Labels

  • Tolkien
Mostrando postagens com marcador Tolkien. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tolkien. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de março de 2011

Meme (!?) Literário


Well,

Fui intimado a participar deste Meme (que raio é isso?) Literário pelo arcanjo Wendel. Na verdade já tinha visto este treco no blog da Bispa Rê mas, como ultimamente ando meio lesado, não tinha entendido que isso é uma corrente que não pode ser quebrada sem que graves conseqüências caiam sobre minha cabeça careca. Então vamos lá!

1 – Existe um livro que você leria várias vezes sem se cansar? Qual?

Poxa, esta pergunta é sacanagem... Eu leio tanto que chega uma hora que, depois de um determinado tempo após ter findado a leitura de um livro, alguém me pergunta como é ou o que achei do livro “A” ou o “B” e simplesmente não consigo mais definir. Começa a fazer parte de mim, parece que este livro se dilui dentro do meu universo. Acredito até que muito do que escrevo na verdade é uma miscelânea de tudo o que já li, atrelado às minhas experiências pessoais.

Para se ter uma idéia, nos últimos 20 dias devorei a autobiografia do Lobão, “50 Anos a Mil”, umas 600 páginas, “Velhos Marinheiros” do Jorge Amado e agora estou lendo um livro que comprei por R$ 4,90, apenas para trocar uma nota de 50 reais, o “Presente do Mar” de Anne Morrow Lindbergh, Editora Sextante. Paralela à leitura "extra-oficial", estou na minha quarta leitura da Bíblia de capa a capa, a segunda vez em inglês.

Falei, falei mas ainda não respondi a pergunta. Acredito que fica difícil falar apenas um livro, pois vários eu costumo reler sem me cansar. Serei injusto com todos os outros “amigos livros”, mas o que me vem a mente agora é O Segredo Judaico de Resolução de Problemas do Rabino Milton Bonder, Editora Imago. Este livro foi indicado por um cliente da loja que eu gerenciava, um judeu, professor de Marketing na ESPM, meio boiola (vivia dando em cima de mim). Este livro basicamente disseca a mente do povo judaico, mostrando como eles aprenderam a sobreviver neste mundo hostil, veladamente (nem tão velado assim) anti-semita, desenvolvendo uma rapidez de raciocínio capaz de livrá-los das mais diversas formas de opressão. É deste livro um caso que certa vez postei aqui no meu blog, um texto muito louco, onde misturei diversas situações “nada a ver” para passar uma idéia. Depois dá uma clicada para ver o “causo”.


2 – Se você pudesse escolher um livro apenas para ler o resto da vida qual seria?

Pode parecer lugar comum, coisa de crente, mas a Bíblia seria este livro. Como vários antes de mim já escreveram, a Bíblia é o único livro que você pode ler e reler zilhões de vezes e sempre algo novo se revelará a você. Lógico que tem trechos chatézimos como aquelas longas descrições de como deveria ser cada parte do templo ou as genealogias sem fim mas, não sei explicar a razão de maneira lógica, sei que devo ler tudo com o mesmo espírito. Quem sabe uma hora não virá a revelação, o “insight” para decifrar tudo o que estes textos aparentemente áridos e indigestos tem a dizer?

3 – Indique três dos seus livros preferidos.

Três livros é muito pouco mas vou tentar engabelar vocês:

1) Tudo o que foi escrito por Fiódor Dostoievsky. Tudo! Adoro andar pelas ruas de São Petersburgo do século 19 através de seus romances. Adoro me sentir dentro da mente de seus personagens, lutar suas lutas, delirar em suas febres, sofrer suas angústias. Nunca vi ninguém colocar em palavras de maneira tão sublime, tão real, o que se passa na alma do homem. Destes livros, o último que li, ano passado, foi Crime e Castigo. Simplesmente sensacional!

2) Todos os livros que li de J.R.R. Tolkien: O Silmarillion, que trata da “gênese” da Terra Média, O Hobbit, que fala basicamente sobre como nosso querido Bilbo Bolseiro achou/afanou o Um Anel de Smeagol e a trilogia O Senhor dos Anéis (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei). É de tirar o fôlego. Após a leitura, até fiquei um pouco frustrado com a versão cinematográfica. Se fossem fazer o filme sem adaptar e cortar alguns fatos importantíssimos dos livros, acredito que deveria ser lançado ao menos mais 6 horas de gravações para ser mais fiel ao que está escrito.

3) Agora fica difícil! Consegui colocar uma porrada de livros por autores mas agora tenho que falar de apenas um para não ficar feio. Creio que um dos livros que mais me impactou nos últimos tempos foi “A Metamorfose” de Franz Kafka, pois li este livro numa época muito próxima à morte de minha mãe, que ficou 5 longos e sofridos meses em coma. Traçar um paralelo entre o personagem Gregor Samsa que – do nada – dormiu gente e acordou transformado em uma asquerosa barata com o derrame de minha mãe foi inevitável. Também escrevi a respeito por aqui...

Gostaria de falar sobre mais alguns bons livros que li, como “Walk On – A Jornada Espiritual do U2” de Steve Stockman, “Mais que um Carpinteiro” de Josh McDowell, “O Jesus que Eu Nunca Conheci” de Philip Yancey, “A Cruz de Cristo” e “Crer é Também Pensar” de John Stott, “Evangelho Puro e Simples” de C.S. Lewis, “É Proibido. O Que a Bíblia Permite e a Igreja Proíbe” e "Artesãos De Uma Nova História" de meu pastorzinho preferido, Ricardo Gondim, "Sal Fora do Saleiro" e "Confissões de um Pastor" do grande Caio Fábio, "A Cabana" de Willian P. Young... A lista é longa!

Para não quebrar a corrente e sofrer as maldições malígnas, seguem 5 amigos blogueiros que gostaria que participassem desta bagaça:

> Ricardo Mamedes do blog A Verdade Liberta, O Erro Condena

> Vanderley Borkoski do blog Príncipe da Paz

> Marcos do blog Liberdade ao Pensar

> Cesar Cardoso do blog Patavina's

> Tiago Scala do blog Outside the Church

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mantenha seus amigos por perto, e seus inimigos mais perto ainda...

Sméagol era um hobbit como outro qualquer. Baixinho, gordinho, pés peludos. Pouco ou nada se sabe sobre sua vida até o dia que foi pescar com seu primo Déagol e este caiu na água. Neste acaso ele encontrou o Um Anel que Isildur deixara cair ali, muitos anos antes, após tê-lo capturado ao cortar o dedo de Sauron, seu criador. Como era seu aniversário, Sméagol desejou tanto o Anel encontrado por Déagol a ponto de matá-lo. Expulso da família, ele fugiu para o norte e se refugiou nas Montanhas Sombrias.

Em contato com o Um Anel, Sméagol potencializou o mal que havia dentro dele, passando a ter dupla personalidade. Dentro dele, outro ser tomou forma, passando a duelar constantemente em sua mente e emoções entre o bem e o mal. O contato com o anel também prolongou sua vida por vários séculos.

Um dia Bilbo Bolseiro, um tranquilo hobbit do Condado que estava em uma missão juntamente com 13 anões, encontrou o Anel por acaso. Ao colocá-lo em seu dedo descobriu que ficava invisível. Fugiu com o Anel, cumpriu sua missão e voltou ao Condado com tesouros conquistados numa caverna distante, guardado por Smágol, um grande e terrível dragão que fora morto por uma flecha certeira disparada por um guerreiro no único ponto vulnerável de suas escamas.

Gollum passou então a procurar freneticamente o Um Anel, pois todo aquele que tivera contato com o mesmo ficava irresistivelmente ligado ao seu poder. Vários anos depois Gandalf, o mago, convence Bilbo a entregar o Anel ao seu sobrinho Frodo para que este fosse destruído no fogo da Montanha da Perdição, em Mordor, onde fora forjado.

Aqui paro de falar sobre toda a história, que possivelmente pode ter algum erro ou engano de minha parte, pois o que escrevi acima é o que me lembro das vezes que assisti a trilogia e li recentemente nos livros de Tolkien.

Quero focar o poder que o Anel exercia sobre Sméagol e Gollum, sua outra personalidade, bem como sobre Bilbo, que o carregou por várias décadas, sobre Frodo, com sua missão de destruí-lo e sobre todos os que se aproximavam ou sabiam de sua existência e poder. Como está escrito no livro, “Um Anel para todos dominar, Um Anel para os encontrar, Um Anel para a todos prender e nas trevas reter na Terra de Mordor onde moram as Sombras”.

Este poder que controla todos os poderes deformou todos aqueles que tiveram contato com ele. Gollum foi o que mais sofreu, pois se tornou um monstrengo horrendo, irreparavelmente dominado pelo poder do Um.

Frodo e seu fiel amigo Sam tiveram que conviver até o fim da missão com Gollum, mantendo-o sob controle através de um juramento, mesmo sabendo que este queria matá-los para se apossar novamente de seu “precioso”, pois assim chamava o Anel de poder.

Mantinham-no sempre à vista. Deixavam-no sair apenas por breves momentos, para que este procurasse comida. Ele não comia a comida dos Elfos que os dois traziam, as “lembas”, bolos que foram presenteados para comer durante a viagem e se conservavam por muito tempo e eram suficientes para uma leve refeição. Gollum não tocava em nada feito pelos Elfos. Sentia horror pelo Sol (ele o chamava de Cara Amarela) e pela Lua (Cara Branca). Tudo ligado a luz era rejeitado por Gollum.

Conviver com aquele que você notoriamente sabe que te deseja o mal é dificílimo, muitas vezes é insuportável. Mas muitas vezes temos que fazê-lo, em todas as áreas de nossa vida. É aí que a virtude se destaca e cria força sobre aqueles que nos toleram por não serem fortes o suficiente para nos destruir. Mas isso nos dá ânsia, náuseas.

Como diz o ditado: “Mantenha seus amigos por perto, e seus inimigos mais perto ainda...”

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O que você vê até que é bom, mas nem sempre é o que foi escrito...


"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos". - Oséias 4:6

Vou falar mais uma vez sobre o Senhor dos Anéis...

Antes de ler os livros assisti a Trilogia várias vezes. Algumas no cinema, várias outras nos DVD’s. A cada reprise, recheado de muitas emoções, via-me mais e mais encantando com cada detalhe, cada personagem, cada mensagem de heroísmo, amizade profunda e sinceridade.

Recentemente aproveitei uma promoção do Submarino e comprei os 5 livros por um preço irrisório. Li O Silmarillion, O Hobbit e entrei na Trilogia de O Senhor dos Anéis. Devorei A Sociedade do Anel e As Duas Torres em poucos dias. Entrei no último livro, O Retorno do Rei, e já estou me sentindo triste por estar acabando.

Decidi fazer uma “maratona O Senhor dos Anéis” com minha mulher. Na semana anterior coloquei A Sociedade do Anel. Ao assistir o filme porém, comecei a ver como a adaptação do livro para o filme fez com que muito do encanto encontrado nas linhas de Tolkien se perdera para o filme ficar num formato comercial.

Cenas que no livro duram vários capítulos se abreviavam em poucos minutos de gravação, outras situações essenciais simplesmente cortadas do filme, como o encontro dos hobbits com Tom Bombardil, outras cenas simplesmente foram inventadas para criar um “climinha”, como a cena que Aragorn e Arwen, uma Elfa interpretada por Liv Tyler estão “in love” em Valfenda, antes da comitiva partir...

Mesmo assim o filme é lindo. Lindo mas incompleto, diferente do livro. Perfeito para quem dispõe de várias horas para assistir tudo, mas para aqueles que conhecem a verdadeira trama fica aquela sensação de “peraí, mudaram aqui, omitiram ali, acrescentaram acolá...”

Sábado passado, ao assistir As Duas Torres, não consegui me conter e fiquei falando comigo mesmo, mas em tom audível: “não é assim! Não é assim! Está faltando um monte de coisa! Este filme é ma-ra-vi-lho-so, mas não é fiel ao livro!” Minha mulher ficava me olhando e eu via que tinha que parar de falar, para não estragar nossa sessão de cinema. Parei de falar mas meu corpo reagia. Várias vezes balancei a cabeça negativamente, tipo falando “não, não é assim que está escrito!”

Posso dizer que o livro serviu apenas de inspiração para uma trama maravilhosa, ganhadora de vários Oscars. Para um filme isso é aceitável, mas tracei um paralelo com o Cristianismo que temos na Palavra de Deus e a versão televisiva, pregada pelos arautos da prosperidade...

Ver os tele-evangelistas pregarem citando uma coisa ou outra da Bíblia pode ser muitas vezes emocionante para alguns mas, quando colocamos verdadeiramente o que está sendo falado versus o que está escrito vemos que o que estão vociferando dos púlpitos por aí é uma versão Hollywoodiana do verdadeiro Evangelho.

Pregar que Jesus morreu na Cruz para nos resgatar de nossos pecados e nos dar a vida eterna não dá mais Ibope. Na verdade nunca deu. Nunca Jesus falou que a mensagem confiada aos primeiros discípulos seria agradável de ouvir, muito menos de viver. Alertou que muitos seriam perseguidos, mortos, falou que certos locais não nos aceitariam e que deveríamos limpar a poeira de nossos pés ao sair destes lugares.

Mas...

Isso não enche mega-templos nem estádios, não trazem multidões para assistirem as “cruzadas evangelísticas” e muito menos inspira os fiéis a darem seus dízimos, trízimos e ofertas.

Pois é. Para um filme a adaptação feita do livro fica muito legal para quem não os leu. Para quem os leu entretanto fica no máximo aceitável, por ser algo não comprometedor com as conseqüências, afinal de contas é apenas um filme.

Já para os destinos das vidas que assistem a versão cinematográfica do Evangelho não podemos brincar, nem muito menos aceitar.

Como está escrito: "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro".
- Apocalipse 22:18-19

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O mundo ficou muito estranho

ARAGORN, filho de Arathorn, chamado de Elessar, a Pedra Élfica, Dúnadan, o herdeiro de Isildur, filho de Elendil de Gondor

ÉOMER, filho de Éomund, Terceiro Marechal da Terra dos Cavaleiros.


- Posso jurar que nenhum orc escapou depois que os vimos – disse Éomer – Atingimos a fronteira antes deles, e depois disso, se qualquer ser vivo burlou nosso cerco, não era um orc e tinha algum poder élfico.

- Nossos amigos estavam vestidos exatamente como nós – disse Aragorn -; e vocês passaram sem nos ver em plena luz do dia.

- Tinha me esquecido disso – disse Éomer. – É difícil ter certeza de qualquer coisa em meio a tantos prodígios. O mundo ficou muito estranho. Elfo e anão andam juntos em nossos campos; pessoas conversam com a Senhora da Floresta e continuam vivas, e retorna à batalha a Espada que foi quebrada nas eras antigas anteriores à época em que os pais de nossos pais chegaram à Terra dos Cavaleiros! Como pode um homem julgar o que fazer em tempos assim?

- Como sempre julgou – disse Aragorn. – O bem e o mal não mudaram desde o ano passado; nem são uma coisa para elfos e anões e outra para homens. É papel de um homem discerni-los, tanto na Floresta Dourada como em sua própria casa.


(Trecho do diálogo entre Éomer e Aragorn em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres – pag. 31 – J.R.R. Tolkien, Editora Martins Fontes)