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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A ou B? (se for A eu te AMO, se for B eu te BATO!)

Diz “a lenda” que o brasileiro tem uma capacidade fenomenal de rir de si mesmo (infelizmente tinha, pelo visto ultimamente...)

Canso de fazer isso com meus defeitos, bem como consigo igualmente rir de uma boa piada, mesmo que ela vá contra meus “conceitos”. Sou um irônico na essência, apreciando da mesma forma a ironia do “outro” (gosto muito de gente inteligente, sem precisar concordar com seu ponto de vista, fica a dica...). Se um corinthiano zoar o meu amado Palmeiras "de uma forma justa", dou risada e até mando a piada para meus amigos corinthianos.

Da mesma forma, entendo e aceito posições contrárias à minha fé, pois Sei que Meu Deus não precisa de um “advogadinho” vagabundo como eu... Ele Sabe se defender Sozinho e só se defendeu quando quis, (alguns acham que o REINO DE DEUS depende “deles”, há! Pregar o Evangelho é uma coisa, dar porrada em amados filhos de Deus por algo que impeça quê as Boas Novas cheguem ao coração é outra...), sendo Ele o Advogado que nos representa!!!! Paulinho entrou no Aerópago e soube usar o paganismo dos deuses gregos para pregar o Evangelho! (Atos 17:15-34)

Qual o motivo deste texto, dirão alguns?

Minha amada esposa acabou de me mostrar uma “piadinha anti candidato A ou B”, que era realmente muito engraçada e me perguntou se valia a pena compartilhar, ao que eu respondi que “se postasse, o lado A da... iria rir litros, mas o lado B da... iria te amaldiçoar até a milésima geração”.

Hoje, todos tem a “solução mágica” para salvar o Brasil, sua cidade, sua rua, mas esquecem que – antes de tudo isso – precisam CURA para seus preconceitos, seus pontos de vista equivocados (ou não)... PARA SUAS ALMAS!!!

Como disse/postei antes (em outro contexto), mas conversando com um@ amad@ amig@ sobre a flexibilidade do rabo da lagartixa, “AS AMIZADES QUE SOBREVIVEREM À ESTA ELEIÇÃO RECEBERÃO O SELO ISO DE “PARA SEMPRE”, pois confesso que nunca vi tanta babaquice de gente colocando post tipo “se você recebeu isso, é pelo fato de eu ainda não ter te bloqueado, excluído, excomungado e te mandado para o inferno do mundo virtual..." É sério isso? (vou ser excluído por alguns(mas) del@s depois deste post, "espero que não", anyway... vida de profeta é uma merda mesmo!)

Vocês (nós) nos conhecemos como quê numa entrevista de emprego, sendo avaliados um pelo outro pelo “currículo” antes de nos gostar? Procuramos saber o time de A ou B, a fé de A ou B, o “gostar de doce ou salgado”, de ser rockeiro ou sertanejo, de ser um defensor árduo da filosofia de esquerda, direita ou centro?

Gente, na moral, vamos melhorar como seres humanos, vamos voltar ao princípio de tudo, onde éramos não capachos e panfleteiros de.... Ah, cabe tudo aqui neste “Ah”, desde que nos AMEMOS...

PRONTO, FALEI! Falei pois os amo, de um jeito ou de outro...

P.S.: AVANTI PALESTRA!!!!!!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Relação dinâmica ou relação departamentalizada?



As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” – João 10:27

Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” – Gálatas 2:20

Use seu lado “matemático” e “some” estes dois versículos. Se não conseguir chegar a um resultado harmônico, sua relação com Deus é burocrática e departamentalizada. Se a soma fez sentido, acredito que sua relação com Deus seja viva e dinâmica.

Quanto você ouve falar de Deus, de Jesus, dessa coisa de “servir a lei dos crentes” ou “virar evangélico”, pecado, dízimo, pastor e o que mais aparecer no rol da “religião evangélica”, tudo é estranho e você tem certa aversão. Termos religiosos, gente chata, vestidão, cabelão, Bíblia, terno surrado e gravata, pregando na praça, falando coisas estranhas...

Você pensa: “Isso é religião e todas as religiões são iguais. Afinal de contas, todos os caminhos levam a Deus”, para ser – ao menos – politicamente correto. Um dia você topa visitar uma igreja, pois seu amigo/parente chato já fez você esgotar a lista de desculpas para não aceitar o insistente convite. Deixando o grosso do dinheiro em casa (para evitar surpresas), assiste a reunião e – digamos que na primeira delas – acaba levantando a mão no apelo e “virando evangélico” pra quem te convidou parar de te encher o saco ou por realmente ter sentido algo diferente.

Frequentando as reuniões, cai-se em algum extremo. Na maioria das vezes, o do radicalismo, passando a crer que tudo o que vivia antes era do diabo. Joga fora uma porrada de coisas, não frequenta mais os mesmos lugares de antes, não convive com os velhos e bons amigos, para de fumar, para de beber, para de torcer pra algum time de futebol, não ouve mais música “do mundo”, enfim: Se torna um porre (ou melhor, uma ressaca...).

Tudo o que vai fazer agora passa a depender de revelação profética, conselho do pastor, oração com as irmãs e irmãos, jejum. Desta forma, evita-se cair nas tentações do passado não tão distante e que insiste em rondar a porta. Torna-se então cada vez mais e mais engajado nas atividades da igreja, frequentando todos os cultos possíveis, todas as atividades “extraclasse”, incluindo a escola dominical, vigílias, correntes, visitas e o que mais caiba nas 24 horas diárias.

Todos passam a te respeitar dentro das quatro paredes, enquanto sua vida “pregressa” passa a ser apenas uma lembrança amarga, falada apenas para servir de exemplo do que não se pode ser ou fazer. Nada antes foi bom, tudo foi feito pra desonra e inglória do Senhor, mas agora você se torna mais cristão que Cristo (que, por sinal, não era cristão, mas aí são outros quinhentos...).

Começa a ouvir dizer ou presenciar que um ou outro “caiu em pecado” ou que “desviou dos caminhos do Senhor”, agarrando-se cada vez mais à instituição-igreja... Com unhas e dentes. Vai que é contagioso? Assim, você - uma espécie de anti-herói - acaba se tornando um insuportável rato de igreja, daqueles que ninguém suportam por muito tempo, pois tudo é “ta amarrado”, tudo tem que ser repreendido, e por aí vai.

Destes iguais a você, muitos ficam satisfeitos com os tapinhas nas costas, com os “aleluia salve salve” dos outros irmãos, com o amém do pastor e da liderança. Não há o que questionar. A “fórmula” funciona, não se mexe em time que está ganhando, não vale a pena não seguir as regras e sua relação com Deus se torna departamentalizada. Sem o sacerdote, sem o “Moisés”, a presença de Deus é insuportável.

Alguns, entretanto, sentem uma sede que cada dia só piora, fazendo com que estes busquem cada vez mais se relacionar com o Senhor, a despeito de toda a formula religiosa.

Leem a Palavra, ouvem uma certa Voz dentro de seu peito, diferente de todas a demais e percebem que as coisas não são exatamente como dita a doutrina. Humildemente se cala para não passar a imagem de insubordinados, mas este “se calar” somente adia o processo iniciado nem se sabe ao certo quando. Se conversa em “off” com outro irmão, muitas vezes são mal interpretados. Se fala sobre o que se passa no seu coração com a liderança então pior. Temem ser expulsos de um sistema religioso que o abrigou quando estava no fundo do poço, mas que na verdade serviu apenas como pronto socorro.

Alguns optam então em viver “clandestinamente” dentro da igreja, mesmo sentindo que esta opção apenas os sufoca a cada dia. Outros, ouvindo e vivendo, mergulhando e transbordando de algo novo, simplesmente percebem que não dá mais. Os 9 meses se cumpriram, o casulo se rompeu, o ovo não te comporta mais e é necessário romper a casca, sair da fase embrionária e respirar o ar de fora.

Com todo cuidado, ao mesmo tempo que com toda alegria, descobrem que o mundo não se limita ao templo, que a vida com o Senhor existe de forma dinâmica quando ele e seu amigo sentam despreocupadamente, tomando uma taça de vinho e falando da beleza ou dos problemas da vida, da criação, de Deus e de Seu Filho Jesus...

Percebe que algo diferente aconteceu dentro deles. Pensamentos nunca antes formulados de repente surgem em sua mente, um amor nunca antes vivido queima em seu peito, decisões importantes passam a ser tomadas não mais consultando os “oráculos evangélicos”, mas estranhamente por si próprio, mas não mais como antes de conhecer o Senhor. Agora “o Jesus Cristo” não é mais alguém impessoal. Ele habita em você. Seus pensamentos, por mais estranhos que possam parecer, não são mais seus. Suas decisões contém o amém do Pai.

Assustadoramente, não é mais você que vive. Mesmo aparentemente sendo o oposto do que a religião departamentalizada prega ser aquele que “serve à Deus”, você sabe que Ele habita em você. Não há mais necessidade de babá, não precisa mais comer só papinha e ser embalado em um berço. Você sabe pensar com a mente de Cristo, você se alimenta de comida sólida, sabe se virar "sozinho”, pois não está mais só: É Ele e você, de forma que você não nota mais onde está o elo de ligação. Uma relação dinâmica com o Criador; você, uma pequena criatura...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Quem nasceu pra ser lagarta, nunca será borboleta...



Como diz o ditado:

"Quem nasceu pra ser lagarta, nunca será borboleta"

Como pode alguns colocarem asas em uma lagarta tóxica e mandá-la voar? Esta é uma pergunta que eu não consigo responder. A própria lagarta resolveu ir contra o ciclo natural, optando em continuar se arrastando, mesmo sendo feia (apesar de suas cores), tóxica e repulsiva.

Não avaliaram que ela nem cogitou passar por uma metamorfose! Apesar de se arrastar continuamente, subir um bocadinho durante o dia e escorregar tudo o que subiu durante a noite, ela insiste neste processo e se recusa a mudar, pois ela acredita que não pode perder seu precioso tempo num processo natural como o da metamorfose.

O que lhe resta? Continuar colorida, mas sua cor apenas serve de alerta para os que não são daltônicos, podendo então se esquivar de sua incômoda peçonha e repugnância.

Seus movimentos são lentos, sua insistência em permanecer no “status quo” é irritante, ela tenta fazer com que todas as outras lagartas ao seu redor não percam seu tempo naquele aparente “descanso”, sendo que isso nada tem de descanso: Trata-se de um movimento inexorável.

Ela teme parar no tempo. Teme ser engolida por um “terrível comedor de casulos”, e muito menos, aguentar o possível sofrimento que viria atravessando um processo que faria que sua natureza repugnante viesse a se tornar em algo leve e belo como a borboleta. Olha no espelho, vê suas cores e se dá por satisfeita.

Luta desesperadamente em fugir da natureza e – por isso mesmo – se torna uma criatura pior, pois o tempo de lagarta tem “prazo de validade”. De alguma forma, ela consegue fugir do caminho natural, mas o preço pago é sofrimento em cima de sofrimento: Dela e dos que ela procura atormentar.

As que não cedem ao seus apelos vai em direção ao processo de transformação, mas ela olha para o lado e vê seus “pares pararem”, sem se conformar com o fato. Tenta sacudi-las, mas o processo de todas as demais continua inexoravelmente. Não há volta, a mudança é necessária e natural.

Ela se irrita, agride, ataca com seu veneno mas as outras já se encontram no casulo. Enquanto estas “morrem feias e renascem maravilhosas”, a teimosa lagarta apenas blasfema, tentando convencer as novas lagartinhas de que aquele processo é vergonhoso,” anti-natural” e que, se querem sua proteção de "lagarta-mor", devem abandonar seus desejos de metamorfose.

Todavia, a mentira é “como uma lagarta”: Apesar de suas dezenas de pernas, todas são curtas. A lagarta velha, então, imersa em sua teimosia e repugnância, apenas engorda, se torna mais e mais visível, lenta e acaba explodindo no bico de algum predador que ela tanto temia ou apenas cai do galho e se espatifa no chão.

Antes fosse borboleta. Por mais que o processo de metamorfose gere um prazo de validade menor, ainda assim ela teria visto coisas que nunca viu na vida; teria gozado de prazeres que somente aqueles que podem voar podem desfrutar.

Ainda que as últimas possam acabar “eternizadas” em uma moldura de algum colecionador de lepidópteros, ainda assim – até seu momento final – seria bela, ao contrário da gorda e velha lagarta que explodiria em algum canto de chão qualquer, por não poder mais se sustentar sozinha...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Os ciclos, as perdas e as restituições...


"Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Então prostrou-se no chão em adoração e disse: "Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor". - Jó 1:20-21

Durante minha vida toda conquistei, ganhei e perdi muita coisa. Bens, dinheiro, pessoas amadas, coisas e situações mensuráveis ou não, entraram, foram usufruídas, conviveram, se gastaram, desgastaram, se cansaram e partiram, romperam, quebraram e foram cumprir seus papéis nos próximos passos “da cadeia”...

Algumas delas ficaram e continuam cumprindo seus papéis. Algumas sempre esperamos que sejam “eternas”, ao menos “eternas enquanto durem”, como diria o poeta, mas entendo que o desprendimento diante de tudo e todos é parte importante na manutenção de certa saúde emocional, pois parece que sempre que tentamos cravar a posse de algo, criamos uma espécie de vinculo que nos fragiliza.

A posse, em suas diversas formas e interpretações, acaba gerando insegurança naquele que acredita possuir algo, isso devido ao fato do indivíduo viver considerando a possibilidade de perder este direito adquirido. Na verdade, esta é uma relação perversa, pois quem considera possuir acaba se tornando possuído pelo objeto de sua posse.

Parece um jogo fútil de palavras, e talvez até mesmo o seja, mas entendo que devemos entender quem é senhor de quem nesta relação para não sofrermos desnecessariamente.

Quantos são os que perdem um emprego, um bem, um ente querido ou um relacionamento e dá cabo de sua vida por não aguentar a pressão, o vazio? E o que gerou este vazio senão o ato de dar o valor errado a algo ou alguém? Por que entregamos o que temos de melhor até para tranqueiras, inanimadas ou não? Qual a razão de considerarmos que “quando conseguirmos tal e tal coisa ou pessoa ou objetivo” nós seremos plenos?

Quantos se arrebentam nesta busca, alcançam seu(s) objetivo(s) e depois descobrem que tudo aquilo foi vaidade e correr atrás do vento, como diria Salomão no livro de Eclesiastes? Qual a razão de não buscarmos estar plenos de paz e satisfação dentro daquilo que dispomos? Lógico que traçamos objetivos, trabalhamos para alcançá-los, mas isso deve ser feito de forma a não cravarmos que “aquilo” é nosso objetivo de vida.

Compreendi que devo “ser dono de nada”, mesmo dispondo de várias coisas; tendo a possibilidade de conviver com pessoas que também se dispõem a conviver com você sem considerar que estas relações são sinônimo de posse, “deixando a porta aberta” para o que der e vier, literalmente.

Entendi que o contexto de “restituição”, cantado por vários (“restitui, eu quero de volta o que é... “meu”?) e por eu mesmo é uma roubada. Restituir o quê? Somos “donos” de quê? Até na vida de Jó, que citei como versículo chave, vimos que a restituição não implicou em devolução exata do que se perdeu nem na ressurreição dos filhos que morreram:

“O Senhor abençoou o final da vida de Jó mais do que o início. Ele teve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de boi e mil jumentos. Também teve ainda sete filhos e três filhas. À primeira filha deu o nome de Jemima, à segunda o de Quézia e à terceira o de Quéren-Hapuque. Em parte alguma daquela terra havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó, e seu pai lhes deu herança junto com os seus irmãos. Depois disso Jó viveu cento e quarenta anos; viu seus filhos e os descendentes deles até a quarta geração. E então morreu, em idade muito avançada”
. - Jó 42:12-17

Os longos últimos dias da vida de Jó foram abençoados por Deus, mas mesmo estas novas bênçãos – ao menos no meu entendimento - não foram suficientes para preencher os possíveis vazios gerados pela lembrança do que para trás ficou. Jó apenas deu andamento à sua vida, e as coisas continuaram a fluir naturalmente. A dor de ontem passou e hoje a realidade é outra. A ferida foi curada, mas as cicatrizes ficaram. Mas assim é a vida.

Dentro deste contexto de posse acredito que, na verdade, a única coisa que realmente nos pertencem são estas cicatrizes...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Angústia...



“E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR. Mas o SENHOR mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se.

Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono. E o mestre do navio chegou-se a ele, e disse-lhe: Que tens, dorminhoco? Levanta-te, clama ao teu Deus; talvez assim ele se lembre de nós para que não pereçamos.

E diziam cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas. Então lhe disseram: Declara-nos tu agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual é a tua terra? E de que povo és tu?

E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao SENHOR, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca.

Então estes homens se encheram de grande temor, e disseram-lhe: Por que fizeste tu isto? Pois sabiam os homens que fugia da presença do SENHOR, porque ele lho tinha declarado. E disseram-lhe: Que te faremos nós, para que o mar se nos acalme? Porque o mar ia se tornando cada vez mais tempestuoso. E ele lhes disse: Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se vos aquietará; porque eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade.

Entretanto, os homens remavam, para fazer voltar o navio à terra, mas não podiam, porquanto o mar se ia embravecendo cada vez mais contra eles. Então clamaram ao SENHOR, e disseram: Ah, SENHOR! Nós te rogamos, que não pereçamos por causa da alma deste homem, e que não ponhas sobre nós o sangue inocente; porque tu, SENHOR, fizeste como te aprouve. E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria.

Temeram, pois, estes homens ao SENHOR com grande temor; e ofereceram sacrifício ao SENHOR, e fizeram votos. Preparou, pois, o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe”.
Jonas 1

Há certos momentos de nossas vidas que nada acontece como planejado ou esperado. A conta não fecha, 1 + 1 insiste em dar 3, você “faz regressão”, pede perdão até pelos pecados dos outros (se assim fosse possível), ora, chora, põe a cara no pó, se desespera e – simplesmente – as coisas insistem em dar errado.

Pesa sobre os ombros a sensação de que você – de alguma maneira – é responsável por tudo o que está zicado. Luta contra as circunstâncias, mas estas te subjugam, como se estivesse sendo engolido pelo mar bravio. O que fazer? A situação é desesperadora, é um labirinto interminável, as saídas estão fechadas, tudo cerrado, lacrado, impossível de avançar.

Ficamos imobilizados depois de tanto espernear, procurar o ar. As circunstâncias te engolem, você perde sua auto-estima, a impotência passa a ditar as regras. Não há como avançar, não há como retroceder, o que para frente está é invisível aos olhos, o que para trás ficou não existe mais.

Resignação, frustração, dor... dói até os ossos, dói na alma. Você acha que é culpado, mas sabe que não é assim que a banda toca. Mesmo sabendo disso, de tão surreal que o quadro se pinta, você procura mergulhar mais e mais no sentimento de culpa irracional que te invade. Tenta lembrar de algo que fez ou deixou de ser feito, algo que poderia ter sido o estopim de toda esta situação.

Seria mais fácil. Seria bom saber que você realmente é o responsável pelo momento pois, se assim fosse, poderia voltar atrás e reconstruir o que foi derrubado, consertar o que está torto, pedir perdão e perdoar à quem de direito. Todavia, este exaustivo exercício mental é vão.

Impotência. Assistir as coisas acontecerem sem poder mexer uma palha para mudá-la vai te consumindo.

Fazer o quê? Se fosse algo como o que aconteceu na vida de Jonas seria fácil. “Tá todo mundo se ferrando e a culpa e minha? Me joga no mar!" Ah, como seria bom que fosse isso! Mas não é! Não é assim que funciona.

O pior é não saber em qual momento você se encontra no processo. Se está em fuga, se está na tempestade, se está se afogando ou se já está nadando na bile de um grande peixe. Até quando vou agüentar mais viver nesta “Cidade Maravilhosa”, esta Nínive que insiste em não se arrepender de seus pecados? Por que será que tenho a impressão de que ainda não acabei (ou talvez nem tenha realmente começado) “minha missão” aqui na terra do funk, carnaval, sensualidade e prostituição?

Este é o ponto, não adianta mais falar desta angústia sem ser claro no que quero dizer. Estou sofrendo nesta cidade, muitos estão, alguns nem notam isso, de tão imersos que estão nesta cultura, iludidos pelas belezas naturais e o bom jeitinho malandro de viver, mas sendo consumidos pelo maçarico de 40º diários, a falta de água, luz, infra-estrutura, educação, moral e cívica (lembrar da matéria foi inevitável).

Todos aqui sofrem, mas acreditam que estão no paraíso. Eu não, considero isso a pança de um peixe cheio de restos apodrecendo, no qual me incluo sem querer. São poucas as opções, não consigo vislumbrar uma saída fácil. Ser simplista e jogar tudo pra cima seria fácil tempos atrás, como fazia em minha juventude. Hoje não, não posso, tenho responsabilidades e não posso parar de nadar, senão afundo e levo outros comigo.

To cansado Senhor, estou no meu limite. Não estou vendo a saída. Não estou entendendo até onde ainda vou nesta situação. Misericórdia...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nenhum poder terias se de cima não te fosse dado...


“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência.”Romanos 13:1-5

Apesar de ter todo o escopo deste texto em meu peito há semanas, tenho relutado em começar a escrever pelo simples fato de não querer fazê-lo envolvido nas diversas circunstâncias que estou atualmente. Não quero “borrar” a mensagem com dilemas pessoais e incertezas que me cercam mas, mesmo sem querer, já estou fazendo desta forma. Senão, alguns poderiam dizer, não seria eu escrevendo...

Todos nós estamos sob a autoridade de alguém: Pais, patrões, mestres, governantes, religiosos e outras formas de poder fazem parte de nosso dia-a-dia, mesmo que não queiramos. Uma decisão política no outro lado do planeta pode influenciar a economia do meu país e gerar o desemprego de centenas ou milhares de vidas. Uma palavra mal-dita por um líder religioso ou um filmeco de terceira categoria feito por um estadunidense pode gerar o furor de toda uma nação teocrática (não nação no sentido geográfico apenas, mas toda uma “nação” sob os dogmas de uma religião que se sinta ofendida), gerando fanatismo, mortes, guerra e dor.

Hoje em dia não podemos mais “peidar sozinho na sala”: Pela infalível Lei de Murphy, alguém certamente vai entrar e sentir o cheiro. A velocidade com que a informação atravessa o planeta é assustadora e isso tem seu lado bom e seu lado ruim. Sempre ocorreram tsunamis, furacões, terremotos e erupções vulcânicas devastadores. A diferença é que nos dias de hoje vemos a transmissão destes cataclismos ao vivo pela CNN ou Globo News. Estamos – por mais que não queiramos – irremediavelmente interligados.

Os líderes globais ou locais tomam suas decisões e estas afetam diretamente nossas vidas e as vidas de nossos descendentes. Uma empresa lança uma nova tecnologia, um novo produto, uma nova forma de prestar um serviço e isso gera a quebradeira de diversas outras empresas que atuam no mesmo nicho, mas não conseguem acompanhar aquele desenvolvimento. Interesses pessoais, uma antipatia, um desejo de vingança, uma vaidade, uma posição contrária aos interesses de outrem respingarão nas vidas de quem estiver “por perto”.

Agora vem a pergunta: O quê estas idéias aparentemente desconexas tem a ver com o texto bíblico citado no início? Aparentemente nada a ver e até eu reconheço isso. Não estou “psicografando” o texto, isso apenas está vindo à mente enquanto quero focar o ponto de que toda e qualquer forma de liderança toma suas decisões, certas ou erradas, e estas decisões afetam a todos.

Qualquer um que tenha autoridade – em qualquer âmbito – pode decidir algo e o que for decidido pode nos afetar, nem que seja de tabela, mesmo que esta decisão não nos seja direcionada. Isso acaba gerando um clima de insegurança, nos deixa sem saber como será o amanhã. Sendo dramático, para alguns nem haverá amanhã! Lidar com este clima que me remete aos dias da Guerra Fria nos deixa extremamente inseguros. Tememos o desconhecido, tateamos no escuro, tremendo com a possibilidade de que algo apocalíptico nos aconteça.

Tentando minimizar a angústia que por vezes ficamos, lembro que Paulo nos aconselha a orarmos por todos os homens para que tenhamos dias tranqüilos:

“Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador”. – 1Timóteo:2:1-3

Entretanto, há momentos em que tememos mais do que deveríamos. Não somos “super-crentes”, somos humanos e falhos, acreditamos que Deus está no controle de tudo mas nossa fé por vezes se torna infinitamente menor que um grão de mostarda. Confesso que eu temo e creio ao mesmo tempo. O que me dá alento é que – por mais que homens estejam decidindo os destinos de nossas cabeças – eles não o fazem sem limites:

“E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: NENHUM PODER TERIAS CONTRA MIM, SE DE CIMA NÃO TE FOSSE DADO
. - João 19:8-10

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Força na fraqueza


“Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês. Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus”. - 1 Coríntios 2:1-5

Ser forte pela ótica do atual meio evangélico, o qual eu atualmente-e-glória-à-Deus-por-isso “me incluo fora dele”, significa – entre outras coisas – que detemos fórmulas mirabolantes para chantagear Deus, utilizando suas promessas de forma a obtermos tudo o que desejamos. Afinal de contas, basta pedir que nos será concedido, dar o dízimo para que o gafanhoto devorador voe longe de nossas plantações, não ficarmos doentes por Jesus ter levado sobre si todas as nossas enfermidades, e por aí vai longe...

Está lá, está escrito e pronto. Ele assinou e agora terá que cumprir. Senão, este Deus ou é fraco (por não conseguir atender nossos pedidos), é mentiroso (por falar algo que não faria), não nos ama ou, a pior das mentiras, só atende os filhos que não estão em pecado. Esta última, aliás, é uma das armas mais utilizadas nos púlpitos neo-pentencostais, a desculpa “bombril” que obviamente acaba funcionando com os fiéis que acreditam piamente em suas lideranças bispal-apostólicas-enganadoras...

Isso veio de supetão. Na verdade, quero focar outro ponto do conceito de forte e fraco. Noto com o passar dos anos na presença de Deus que muitas vezes falamos muito, mas MUITO mesmo sobre Jesus, seu poder, seus milagres, seu perdão, sua Graça e todas as virtudes possíveis e imagináveis, mas vivemos muito pouco desta realidade.

Falar é fácil e até um papagaio é capaz de fazê-lo de tanto ouvir algo. O que tenho visto e vivido, entretanto, é que o verdadeiro Evangelho não é algo que tem que ser falado, ele tem que ser VIVIDO diariamente, na prática, no comer e no beber, no andar e no parar, no se relacionar e se afastar. Cada ato nosso é a pregação do Evangelho que será ouvido com os ouvidos da alma. Bombardeio de informações nós sofremos por todos os lados, entrando por nossos ouvidos, olhos, poros, emoções. Todavia, uma pessoa vivendo uma vida em harmonia com Deus através de Cristo tem o poder avassalador de transformação, tanto em nós quanto nos que nos cercam.

Acho que é isso o que o apóstolo Paulo quer dizer em 2 Corintios 3:1-3:

“Começamos outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou, porventura, necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de vós? Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração”.

Talvez escandalize alguns, mas não é pelo muito falar, é por nosso estilo de vida, pelo nosso equilíbrio, por um conjunto de variáveis que na verdade nada tem a ver com legalismo, usos e costumes, fachada, aparente santidade. É algo muito maior, é algo vivo e pulsante, não cabe dentro de você, transborda e afeta todos que te cercam, de uma maneira ou de outra.

Quando vivemos assim, uma das últimas coisas que fazemos é o inverso do que fazíamos quando nos convertemos: Cada vez mais pregamos menos!!! Nos tornamos atraentes ou repugnantes para os que optam por se perder, ao mesmo tempo nos cercam para tentar decifrar que bom perfume é aquele que exalamos. A Palavra pregada mesmo só é dita na hora certa, sob as circunstâncias certas e na medida certa. Uma única bala, atirada diretamente no alvo.

O mais impressionante disso tudo que tenho experimentado é que isso acontece em momentos que acreditamos estar bem fraquinhos. É algo muito louco (o Evangelho é loucura, isso é fato.), pois agimos ou interagimos com outras pessoas muitas vezes sem nem ter em mente que estamos pregando o Evangelho e, quando nos damos conta, alguma coisa acontece e não falamos uma (lá vem jargão) “palavra rhema”, revelada, mas temos uma postura rhema, uma atitude rhema, um silêncio rhema, e isso faz TODA diferença para a vida daquele a quem o Senhor nos colocou em contato para que ELE agisse.

Loucura, heresia, blasfêmia. Podem falar e achar o que quiser de mim e do que estou escrevendo. Todavia vivo isso, tenho visto isso acontecer com outras pessoas. Alguns dos momentos mais produtivos que já tive e vi outros terem para o Reino de Deus foram em “momentos Jonas”, na barriga do peixe, sendo vomitado na praia, fedendo bile de baleia. Não é um paradoxo?

Assim somos fortes. Sem saber que fortes somos e não tentando impressionar com palavras humanas, ainda que recheadas de “evangeliquês”, nem com atitudes hipócritas. Somos fortes naqueles momentos em que todos consideram game over para nós, quando acham que estamos no fio da rabiola. Experimente...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tolerância


Vou andar por um terreno pantanoso, mas estou incomodado com este assunto e preciso escrever...

Há aproximadamente quatro anos atrás, ouvi dizer que aqui no Brasil era possível conseguir uma cópia do Alcorão gratuitamente, bastando apenas entrar no site da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e fazer o pedido. Acessei o site e encontrei o link para solicitar minha cópia. Preenchi o cadastro e em menos de 20 dias estava recebendo em casa minha versão do Livro Sagrado muçulmano. Não pesquisei, mas não acredito que a Câmara de Comércio “Brasileira Árabe” teria um link no site árabe distribuindo Bíblias ou outro tipo de literatura religiosa nestes países...

Tentei ler na época e confesso que não consegui. Agora, quatro anos depois, vendo toda a turbulência que está acontecendo nos países muçulmanos após o “lançamento” do ridículo filme Innocence of Muslims (Inocência de Muçulmanos, em tradução livre), decidi voltar a ler o Alcorão para entender mais o que estava rolando. Eu, cristão (apenas para poder dar um “rótulo”), estou lendo o Alcorão com todo o respeito. Em meu braço esquerdo tenho tatuado o símbolo do Coexist, com a Cruz dos cristãos, a Lua Crescente dos muçulmanos e a Estrela de Davi dos judeus. Sou um sonhador...

Paralelo à leitura, andei fuçando o site da CCAB e notei que o link para solicitar uma cópia do livro não está mais disponível (ao menos não consegui encontrar). Olhei também alguns sites referentes à fé muçulmana e, resumindo, eles podem agir livremente nos países de maioria cristã, distribuindo seu livro, comparando e menosprezando o Evangelho e o Torá (veja este link). Já os cristãos e judeus...

Como diz o ditado: “Pau que dá em Chico também dá em Francisco”. Discordo totalmente de qualquer tipo de preconceito, principalmente os gerados por diferenças religiosas. Aliás, cada vez mais tolero menos a religião instituída. Esta tem sido a fonte de guerras desde os primórdios da humanidade. Dos cristãos e suas cruzadas no mundo árabe às jihads, mais precisamente – de acordo com o fragmento do texto encontrado no Wikipédia – “"Jihad Menor", descrita como um esforço que os muçulmanos fazem para levar a teoria do Islã a outras pessoas”.

A religião cristã, e não me refiro à relação pessoal com Jesus Cristo, mas – sim – ao esforço humano em fazer algo para se aproximar de Deus, está tão errada quanto o islamismo no quesito tolerância, respeito, co-existência. O ser humano tem esta tendência em querer empurrar goela abaixo suas crenças. Esta “catequese” em nada tem a ver com o “IDE e pregai” de Jesus.

Pode soar como inocência, pode parecer que perdi a noção do perigo, mas quero deixar registrada minha indignação crescente em relação a todo tipo de discriminação e preconceito. Eu tenho que saber conviver com meu próximo, seja ele ateu, espírita, muçulmano, cristão, judeu ou porra nenhuma, da mesma forma que tenho que saber conviver com o homo ou o heterossexual, com o branco, amarelo ou negro, com o corintiano ou com o palmeirense (aliás, deprimente o que aconteceu domingo passado no jogo entre São Paulo e Coritiba (time), em Curitiba (cidade), quando uma menina coritibana (torcedora do Coritiba) de treze anos, fã de Lucas do São Paulo, quase foi agredida pela torcida do time paranaense apenas pelo fato de ter pedido a camiseta deste jogador. Leia e veja o vídeo aqui).

Queria poder andar com a camisa de meu time sem medo de apanhar de uma torcida adversária. Queria ouvir dizer que as religiões acabaram e todos agora buscam a Deus sem se organizarem em guerrilhas fanáticas, não importando o lado que venha o fanatismo. Queria ver uma livraria vender lado a lado os livros sagrados de todas as doutrinas (sebo não vale, já é assim aqui) em um país “teocrático”, digamos assim. Ver as maiorias tolerarem as minorias, não ver o forte procurando empurrar goela abaixo do fraco seus pontos de vista. Queria que as diferenças fossem atraentes, assim como os pólos de um imã. Queria demais, mas este mundo jaz no maligno...

Poderia me estender mais, mas estou sem saco. Poderia escrever melhor, pesquisar mais, mas estou sem saco. É apenas um desabafo. Como costuma dizer o Caio Fábio, “bye bye planeta Terra”...



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O ano que não queria acabar...


"Cantai louvores ao Senhor, vós que sois seus santos, e louvai o seu Santo Nome. Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo". – Sl 30:4-5

O mês de Dezembro de 2011 foi extremamente desgastante para mim. Parecia que estava em meio a um terrível pesadelo, delirando, suando e falando sozinho em meio ao turbilhão de acontecimentos que me cercaram.

Não conseguia ver saída nem esperança perante a quantidade de coisas que simplesmente aconteciam erradas, sem nenhuma explicação plausível. Corria para tapar um buraco e imediatamente via outro vazamento no barco, de forma que chegou um momento no qual simplesmente desisti de tentar manter a situação sob controle.

Estava emocionalmente exausto, sem vontade de acordar, sem vontade de ficar, sem vontade de sair, sem vontade de nada. Tudo o que costumava me dar prazer se tornara um peso. Queria reagir a tudo, mas me faltavam forças. Meus inimigos eram maiores e mais poderosos que eu.

Ao meu redor, ninguém se disponibilizava em me apoiar. Pareciam sentir prazer em ver que meu barquinho estava indo a pique. Sem ter com quem conversar, mesmo cercado de gente, me calava face à dor que me consumia. Engrujava, definhava, agonizava sem esperança. Joguei a toalha e fiquei ali, prostrado em terra, à mercê daqueles que silenciosa ou descaradamente riam de minha dor.

Passei o Natal assim. Virei o Ano Novo assim. Todos comemorando 2012 e eu ainda preso a tudo o que me afligira no mês anterior. Preso a 2011, as coisas não avançavam. Senti-me o pior dos homens, o pior dos cristãos, acreditando que talvez pudesse ter tomado o caminho errado em minha postura quanto à fé. Cheguei a crer que deveria fazer tudo como fazia nos primeiros anos, negando Àquele que me tomara pelas mãos e me guiava dia e noite e voltando a trilhar os caminhos obscuros da religião.

Não queria aquilo, não queria me ver novamente alguém menos do que já era. Não no sentido de orgulho, não no sentido de não querer me submeter, mas – assim como alguém inocente, porém torturado por seus algozes – pensava seriamente em assinar o rol de acusações que me eram feitas apenas para ver o fim de todo aquele sofrimento.

De que valia a vida? De que valia procurar estar andando retamente; não por justiça própria, mas pela Graça? Como o beduíno no deserto, pego de surpresa por uma tempestade de areia, apenas me deitei no pó, me cobri com a capa e me deixei ser encoberto pela cruel tempestade que caía sobre mim. Quanto tempo se passou eu não sei, pois não sentia prazer em contar meus dias.

Aos poucos, o ruído da tempestade cessou. Como que acordando, passei daquele torpor inicial que sentimos após uma péssima noite de sono ao estado de alerta. Levantei, sacudi minha capa, tirando a areia e procurando me localizar. Estava tão longe e ao mesmo tempo tão perto de tudo! Cansado, levantei-me e procurei seguir o caminho de volta, para um lugar que não sabia qual.

Aos poucos, notei que as coisas estavam se encaixando novamente. Tudo muito surreal, diga-se de passagem. O que estava dando errado passou a se ajustar, o que havia sido quebrado ou foi jogado fora e reposto ou se arrumou milagrosamente. Durante minha dor, confesso que blasfemei contra Deus, dizendo que 2011 tinha sido o pior ano de minha vida. Passada a loucura, lembrei-me que apenas o mês de Dezembro tinha sido o causador de tanto sofrimento. Pedi perdão a Deus.

Hoje, nada de novo acontece debaixo do sol. Entretanto, saí desta situação mais forte. Ele estava comigo, Ele não me abandonou. Mergulhei em outro nível de águas profundas, praticamente morri mas ressuscitei com Ele, passando a dar valor ao que realmente importa...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

No Caminho...


“Respondeu Jesus: Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo. O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito". – João 3:5-8

Os últimos dias têm sido dias de profunda apreensão para mim. Estou mais uma vez atravessando aqueles momentos em que não temos controle algum sobre as circunstâncias que nos cercam. Muitas coisas estão acontecendo e não consigo nem ao menos ter um vislumbre da situação como um todo. Vejo um recorte aqui, outro fragmento ali, noto que todos eles fazem parte de uma grande tapeçaria sendo bordada à mão pelo grande Tapeceiro mas, como Ele costuma agir, não nos permite ver além do necessário.

São momentos de mudanças profundas em minha vida. Sei que a minha frente algo novo me espera mas, assim como foi no meu divórcio e em minha vinda ao Rio de Janeiro, nada do que está acontecendo terá algum tipo de interferência de minha parte no que tange à direção que sinto o vento soprar. É algo ao mesmo tempo tão intenso e sutil, é uma voz que ouço e que me recuso a não obedecê-la, simplesmente por ser a Voz dAquele a quem um dia entreguei cada milímetro de minha vida, cada segundo de minha existência.

Ele, novamente, decidiu que preciso respirar novos ares. Ele está no controle, pois Ele habita em mim de uma forma absolutamente irreversível. Ontem, eu e Ele conversamos bastante sentados na Pedra da Macumba (ô nomezinho infeliz, ao mesmo tempo que ô, lugarzinho maravilhoso pra se estar, cercado de ondas bravias e natureza intensa). Eu chorava, me submetendo à Sua vontade, ao mesmo tempo que cogitava a possibilidade de não fazer Sua vontade, da mesma forma que Jesus pediu ao Pai que afastasse d’Ele o cálice que estava prestes a sorver em prol da humanidade.

Ele, graciosa e pacientemente, me ouvia através de minhas palavras não faladas, apenas soluçadas entre minhas lágrimas silenciosas. Queria saber se um dia descansaria, se um dia fincaria raízes em algum lugar e apenas levaria uma vida considerada normal, nos padrões do sonho americano. De forma claramente não falada Ele me disse que eu poderia apenas não aceitar o que estava por vir. Ao me dar a opção, porém, notei que na verdade eu não queria fazer o que gostaria de fazer, mas sim o que deveria fazer. Deus é um expert em nos deixar decidir pelo o que Ele tem de melhor.

Minha decisão veio baseada nas palavras de Jesus dada a um mestre da lei, e já bem conhecida minha:

“Então, um mestre da lei aproximou-se e disse: Mestre, eu te seguirei por onde quer que fores. Jesus respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça". – Mateus 8:19-20

Um dia eu dei a Ele as chaves de meu coração. Um dia eu entreguei tudo em Suas mãos, e foi sincera e convictamente. Entre lágrimas, decidi avançar. Ele sorriu para mim, confirmando não para Ele – que tudo sabe desde a Eternidade – mas para mim, de que eu decidiria estar sempre no centro de Sua vontade.

Assim, continuo no Caminho...

P.S. O René tá ligado, acabou de colocar um comentário que define o que está acontecendo: "Os passos do homem são dirigidos pelo SENHOR; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?" (Pv 20.24)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não me sigam pois eu acho que estou perdido...



Convivo com um turbilhão de emoções, que me levam das mais altas montanhas às profundezas do abismo. São sensações desconexas, que ora me entorpecem como o vinho, hora me deprimem com angústia e dor. Poucas delas me fazem feliz por mais que alguns momentos. Por qual razão tudo isso que vivo é tão fugaz? Por qual razão tenho dentro de mim esta sensação de que estou correndo atrás do vento e não vou chegar a lugar nenhum?

Quando faço algo produtivo me vem a impressão de que o que fiz foi por acaso. Por que sinto esta sensação dentro de mim? Caminho por entre estas densas trevas, mal conseguindo ver o próximo passo a ser dado.

Neste caminho muitas vezes tenho esta sensação de que as pequenas coisas que faço são muito poucas perante tudo que sonho fazer. Não consigo acreditar que um ser tão pequeno como eu tenha algo a acrescentar à humanidade. Lembro-me das palavras que estão escritas num mural em frente ao Teatro Paulo Eiró, lá em São Paulo: ‘O homem sonha monumentos, mas só ruínas semeia para a pousada dos ventos’.

Prossigo sonhando com grandes obras, mas minha semeadura parece ser insuficiente. Vejo a necessidade daqueles que estão ao meu redor, e mal consigo dar o mínimo que precisam. Sinto-me insuficiente para oferecer o que necessitam. Por que será que as pessoas olham para mim e esperam que eu saiba o que fazer?

As vezes tenho vontade de dizer para que não me sigam, simplesmente pelo fato de não saber onde vai dar o caminho que estou trilhando. Minhas palavras são insuficientes para descrever o que se passa em minha mente. Meu vocabulário é muito pobre e não consigo trazer à luz o que está sendo gerado dentro de mim.

Quero gritar, mas não tenho voz. Quero correr, mas temo tropeçar e cair. Quero voar e alcançar altos cumes, mas minhas asas são muito pequenas. Preciso encontrar o que estou procurando, mas o problema é que não sei exatamente o que quero. Por qual razão Deus acredita mais em mim do que eu mesmo? Como Ele consegue ver algo bom dentro de mim?

Como posso ter certeza de que estou andando pelo caminho certo? Creio que vem da Palavra de Deus, quando ela diz que ilumina meus passos. Ela tem sido lâmpada, e o fato de não enxergar além apenas exercita minha fé. Tomo caminhos misteriosos, aleatórios, tateando com uma mão, segurando a lâmpada com a outra, sentindo esta sede do desconhecido dentro de mim, que não me deixa ficar parado onde estou.

Desculpem-me pelo excesso de perguntas. Não sei se vocês têm tantas questões dentro de suas mentes como eu tenho. Minha alma é inquieta e meus alvos são muito maiores do que creio ser capaz de alcançar. Creio dentro de mim que isso é bom. Não quero ser como eu sou. Quero crescer, ser melhor. Quero que meus galhos façam sombra para aqueles que eu amo. Quero que meus frutos alimentem aqueles que precisam de mim.

Quero que minhas palavras tragam alívio aos que me ouvem. Mas o que vejo é que estou como o Chacrinha, que dizia: ‘Eu vim para confundir, e não para explicar’... é gente, para variar, hoje está punk!

Inicialmente postado em 9 de setembro de 2009, re-postado em 04 de maio de 2010 mas hoje sinto-me assim...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E aqui estou eu sozinho com o tempo...


A quanto tempo não paro para escrever sem a obrigação de fazê-lo focado em alguma obrigação acadêmica ou profissional? Sinto falta disso, sou viciado em escrever e este é um bendito vício do qual não quero me libertar.

Ultimamente, porém, tenho feito mais o que preciso do quê o que eu gosto, tomando mais remédio do que vinho. Sinto falta de mim nos momentos de ócio e lazer, tempo abençoado que teve de ser trocado por objetivos maiores do que os momentos em que podia ficar meditando em nada e deste exercício colher algumas coisas simples, mas que me davam prazer sem medida.

Agora tudo é cronometrado, tudo é metodicamente executado, não tenho tempo a perder.

Pensado por este prisma, o que vem a ser perder tempo? Perdemos tempo todo dia, vivemos para morrer, avançamos como loucos àquilo que nos espera mais dia menos dia, como mariposas enfeitiçadas pela luz que nos seduz e que nos levará ao destino comum de todos. Que proveito temos disso? Que bem colheremos no futuro que nem sabemos ao certo se o alcançaremos?

Como saber se o que temos à frente é o que de melhor poderíamos ter ou que apenas acabou sendo a única opção disponível? Por que vivemos fazendo tantos planos para o futuro, negligenciando o presente e esquecendo as experiências do passado? Tivemos várias lições praticas na vida e da vida, insistimos algumas vezes em trilhar caminhos que já sabemos de antemão que não darão em nada, isso quando não nos aventuramos rumo ao futuro incerto e fugaz.

Sim, estou meio em crise...

Não sei se o tempo que me resta será suficiente para alcançar algumas coisas que nos fazem crer serem importantes para nos sentir realizados, levando em conta que, das três coisas que alguém um dia disse serem essenciais para nos sentirmos realizados, mal e porcamente fiz apenas uma: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Árvores já plantei e outros comeram de seus frutos, escrever um livro é um sonho que talvez um dia consiga concretizar, bastando apenas eu desenvolver as habilidades que nem sei se tenho. Filho é algo que também quero mas, olhando para frente, não consigo falar do assunto sem cair no lugar comum que diz que, devido a minha idade, quando ele nascer já não me chamará mais de pai e sim de avô.

Tempo, bendito e maldito tempo. Sinto-me limitado por esta fria forma de calcular as coisas. Não quero ser eterno quanto homem na terra, mas gostaria de deixar algo pelo qual pudesse ser lembrado. Como os guerreiros gregos, gostaria de ter a bela morte cantada pelos poetas, tendo meu corpo sendo chorado pelas virgens e cantado nas canções daqueles que poderiam eternizar minha existência.

Olhando a realidade, entretanto, não me vejo digno de uma canção. Deus, por qual razão me pego questionando estas coisas? Por que acho que devo viver como se fosse meu último dia mas, por outro lado, fazendo planos eternos? Não sei dizer se meu copo está meio cheio ou meio vazio! Será que estou mais para lá do que para cá ou vice-versa?

Assim perco tempo que me é caro crendo em possibilidades vagas. Sinto-me enfraquecer e desmotivar. Desmotivado e desmotivador se olharem para mim, ao mesmo tempo que motivo e incentivo todos os que me rodeiam, dando algo que não tenho colocado em prática mas bem sabido na teoria. Não quero ser corrigido nem censurado, apenas estou gozando de meu direito de divagar, meu direito de ter meus momentos de incertezas...

Tempo, dura limitação imposta aos humanos...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para Deus tudo é possível?


"Porque para Deus nada é impossível". – Lucas 1:37

Você acredita que tudo é possível para Deus? Eu não creio desta forma. Posso talvez ser mal interpretado, mas em pelo menos uma situação Deus é impotente para agir, e dela falo abaixo.

Isso se dá pelo fato de Deus ser Amor. Seu amor o fragiliza, pois o amor só existe em liberdade. Deus pode nos amar e de fato nos ama, mas Ele pode nos obrigar a amá-lo?

Você conhece pessoas que ouvem a Verdade revelada nas Escrituras, é tocada profundamente pelo Espírito Santo, vão às lágrimas e se derretem toda, mas esta reação é apenas fruto de uma emoção passageira. Como aquela “semente que caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade” (Lucas 8:6), vejo pessoas que caem na descrição que Jesus deu na parábola do semeador. Estas pessoas são aquelas que, “ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam” (Lucas 8:11).

Ouvem a Palavra, se alegram com ela, simpatizam com Jesus, acham-no “o cara”, um grande mestre, o espírito mais evoluído que já viveu entre os homens, um candidato ao prêmio Nobel da Paz... Acham-no tudo, menos que Ele é Senhor e Salvador.

O que Deus pode fazer com uma pessoa assim? O que nós podemos fazer com pessoas assim?

Temos por acaso como decidir por elas? Podemos obrigar alguém a fazer o bem, andar pelo Caminho correto, optar pela Vida? Como está escrito em Deuteronômio 30:15-20,

“Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir. Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, Então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, Amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar”.

Deus alerta, avisa, sinaliza, até mesmo ordena, faz quase tudo para que optem pela vida. Só que isso não é o suficiente, e Deus sabe disso. Como toda ordem, ela pode ser desobedecida. Ele não pode obrigar quem quer virar as costas a Ele que o ame. Se o fizesse, descaracterizaria Deus e Ele não seria mais quem Ele É. Isso a meu ver faz o coração de Deus sofrer, mas só desta forma Ele agiria em coerência com quem Ele É.

Isso é triste, mas o Amor é sofredor. Quem ama sofre. Como diria Raul Seixas em Medo da Chuva, “...hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez”. Base bíblica há, como está escrito em 1Co:13:4-7: O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Em suma: Deus “pode tudo mas não pode” devido ao Amor. Senão Ele não seria AMOR.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ele é meu mas eu não sou dele...


“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”Eclesiastes 3.1

O prazer de um blogueiro como eu é sentar à frente do computador e despejar tudo o que passa em seu coração através do teclado, mas eu estava atravessado uma ressaca desgraçada que vinha se prolongando a níveis preocupantes e não estava nem um pouco a fim de escrever...

Insights de textos até surgiam em minha mente (alguns muito bons) mas não vinha tendo paciência em sentar e digitar. Talvez fosse pelo fato de estar no meio de uma crise de lombociatalgia, o que limita minhas resistências físicas em ficar sentado mais do quê 20 minutos à frente de um computador. Desde que esta bendita crise começou, já tomei 6 injeções e algumas dezenas de antiinflamatórios e analgésicos para minimizar minha dor, o que me deixa virtualmente chapado.

Por outro lado, estava realmente precisando de um break neste bendito vício de escrever. Por algumas vezes me vi na ânsia de sentar e escrever, como se estivesse preocupado no que meus possíveis leitores pensariam de mim caso não postasse algo...

...mas que pensamento idiota este! Antes de mais nada, escrevo para mim e não para os outros. Escrevo, pois sinto prazer em escrever e – se não estivesse sentindo este prazer – não haveria razão em fazê-lo. Escrevo para colocar da forma mais ordenada possível os pensamentos, sentimentos e percepções daquilo que se passa dentro de mim e ao meu redor.

Por estas razões, me abstive de escrever. Na verdade, nem acessar meu blog estava fazendo. Foi um processo interessante, uma desintoxicação, uma “desidolatrização”, uma prova a mim mesmo que eu não era escravo daquilo que eu criara.

Este é um exercício interessante de ser feito periodicamente, como se fosse um jejum para pequenas coisas que consumimos freqüentemente e que passam a consumir nosso direito de não querer consumi-las. Na verdade, tudo que se torna obrigação deixa de ser prazeroso e se torna um pequeno carrasco de nossa liberdade.

Agora estou melhor... Agora, mesmo com a dor nas costas, estou sentindo prazer em escrever. Aquele meu pequeno ex-senhor, meu próprio blog, não está controlando meu direito de não querer vê-lo por algum tempo. Por isso volto a ele, caminhando juntos por eu querer continuar com este que – pessoalmente – considerei quase que um ministério mas que, como todo ministério, estava deixando de se tornar algo feito por amor e estava passando a ser feito por obrigação quase que religiosa.

E religiosidade, na boa, não casa comigo...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cada um com seu anel...


“Partiram, pois, os onze discípulos para a Galiléia, para o monte onde Jesus lhes designara. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto IDE, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”Mateus 28.16-20

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”Atos 1-8

Fiquei pensando qual versículo usaria como base para escrever este texto que há alguns dias veio à minha mente, mas ainda não tinha encontrado tempo e disposição para escrever. Hoje encontrei ambos...

Primeiramente veio o texto de Atos, acima. Em seguida, porém, veio o de Mateus, que se enquadra melhor na minha linha de raciocínio. Por dia das dúvidas, seguem os dois que – de certa forma – se completam.

O que gostaria de escrever é algo que vinha me entristecendo nas últimas semanas, mas que, com o passar do tempo, pude ver que era uma direção específica do Espírito Santo e não apenas força das circunstâncias pessoais de cada membro da “Liga da Justiça” ou, melhor dizendo, da “Sociedade do Anel”.

Para quem não teve o imenso prazer de ler a trilogia de “O Senhor dos Anéis” ou, ao menos, ter assistido aos filmes, segue um breve resumo do início de tudo:

Logo no início da saga temos Frodo Bolseiro, um pacato robbit, sobrinho de Bilbo Bolseiro e morador do Condado. Frodo foi comissionado pelo mago Gandalf, o Cinzento, a levar consigo o “Um Anel” (que por anos esteve em posse de seu tio) até as fornalhas da Montanha da Perdição para que este fosse destruído, por lá ter sido forjado.

Juntamente com Frodo, saiu em seu apoio Samwise Gamgee (Sam), seu jardineiro e melhor amigo. Durante a jornada, outros se uniram à missão, Meriadoc Brandebuque (Merry) e Peregrin Tûk (Pippin), Aragorn (um humano), Legolas (um elfo), Gimli (um anão), entre outros (caso queira saber mais sobre todos os personagens clique aqui).

Em meio a inúmeras aventuras e perigos pelo caminho pela Terra Média, por força das circunstâncias, eles se separam. Praticamente todos tinham em seus corações a mesma missão (Com exceção de Boromir, veja no link acima), mas tiveram que seguir cada um por seu caminho, encontrando-se futuramente para conclusão de várias etapas da missão.

É um resumo tosco (vai ler os livros ou ver os filmes!!!!!), mas o que quero dizer é que por um grande objetivo, vários se uniram para levá-lo a cabo. Com a caminhada e os obstáculos porém, cada um acabou tomando uma direção sem, contudo, perderem o foco desta “Uma Missão”.

Assim aconteceu comigo e com vários amigos blogueiros, todos cristãos, todos com praticamente a mesma visão do Reino de Deus, mas unidos pelo amor que só o Espírito de Deus coloca no coração de nós, tendo como objetivo maior testemunharmos as grandezas de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, longe do tacão da religião institucionalizada e denominada “evangélica”.

Creio firmemente que todos os que lêem o que estou escrevendo e são parte da “Sociedade do Anel” sabem do que estou falando. Dentro do peito de cada um bate um saudosismo, um vazio que incomoda, mas que - ao mesmo tempo - é consolado pelo fato de sabermos que todos estão basicamente bem, pois não se uniram por questão de fraquezas pessoais, por se utilizarem um ao outro como muletas espirituais: Nos unimos por amarmos nosso querido Jesus.

Sinto saudade de quando tinha mais tempo para fuçar no blog de cada um deles, quando eles tinham tempo para fazer o mesmo em meu blog, quando alinhavávamos estratégias para ganharmos pessoas para o Reino de Deus através do Amor, transbordante em nossas palavras escritas. Por outro lado sei que, assim como na Trilogia de O Senhor dos Anéis, temos uma missão muito maior.

Este conforto, este aconchego de estarmos juntos - mesmo que virtualmente – e “perdido” na da jornada através da Terra Média, será em breve recompensado. Estamos unidos na mesma missão, "cada um com seu anel"... rsrs

Amo todos vocês!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Técnicas de garimpo gospel em contraste com o Pai Nosso...



Pai Nosso, versão "Mateus 6:7-13" revisto e comentado...

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos” – Deveriam invejar os gentios com suas vãs repetições, pois esta igreja não ora: DECRETA. A religiosidade dos gentios é um tapa na cara da igreja, que parte esfriou, parte se intelectualizou, outra se imbecilizou...

“Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” – Sabem que Ele sabe o que nos é necessário. O grande problema é que não se satisfazem com isso. Necessário não é mais do que a obrigação de Deus! Querem o que não precisam. Como diz Tiago 4:3, “Pedem e não recebem porque pedem mal, para o gastarem em seus deleites”. Querem luxo, conforto, glória, honra e poder. Querem dominar a mídia comprando redes de TV, querem comprar jatinhos para enviarem a lã tosqueada de suas ovelhas para o exterior. Garimpam o céu, dão gravata em Jesus, torcem o braço de Deus e jogam em sua cara a sua Palavra, ameaçando, determinando, exigindo...

“Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome” – Muito conveniente. No início falam as palavras mágicas, a senha de acesso ao cofre, visando impressionar o Deus onisciente com suas bonitas palavras e, tentando enganar o ‘trouxa’, tomar posse da benção...

“Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” - Querem ser reis neste reino, não querem ser reinados por Ele. “Tua vontade” é sinal de fraqueza. Para eles, ninguém que ora assim consegue alguma coisa de Deus! Tem que sair na voadora e no rabo de arraia, pois eles tem direitos...

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje” - Pão é para os pobres, querem participar de banquetes, fazer orgias com os líderes deste século e entupirem-se de tudo o que este mundo pode lhes oferecer... Ah, pena que não era a igreja de hoje que foi tentada no deserto pelo Diabo, teriam aceitado tudo o que o inimigo ofereceu...

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores” – Esquece isso. Faça um voto com o ‘deus’ destas igrejas e não cumpra para ver! Será levado aos verdugos, e só sairá de lá quando tiver pago até o último centavo, com juros e correção...

“E não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal” – Aqui é o fim da linha. Já caíram em tentação. Servem à deusa fortuna e à deusa riqueza. Foram seduzidos pelo deus deste século, e suas almas estão a caminho do abismo. Não querem ser libertos deste mal, pois eles SÃO deste mundo e ESTÃO neste mundo...

Que Deus, em nome de Jesus, possa abrir os olhos e os ouvidos de todos os que estão entrando neste caminho por desconhecimento da Palavra e pela falta de sabedoria. Parafraseando Tiago 1, “peçam-na a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada e agitada pelo vento”.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sonhei de novo...


"Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará. Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua mão direita. De dia o sol não te ferirá, nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre." - Salmo 121
Sonhei de novo...

Desta vez foi um sonho muito louco, como todo bom sonho.

Estava eu fazendo compras em um lugar, pegando todos os produtos que estava precisando. Não lembro quais eram, só lembro que – ao passar no caixa – em vez de ensacolar os produtos eu os coloquei em 4 caixas grandes.

Na hora de transportar as caixas, eu tinha que descer as caixas uma a uma por escada que estava apoiada como se fosse em uma parede (estas - tanto a escada quanto a "parede" surgiram do nada). Logo que tomei a primeira caixa em um braço e me preparei para descer os degraus, notei que a escada estava presa por dois ganchos metálicos e não mais na parede. Estes ganchos eram presos em uma espécie de cabo de metal e estavam começando a escapar.

Em um movimento típico de sonho, quando nos tornamos quase super-heróis, eu agi como se tivesse um “braço a mais” (no mínimo um a mais, mas deveria estar com vários), segurando a caixa, apoiando a escada (que a esta altura estava abaixo do cabo de metal e permanecia em pé pela misericórdia de Deus...), pegando os ganchos que estavam se desfazendo e os entortando novamente para ficarem novamente na forma de anzóis.

Consegui deixá-los na forma desejada, enrolei as pontas dos mesmos no cabo (isso enquanto a escada balançava muito!!!!) que não mais apoiava diretamente a escada e comecei a descer com a primeira caixa.

No sonho, eu via a cena pelo meu ponto de vista (o de quem estava na escada tentando prendê-la em seu apoio) e via também de fora (como um espectador), o que me deixava tão agoniado quanto. Sei que consegui armar a tralha toda e iniciei a descida...

Nisso eu acordei e tive que levantar rapidamente pelo fato do despertador não ter tocado e com isso a Cilene estava atrasada para o trabalho.

Levantei com aquela sensação de “pqp! Queria saber o final do sonho!

Pelo que entendi e pelo que escrevi no meu texto anterior, fiquei com a nítida impressão que estava de pé pelo fato do Senhor estar me dando tantos braços quanto necessários para me sustentar, ao mesmo tempo que estava recebendo a provisão diretamente dos Céus, mas tendo que controlar todas minhas angústias e temores.

Digo isso pois já caí de escada, dessas de abrir em duas. O cabo que limita a abertura das duas “pernas” da escada se rompeu e literalmente fiquei sem chão, aquela sensação de queda livre que temos no Turbo Drop do Playcenter, indo parar no chão, mais assustado do que machucado.

A sensação da possível queda livre com as compras me gelou a espinha. Ao mesmo tempo, com os meus braços eu consegui apoiar a primeira caixa, segurar a escada (que apareceu do nada) que não estava mais apoiada em nada, arrumar o gancho e o prender neste cabo (que também apareceu do nada), assim como meus braços e mãos. Parecia que Deus estava falando comigo sobre a forma Dele me sustentar sobrenaturalmente...

Ainda estou assustado. Olhar para baixo (o quê denota “olhar para as circunstâncias”) assusta mesmo. O que me manteve intacto no sonho foi não olhar para as minhas limitações na situação e sim acreditar de uma forma inexplicável que não cairia nem deixaria minhas caixas para trás. Parecia que as coisas aconteciam pelo fato de'u pensar que elas tinham que acontecer!

Algum psicólogo ou profeta me ajude a desvendar o mistério...

domingo, 29 de maio de 2011

Dias Pensativos



Encontro-me agora neste momento em meu quarto, quero escrever um pouco sobre esta semana que passou, uma semana estranha , dias em que ia trabalhar e contava as horas para que logo acabasse meu período de trabalho.

Desde os primeiros dias algo acontecia para tentarem tirar a minha paz, um ambiente pesado, e nestes momentos conversava com Deus, me equilibrava no caminho e na luz e a paz voltava.


Trabalho em um Hospital-maternidade, vejo muita alegria, emoção, sonhos, por vezes infinitas pessoas recebendo seus bebês que esperaram por 09, 08, 07 meses e de repente lá estão seus filhotes. Choros, olhares observadores, tremores, extasiados de alegria encontram-se seus pais, outros não conseguem falar, mirar uma câmera para clicar uma foto.

Não sei explicar esses dias, momentos de reflexão, de por algumas horas preferir estar só e conversar com Deus, ouví-lo, o mais engraçado é que (JC meu marido) viveu algumas coisas parecidas. Na verdade, eu contei tudo isso para chegar no dia de hoje domingo (o nosso almoço).

JC preparou uma costela de cordeiro no forno para almoçarmos, iniciamos o almoço ambos sentindo a presença de Deus, existia no ar algo de espiritual sem querer espiritualizar (nem gosto disso), de repente imaginei Jesus ceiando com seu discípulos, conversando, ensinando. A minha boa viagem continuou e cheguei até a Festa de Babete, do nosso jeito, com nossos poucos ingredientes, pudemos estar bem, felizes e o mais importante ou tão importante quanto, ter a presença de Deus conosco.


E, não esquecendo o João Carlos havia deixado uma mensagem no pente, para ouvirmos durante o almoço... precisa explicar?

Finalizamos a semana com um domingo maravilhoso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O "Pr. João" tá fumando erva estragada...


Ando meio inquieto com o quê vem e o quê não vem acontecendo por estes dias. Isso me obrigou a uma ligeira pausa, entrecortada por uma respiração lenta, pensando no que não estou conseguindo escrever. Tudo ainda está sem forma e vazio. Apenas sinto que algo dentro de mim aguarda ansiosamente o “fiat lux” divino para virar algumas linhas escritas.

Afinal de contas, não tenho como postar o que não estou conseguindo verbalizar apenas com uma página em branco: Ninguém vai ler minha mente e minhas emoções! Algo precisa ser dito sobre este incômodo. Quero alertar a todos sobre os últimos acontecimentos, mas estes ainda não ocorreram, ou – talvez – tenham se desenrolado em esferas ainda não reveladas...

Apenas sinto o peso e o desconforto. Aquela sensação de que, a qualquer momento, o telefone pode tocar e alguém do outro lado virá com uma notícia inesperada, do tipo “fulano, que estava conosco até então, não está mais” ou, pior ainda, ligar o rádio, TV, ou acessar algum site de notícias e ser informado que o arrebatamento ocorreu há alguns minutos atrás, deixando eu e você para trás...

Não sei o que acontece. Só sei que é uma situação incômoda pra caramba. Parece com aquele retrocesso das ondas do mar que precedem um tsunami. Um silêncio ensurdecedor, regado por uma aparente calmaria, exibindo áreas do oculto do oculto que antes estavam inalcançáveis.

Pela curiosidade natural do ser humano, aliada à falta de cautela, nos aproximamos inocentemente "daquele novo" sem avaliarmos os possíveis riscos que corremos. Da mesma forma que diz o dito popular, “ele se faz de morto para comer o coveiro” este momento age, atraindo-nos hipnoticamente para o olho do furacão, como um delicioso pedaço de queijo numa ratoeira gigante.

Sem nos darmos conta, ouvimos um “tlec”. Imediatamente sentimos um frio na espinha, a sensação de ter caído em uma armadilha. Olhamos para trás e vemos que a porta de acesso agora está fechada. Tentamos avançar mas aquele caminho aberto em nossa frente começa a retroceder. Como os exércitos de Faraó, nos vemos submersos naquele mar que antes se apresentava como caminho seco.

Puta viagem, o João deve estar fumando erva estragada, cheirando cola e comendo a lata ou tomando café coado na cueca suja, alguns poderão dizer... Não discordo não! Como disse no começo, estou com a sensação de que devo estar super alerta a tudo o que está acontecendo e não está acontecendo, pois algo ESTÁ acontecendo e não tenho como discernir se isso é bom ou ruim.

Na dúvida, seguro a colher de pedreiro em uma mão, enquanto a outra mão repousa sobre o cabo de minha espada...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Que saudade de gente legal!!!!

uma banda qualquer ao vivo no Piu Piu - Sampa Rock City

Domingo passado eu estava em casa preparando o almoço enquanto ouvia dois CDs de bandas cover aqui do Rio de Janeiro. Uma chamada Woodhouse, de meu amigo Rico (figuraça) e que toca direto no Barraco e outra chamada Rock Revival, só de tiozinhos, tirando a vocalista, bem mais nova que todos os outros músicos e que costumam tocar no Café Etílico.

Músicas como Oye Como Va!, Hotel California, California Dreaming, Light My Fire, Venus, Day Tripper, Lady Marmalade, Unchain My Heart, I Heard it Thru the Grapevine, Mustang Sally, Proud Mary, Have You Ever Seen the Rain, Hold Back to the Water, Brown Sugar, Jumpin’ Jack Flash, Satisfaction, Smoke on the Water, Love Ain’t no Stranger, Breaking All the Rules, Owner of a Lonely Heart, Rock’n’Roll, Born to be Wild, Mercedes Benz, Sunshine of Your Love, tocadas pelo Rock Revival (para se ter uma idéia, o tecladista toca com um Órgão Hammond!!!!!!!) ou as versões eletrico-acústicas de algumas mais moderninhas (leia: anos 80, 90…) tocadas pelo Woodhouse como Save Tonight, Bigmouth Strikes Again, In the End, Wonderwall, Can’t Stop/Better Man, Black, Never There, Plush, Jeremy, Iris, Beautiful Day, Sweet Child O’Mine, The Zephyr Song, Let’s Get Retarded, Would? ou Losing My Religion fizeram com que eu me sentisse nos dois picos de música ao vivo que vale a pena encarar aqui na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O problema foi que, ao ouvir estas músicas e lembrar das baladas, veio a mente meus amigos em São Paulo, que há tempos (anos!) eu não vejo e que eram meus companheiros nestes momentos de diversão. Lá em Sampa Rock City o buraco é mais embaixo cara: Café Piu Piu no Bexiga, e o Blackmore em Moema, entre outros, são sinônimo do bom e velho Rock and Roll, gente bonita (sim, os roqueiros também amam e são bonitos) e diversão garantida.

Ouvia as músicas em lágrimas. Aqui nestas paragens não tenho amigos que curtam as mesmas coisas que eu, tirando minha amada mulherzinha. Senti saudade de gente que não curte funk (bleargh!), pagode (idem) e forró (no caso de forró, nada contra, eu até gosto). Senti saudade de gente que gosta de tomar vinho e não só cerveja e cachaça. Senti saudade do frio cortando a cara nas madrugadas de minha Cidade (esta sim, maravilhosa! Senti saudade de uma Virada Cultural decente como a de São Paulo, 4,5 milhões de pessoas curtindo aproximadamente 950 atrações, e não a pseudo viradinha que rolou aqui este fim de semana (nem site tem, pelo menos eu não achei...) com suas impressionantes 50 atrações do nível de “Nem te Conto, DJ Pretinha, Farofa Carioca, Velha Guarda da Portela, Simpatia é Quase Amor, Pique Novo, Melanina Carioca, Buchecha, Preta Gil,...Latino, ...Belo”... Só pela misericórdia de Deus.... affff!

De bom, no meu gosto, teve só Charlie Brown Junior, Biquini Cavadão, Arnaldo Antunes... Cara: Aqui, se juntar 1000 pessoas num lugar aberto pra um evento, você que não leve carteira, relógio, dinheiro. Senti saudade dos manos e das minas da minha Cidade, senti saudade de gente legal...

... e foi assim que eu falei pra Cilene, com olhos cheios de lágrimas:

“AMOR, QUE SAUDADE DE GENTE LEGAL!!!!!!!!!!!!!!”


Putz, fiquei malzão. Preciso urgentemente pegar um avião (que seja um busão) e ir pra São Paulo rever meus amados amigos, já que este bando de delinqüentes não ficam muito a vontade de vir pra estas bandas.

Até entendo. Eu também tinha a impressão de que quando viesse pra cá só veria fita sinistra... Agora que estou aqui, só mudou uma coisa disso tudo: Não tenho só a impressão, a parada é sinistra mesmo!!!!

Bem, deixa pra lá. Já estou acostumando, sem entretanto me con-formar com o sistema daqui.

Sou muito paulistano, não disfarço e sinto que não gostam muito de mim por isso. Dane-se!

O problema é que, quando você experimenta um bom Cabernet Sauvignon, Shiraz ou Malbec fica difícil se contentar com um Chapinha ou Cantina da Serra... Você até toma, pois é o que está na mão, mas por pura falta de opção....

Quero ver meus amigos! Estou com saudade de gente legal! Quero sair a noite sem medo de ser assaltado (eu não tinha este medo em SP!!!!), tô com saudade da Galeria do Rock, da Av. Paulista, do Centrão, da Betestaaaaa!!!!!

Ahhhhhh!!!!!