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domingo, 25 de abril de 2010

Kers + Ídiche Kop + Jiu Jitsu + revelação + insight = ?


Há situações em nossas vidas que temos que ser muito práticos, controlar nossas emoções e tomar decisões imediatas. Encontrar soluções para problemas aparentemente insolúveis, enfrentar situações que muitas vezes são maiores do que nossa capacidade e força.

Nestes momentos de crise note que agimos por inércia. Nossos pensamentos começam a rodar em velocidade diferente da normal. Nossa capacidade mental aparentemente aumenta, igualzinho ao sistema de KERS (Kinetic Energy Recovering System, ou sistema de recuperação de energia cinética em português) que acumula energia gerada nas frenagens dos carros - que seria desperdiçada - para ser usada quando o carro precisa acelerar novamente. Este sistema está sendo utilizado em alguns carros de Fórmula 1 em 2009 nas ultrapassagens, gerando quase 100 cavalos de força a mais.

Quando nosso KERS é utilizado, tudo se torna mais claro. Encontramos a peça que faltava para montar o quebra cabeça, reformulamos as equações e chegamos a sua solução. Tomamos decisões importantíssimas em poucos segundos. Como por milagre.

As frenagens bruscas de nossas emoções em momentos de crise, que a meu ver também pode ser considerada como a não paralisação perante os problemas, acumula energia e esta é devolvida em ousadia e precisão. O que tivermos na mão se transforma em ferramenta, o que acharmos no meio do caos serve de arma, nem que sejam cinco pedrinhas de um rio, como fez Davi em relação ao gigante Golias.

Isso me faz lembrar muito de um livro que li um tempo atrás e recomendo a todos: O Segredo Judaico de Resolução de Problemas, do rabino Nilton Bonder, Ed. Imago.

Seu prefácio diz: “ Os judeus, em seu longo e atribulado percurso, experimentaram inúmeras situações de ameaça à sobrevivência, tanto do ponto de vista individual como coletivo. Tais vivências deram origem a uma refinada perspicácia, uma espécie de feeling particular que os próprios judeus passaram a chamar de "Ídiche Kop" - "cabeça de judeu". Sua característica mais marcante é a ousadia radical com que questiona o impossível e o inexorável e defende a permanência no jogo, precisamente quando tudo já parece perdido".

Na introdução deste livro há um caso muito interessante (páginas 10 e 11) que merece ser transcrito:

Conta-se de um incidente durante a Idade Media em que uma criança de um lugarejo foi encontrada morta. Imediatamente acusaram um judeu de ter sido o assassino, e alegou-se que a vitima fora usada para a realização de rituais macabros. O homem foi preso e ficou desesperado. Sabia que era um bode expiatório e que não teria a menor chance em seu julgamento. Pediu então que trouxessem um rabino com quem pudesse conversar. E assim foi feito.

Ao rabino lamuriou-se, inconsolável pela pena de morte que o aguardava; tinha certeza que fariam tudo para executá-lo. O rabino o acalmou e disse: "Em nenhum momento acredite que não ha solução. Quem tentará você a agir assim e o próprio Sinistro, que quer que você se entregue a idéia de que não há saída". "Mas o que devo fazer?", perguntou a homem angustiado. "Não desista, e te será mostrado um caminho inimaginável".

Chegado o dia do julgamento, o juiz, mancomunado com a conspiração para condenar o pobre homem, quis ainda assim fingir que lhe permitiria um julgamento justo e uma oportunidade para que demonstrasse sua inocência. Chamou-o e disse: 'Já que vocês são pessoas de fé, vou deixar que o Senhor cuide desta questão: Vou escrever num pedaço de papel a palavra "inocente" e em outro "culpado". Você escolherá um dos dois e o Senhor decidirá seu destino.

O acusado começou a suar frio, sabendo que aquilo não passava de uma encenação e que iriam condená-lo de qualquer maneira. E tal qual previra, 0 juiz preparou dois pedaços de papel que continham ambos a inscrição "culpado". Normalmente se diria que as chances de nosso acusado acabavam de cair de 50 % para rigorosamente 0 %. Não havia nenhuma chance estatística de que ele viesse a retirar o papel contendo a inscrição "inocente", pois o mesmo não existia.

Lembrando-se das palavras do rabino, a acusado meditou por alguns instantes e, com o brilho nos olhos que acima mencionávamos, avançou por sabre os papeis, escolheu um deles e imediatamente o engoliu. Todos os presentes protestaram: "O que você fez? Como vamos saber agora qual a destino que lhe cabia?". Mais que prontamente, respondeu: "E simples. Basta olhar a que diz a outro papel, e saberemos que escolhi seu contrário".

Descobrimos então que a chance de 0 % era verdadeira apenas para as limites impostos para uma dada situação. Com um pouco da sagacidade da necessidade, foi possível recriar um contexto onde as chances do acusado de superar a adversidade saltaram de 0 % para 100%. Ou seja, a simples recontextualização da mesma situação permitiu a reviravolta da realidade.

A impossibilidade é uma condição momentânea, e quem sabe disto não desiste. E nenhuma outra postura é e tão instigadora de criatividade e intuição quanto o "não desistir". O simples fato de permanecer no "jogo" abre opções que, fora dele, ao se "jogar a toalha", obviamente não existem.

Este é o espírito da coisa. Não nos acovardar diante do caos. Não jogar a toalha. Utilizar a pressão a nosso favor (como os lutadores de Jiu Jitsu fazem, que é usar o peso e a força do adversário contra ele mesmo. Essa característica da luta possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer) e – acima de tudo – crer que, para Deus, nada é impossível.

Reações:

1 comentários:

  1. Oi, J.C.

    Eu já conhecia essa incrível parábola judaica, embora não soubesse que fazia parte desse livro.

    O que eu observo é que ali, em meio ao caos e aparente desespero, sempre há "a saída".

    Pra mim, isso é a prova da mais perfeita manifestação da presença de Deus em nossas vidas.

    Gostei.

    Abs...

    R.

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...