejo nenhum problema em assumir ser fraco. Assumir a fraqueza gera um alívio muito grande. Tirar o peso das costas e poder dizer “e agora, o que eu faço?” é libertador.

Sou fraco, me canso e preciso fazer isso de tempos em tempos. Assim como agora...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Homens-Urubús


Posto novamente este texto de 2010 por ser cada vez mais atual este tipo de postura na blogosfera...


quarta-feira, 31 de março de 2010 Postado por João Carlos às 3/31/2010 11:13:00 AM

Tanta gente hoje já me perguntou se eu fiquei feliz com a vitória do Dourado que eu estou começando a ficar pê da vida com a imbecilidade de 154 milhões de brasileiros que perderam seu tempo assistindo/votando no lixo do Big Brother para fazer um cabra ganhar uma bolada de 1,5 milhões de reais.

Se pararmos para ver, o Big Brother – assim como as novelas, Pânico na TV, Ratinho, Super Pop, outros lixos/programas de auditório (E ALGUNS BLOGS!!!!!!!!!) – são como cigarro: Mesmo que você não fume acaba se intoxicando como fumante passivo, pois sempre alguém vem falar com você do que rolou no programa do dia anterior.

Como uma nação pode ser tão imbecilizada assim? Como o mundo tem necessidade de consumir junk food, lixo mesmo, daqueles que para poder assistir você é obrigado a colocar seu bom senso e valores de lado, caso ainda o tenham?

Enfatizo, repito: Eu creio que perder tempo com este tipo de programação é uma negação de seus próprios valores, caso tenham algum. É se nivelar por baixo, é despir-se de dignidade. Comer este tipo de lixo mostra o tipo de estômago que cada um tem.

Assim como os urubus que devoram carniça, os romanos que iam ao Coliseu assistir os cristãos sendo devorados por bestas, da mesma forma a sociedade hoje é ávida por carne humana, más notícias, lixo...

Que tipo de sadismo é esse? Não é apenas ‘assistir um programa’, sem contaminação. É exposição do interior, que digere qualquer coisa por também estar podre. Ao menos os urubus cumprem um papel importantíssimo na natureza, pois – sem querer dar uma explicação super científica - possuem um estômago com capacidade de digerir aquilo tudo, devolvendo através de seus dejetos a podridão ‘reciclada’.

Mas com a humanidade não é assim. Aquilo entra, fermenta, azeda, estraga, apodrece e transforma o caráter.

Não vejo por onde um consumidor compulsivo por este tipo de programação não ter seus valores corrompidos pois, se estão assistindo de livre e espontânea vontade, estão compactuando com aquilo, demonstrando assim que são urubus carniceiros.

Só por Deus mesmo! (E desculpem o desabafo.. rsrs)

Em tempo: Me perdoem os urubus...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os trens assombrados da linha Osasco x Jurubatuba - parte II (again)



Depois do último post Deus começou a me cobrar algumas coisas... Segue um dos posts que ELE pediu para eu postar novamente... (creia se quiser!)


Me converti na Universal. Conheci Jesus e a Palavra, fui batizado na água e no Espírito, tudo muito rápido. Foi um pronto socorro espiritual, um desfibrilador, uma quimioterapia digamos assim... Inicialmente me fez um bem muito grande por ter me tirado da morte, mas não tinha como continuar por lá depois de um tempo. Neste comecinho já era fortemente direcionado pelo Espírito Santo.

Procurei a Renascer em Cristo. Outro clima, mais jovem, a presença de Deus muito forte também. A ‘Bispa’ Sonia pregava a minha vida. Dava a impressão que ela estava acompanhando cada passo que eu dava. Domingão e pá! O Espírito Santo revelava detalhes de meu dia-a-dia durante a ministração da Palavra. Mas o Espírito não me deixava confortável. Parecia me empurrar para frente.

Sentia que Deus queria cavar mais fundo, pois eu havia dado toda liberdade ao Espírito para me dirigir. Parecia carro velho, onde parava eu pregava.

Fui fazer uma visita à Assembléia de Deus, creio que o ministério do Belém, perto de casa. Deus falou muito comigo, mas foi apenas uma visita. Os usos e costumes foram a razão de minha não permanência por lá. Minha ‘ex’ teria que mudar o ‘look’ e achávamos que não era por ai. Ainda não era casado, apenas namorávamos e ela morava no Jaguaré, razão pela qual passava algumas vezes na semana pela estação de trem de lá.

Nesta estação trabalhava um irmão ‘fogo puro’ chamado Gessi. Quando começamos a conversar ele me disse que era da Congregação Cristã no Brasil e eu disse que era da Renascer em Cristo. Nossa amizade foi se tornando cada vez mais profunda. Este irmão era daqueles que só de olhar em seus olhos começa a profetizar. Deus falava muito comigo através dele, dava até aflição. Ele, no meio da conversa e do nada me olhava, parava e dizia: ‘É varão...’ ficava em silencio por uma fração de segundo e eu sabia que vinha bomba. Ele nem falava ‘assim diz o Senhor’. Falava em primeira pessoa: ‘Eu vou fazer tal coisa em tua vida amanhã’. A parada acontecia do jeito que ele falava, fora fatos e dúvidas que se passavam em meu íntimo e que Deus revelava a ele.

Em nossas conversas, um belo dia estávamos falando sobre nossas igrejas ele fez um convite para eu ir visitar a Congregação onde ele congregava (me perdoe pela aparente redundância). Aceitei o convite e fui com a minha ex no sábado. Ele nos recebeu na estação de trem de Carapicuíba (sim, é longe pra caramba, como diria o Jota Quest) e nos levou à casa dele. Apresentou-nos seus amigos, familiares, irmãos e fomos ao primeiro culto. Deus falou demais. Demais. Demaaaaaaaaiiiiiiiisssss. Foi maravilhoso, me batizei nas águas (já era batizado, mas Deus me quebrou as pernas lá), a ex também.

Voltamos do culto e fomos para a festa de noivado da filha dele. Muito guaraná e salgadinho, bolo e docinhos. Conheci mais irmãos, me senti em casa. Orávamos, louvávamos. Rolou umas profecias dizendo que não era para eu me casar com a Rosi, rolou uns papos fortes sobre doutrina (ela estava de calça de moleton), um monte de coisa. A mesma irmã que falou da maneira de se vestir foi tomada por Deus e usada para ministrar sobre a vida dela. Ela foi batizada no Espírito Santo aquela noite. No fim da festa rolou até um ‘pega-pra-capá santo’: Os irmãos ‘cheios do espírito (com ‘e’ minúsculo mesmo), começaram a quebrar disco de musica secular, televisão, garrafa de bebida... Até eu entrei na ‘unção’ do ‘vâmo quebrá tuuuddoooo’ e joguei uns discos do Raul Seixas pela janela, aff...

No dia seguinte, depois de mais algumas visitas a outras ‘Congregações’ nas redondezas (foi uma imersão o que fizeram conosco), nosso irmão nos levou até a estação de trem e nos perguntou se gostaríamos de nos tornar membros da Congregação. Decidimos que sim, pois havia sido diferente de tudo o que tinha acontecido até então, mesmo pagando o preço de termos que mudar drasticamente nosso estilo de vida, devido aos usos e costumes desta denominação.

Agora que o bicho pega: Tomamos o trem em Carapicuíba e vínhamos conversando sobre tudo o que tinha acontecido naquele fim de semana. É importante frisar que estávamos conversando baixo. O trem não tinha muita gente. Um rapaz que estava sentado no outro extremo do vagão se levantou, veio até nós e pediu licença para conversar. Ele aparentava ser um cara normal, não demonstrava ser algum bandido. Concordamos e ele sentou-se ao nosso lado. Apresentou-se (na verdade não lembro o nome) e perguntou:

‘Vocês são crentes?’

Estávamos à paisana, nem Bíblia estava à mostra. Respondemos como o pessoal da Congregação constuma dizer:

‘Pela graça e misericórdia de Deus, SIM.

Ele perguntou: ‘de que igreja?’. Respondi, cheio de orgulho:

‘Somos da Congregação Cristã no Brasil!’


Nisso, o rapaz arregalou o olho e disse:

‘Aahhhhh.... com vocês eu não posso não!’

Pausa na cena, ‘a lá Matrix’. Inspire, respire...

Eu olhei pra ele e já o chamei pelo nome:

‘diabo, você de novo...’

Já fui querendo expulsá-lo, pra variar. Ele disse para mim:

‘calma, não vou fazer mal nenhum a vocês. Na verdade eu MORRI EM 1967 e estou aqui apenas para conversar um pouco’.

Era ele mesmo, o rabudo. Continuamos ‘conversando’ (entenda: ele falava e eu ficava ordenando que ele se fosse, em nome de Jesus) até que ele se levantou e desceu em uma estação.

Assim que ele desceu, me virei para a Rosi e disse:

'Você viu só como ele ficou quando dissemos que éramos da Congregação? Ele disse que conosco ele não tinha poder nenhum! Agora sim, estamos na igreja certa!'


Levei-a em casa e nos sentamos na calçada por um momento para conversar a respeito de tudo o que iríamos fazer dali para a frente. Meu amor por Deus era (e é) tão grande que estava disposto a tomar a direção que Deus desse para minha vida, para meu ministério. Nisso, o vizinho começou a reclamar que estávamos sentados na frente do portão dele. Nos levantamos. Afinal de contas, éramos servos do Altíssimo e não deveríamos ficar sentados no chão. Meu coração estava cheio de orgulho pela ‘descoberta’ da igreja certa.

No dia seguinte pela manhã, estava indo para o banco (trabalhava na Nossa Caixa). Abri minha Bíblia ao acaso e comecei a ler. Não gosto de brincar com a Bíblia, como se fosse uma caixinha de promessas, mas não há como negar que de vez em quando Deus fala SIM desta maneira conosco. Ela se abriu em Gálatas, e comecei a tomar um tapão atrás do outro:

Gl 1:6-12 - Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo...

A cada linha que eu lia ficava mais e mais tenso. Será que ‘era Deus’? Será que era coincidência? Será que o diabo tava tentando me enganar? Continuei lendo. Caía em trechos falando assim:

Gl 2:3-7 – Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, embora sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar; aos quais nem ainda por uma hora cedemos em sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. Ora, daqueles que pareciam ser alguma coisa (quais outrora tenham sido, nada me importa; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me acrescentaram; antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me fora confiado, como a Pedro o da circuncisão...

Lia e chorava... Cada linha escrita pulava em minha cara. Viva e pulsante... Não era possível! Tinha acabado de sair de um final de semana maravilhoso perante Deus e havia decidido mudar totalmente minha trajetória. Tinha aceitado servir ao Senhor, mesmo sob uma doutrina pesada, cheia de regras, por amor ao Senhor! Peguei meu filho Isaac – minha LIBERDADE – e coloquei no altar em sacrifício. A presença do Espírito Santo era muito forte. Li mais e mais em Gálatas e entendi que não era aquilo o que Deus queria de mim... Abri em outro trecho da Bíblia. Meu queixo caiu mais ainda:

Cl 2:4 – Digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas...

Cl 2:8 – Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo...

Cl 2:16 – Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados...

Cl 2:18 – Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal...


Estava desesperado e ao mesmo tempo aliviado... O Espírito continuava derramando seu bálsamo:

Cl:2-20-23 – Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.

Era Deus e era comigo. Sei que toda Palavra é Deus, mas ali era direto para aquele assunto. Bati o martelo: Não ficaria na Congregação.

Encontrei-me no final do dia com meu irmão Gessi e ele perguntou se poderia me levar para ser apresentado em ‘minha comuna’, que significava a igreja próxima à minha casa. Respondi que não, pois não teria como servir a Deus sob a doutrina da Congregação. Ele caiu pra trás.

‘Depois de tudo o que Deus falou com você lá em casa neste final de semana você NÃO QUER ser apresentado na minha igreja?’


‘Não meu irmão, e você não sabe da metade do que Deus falou comigo DEPOIS deste final de semana!’


Expus as passagens da Bíblia a ele. Como ele é de Deus, por mais que tivesse ficado contrariado, entendeu. Relutou um pouco mas entendeu. Eu disse a ele exatamente as coisas que escrevi entre uma passagem e outra. Meu ministério era um, o dele era outro.

Por outro lado, depois disso tudo, fiquei sem chão. Apresentava a Deus minha angústia por não ter ainda encontrado A IGREJA onde serviria a Deus. Visitava uma aqui, outra ali... Chorava muito a respeito disso. Sabia que tinha que estar sob a autoridade pastoral. E o Espírito sempre me lembrava de uma passagem das Escrituras:

‘O filho do homem não tem onde reclinar a cabeça’...

Nesta época freqüentava assiduamente o Instituto Cristão de Pesquisas, que na época era presidido pelo grande Pr. Paulo Romeiro, que até hoje tem minha grande admiração e respeito. Benção pura, como diria o Pr. Jabes Alencar...

Ia lá direto pois, como tinha sido muito usado pelo inimigo antes de minha conversão, vivia no campo de batalha espiritual, evangelizando pra tudo quanto era tipo de seita, e o ICP era o local onde conseguia muito material para evangelismo e estudo.

Um dia apresentei esta minha necessidade de encontrar uma igreja sadia, que não fosse nem ‘farra do boi’ nem legalista demais. Equilibrada e santa. O Pr. Paulo Romeiro então, após perguntar onde eu morava, indicou a Assembléia de Deus Betesda, de seu amigo pessoal, PR. Ricardo Gondim.

Daí pra frente foi só alegria...

Para finalizar, gostaria de comentar uma coisa: A Congregação é uma benção para quem sente que lá deve servir a Deus. O Corpo de Cristo tem vários membros, todos com sua importância.

A astuta intenção diabo, ao usar aquele homem no trem e dizer através dele que não podia lutar contra mim pelo fato de agora (naquela época) eu ser um crente da Congregação Cristã no Brasil, era apenas de me engessar, me imobilizar e fazer com que eu não desse todos os frutos que Deus queria que eu desse.

Lá eu teria que lidar com usos e costumes, e assim esfriaria da fé ao cuidar do ‘não fazer isso, não comer aquilo, não vestir isso, não olhar para aquilo’. O orgulho que entrou em meu coração após aquela investida do diabo já deveria ter sido o suficiente para eu notar que tinha algo errado.

Satanás é um exímio estrategista, capaz de sacrificar umas peças para ganhar o jogo no final. Não podemos menosprezar suas estratégias sórdidas.

Agora véio, a parada é sinistra!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tem hora que é melhor não fazer nada...


"O beduíno quando está caminhando pelo deserto e é surpreendido por uma tempestade de areia não tenta voltar correndo para sua tenda para se abrigar. Se fizer isso ele certamente se perderá, pois as dunas mudam de lugar constantemente, não servindo de referencial. Se ele se arriscar segui-las, certamente morrerá. Para se proteger, ele para exatamente onde está, se cobre com sua capa e deixa a areia cair. Quando a tempestade termina, ele se levanta, sacode sua capa, se localiza pelo sol, lua ou estrelas e volta a caminhar até sua tenda, em segurança".


Quem costumava falar isso era o pastor Ricardo Bitun. O conheci ainda na época que ele era o segundo pastor da Igreja Betesda em São Paulo, um grande irmão, quase um paizão para mim.

Lembrei-me deste causo depois de uma breve conversa com uma colega de andar aqui onde trabalho. Ela me perguntou se iria viajar no carnaval. Disse que não, não estava a fim de viajar. Em uma fração de segundo, tentei imaginar o que estaria a fim de fazer. Não estava a fim de ficar no Rio, não estava a fim de ir a algum lugar, não estava a fim de dormir, não estava a fim de ficar acordado, não estava a fim de trabalhar, nem de descansar, nem de ir pra academia, muito menos de... Caramba! Estranhamente descobri que não estava a fim de fazer NADA!

Você também fica assim? Momentos em que nada te satisfaz?

Creio que seja a insatisfação de Eclesiastes com a futilidade que a vida se transforma de tempos em tempos. Momentos que a melhor atitude a se tomar é não tomar nenhuma atitude.

Isso é estranho pra mim, pois creio ser hiper ativo. Mas quando sinto esta bola de ferro presa em meus pés nada me satisfaz. Até fazer nada enche o saco. É aquela sensação de estar de pé em ônibus lotado, parado no “trânsito infernal desta megalópole” (como diria o motoboy “Jackson Five”, personagem do Marco Luque do CQC) em dia de chuva, com as janelas fechadas. Resta o quê a ser feito? Agüentar o desconforto, a irritação e a impotência quieto, resignado.

Fazer como Davi fez quando viu Saul dando um barro na caverna em que ele estava escondido: Ficar quieto, agüentar o cheiro e não poder fazer nada! (quem comentou esta passagem dessa maneira foi o pastor Silmar Coelho, risos...)

Se tentar fazer alguma coisa num momento de extrema sensação de ‘cozimento’ como essa vai fazer caquinha. Se for obrigado a fazer algo possivelmente vai comer cru e quente.

(Nota: Aff, to cheio de exemplos idiotas para falar sobre isso, um verdadeiro ‘parabólico’. É que estou escrevendo do jeito que estou pensando e minha mente hoje está muito adubada...)

Continuando. Tentar agir num momento de incerteza e imobilidade me fez lembrar daquele filme, “Mar em Fúria”, quando os pescadores mandam arrumar o sistema de refrigeração do barco, saem em alto mar para pescar, entopem os porões com uma quantidade absurda de peixes mas descobrem que o sistema de refrigeração ainda estava com o mesmo defeito de antes. Devendo horrores, próximos a perderem o barco e com a chance de pagarem todas as suas dívidas com a venda da preciosa carga a bordo, resolvem voltar, mesmo contra uma tempestade monstruosa que se formava em seus caminhos. O título do filme e a lógica dos fatos apresentados já podem fazer vocês imaginar o que aconteceu com eles...

É isso que dá. Tem hora que é pra ficar parado mesmo, sentindo o mal cheiro, apertado, impaciente, morrendo de calor, coberto pela tempestade de areia.

O importante é não se esquecer que uma hora ela vai passar. Aí você volta a ver as coisas como elas realmente são.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Um para trás, dois para a frente


Ontem dei um passo para trás. Voltei a ser menino, assumi minha fragilidade e chorei no colo do Papai. Não me importei com o que poderiam pensar de mim. Apenas me importei com o que EU estava pensando de mim. Tem horas que canso de mim. Isso normalmente acontece quando começo a entrar em um estado de dormência e torpor.

Acontece assim: As coisas começam a ficar sem sentido. Comer ou não comer não altera o apetite, rir ou chorar não abala o estado emocional, correr ou deitar não alivia o corpo, orar ou não orar não me aproxima mais de Deus.

Sem que eu percebesse, a luzinha de alerta começou a piscar. Falha no sistema. Sensação de já ter vivido aquilo antes. Bendito Déjà Vu. Não pestanejei: Lá estava eu de pé, sendo reabastecido pela Graça novamente. Não me interessava quem estava ao meu lado, era eu e Deus.

Um passo atrás não foi sinônimo de dúvida ou falta de fé. Pelo contrário. A meu ver, este passo atrás muitas vezes é necessário para pegar impulso e seguir em frente. Não tenho resposta para tudo. Me canso e me sinto frágil muitas vezes. Sou obrigado a recomeçar com freqüência, e a sensação de impotência no começo pode gerar imobilismo e frustração, mas depois vejo que estas emoções conflitantes são o campo fértil para novas perspectivas.

Tive que recomeçar várias vezes, de várias formas. Por vontade própria ou por força das circunstâncias. Perdi quase tudo que havia conquistado e me senti um fracasso. Fiquei impotente, sem norte, sem direção ou coragem de continuar. Mas a vida tem seus caminhos misteriosos e, com toda sua sutileza, me empurrou para frente. Mesmo com medo e dor, continuei caminhando. Desejando a morte e quase jogando a toalha, vi que não tinha opções. Avancei.

Esta nova força advinda da fraqueza pode soar contraditória, mas não é. Como diz Paulo em sua carta aos Coríntios:

“Pois, quando sou fraco é que sou forte” (2Co 12:10).

Não levo este pensamento de Paulo ao campo espiritual apenas. Assumir a fraqueza abre um leque de novas e impensadas opções. Muitas vezes estamos perto demais de nossos problemas, inseridos demais em nossas situações cotidianas e ficamos sem uma visão da situação como um todo. Se afastar um pouco do tabuleiro do jogo gera uma visão melhor da situação, possibilita reavaliamos a estratégia e entrar novamente na batalha.

Não vejo nenhum problema em assumir ser fraco. Assumir a fraqueza gera um alívio muito grande. Tirar o peso das costas e poder dizer “e agora, o que eu faço?” é libertador.

Sou fraco, me canso e preciso fazer isso de tempos em tempos...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Castelos de areia


Sempre irrequieto, na busca constante por significado existencial, assim é meu espírito. Clamo por momentos sem questionamentos e dúvidas, mas caminho por desertos de serpentes abrasadoras, sol escaldante e noites geladas.

Meu espírito vagueia em busca de locais de descanso, mas este oásis está sempre além da próxima duna de areia, que insiste em se desfazer, deixando-me desorientado e confuso. Não busco mais o paraíso humano divulgado pela mídia. Abdico de meus sonhos faraônicos. Não vou agir como os príncipes megalomaníacos de Dubai, que investem fortunas incalculáveis para construir suas ilhas artificiais nos mares, enquanto multidões mendigam um prato de comida.

Uma onda basta para colocar tudo por terra. Um sopro basta para acabar com toda a arrogância. E algo me diz que isso irá acontecer. Não tentarei mais construir um palácio. Não ambicionarei um trono. Não sonharei com o impossível. Contentar-me-ei com o que tenho. Quero mais do Reino de Deus e sua Justiça. Esta é minha sede. Isso é a minha busca.

Este mundo não mais me satisfaz, sua riqueza não mais me seduz, seu apelo não mais me emociona. Vejo que não faz sentido gastar minhas energias atrás daquilo que é corruptível. Preciso de muito pouco para ser feliz. Leio e releio as Escrituras e vejo que realmente este mundo é de aflições. Entendo que este vazio não é gerado pela ausência de Deus, e sim o fato de estar cheio dEle, o que me faz sentir um estranho no ninho.

Não ambiciono perpetuar meu nome nos anais da história humana. Para mim basta saber que meu nome está escrito no Livro da Vida. Estou no mundo, mas não sou do mundo. Em concordância com a oração sacerdotal de Jesus, peço a Deus que não me tire do mundo, mas que me livre do mal.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Minha Letra Escarlate



Senti que deveria postar novamente - texto de meados de 2009...


Esta é a sinopse do filme A Letra Escarlate:

A trama se passa em Boston no ano de 1666 envolvendo uma mulher chamada Hester Prynne. Ela é totalmente submetida à vergonha por haver cometido adultério contra seu marido que está no mar. Hester é presa e logo após é retirada da cadeia e levada à outra cidade. Lá ela é obrigada a usar uma letra 'A' vermelha que a identificava como adúltera. Ela permanece aguardando a chegada do marido, entretanto seu marido nunca chega à cidade. É tomado por hipótese que o marido morrera em sua jornada ao mar. Hester então é forçada a ganhar a vida como costureira para sustentar a si e à filha chamada Pearl. Hester conhece Arthur Dimmesdale, um clérigo, que convence a comunidade a parar de evitar Hester e a filha. Pearl é constantemente atormentada pelos pecados da mãe e por isto sofre muitas perseguições.

A estória não acaba aqui, mas retirei o restante para não ficar enfadonho demais. O ponto que queira frisar era o da marca feita no corpo da adúltera, a letra escarlate.

Este é o resumo de um dia de um João qualquer:

Ele acorda, toma um banho, escova os dentinhos, coloca uma roupa e vai para a rua. Pega um ônibus e diz bom dia ao motorista e ao cobrador. O motorista não responde por estar concentrado. O cobrador dá um sorriso amarelo e faz aquela cara de ‘passa logo por esta roleta pois ela está no meio das minhas pernas’. Normal. Chegando seu ponto ele desce e anda até o prédio onde fica seu escritório. A menina da portaria quando está de bom humor responde ao seu ‘bom dia’ com um ‘e ai, tudo bem?’ sem nem ao menos olhar para ele. Na verdade ela não quer saber se ele está bem ou não. Ele engole a tristeza e responde ‘tudo bem’, apenas para dar prosseguimento ao protocolo.

Nos locais onde ele costuma freqüentar, como seu trabalho, igreja ou academia, uns o cumprimentam desejando bom dia, outros o abraçam ou lhe dão um beijinho, alguns desejam 'A Paz do Senhor'. Aqueles que sabem do momento que ele está atravessando perguntam: 'E ai, como você está?' Mas ele aprendeu que destes que perguntam, nem todos querem saber realmente. Poucos são sinceros, sabem da sua dor e querem dividir o fardo. A grande maioria perguntam querendo apenas ouvir dele a resposta politicamente correta de que está tudo bem. O problema é aquela letra. Todos vêem que em seu peito existe uma letra 'A' marcada a ferro, e procuram evitá-lo. Ele se tornou para estas pessoas um poço de areia movediça, e elas procuram evitá-lo, pois a dor dele o transformou em alguém emocionalmente contagioso. O tratam como os leprosos eram tratados no Antigo Testamento. A sociedade, por não saber lidar com aquela doença, os excluíam do convívio com os considerados sadios. Tinham que viver em locais específicos, onde só tinham os doentes sem esperança. Se eles ousassem entrar na cidade, as pessoas começavam a gritar 'Imundo! Imundo' e os expulsavam a pedradas.

E é assim que as coisas acontecem em um dia normal de um João qualquer. O que dói em seu coração é ver estampado na cara de algumas pessoas a expressão de quem cochichou ao que está ao lado: 'xiiii, lá vem ele’. No começo ele até sentia vergonha e dor por estar com a letra escarlate no peito, mas com o tempo ele se acostumou. Na verdade o que ele mais quer é que quem não quer saber como ele está não pergunte nada, pois ele está cansado de ter que contar a mentira que eles querem ouvir.

Esta tem sido a razão do João qualquer preferir ficar sozinho. Ele gosta é de ficar quietinho no colo de Jesus, pois Ele não tem vergonha da letra escarlate queimada à fogo no peito do João qualquer. Para Jesus, João não é um qualquer. Ele tem paciência de ouvir João chorar, Ele não interrompe quando ele está desabafando, nem fica magoado quando João qualquer deixa escapar um pouco de sua dor e sem querer fala algo que O magoe.

Ele sabe o que é dor. Ele viveu a solidão no Getsêmani e na Cruz do Calvário. Ele carregou a maior de todas as letras escarlates, quando levou nossos pecados naquela Cruz. A minha e a sua Cruz.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pergunto outra vez: Deus se decepciona com você?



“Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (...) “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto”
. Genesis 1.27/31

“Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. - Genesis 2.15-17

“Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás? Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me. Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?” Ao que respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me a árvore, e eu comi. Perguntou o Senhor Deus à mulher: Que é isto que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente enganou-me, e eu comi”. - Genesis 3.6-13

Diante destes trechos do relato da criação do homem, sua desobediência e queda, fomos ensinados que Deus ficou profundamente decepcionado com o primeiro casal, criado à sua imagem e semelhança. Perante uma única imposição divina, ambos não souberam agir e desobedeceram ao Senhor, tornando-se conhecedores do bem e do mal.

Deus, que estava dando um rolê no jardim ao final da tarde "notou" que os dois não estavam se portando da maneira habitual e chamou por eles, que responderam que estavam nus se esconderam de Deus entre as árvores do jardim. Com isso, Deus perguntou se o homem havia comido do fruto da árvore do conhecimento. Este empurrou a responsabilidade da desobediência para Eva, que também cruzou a bola para a serpente, animal bandido, salafrário, cafajeste, "covááááárdiiiii" e enganador. O resto da história todo mundo sabe.

Minha intenção ao citar estes conhecidos versículos e escrever estas linhas é a de levantar uma questão:

VOCÊ CRÊ QUE DEUS FICOU DECEPCIONADO COM ADÃO E EVA POR ELES TEREM DESOBEDECIDO SUA ORDEM?

Vou além e pergunto outra coisa:

VOCÊ CRÊ QUE DEUS SE DECEPCIONA COM VOCÊ?


Pensem seriamente a respeito.

Eu li recentemente o livro do rabino Harold Kushner entitulado “O Quanto é Preciso Ser Bom” e ele fala sobre este assunto. Na verdade li este livro duas vezes. Após esta última releitura, fiquei com estas perguntas na minha cabeça, mas cheguei às minhas conclusões.

Minhas respostas para estas perguntas são:

1) NÃO, Deus não ficou decepcionado com o primeiro casal;

2) Da mesma forma NÃO, Deus não se decepciona com você.

Sem me estender muito no meu ponto de vista, digo que baseio o mesmo em algumas características de Deus:

1) Deus é ETERNO;
2) Deus é ONISCIENTE;
3) Deus é ONIPRESENTE;
4) Deus é AMOR.

Tendo Deus, entre outras, estas quatro características naturais de seu Ser, como Ele poderia se decepcionar com alguma falha humana?

Por ser ETERNO, Deus não está limitado ao tempo cronológico. Tanto é que, em Apocalipse 13: 8, temos um dos textos chave para basear minha opinião: “E adora-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do CORDEIRO QUE FOI MORTO DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO.

Por ser ONISCIENTE e ONIPRESENTE, Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo, ciente de tudo o que acontece.

Junte estas três primeiras características. Ele não está limitado ao tempo, sendo que tudo pra Ele é um eterno HOJE. Sabe de todas as coisas e está presente em todos os lugares.

Por esta razão, você acredita ser capaz de fazer algo que Deus já não soubesse que você faria?

Mesmo assim, e até por isso mesmo, o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo. Antes de você pecar ele já sabia. Seu arrependimento posterior também. Sua queda seguinte também. Sua fuga também. Seus anos tentando estar longe dEle por vergonha também. Suas pequenas vitórias e fracassos “longe” dEle também. Seu amadurecimento também, sua “volta” à Ele também.

Se você pensa contrário a isso, de certa forma você crê ter uma característica de seu ser maior do que a de Deus. Se você crê que é capaz de enganar a Deus, errar sem que Ele saiba, esconder algo dEle, você de certa forma crê ser maior que Deus, pelo menos nesta área.

Imagina eu ser capaz de fazer algo fora do conhecimento de Deus? É inconcebível! Mergulha no mistério varão (risos)! COMO EU OU VOCÊ SEREMOS CAPAZES DE DECEPCIONAR DEUS, SE ELE JÁ SABE DE TUDO ANTES MESMO DE ALGO TER SIDO FEITO? Quer competir com Deus?

Isso por acaso quer dizer que “já que Ele sabe tudo mesmo eu vou viver de qualquer maneira, pois nada será novidade para Ele?”

De maneira nenhuma! Como escrevi anteriormente, a presença de Deus em nossas vidas vai nos transformando dia a dia, para que sua Santidade venha me tornar santo. Mas isso é um processo, não é automático. Sua presença em mim faz com quê eu sinta nojo e repulsa de minhas falhas... MASSSSSSS (este é um bendito ‘mas’), tendo em vista o reconhecimento de meus defeitos e limitações, fruto da doce presença dEle em mim, cada vez mais eu agirei menos errado, digamos assim.

Para Deus então, cada erro ou tropeço já é esperado e se torna “um a menos” até que cheguemos onde Ele quer que estejamos: No centro de Sua vontade, se relacionando com Ele e com o próximo da maneira que Ele já sabe que um dia acontecerá.

Isso faz com que eu não caia na paranóia de ter um rigor excessivo contra mim mesmo e contra os que errarem ao meu redor. Cada vez mais o último ponto que citei da personalidade de Deus agirá me transformando:

Por Deus ser AMOR e habitar em mim, cada vez amarei mais meu próximo, da mesma forma que me amo. Um degrau acima, cada vez mais amarei meu Deus e terei com Ele a relação do noivo e da noiva.

Creio desta forma. Parece viagem, mas faz todo o sentido do mundo...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Morrer como um passarinho?


Muitos dizem que gostariam de morrer como os passarinhos. Dar um beijo na esposa, nos filhos, deitar para dormir e acordar no Paraíso. Sem sofrimento nem dor, sair dessa vida de maneira suave e não chocar ninguém com algum tipo de sofrimento. Todas as partes envolvidas ficam satisfeitas e o contrato é cumprido plenamente.

Pena que nem todos os passarinhos morrem dormindo. Muitos são presas de gatos, cobras e outros bichos, pedradas de meninos caçadores com seus estilingues, que atiram a torto e a direito por pura maldade. Outros caem em arapucas, redes ou alçapões e acabam adoecendo e morrendo de tristeza por terem perdido sua alegria de gozar suas breves existências em liberdade.

De um certo modo realmente vivemos e morremos como passarinhos. Temos nossa liberdade de escolha, e voamos para as direções mais diversas. Boas árvores, belas florestas, lindas paisagens, sendo supridos dia a dia por Deus, sem terem que semear ou colher. Até o dia que um imprevisto nos alcança.

Uma dor aqui, uma tontura ali, um caroço acolá. Vamos ao médico ou nos auto-medicamos. Em alguns casos até nos calamos e passamos a conviver com a dor. Encontramos zonas de conforto onde, dependendo do que comer, como dormir ou se movimentar, a inimiga dor faz um pacto de trégua e passa a não nos importunar a todo momento. Passamos a achar então que tudo está sob controle.

O problema é que vamos sendo minados. Nosso corpo começa a entrar em lenta decomposição. Invisível e silenciosa, vestida à paisana, a morte começa a cobrar nossa vida e os anos de descuidos e excessos. Até o dia que ela tira sua fantasia e mostra todo o seu horror. Gelada, ela começa a nos tocar. Ela está acostumada com o processo. Desde a expulsão do primeiro casal do Jardim do Éden ela entrou em campo. A partir de Abel e Caim ela começou a arrancar as penas dos passarinhos sem misericórdia.

Não há morte decente ou digna. A morte sempre será um horror, mesmo que seja como na utópica morte dos passarinhos. Um tumor, um câncer, um AVC, um infarto. Longos meses de sofrimento, caso eles não tenham sido fulminantes. Um atropelamento, um acidente de avião, uma bala perdida. Não importa a máscara que ela usar. Um dia ela vai chegar.

Não tenho medo da morte. Tenho nojo. Asquerosa e cínica, brincando de pega-pega com os seres viventes, sempre à espreita, aguardando uma oportunidade.

Glorifico a Deus pois o dia de nossa redenção se aproxima. O dia que não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas terão passado.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O sistema de castas evangélico


Ao ler o livro de Amós, pude ver a preocupação do profeta com as desigualdades sociais entre o povo de Israel. Isso me deu um insight: Lembrei-me do perverso sistema de castas indiano, e pelo pouco que já tinha lido a respeito pude ver que o meio evangélico atual tem vivido algo muito parecido.

Conheço superficialmente o sistema de castas, mas para expor de maneira mais precisa, fiz uma breve pesquisa na internet e copiei parte do texto postado no blog Departamento de Evangelismo e Visões de Entre Rios (DEMER), que foi baseado em texto retirado do site da Revista Povos. Veja abaixo:

“O perverso sistema de castas é proveniente do hinduísmo. Se trata de uma organização estrutural introduzida na Índia por volta de 2000 a.C., por causa de uma acirrada disputa entre os arianos e os dravidianos. O sistema tem influenciado muitos indianos, comprometendo, até o hoje, o relacionamento social entre as pessoas.

Vejamos como funciona esse sistema:

Em sua forma clássica, as castas se dividem em quatro partes, simbolizadas pelos membros do corpo de Purusha: boca (cabeça), ombros, coxas e pés.

Boca (cabeça): BRÂMANES
Na verdade, foram os brâmanes (brahmins) que criaram este sistema, com o objetivo de manter certa hierarquia e domínio sobre as classes mais baixas.
Brahma é um deus. Deus do supremo. E, segundo a tradição, Brahma teve quatro filhos, dos quais geraram as seguintes castas: Brahmins, Kshatryas, Vaishyas e Sudras. Pertencem a essa casta os sacerdotes, religiosos que comandam e dirigem a religião. É a maior e a mais elevada casta.

Os esquecidos, ou PÁRIAS
Com o decorrer dos tempos, foram surgindo outras castas, como, por exemplo, os párias, ou seja, os excluídos da sociedade. São todos os recusados de suas castas originais por causa de algum tipo de rebelião (desobediência), ou por decisão própria. Há, também, a casta dos dálits. Os membros desse grupo não têm acesso à educação, não têm direito à água limpa, não trabalham. São “eternos” inquilinos em sua própria terra e severamente discriminados.

A explicação para todo esse sistema é a seguinte: se alguém nasceu em uma casta, seja superior ou inferior, foi devido à sua conduta na vida anterior. Por isso, o carma também é um princípio dentro do hinduísmo. Apesar de o sistema de castas ter sido “banido” da sociedade indiana pela Constituição de 1950, ainda está intrinsecamente ligado à mentalidade e ao espírito indiano. Quando uma criança nasce, sua casta já está determinada, porque, desde que a Índia existe, toda a população está sujeita a esse sistema de divisão de classes. Ou seja, a possibilidade de uma pessoa mudar de vida é remota, porque, segundo acreditam, ela já é amaldiçoada ou abençoada, desde o nascimento.

Antigamente, as castas não se misturavam de maneira nenhuma, mas, hoje, a relação de uma para com a outra já é menos radical. Todavia, há, ainda, disparidade ideológica e racial entre elas. Em alguns Estados da Índia, a divisão das castas é respeitada e levada a sério. Já em outras localidades, nem tanto. Tal fato ocorre devido à baixa escolaridade e pouca educação, pois, quanto menos educação, mais arredios os indianos se tornam à liberdade cultural e social.

Como não poderia deixar de ser, o sistema de castas na Índia é totalmente torturante, pois escraviza o ser humano a um ciclo inexorável de injustiça e impunidade social.”

Meu foco principal será nos extremos do sistema de castas: Os Brâmanes e os Párias, pois os demais (Xátrias e Vaixás) estão no meio do pelotão, e são coniventes com as extorsões feitas.

No texto que coloquei acima não consta, mas uma das maneiras que os párias dispõem para poderem ter uma melhor sorte é dando o quase nada que possuem aos membros das castas superiores, os Brâmanes. De suas poucas posses ao seu trabalho escravo, eles se esforçam em serem aceitos por um deus impiedoso e manipulável através destas ofertas, igual ocorre no meio evangélico. Morrem assim na esperança de reencarnarem numa situação um pouco mais favorável, talvez como uma barata, sapo ou – tendo um pouco de sorte e se esforçando muito – talvez um rato, daqueles que já vimos várias vezes em fotos, freqüentando os templos hindus e sendo tratados com mais respeito do que os seres humanos. Como vaca é um longo percurso, não adianta nem sonhar...


A direção tomada pelos atuais tele-evangelistas neopentecostais me fez ligá-los aos Brâmanes, pois estes lobos em pele de cordeiro vociferam perante as câmeras de TV que são os intermediários das bênçãos entre os ‘párias’ e um deus obscuro e corrupto. Criaram um sistema os quais eles se tornam intocáveis, consideram-se a boca de Deus e sua palavra é inquestionável. Guiam suas ovelhas de maneira a levá-las ao abatedouro, tirando delas toda lã, leite, carne e o que mais for possível, prometendo bênçãos aos que os abençoarem e maldição aos que os abençoarem.

Assim como ao Brâmanes, estes pastores comandam, dirigem e manipulam a religião, extorquindo o povo e os deixando na ilusão de que agindo assim, eles alcançarão o paraíso aqui na terra. Manipulam e torcem a Palavra de Deus, e muitos os buscam na sede de ascenderem na sociedade, seja através de uma benção material, seja através de uma cura, um cargo ministerial ou qualquer migalha que possa cair da mesa deles.

Desta forma, os líderes cada vez mais enriquecem, e seu rebanho cadê vez mais empobrece. O sistema funciona perfeitamente, mas não podemos nos calar.

Nossos dízimos e ofertas fazem parte de nossa adoração a Deus. Não devem ser usados visando troca. Pode-se argumentar que em Malaquias 3:10 Deus nos estimula a trazer os dízimos e ofertas à Casa de Deus, para que façamos prova de Deus e assim ele derramará bênçãos sem medida em nossas vidas. Mas não podemos esquecer também que o povo de Deus em sua perigrinação no deserto colocou Deus à prova e foram dizimados (sem trocadilho) no deserto (Hebreus 3:7-17).

Vamos denunciar isso constantemente. Se ao menos uma vida puder ser transformada através destas linhas toscas terei cumprido minha missão.

A Deus seja toda honra, glória e poder, para todo o sempre.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Não me sigam pois acho que estou perdido...



Convivo com um turbilhão de emoções, que me levam das mais altas montanhas às profundezas do abismo. São sensações desconexas, que ora me entorpecem como o vinho, hora me deprimem com angústia e dor. Poucas delas me fazem feliz por mais que alguns momentos. Por qual razão tudo isso que vivo é tão fugaz? Por qual razão tenho dentro de mim esta sensação de que estou correndo atrás do vento e não vou chegar a lugar nenhum?

Quando faço algo produtivo me vem a impressão de que o que fiz foi por acaso. Por que sinto esta sensação dentro de mim? Caminho por entre estas densas trevas, mal conseguindo ver o próximo passo a ser dado.

Neste caminho muitas vezes tenho esta sensação de que as pequenas coisas que faço são muito poucas perante tudo que sonho fazer. Não consigo acreditar que um ser tão pequeno como eu tenha algo a acrescentar à humanidade. Lembro-me das palavras que estão escritas num mural em frente ao Teatro Paulo Eiró, lá em São Paulo: ‘O homem sonha monumentos, mas só ruínas semeia para a pousada dos ventos’.

Prossigo sonhando com grandes obras, mas minha semeadura parece ser insuficiente. Vejo a necessidade daqueles que estão ao meu redor, e mal consigo dar o mínimo que precisam. Sinto-me insuficiente para oferecer o que necessitam. Por que será que as pessoas olham para mim e esperam que eu saiba o que fazer?

As vezes tenho vontade de dizer para que não me sigam, simplesmente pelo fato de não saber onde vai dar o caminho que estou trilhando. Minhas palavras são insuficientes para descrever o que se passa em minha mente. Meu vocabulário é muito pobre e não consigo trazer à luz o que está sendo gerado dentro de mim.

Quero gritar, mas não tenho voz. Quero correr, mas temo tropeçar e cair. Quero voar e alcançar altos cumes, mas minhas asas são muito pequenas. Preciso encontrar o que estou procurando, mas o problema é que não sei exatamente o que quero. Por qual razão Deus acredita mais em mim do que eu mesmo? Como Ele consegue ver algo bom dentro de mim?

Como posso ter certeza de que estou andando pelo caminho certo? Creio que vem da Palavra de Deus, quando ela diz que ilumina meus passos. Ela tem sido lâmpada, e o fato de não enxergar além apenas exercita minha fé. Tomo caminhos misteriosos, aleatórios, tateando com uma mão, segurando a lâmpada com a outra, sentindo esta sede do desconhecido dentro de mim, que não me deixa ficar parado onde estou.

Desculpem-me pelo excesso de perguntas. Não sei se vocês têm tantas questões dentro de suas mentes como eu tenho. Minha alma é inquieta e meus alvos são muito maiores do que creio ser capaz de alcançar. Creio dentro de mim que isso é bom. Não quero ser como eu sou. Quero crescer, ser melhor. Quero que meus galhos façam sombra para aqueles que eu amo. Quero que meus frutos alimentem aqueles que precisam de mim.

Quero que minhas palavras tragam alívio aos que me ouvem. Mas o que vejo é que estou como o Chacrinha, que dizia: ‘Eu vim para confundir, e não para explicar’... é gente, para variar, hoje está punk!

Inicialmente postado em 9 de setembro de 2009, mas hoje sinto-me assim...

domingo, 25 de abril de 2010

Kers + Ídiche Kop + Jiu Jitsu + revelação + insight = ?


Há situações em nossas vidas que temos que ser muito práticos, controlar nossas emoções e tomar decisões imediatas. Encontrar soluções para problemas aparentemente insolúveis, enfrentar situações que muitas vezes são maiores do que nossa capacidade e força.

Nestes momentos de crise note que agimos por inércia. Nossos pensamentos começam a rodar em velocidade diferente da normal. Nossa capacidade mental aparentemente aumenta, igualzinho ao sistema de KERS (Kinetic Energy Recovering System, ou sistema de recuperação de energia cinética em português) que acumula energia gerada nas frenagens dos carros - que seria desperdiçada - para ser usada quando o carro precisa acelerar novamente. Este sistema está sendo utilizado em alguns carros de Fórmula 1 em 2009 nas ultrapassagens, gerando quase 100 cavalos de força a mais.

Quando nosso KERS é utilizado, tudo se torna mais claro. Encontramos a peça que faltava para montar o quebra cabeça, reformulamos as equações e chegamos a sua solução. Tomamos decisões importantíssimas em poucos segundos. Como por milagre.

As frenagens bruscas de nossas emoções em momentos de crise, que a meu ver também pode ser considerada como a não paralisação perante os problemas, acumula energia e esta é devolvida em ousadia e precisão. O que tivermos na mão se transforma em ferramenta, o que acharmos no meio do caos serve de arma, nem que sejam cinco pedrinhas de um rio, como fez Davi em relação ao gigante Golias.

Isso me faz lembrar muito de um livro que li um tempo atrás e recomendo a todos: O Segredo Judaico de Resolução de Problemas, do rabino Nilton Bonder, Ed. Imago.

Seu prefácio diz: “ Os judeus, em seu longo e atribulado percurso, experimentaram inúmeras situações de ameaça à sobrevivência, tanto do ponto de vista individual como coletivo. Tais vivências deram origem a uma refinada perspicácia, uma espécie de feeling particular que os próprios judeus passaram a chamar de "Ídiche Kop" - "cabeça de judeu". Sua característica mais marcante é a ousadia radical com que questiona o impossível e o inexorável e defende a permanência no jogo, precisamente quando tudo já parece perdido".

Na introdução deste livro há um caso muito interessante (páginas 10 e 11) que merece ser transcrito:

Conta-se de um incidente durante a Idade Media em que uma criança de um lugarejo foi encontrada morta. Imediatamente acusaram um judeu de ter sido o assassino, e alegou-se que a vitima fora usada para a realização de rituais macabros. O homem foi preso e ficou desesperado. Sabia que era um bode expiatório e que não teria a menor chance em seu julgamento. Pediu então que trouxessem um rabino com quem pudesse conversar. E assim foi feito.

Ao rabino lamuriou-se, inconsolável pela pena de morte que o aguardava; tinha certeza que fariam tudo para executá-lo. O rabino o acalmou e disse: "Em nenhum momento acredite que não ha solução. Quem tentará você a agir assim e o próprio Sinistro, que quer que você se entregue a idéia de que não há saída". "Mas o que devo fazer?", perguntou a homem angustiado. "Não desista, e te será mostrado um caminho inimaginável".

Chegado o dia do julgamento, o juiz, mancomunado com a conspiração para condenar o pobre homem, quis ainda assim fingir que lhe permitiria um julgamento justo e uma oportunidade para que demonstrasse sua inocência. Chamou-o e disse: 'Já que vocês são pessoas de fé, vou deixar que o Senhor cuide desta questão: Vou escrever num pedaço de papel a palavra "inocente" e em outro "culpado". Você escolherá um dos dois e o Senhor decidirá seu destino.

O acusado começou a suar frio, sabendo que aquilo não passava de uma encenação e que iriam condená-lo de qualquer maneira. E tal qual previra, 0 juiz preparou dois pedaços de papel que continham ambos a inscrição "culpado". Normalmente se diria que as chances de nosso acusado acabavam de cair de 50 % para rigorosamente 0 %. Não havia nenhuma chance estatística de que ele viesse a retirar o papel contendo a inscrição "inocente", pois o mesmo não existia.

Lembrando-se das palavras do rabino, a acusado meditou por alguns instantes e, com o brilho nos olhos que acima mencionávamos, avançou por sabre os papeis, escolheu um deles e imediatamente o engoliu. Todos os presentes protestaram: "O que você fez? Como vamos saber agora qual a destino que lhe cabia?". Mais que prontamente, respondeu: "E simples. Basta olhar a que diz a outro papel, e saberemos que escolhi seu contrário".

Descobrimos então que a chance de 0 % era verdadeira apenas para as limites impostos para uma dada situação. Com um pouco da sagacidade da necessidade, foi possível recriar um contexto onde as chances do acusado de superar a adversidade saltaram de 0 % para 100%. Ou seja, a simples recontextualização da mesma situação permitiu a reviravolta da realidade.

A impossibilidade é uma condição momentânea, e quem sabe disto não desiste. E nenhuma outra postura é e tão instigadora de criatividade e intuição quanto o "não desistir". O simples fato de permanecer no "jogo" abre opções que, fora dele, ao se "jogar a toalha", obviamente não existem.

Este é o espírito da coisa. Não nos acovardar diante do caos. Não jogar a toalha. Utilizar a pressão a nosso favor (como os lutadores de Jiu Jitsu fazem, que é usar o peso e a força do adversário contra ele mesmo. Essa característica da luta possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer) e – acima de tudo – crer que, para Deus, nada é impossível.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Viva a dor...



Dor. Grande dor. Não no sentido de ser muito doída, digamos assim. Quero dizer que a dor é boa. Tenho aprendido muito ela. Sempre ali, companheira e presente. Honesta a sincera, me alertando que algo está errado. Nela não encontrei falsidade. Pelo contrário, sua franqueza não tem comparação. A dor é minha amiga. Antes tinha inveja de quem não sofria nada. Achava que ser feliz era viver uma vida sem dor. Tudo certinho, no lugar, encaixado, hermeticamente fechado, à prova de balas. Mas a dor invadiu meu coração, tomou posse do meu ser, preencheu vazios da futilidade e me tornou melhor.

Pode ser que eu seja radical, mas desconfio de pessoas que dizem que suas vidas estão sempre no eixo, que dizem não ter problemas, vivendo de glória em glória, sem sofrimento algum. No mínimo são falsas, pois ninguém passa por esta vida sem sofrimento e dor.

Gosto de estar com pessoas que sentem dor. Pessoas com cicatrizes são mais confiáveis. Lutaram e venceram. Tem o que contar e você pode contar com elas. As cicatrizes para mim são como calos na alma, troféus. A dor na verdade é uma das grandes verdades da vida.

Aquele ensinamento do Senhor que diz para chorarmos com os que choram era pra mim apenas uma teoria, no máximo um dever religioso ou moral. Hoje é diferente. Posso sentar ao lado de quem sofre e sofrer com esta pessoa. A dor me deixou mais humano.

Em Eclesiastes 7:3 o Rei Salomão, diz que "melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração".

Salomão estava certo.

A vida é linda e a dor faz parte dela. Está servida em uma taça, e cada um tem a sua, para ser apreciada com tudo o que vem dentro.

Brindemos a vida, brindemos a dor.

domingo, 11 de abril de 2010

Isso não acaba nunca?


Eu sempre estou cheio de perguntas. E uma delas é a de sempre: Por qual razão há momentos na vida em que aparentemente nada faz sentido?

Esta é uma sensação é natural? Só eu encano com estas coisas?

Ao pensar sobre isso me lembrei de uma mensagem ministrada pelo Pr. Sóstenes Mendes, intitulada Dor de Crescimento*.

Resumindo mal e porcamente esta mensagem, dor de crescimento é quando parece que eu cheguei ao fim de um estágio em minha vida mas não percebi. Começo a conviver com o silêncio, o marasmo e o vazio. Uma situação que começa a se arrastar por algum tempo. De repente começa a se passar muito tempo e nada acontece. É uma sensação incômoda e eu não quero ficar parado naquela situação o resto de meus dias. Tipo quando eu insisto em usar uma roupa que não me cabe mais. Pode até ser que eu consiga vestir aquela roupa, mas vou ficar desconfortável pois meu corpo mudou. Na verdade vou ficar ridículo. É possível até eu fingir que não está acontecendo nada e tentar ficar nesta posição o resto de sua vida, mas não tem como. Quanto mais tempo eu perco mais o desconforto aumenta, até se tornar insuportável.

Eu tenho também a opção de recuar e fingir que não cheguei àquele ponto. Posso tentar agir como Morpheus sugeriu para Neo em Matrix: ‘Tome a pílula azul e você vai esquecer-se de tudo o que aconteceu até este momento’. Algo como restaurar meu micro com as configurações de dias anteriores. Mas isso eu me recuso a fazer. Dar um passo atrás não vira. Muita coisa já foi escrita em minha vida e não tem como ser apagada. Algo como ter construído um castelo de cartas e de repente decidir tirar uma delas da base achando que o restante da estrutura vai aguentar.

Só que dentro de mim algo se move impacientemente e me obriga a fazer algo. Me rendo e decido avançar. É a coisa certa a ser feita. Tiro a bunda da cadeira e me levanto. Só não sei exatamente que direção tomar nem como começar. De repente acontece algo: Minha visão se abre após os primeiros passos e as coisas começam a acontecer. Como que por um milagre, o mar se abre e eu avanço em terra firme.

Descubro que aquele paredão em minha frente era apenas um degrau. Mais um degrau a ser subido. Com o passar do tempo cada vez mais me depararei com estes paredões. Os intervalos serão menores, as ações deverão ser tomadas mais rapidamente. Terei que subir, subir, subir.

Onde isso vai acabar? Eu não sei. Avançar sempre, escalar degraus, vencer gigantes, matar leões, lidar com perseguições, laços e armadilhas, como que num pesadelo. É punk. Só andando para ver onde esta trilha vai chegar.

Somente eu tenho estes questionamentos? Isso faz sentido para você? Também estou em busca de respostas.

*P.S: Caso você queira, ouça a mensagem 'Dor de Crescimento'

sexta-feira, 26 de março de 2010

Muito mais do que eu mereço...


Acordei hoje, abri os olhos e olhei o despertador. Marcava 06h30min. Mais um dia com minha visão perfeita. Pena que não podia dormir mais, mas tive uma noite de sono muito boa, enquanto pessoas tomam remédio para dormir e não tem razão nenhuma para acordar cedo, pois estão desempregadas ou sem ânimo para sair da cama. Enchi o pulmão de ar e respirei fundo. Engraçado, nada obstruindo minha respiração. Tudo funcionando normalmente.

Me sentei, levantei e andei até o banheiro. Minhas pernas obedeceram aos comandos do meu cérebro de uma maneira inexplicável. Fui ao banheiro e fiz xixi. Os rins estão funcionando normalmente, mijei pra caramba, parecia uma vaca. Não preciso de hemodiálise.

Escovei meus dentes, e todos estavam ali, apenas um deles precisando fazer uma restauração. E dinheiro para isso eu tenho para pagar, apenas não me agendei ainda para ir ao dentista.

Coloquei minha roupa, e pude escolher como queria me vestir. Roupas boas e novas. As que não estão tão novas estão comigo há bastante tempo por predileção. Sempre juntando peças para dar para alguém, e em condições de comprar alguma peça caso queira. Nenhuma foi dada a mim. Comprei com meu dinheiro.

Abri a geladeira, peguei um copo de leite, acrescentei aveia, linhaça, Toddy e tomei. Ainda tenho umas dez caixas de leite guardadas, um pacote inteiro de linhaça fechado e uma caixa de aveia intacta. Muitos outros itens estão guardados em meus armários e na geladeira. Se parar de comprar comida hoje tenho estoque para pelo menos um mês.

Abri a porta do meu apartamento e sai para meu trabalho. Meu trabalho! Tinha que ir ao Departamento de Marinha Mercante levar uma documentação, mas optei em primeiro ir ao escritório na Barra e só depois do almoço ir ao Centro resolver esta parada. De lá vou voltar direto para casa. Tenho autonomia para tomar decisões sobre minha própria rotina de trabalho e agenda.

Agora estou aqui, escrevendo. Todos os dedos funcionando, sem tendinite nem outro tipo de dor.

Por que estou escrevendo sobre isso? É que acordei hoje pensando no quanto somos ingratos com Deus, que nos abençoa nos detalhes do dia a dia, enquanto milhões de pessoas não podem enxergar, andar, respirar, fazer suas necessidades fisiológicas sem auxílio de equipamentos ou estranhos, se vestir, se alimentar, ter um local para ganhar o pão de cada dia...

Faz muito tempo que não inclino minha cabeça e dou graças à Deus pelo prato de comida antes das refeições. Faz muito tempo que não louvo a Deus por suas infinitas misericórdias. Ele tem me sustentado em todos os sentidos, e não sou digno de que Ele perca seu tempo comigo. Eu merecia o inferno, eu merecia a dor e o sofrimento, eu merecia a fome e a nudez, eu merecia não ter onde reclinar a cabeça, mas Deus tem feito infinitamente mais do que sou capaz de imaginar.

Graças a Deus por Ele ser bom. Glória a Deus por suas misericórdias. Bendito seja seu Nome, pois Ele é digno de receber toda honra, glória e poder, para todo o sempre. Amém!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Deixe-me chorar, tô afim de andar um pouco sozinho...


Eu devo ser um cara muito estranho pra muita gente. Quando estou triste gosto de curtir minha tristeza sozinho. Sozinho significa poder até estar perto de outras pessoas, mas não gosto que interfiram no processo. Gosto de chorar, e gosto de chorar até que a última gota de lágrima escorra. Gosto daquela sensação de que preciso me reidratar imediatamente após longos momentos de choro. Tenho assim a impressão de que lavei tudo por dentro.

As lágrimas de felicidade e de boas emoções em geral também são extremamente benéficas para mim. Aqueles momentos que você está cheio da presença de Deus ou de quando algo de muito bom acontece e te deixa emocionado. Gosto de chorar até ficar todo melecado.

Isso me faz lembrar do dia em que me converti. Cheguei na escadaria da IURD e, quando li aquele ‘Jesus Cristo é o Senhor’, comecei a estrebuchar de tanto chorar. Já tinha visto aquilo escrito um zilhão de vezes, mas foi palavra rhema para mim no dia de minha conversão. Havia caído a ficha, aquele Senhor era tudo o que tinha procurado durante toda a minha vida, e finalmente havia encontrado a resposta de minhas perguntas e o preenchimento de meus vazios da alma. Comecei a chorar. Chorava lindo, dava até gosto. Eu e Deus, em um ‘romance astral’, como diria Raul Seixas em Trem das Sete. Nisso veio uma obreira até mim (coitada) e disse: ‘Não chora não irmão, quem tem que chorar é o diabo!’, achando que estava prestando o maior serviço ao Reino de Deus ao soltar aquela pérola. Senti-me como se estivesse dormindo sábado de manhã e de repente um TJ tocasse a campainha para oferecer ‘Despertai’. Foi mais forte do que eu: fuzilei a coitada com meu pior olhar. Ela perdeu o rumo.

Gente, a pior coisa pra quem está chorando é esta intromissão. E tem gente que gosta de ser interrompido, consolado. Eu posso até ser mal interpretado, mas apenas fico próximo da pessoa, caso ela permita, e deixo-a chorar até o fim. Não há palavras a serem ditas nesta hora. Basta saber que tem alguém ‘de plantão’ ao lado, pronto a dar um amparo se for necessário.

Também gosto de andar sozinho. Principalmente a noite. Aquele friozinho de São Paulo cortando a cara é tudo de bom pra gente esquisita como eu. Aqui no Rio não faz tanto frio assim, mas de vez enquando rola uns dias assim. Coloco uma blusa, saio por ai e ando sem rumo definido. Tipo aquela música do Ira!, Nas Ruas:

'Nas ruas é que me sinto bem
Nas ruas é que me sinto bem
Ponho o meu capote e está tudo bem
e está tudo bem...'


Me lembro também de Under the Bridge, do Red Hot Chilli Peppers. Olhe um trecho da tradução, que define bem o que sinto:

Às vezes sinto que não tenho um amigo
Às vezes sinto que meu único amigo
É a cidade onde eu moro
A cidade dos anjos
Solitário como estou
Juntos nós choramos

Eu dirijo por suas ruas pois ela é a minha companheira
Ando por seus montes pois ela me conhece
Ela observa meus bons atos e me beija cheia de ardor...

E por aí vai. Sou assim, esquisito mesmo. Mas sei que não estou só...

Postado inicialmente em 21/07/2009 09:01:00 AM