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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Relação dinâmica ou relação departamentalizada?



As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” – João 10:27

Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” – Gálatas 2:20

Use seu lado “matemático” e “some” estes dois versículos. Se não conseguir chegar a um resultado harmônico, sua relação com Deus é burocrática e departamentalizada. Se a soma fez sentido, acredito que sua relação com Deus seja viva e dinâmica.

Quanto você ouve falar de Deus, de Jesus, dessa coisa de “servir a lei dos crentes” ou “virar evangélico”, pecado, dízimo, pastor e o que mais aparecer no rol da “religião evangélica”, tudo é estranho e você tem certa aversão. Termos religiosos, gente chata, vestidão, cabelão, Bíblia, terno surrado e gravata, pregando na praça, falando coisas estranhas...

Você pensa: “Isso é religião e todas as religiões são iguais. Afinal de contas, todos os caminhos levam a Deus”, para ser – ao menos – politicamente correto. Um dia você topa visitar uma igreja, pois seu amigo/parente chato já fez você esgotar a lista de desculpas para não aceitar o insistente convite. Deixando o grosso do dinheiro em casa (para evitar surpresas), assiste a reunião e – digamos que na primeira delas – acaba levantando a mão no apelo e “virando evangélico” pra quem te convidou parar de te encher o saco ou por realmente ter sentido algo diferente.

Frequentando as reuniões, cai-se em algum extremo. Na maioria das vezes, o do radicalismo, passando a crer que tudo o que vivia antes era do diabo. Joga fora uma porrada de coisas, não frequenta mais os mesmos lugares de antes, não convive com os velhos e bons amigos, para de fumar, para de beber, para de torcer pra algum time de futebol, não ouve mais música “do mundo”, enfim: Se torna um porre (ou melhor, uma ressaca...).

Tudo o que vai fazer agora passa a depender de revelação profética, conselho do pastor, oração com as irmãs e irmãos, jejum. Desta forma, evita-se cair nas tentações do passado não tão distante e que insiste em rondar a porta. Torna-se então cada vez mais e mais engajado nas atividades da igreja, frequentando todos os cultos possíveis, todas as atividades “extraclasse”, incluindo a escola dominical, vigílias, correntes, visitas e o que mais caiba nas 24 horas diárias.

Todos passam a te respeitar dentro das quatro paredes, enquanto sua vida “pregressa” passa a ser apenas uma lembrança amarga, falada apenas para servir de exemplo do que não se pode ser ou fazer. Nada antes foi bom, tudo foi feito pra desonra e inglória do Senhor, mas agora você se torna mais cristão que Cristo (que, por sinal, não era cristão, mas aí são outros quinhentos...).

Começa a ouvir dizer ou presenciar que um ou outro “caiu em pecado” ou que “desviou dos caminhos do Senhor”, agarrando-se cada vez mais à instituição-igreja... Com unhas e dentes. Vai que é contagioso? Assim, você - uma espécie de anti-herói - acaba se tornando um insuportável rato de igreja, daqueles que ninguém suportam por muito tempo, pois tudo é “ta amarrado”, tudo tem que ser repreendido, e por aí vai.

Destes iguais a você, muitos ficam satisfeitos com os tapinhas nas costas, com os “aleluia salve salve” dos outros irmãos, com o amém do pastor e da liderança. Não há o que questionar. A “fórmula” funciona, não se mexe em time que está ganhando, não vale a pena não seguir as regras e sua relação com Deus se torna departamentalizada. Sem o sacerdote, sem o “Moisés”, a presença de Deus é insuportável.

Alguns, entretanto, sentem uma sede que cada dia só piora, fazendo com que estes busquem cada vez mais se relacionar com o Senhor, a despeito de toda a formula religiosa.

Leem a Palavra, ouvem uma certa Voz dentro de seu peito, diferente de todas a demais e percebem que as coisas não são exatamente como dita a doutrina. Humildemente se cala para não passar a imagem de insubordinados, mas este “se calar” somente adia o processo iniciado nem se sabe ao certo quando. Se conversa em “off” com outro irmão, muitas vezes são mal interpretados. Se fala sobre o que se passa no seu coração com a liderança então pior. Temem ser expulsos de um sistema religioso que o abrigou quando estava no fundo do poço, mas que na verdade serviu apenas como pronto socorro.

Alguns optam então em viver “clandestinamente” dentro da igreja, mesmo sentindo que esta opção apenas os sufoca a cada dia. Outros, ouvindo e vivendo, mergulhando e transbordando de algo novo, simplesmente percebem que não dá mais. Os 9 meses se cumpriram, o casulo se rompeu, o ovo não te comporta mais e é necessário romper a casca, sair da fase embrionária e respirar o ar de fora.

Com todo cuidado, ao mesmo tempo que com toda alegria, descobrem que o mundo não se limita ao templo, que a vida com o Senhor existe de forma dinâmica quando ele e seu amigo sentam despreocupadamente, tomando uma taça de vinho e falando da beleza ou dos problemas da vida, da criação, de Deus e de Seu Filho Jesus...

Percebe que algo diferente aconteceu dentro deles. Pensamentos nunca antes formulados de repente surgem em sua mente, um amor nunca antes vivido queima em seu peito, decisões importantes passam a ser tomadas não mais consultando os “oráculos evangélicos”, mas estranhamente por si próprio, mas não mais como antes de conhecer o Senhor. Agora “o Jesus Cristo” não é mais alguém impessoal. Ele habita em você. Seus pensamentos, por mais estranhos que possam parecer, não são mais seus. Suas decisões contém o amém do Pai.

Assustadoramente, não é mais você que vive. Mesmo aparentemente sendo o oposto do que a religião departamentalizada prega ser aquele que “serve à Deus”, você sabe que Ele habita em você. Não há mais necessidade de babá, não precisa mais comer só papinha e ser embalado em um berço. Você sabe pensar com a mente de Cristo, você se alimenta de comida sólida, sabe se virar "sozinho”, pois não está mais só: É Ele e você, de forma que você não nota mais onde está o elo de ligação. Uma relação dinâmica com o Criador; você, uma pequena criatura...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Quem nasceu pra ser lagarta, nunca será borboleta...



Como diz o ditado:

"Quem nasceu pra ser lagarta, nunca será borboleta"

Como pode alguns colocarem asas em uma lagarta tóxica e mandá-la voar? Esta é uma pergunta que eu não consigo responder. A própria lagarta resolveu ir contra o ciclo natural, optando em continuar se arrastando, mesmo sendo feia (apesar de suas cores), tóxica e repulsiva.

Não avaliaram que ela nem cogitou passar por uma metamorfose! Apesar de se arrastar continuamente, subir um bocadinho durante o dia e escorregar tudo o que subiu durante a noite, ela insiste neste processo e se recusa a mudar, pois ela acredita que não pode perder seu precioso tempo num processo natural como o da metamorfose.

O que lhe resta? Continuar colorida, mas sua cor apenas serve de alerta para os que não são daltônicos, podendo então se esquivar de sua incômoda peçonha e repugnância.

Seus movimentos são lentos, sua insistência em permanecer no “status quo” é irritante, ela tenta fazer com que todas as outras lagartas ao seu redor não percam seu tempo naquele aparente “descanso”, sendo que isso nada tem de descanso: Trata-se de um movimento inexorável.

Ela teme parar no tempo. Teme ser engolida por um “terrível comedor de casulos”, e muito menos, aguentar o possível sofrimento que viria atravessando um processo que faria que sua natureza repugnante viesse a se tornar em algo leve e belo como a borboleta. Olha no espelho, vê suas cores e se dá por satisfeita.

Luta desesperadamente em fugir da natureza e – por isso mesmo – se torna uma criatura pior, pois o tempo de lagarta tem “prazo de validade”. De alguma forma, ela consegue fugir do caminho natural, mas o preço pago é sofrimento em cima de sofrimento: Dela e dos que ela procura atormentar.

As que não cedem ao seus apelos vai em direção ao processo de transformação, mas ela olha para o lado e vê seus “pares pararem”, sem se conformar com o fato. Tenta sacudi-las, mas o processo de todas as demais continua inexoravelmente. Não há volta, a mudança é necessária e natural.

Ela se irrita, agride, ataca com seu veneno mas as outras já se encontram no casulo. Enquanto estas “morrem feias e renascem maravilhosas”, a teimosa lagarta apenas blasfema, tentando convencer as novas lagartinhas de que aquele processo é vergonhoso,” anti-natural” e que, se querem sua proteção de "lagarta-mor", devem abandonar seus desejos de metamorfose.

Todavia, a mentira é “como uma lagarta”: Apesar de suas dezenas de pernas, todas são curtas. A lagarta velha, então, imersa em sua teimosia e repugnância, apenas engorda, se torna mais e mais visível, lenta e acaba explodindo no bico de algum predador que ela tanto temia ou apenas cai do galho e se espatifa no chão.

Antes fosse borboleta. Por mais que o processo de metamorfose gere um prazo de validade menor, ainda assim ela teria visto coisas que nunca viu na vida; teria gozado de prazeres que somente aqueles que podem voar podem desfrutar.

Ainda que as últimas possam acabar “eternizadas” em uma moldura de algum colecionador de lepidópteros, ainda assim – até seu momento final – seria bela, ao contrário da gorda e velha lagarta que explodiria em algum canto de chão qualquer, por não poder mais se sustentar sozinha...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Os ciclos, as perdas e as restituições...


"Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Então prostrou-se no chão em adoração e disse: "Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor". - Jó 1:20-21

Durante minha vida toda conquistei, ganhei e perdi muita coisa. Bens, dinheiro, pessoas amadas, coisas e situações mensuráveis ou não, entraram, foram usufruídas, conviveram, se gastaram, desgastaram, se cansaram e partiram, romperam, quebraram e foram cumprir seus papéis nos próximos passos “da cadeia”...

Algumas delas ficaram e continuam cumprindo seus papéis. Algumas sempre esperamos que sejam “eternas”, ao menos “eternas enquanto durem”, como diria o poeta, mas entendo que o desprendimento diante de tudo e todos é parte importante na manutenção de certa saúde emocional, pois parece que sempre que tentamos cravar a posse de algo, criamos uma espécie de vinculo que nos fragiliza.

A posse, em suas diversas formas e interpretações, acaba gerando insegurança naquele que acredita possuir algo, isso devido ao fato do indivíduo viver considerando a possibilidade de perder este direito adquirido. Na verdade, esta é uma relação perversa, pois quem considera possuir acaba se tornando possuído pelo objeto de sua posse.

Parece um jogo fútil de palavras, e talvez até mesmo o seja, mas entendo que devemos entender quem é senhor de quem nesta relação para não sofrermos desnecessariamente.

Quantos são os que perdem um emprego, um bem, um ente querido ou um relacionamento e dá cabo de sua vida por não aguentar a pressão, o vazio? E o que gerou este vazio senão o ato de dar o valor errado a algo ou alguém? Por que entregamos o que temos de melhor até para tranqueiras, inanimadas ou não? Qual a razão de considerarmos que “quando conseguirmos tal e tal coisa ou pessoa ou objetivo” nós seremos plenos?

Quantos se arrebentam nesta busca, alcançam seu(s) objetivo(s) e depois descobrem que tudo aquilo foi vaidade e correr atrás do vento, como diria Salomão no livro de Eclesiastes? Qual a razão de não buscarmos estar plenos de paz e satisfação dentro daquilo que dispomos? Lógico que traçamos objetivos, trabalhamos para alcançá-los, mas isso deve ser feito de forma a não cravarmos que “aquilo” é nosso objetivo de vida.

Compreendi que devo “ser dono de nada”, mesmo dispondo de várias coisas; tendo a possibilidade de conviver com pessoas que também se dispõem a conviver com você sem considerar que estas relações são sinônimo de posse, “deixando a porta aberta” para o que der e vier, literalmente.

Entendi que o contexto de “restituição”, cantado por vários (“restitui, eu quero de volta o que é... “meu”?) e por eu mesmo é uma roubada. Restituir o quê? Somos “donos” de quê? Até na vida de Jó, que citei como versículo chave, vimos que a restituição não implicou em devolução exata do que se perdeu nem na ressurreição dos filhos que morreram:

“O Senhor abençoou o final da vida de Jó mais do que o início. Ele teve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de boi e mil jumentos. Também teve ainda sete filhos e três filhas. À primeira filha deu o nome de Jemima, à segunda o de Quézia e à terceira o de Quéren-Hapuque. Em parte alguma daquela terra havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó, e seu pai lhes deu herança junto com os seus irmãos. Depois disso Jó viveu cento e quarenta anos; viu seus filhos e os descendentes deles até a quarta geração. E então morreu, em idade muito avançada”
. - Jó 42:12-17

Os longos últimos dias da vida de Jó foram abençoados por Deus, mas mesmo estas novas bênçãos – ao menos no meu entendimento - não foram suficientes para preencher os possíveis vazios gerados pela lembrança do que para trás ficou. Jó apenas deu andamento à sua vida, e as coisas continuaram a fluir naturalmente. A dor de ontem passou e hoje a realidade é outra. A ferida foi curada, mas as cicatrizes ficaram. Mas assim é a vida.

Dentro deste contexto de posse acredito que, na verdade, a única coisa que realmente nos pertencem são estas cicatrizes...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Areia movediça...




“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.”
Mateus 24:12-13

Muito tempo se passou desde a última vez que parei para escrever algo neste blog. Entre a multidão de desculpas, acabei me deixando levar pelo comodismo do Facebook, onde insights que poderiam ser transformados em textos se tornaram poucas linhas, apenas para me ajustar ao “formato comercial” e receber alguns “likes”, como se isso fosse algo que presta...

Coincidentemente (ou não), parei de dar vazão ao que vinha do Espírito ao meu espírito, num círculo vicioso difícil de romper. Fui me permitindo engessar, por dentro fui me impermeabilizando, me tornei um espelho que refletia a todos, mas não mostrava quem era eu nem o que do Alto recebia. Por me blindar, conseqüentemente fui me amornando, procurando ficar dentro de minha carapaça e não me dedicar ao dom que recebi do Senhor.

Quais as desculpas para isso? Diante de todos os inúmeros problemas que enfrentei no último ano, parei de viver pela fé e passei a procurar sobreviver pelos meus próprios esforços. Sem fé, fui me tornando pior, e - sendo pior – me tornei pequeno, mesquinho, egoísta, vingativo, repulsivo. Precisava sobreviver, mas passei a usar as armas erradas para isso.

Alguns que me conhecem melhor sentiram a mudança, mas optaram em falar o mínimo possível sobre este assunto para não serem “agredidas” de alguma forma pelo que eu estava me transformando. Por dentro da carapaça, eu sentia que estava mal, mas meu orgulho impedia que eu procurasse uma saída para esta espiral descendente.

Como que sugado por um redemoinho, queria apenas sobreviver, desesperadamente lutando contra meus demônios pessoais, que vieram à tona com toda força. Não me reconhecia mais, nada mais fazia sentido, queria apenas saber de mim, por mais que ainda surgia – esporadicamente – um traço de bondade aqui, outro ali...

Mas isso não era o suficiente. Como alguém – como eu – que já tinha sido usado tantas vezes pelo Senhor, se permitiu endurecer? Como um sapo na chaleira, estava sendo cozido lentamente pelas águas que antes me serviam de campo para pesquisas e descobertas deliciosas no Reino de Deus e sua Graça.

O ambiente que eu inicialmente havia discernido como hostil, mas que – pelo Espírito de Deus – descobri que era este maravilhoso campo a ser desbravado, voltou à estaca zero, pois optei em me deixar levar pelas circunstâncias ao meu redor. Como Pedro, estava andando por sobre as águas, mas temi... e afundei.

Por uma ou outra conversa com pessoas do meu cotidiano, lembrei que estava em débito comigo, com meus amados e com Cristo. Débito este fruto de minha indiferença ao que realmente importava nestas relações: O amor, o verdadeiro Amor, aquele que recebi de Graça e passei a reter por algum desvio de rota, daqueles imperceptíveis no começo, apenas uma fração de grau, mas que me deixaram hoje anos luz de distância do centro da vontade do Pai.

Para voltar, estou me esforçando para escrever estas linhas, como “mea culpa”. É um pequeno passo, mas oro ao Senhor que Ele tenha misericórdia de mim, segure firme em minha mão e me arranque desta areia movediça...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Não consegui orar mas escrevi...



“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”


Romanos 8:22-28

Existem momentos em nossas vidas que estamos mergulhados em tantos problemas que apenas pela misericórdia de Deus não jogamos tudo pra cima, apertando o botão “foda-se tudo” e saindo por aí sem direção, deixando as coisas tomarem seus rumos aleatoriamente. Ficamos na maioria das vezes sem saber como agir mas, mesmo assim, algo não nos deixa simplesmente desistir de tudo.

Esboçamos alguma tentativa de reação, mas somos bombardeados por flashes de cada uma das situações que nos atormentam, de forma que não conseguimos articular o raciocínio para priorizar situação A ou B. Ao pensar em um problema, outro salta na frente gritando que ele é mais urgente. De repente, parece que o caminhão basculante vira sua caçamba sobre nossas cabeças e somos soterrados vivos, agonizando...

Sem ar, sem perspectiva e sem direção clara, procuramos manter a sanidade. Se abrirmos a boca para pedir, gritar ou clamar, o som não sai de nossas bocas. Então nos calamos, engasgados, sufocados. Pensamos e até tentamos orar, mas a única oração que sai vem da alma magoada pela dureza da vida é resumida em um gemido, um grunhido ou – no máximo – um “meu Deus.. em nome de Jesus... ai...”

Gemendo e chorando por dentro, somos obrigados a aparentar que ainda estamos conscientes e no controle da situação para não assustar quem nos rodeia. Por algumas leis formalmente não estipuladas de convivência fingimos que está tudo sob controle mas não está e deixamos isso transparecer de alguma forma, seja pela reação desproporcional, seja por uma palavra atravessada e fora do contexto.

Quem nos rodeia e nos conhece um pouquinho mais até percebe que algo está errado. Entretanto, elas também estão travando suas batalhas e humanamente falando a melhor opção é fingir que não viu. Pensando bem, quem na verdade quer ouvir lamentos e ajudar a carregar os fardos uns dos outros?

Assim, entendemos que todos estão além de seus limites, verdadeiros barris de pólvora ambulantes, loucos para explodir ao esbarrar em alguém. Todos estão gemendo por dentro, todos estão sofrendo, mesmo aqueles que parecem que a vida está voando tranquilamente em céu de brigadeiro, em velocidade de cruzeiro e no piloto automático.

Por qual razão este assunto está tão recorrente? Por mais que queira, olho para minha vida, olho ao redor e somente vejo sofrimento e dor dentro de cada um! Não interessa a fachada, não interessa a roupa nova, o bom corte de cabelo, o make-up, o bundão ou o bração tatuado e malhado: T-O-D-O-S estão gemendo, aguardando a redenção (não tão) pacientemente, mas – apenas – por falta de opção! Sei que não estou louco, sei que mais pessoas sentem, respiram e vivem esta realidade, tendo este discernimento!

Agora falo apenas por mim: Enquanto isso, faço apenas o que consigo fazer, na velocidade que me é permitida, tendo que avançar quando possível, retroceder quando necessário, parar e esperar quando não houver nenhuma outra opção, gemendo baixinho... Se eu vacilar um pouquinho e escorregar um milímetro que seja caio no fio da navalha. Travo os dentes, prendo a respiração e procuro fluir como a água, procurando os caminhos possíveis, não necessariamente os melhores caminhos, ao menos no meu entendimento, nas minhas necessidades imediatas...

Senhor, me entenda mesmo sem poder falar, apenas pelo meu silencio, por meu gemido, por minhas lágrimas. Na verdade eu sei que o Senhor entende, eu estou pleno de certeza disso, a certeza que vem de Seu Espírito em mim, me ajudando em minhas fraquezas. Não sei como pedir, mas sei que o mesmo Espírito que aqui dentro está intercede por mim. Sei que todo este aparente caos está totalmente sob o seu controle.

Sei que o Senhor também sofre comigo, não me foi prometido nada diferente disso quanto as escamas que cobriam meus olhos caíram e eu entendi o que significava te amar e te servir plenamente. Pai, fica comigo, fica conosco, segura nossas mãos e não nos deixe sentir medo ou solidão enquanto atravessamos tudo isso, em Nome de seu Filho Jesus...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os livros de Jó ainda estão sendo escritos...



“Certo dia os anjos vieram apresentar-se ao Senhor, e Satanás também veio com eles.

O Senhor disse a Satanás: "De onde você veio? " Satanás respondeu ao Senhor: "De perambular pela terra e andar por ela".

Disse então o Senhor a Satanás: "Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal".

"Será que Jó não tem razões para temer a Deus?", respondeu Satanás. "Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que todos os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra. Mas estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face. "

O Senhor disse a Satanás: "Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não encoste um dedo nele". Então Satanás saiu da presença do Senhor."
- Jó 1:6-12

Procuro não ter uma visão simplista em relação a nada, muito menos sobre eu mesmo. Dentro deste contexto, posso dizer que “me conheço bem”, ao menos o suficiente para saber que não sou o ser humano mais perfeito da terra, mas também não sou o mais sacana. Este "mimimi" de se fazer de modesto soa hipocrisia da pior qualidade e, para mim, tem efeito inverso ao desejado por quem assim se porta (Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne - Colossenses 2:23).

Se estou ciente de minha relação com Deus e com os homens, se estou convicto de quê pouquíssimas vezes agi de forma contrária à ética que foi gravada em meu coração através do Espírito de Cristo que hoje vive em mim, arrisco dizer sem medo de errar que, se prejudiquei alguém, se fui motivo de escândalo ou decepcionei àqueles que me rodeiam, não foi uma atitude perversamente maquinada em meu peito. Posso ter errado e – certamente – erro muito mais do que gostaria, mas minha consciência não permite que eu erre por algum ardil que poderia ter raízes em meu ser.

Muitos cristãos verdadeiros (e eu ouso me colocar no balaio) estão sofrendo situações aparentemente impossíveis de se explicar pela lógica humana. Parece que, ao somar “1 + 1”, o resultado prático em minha vida caprichosamente continua a dar “3” (essa ilustração é a melhor que conheço para explicar isso, desculpe pela insistência nela, rsrs). A conta não fecha, o que era para dar certo dá errado, o que fora prometido não se cumpre, o mau te toca constantemente, a dor insiste em te debilitar, o ímpio continua a prosperar e eu fico no limite da sanidade mental procurando entender esta bagaça e não afundar.

De onde vem tanta angústia? Qual a razão de tanto sofrimento? Será que as contingências da vida são a razão deste caos que impera? Será que dá para tentar reduzir tanto a situação geral somente para tentar encontrar uma explicação que caiba em nosso entendimento? Estou eu procurando uma explicação simplista para tudo isso?

Eu costumo dizer que não aceito um diagnóstico médico quando o "doutor" me diz que tudo o que sofri foi fruto de uma “virose”. Virose o caramba! Quem precisa estudar medicina para dar uma resposta tão boçal para tentar justificar o sofrimento? Muitos aceitam este reducionismo, é até bom para alguns que querem viver com a cabeça enterrada no chão da existência por medo de encarar a realidade mas... EU NÃO!

Não consigo, não me conformo e nem quero me conformar! Não sou gado para ser enviado ao matadouro sem soltar um mugidinho que seja! Não estou procurando respostas fáceis, a vida não permite isso para quem realmente está no campo de batalha. Não estou sentado confortavelmente numa poltrona jogando o vídeo game da vida, estou vivendo, estou sangrando, estou sofrendo e está doendo!

Mesmo tendo chegado até aqui, confesso que tenho receio de abrir a caixinha de ferramentas e mostrar tudo o que penso. Por outro lado, sei que outros estão vivendo o mesmo tipo de situação. Os livros de Jó continuam a ser escritos todos os dias, as apostas continuam a ser feitas, nossa vida é, como diz as Escrituras...

“...Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Temo-nos tornado um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados!

Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.”
- 1 Coríntios 4:9-13

É exatamente isso o que sinto, e longe de mim me colocar como apóstolo (eu ein)! Na verdade, isso serve para todos os cristãos que estão com suas anteninhas viradas constantemente para o Senhor, não somente para os apóstolos. Minha vida é espetáculo diante de anjos e homens. O diabo insiste em pedir mais e mais espaço para “provar” que a visão que ele tem de mim é a correta, não a visão que Deus tem de mim. No meio dessa aposta lá estou eu, igual camarão entre a rocha e a onda...

Eu, porém, sei que não consigo nem imaginar como isso tudo vai ficar. O caos está se expandindo exponencialmente e praticamente ninguém está se dando conta! Está sendo “natural” ver tudo o que acontece no mundo, desde que não aconteça “comigo”! A desgraça? Na casa do cara que vive na Cochinchina! A peste? Lá pra pqp, aqui não! Basta poder ser visto na TV com aquela curiosidade mórbida, apenas para “ter assunto” entre os urubús, tendo a opção de mudar de canal e fazer de conta que nada está acontecendo!

Só que não é assim que a banda toca. O dia mau chega e chega pra todo mundo. Um dia vai cair O SEU teto, e não apenas o teto do fulano que mora no barraco do outro lado do planeta. Um dia a doença e a morte chegam, e não se tratará mais de um dado estatístico. Os dias são maus e não dá para se iludir. Temos que estar preparados:

"Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo." - Efésios 6:13

Não sei nem como acabar este texto, meu livro ainda está sendo escrito...

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Como "estar dentro" sendo de fora?



“Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.”
1 Coríntios 5:9-10, NVI

“Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo.”1 Coríntios 5:9-10, ARA

Ao procurar o texto acima, queria a tradução Almeida Revista e Atualizada por utilizar o adjetivo “impuro”. Entretanto, localizei primeiro a tradução NVI que fala sobre “imorais”, gerando uma dúvida quanto qual das duas utilizar. Afinal de contas, impuros e imorais são ótimos adjetivos para descrever o tipo de gente que nos relacionamos, atravessando nossos caminhos e nos obrigando a crescer dia após dia na habilidade de lidar com eles sem, todavia, nos desvirtuar.

Está cada vez mais difícil manter a cabeça fora da fossa humana, conseguir respirar sem nos intoxicar, o ambiente em que vivemos está se tornando cada vez mais pesado, parece que estamos sendo lentamente consumidos sem nos dar conta, assim como o sapo na chaleira, com a água sendo aquecida lentamente, até o momento em que estamos cozidos sem dar conta.

Se não tivermos o discernimento necessário, se não ouvirmos a voz do Espírito Santo dentro de nós, nos deixaremos levar pelas artimanhas que frequentemente são orquestradas contra nós. Com isso, não quero dizer que as pessoas, conscientemente, tramam ardis para nos atingir (ao menos na maioria dos casos, penso eu, “polianisticamente”...). Vejo, sim, que a constante batalha no mundo espiritual exige que nós tenhamos atenção redobrada quando aos instrumentos que o inimigo de nossas almas utiliza para nos atrapalhar em nossa caminhada rumo ao Reino de Deus.

Não é tarefa agradável levantar todos os dias, lidar com motorista do ônibus mal educado, com a mulher (ou homem, em ambos sentidos) que te dá mole sem cair em tentação, em negociar com clientes, fornecedores e “parceiros” que – se você baixar a guarda – vai socar com força no seu traseiro por qualquer pequena vantagem comercial, não se importando em ter o mínimo de ética.

A pressão está cada vez maior. Os impuros e imorais deste mundo estão cada qual agindo apenas em prol de seus interesses. Cada vez mais, entendo que existe muito pouco disponível e todos lutam desesperadamente por seu quinhão, mesmo que o preço a ser pago seja a desgraça "do outro". Estamos neste mundo, mas não fazemos parte dele no sentido moral e espiritual. Como disse Jesus em sua oração sacerdotal:

“Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso sou glorificado. E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.”João 17:9-15

Este é para mim o ponto de tensão (na verdade, um deles...): Estar aqui e não ser mais daqui sem virar um fanático isolado em uma redoma, ter que lidar com os impuros e imorais de forma que não sejamos contaminados pelo seu conteúdo, apenas filtrando o que convém e descartando o que não convém, influenciar, orientar quanto ao Caminho, ser sal e luz sem permitir que nos usem como mero passatempo, um instrumento de “diversão”, como ironicamente disse Jesus:

“Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros, e dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes. Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.”
- Mateus 11:16-19

Consigo visualizar quase que graficamente, tridimensionalmente, o que quero dizer, enquanto estas passagens bíblicas ficam pipocando em minha mente para servir de base ao que penso. Só não sou hábil o suficiente para amarrar tudo de forma coerente e colocar em palavras escritas, mas, mesmo assim, tento. Você está no meio, de todos os lados inúmeras demandas, de todos os tipos e você tendo que lidar com cada uma, procurando da melhor maneira possível não perder nenhuma vida, tentando ser o fiel da balança, conciliador, provedor, conselheiro, etc.

Não me interprete mal, não quero assumir um papel que pertence ao Senhor, apenas sou consciente do meu papel e rogo a Deus que eu o cumpra da melhor maneira possível. Que eu mantenha o foco no Alvo, trabalhe da melhor maneira possível a(s) moedinha(s) que Jesus deixou sob meus cuidados, de forma que Ele, ao voltar, não receba de volta o mesmo que me deu, por eu ter sido omisso e/ou covarde.

Por outro lado, também peço ao Senhor, em Nome de Jesus, que eu não me sinta confortável dentro desse sistema de coisas, enquanto a temperatura aumenta sem eu notar; até que – sem me dar conta – já esteja cozido como o sapo na chaleira...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Você está triste...



"Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram. Eis que a casa de vocês ficará deserta. Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’” - Mateus 23:37-39


Você está triste. Ouvi isso hoje e nem tinha notado que minha tristeza, para quem me conhece, estava latente. Você também está triste, confesse. Não é pelo dinheiro curto, não é pelos problemas enfrentados no cotidiano (que você já tira de letra, assim como eu...), não é por algo tangível: É algo dentro de meu e do seu peito, algo que queima lentamente, te joga pra cima e você sente o frio na espinha e o vazio, o vácuo, te faz ficar com um olhar vidrado, olhando para tudo e não vendo nada.

De onde vem esta tristeza, enquanto praticamente todos estão fazendo festa, combinando viagens maravilhosas, namorando, casando e se dando em casamento, planejando o fim de semana, as férias, comprando e vendendo, acumulando enquanto deixa os outros sem aquilo que excedeu em sua despensa, gerando lixo e mandando pra frente sem saber onde ele vai ter seu longo final feliz?

A lista de questões são íntimas e infindáveis. Não tem a ver com a final do campeonato nem com a desclassificação prematura, não tem ligação com a dor nas costas ou com a eterna batalha do longo mês versus o curto salário, não é ligada à promoção ou não que você esperava, nem com a busca do seu Santo Graal pessoal.

É algo que não vem da horizontal, por mais que fique mais fácil discernir por alguns sinais vistos na CNN ou GloboNews, no jornal virtual que você lê em sua internet, no mendigo que você finge não existir e que te pede ajuda, nos escândalos no meio político e religioso, nos estupros, nas fomes, terremotos, atentados e pestes ao redor do mundo.

Cada item desses tem um papel detonador na vida de pessoas como eu e você, que estão tristes. Estamos sentindo a tristeza que vem de cima, a tristeza que vem do coração de Deus, a tristeza de quem acha que não tem muito mais o que fazer pela vida daqueles que estão mergulhados em seus mundinhos, em sua pequenezas, em sua busca desenfreada pelo pão nosso de cada dia, ao invés de deixar o campo arado e pronto para recebê-lo diariamente como benção de Deus...

Estamos sentindo que nada está se encaixando, inclusive nós. Nós não estamos mais nos encaixando nesta moldura pequena que se tornou nossa sociedade, por mais que ela aparente ser multi-mega-hiper facetada, descolada, repleta de infinitas possibilidades. Estamos nos sentindo caretas, mesmo que na moda, comprar ou vender algo não traz alívio, pois discernimos o preço que vem sendo pago nestes milhares de anos da história da humanidade.

Muito sangue foi, é e tem sido derramado. Se você "tem dois", saiba que alguém está sem nada, o mundo não está se sustentando mais, a água potável será motivo de guerra em breve (na verdade já o é em alguns locais) o mundo vai entrar em colapso e não nos vemos mais nem aqui nem lá, somos forçados a nos sentir alienígenas para não nos tornarmos alienados mas, infelizmente, não estamos sabendo agir.

Parece que a luz está se apagando, o sal está perdendo o sabor, estamos nos apequenando diante de tudo e de todos, por mais que estejamos ou sejamos evidentes no contexto social. A omissão é pessoal, nós e somente nós sabemos que estamos “pecando por omissão”. Parece que estamos sendo cúmplices de uma trama diabólica, apenas por não falarmos ou fazermos o que deve ser feito.

Creio que esta seja a razão da tristeza. Correr atrás do pão de cada dia é inútil e cansa, lutar por um novo negócio implica em saber que alguém perdeu enquanto você “ganhou”. Estou triste, não estou conseguindo juntar os pintinhos debaixo de minhas asas, até pelo fato de sentir que perdi as minhas, assim como Miguel no final do filme Constantine.

Ao menos esta tristeza vem da Fonte Eterna, vem do coração de Deus. Se estamos assim, o pulso ainda pulsa, o Espírito ainda nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Devemos voltar ao nosso papel profético, mas entendo que de maneira diferente, mais eficaz, cirúrgica, sem desperdiçar bala.

Senhor, mostre a cada um o que fazer, em Nome de Jesus...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Angústia...



“E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR. Mas o SENHOR mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se.

Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono. E o mestre do navio chegou-se a ele, e disse-lhe: Que tens, dorminhoco? Levanta-te, clama ao teu Deus; talvez assim ele se lembre de nós para que não pereçamos.

E diziam cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas. Então lhe disseram: Declara-nos tu agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual é a tua terra? E de que povo és tu?

E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao SENHOR, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca.

Então estes homens se encheram de grande temor, e disseram-lhe: Por que fizeste tu isto? Pois sabiam os homens que fugia da presença do SENHOR, porque ele lho tinha declarado. E disseram-lhe: Que te faremos nós, para que o mar se nos acalme? Porque o mar ia se tornando cada vez mais tempestuoso. E ele lhes disse: Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se vos aquietará; porque eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade.

Entretanto, os homens remavam, para fazer voltar o navio à terra, mas não podiam, porquanto o mar se ia embravecendo cada vez mais contra eles. Então clamaram ao SENHOR, e disseram: Ah, SENHOR! Nós te rogamos, que não pereçamos por causa da alma deste homem, e que não ponhas sobre nós o sangue inocente; porque tu, SENHOR, fizeste como te aprouve. E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria.

Temeram, pois, estes homens ao SENHOR com grande temor; e ofereceram sacrifício ao SENHOR, e fizeram votos. Preparou, pois, o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe”.
Jonas 1

Há certos momentos de nossas vidas que nada acontece como planejado ou esperado. A conta não fecha, 1 + 1 insiste em dar 3, você “faz regressão”, pede perdão até pelos pecados dos outros (se assim fosse possível), ora, chora, põe a cara no pó, se desespera e – simplesmente – as coisas insistem em dar errado.

Pesa sobre os ombros a sensação de que você – de alguma maneira – é responsável por tudo o que está zicado. Luta contra as circunstâncias, mas estas te subjugam, como se estivesse sendo engolido pelo mar bravio. O que fazer? A situação é desesperadora, é um labirinto interminável, as saídas estão fechadas, tudo cerrado, lacrado, impossível de avançar.

Ficamos imobilizados depois de tanto espernear, procurar o ar. As circunstâncias te engolem, você perde sua auto-estima, a impotência passa a ditar as regras. Não há como avançar, não há como retroceder, o que para frente está é invisível aos olhos, o que para trás ficou não existe mais.

Resignação, frustração, dor... dói até os ossos, dói na alma. Você acha que é culpado, mas sabe que não é assim que a banda toca. Mesmo sabendo disso, de tão surreal que o quadro se pinta, você procura mergulhar mais e mais no sentimento de culpa irracional que te invade. Tenta lembrar de algo que fez ou deixou de ser feito, algo que poderia ter sido o estopim de toda esta situação.

Seria mais fácil. Seria bom saber que você realmente é o responsável pelo momento pois, se assim fosse, poderia voltar atrás e reconstruir o que foi derrubado, consertar o que está torto, pedir perdão e perdoar à quem de direito. Todavia, este exaustivo exercício mental é vão.

Impotência. Assistir as coisas acontecerem sem poder mexer uma palha para mudá-la vai te consumindo.

Fazer o quê? Se fosse algo como o que aconteceu na vida de Jonas seria fácil. “Tá todo mundo se ferrando e a culpa e minha? Me joga no mar!" Ah, como seria bom que fosse isso! Mas não é! Não é assim que funciona.

O pior é não saber em qual momento você se encontra no processo. Se está em fuga, se está na tempestade, se está se afogando ou se já está nadando na bile de um grande peixe. Até quando vou agüentar mais viver nesta “Cidade Maravilhosa”, esta Nínive que insiste em não se arrepender de seus pecados? Por que será que tenho a impressão de que ainda não acabei (ou talvez nem tenha realmente começado) “minha missão” aqui na terra do funk, carnaval, sensualidade e prostituição?

Este é o ponto, não adianta mais falar desta angústia sem ser claro no que quero dizer. Estou sofrendo nesta cidade, muitos estão, alguns nem notam isso, de tão imersos que estão nesta cultura, iludidos pelas belezas naturais e o bom jeitinho malandro de viver, mas sendo consumidos pelo maçarico de 40º diários, a falta de água, luz, infra-estrutura, educação, moral e cívica (lembrar da matéria foi inevitável).

Todos aqui sofrem, mas acreditam que estão no paraíso. Eu não, considero isso a pança de um peixe cheio de restos apodrecendo, no qual me incluo sem querer. São poucas as opções, não consigo vislumbrar uma saída fácil. Ser simplista e jogar tudo pra cima seria fácil tempos atrás, como fazia em minha juventude. Hoje não, não posso, tenho responsabilidades e não posso parar de nadar, senão afundo e levo outros comigo.

To cansado Senhor, estou no meu limite. Não estou vendo a saída. Não estou entendendo até onde ainda vou nesta situação. Misericórdia...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Viver a Graça, errar de graça... que merda!



“Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo”1 Coríntios 15:10

Perdi o “time” desta mensagem. Quando tive o insight, falar sobre a graça de Deus em minha vida tinha muito mais a ver com o momento que me inspirou, mas – agora – me sinto um hipócrita ao começar a falar sobre ela.

Semanas atrás, escrever sobre este assunto significava muito mais do que significa neste momento, pois estava no contexto de não apenas crer e ter sido alcançado pela mesma, mas sim o de ser instrumento para que a Graça fosse encarnada em mim e que esta pudesse alcançar àqueles que me cercam.

Na atual situação, me sinto envergonhado em falar de algo que agora está meio arranhado pelas minhas "atitudes", mesmo que estas não tenham sido colocadas em prática. Eu estava vivendo um momento em que minha vida em si estava dizendo mais do quê minhas palavras. Estava agindo em prol daqueles que me cercam de maneira abnegada. Estava tirando de mim para poder dar aos outros, mesmo sabendo que alguns daqueles que estavam sendo alcançados não mereciam meu despojamento.

Simplesmente era mais forte que eu. Como diz o texto bíblico, estava como ovelha no meio de alguns lobos, mas estava ciente disso, confiando que o Senhor estava comigo e eu estava fazendo a vontade Dele na vida destas pessoas. Sabia que alguns estavam mentindo para mim, sabia que estavam falando de mim pelas costas, sabia que estava numa posição à qual poderia optar em não remover obstáculos no caminho destas pessoas, mas optei em fazer o que meu "coração" mandava, o que considerei o certo...

E este certo foi (é) dolorido. Doeu na alma, doeu materialmente, doeu emocionalmente. Quando você é alcançado pela Graça de Deus, você não tem como não agir com a mesma Graça perante o próximo. Mesmo que este próximo seja uma víbora, uma pessoa que te usa para alcançar seus objetivos, se você é um com Ele, Aquele que te resgatou das trevas para a Luz, “infelizmente” acaba sendo Graça na vida destes também.

Minha frustração foi que eu, no meio de toda pressão em que me encontro (presente), acabei não sendo fiel até o fim nesta empreitada. Nos piores momentos me irritei, agi de forma parecida com que agiram contra mim, emputeci mesmo, tipo de querer ferrar com quem estava me ferrando. Entretanto, caiu a ficha...

Parei, me envergonhei e não tive coragem de pedir desculpas, até pelo fato de – caso pedisse desculpas por algo não feito, apenas sentido – daria mais armas para aqueles que conseguiram me tirar do sério. Pedi perdão a Deus e me vejo agora escrevendo sobre isso tudo. Não sei se faz sentido, mas eu sou assim mesmo, complicado. Queria mesmo ser melhor do que sou, mas eu mesmo não sou nada, não sou ninguém.

Sem querer plagiar Paulo, apenas um pecador, um dos piores, sentindo que algumas vezes forço a amizade com Deus. Por fora aparentemente irrepreensível, mas com o velho homem apenas amarrado dentro de mim, algumas vezes amordaçado, mas não morto. Pensando bem, que bom que não escrevi antes; poderia passar uma imagem de super-crente, coisa que eu não sou, Graças à Deus.

Misericórdia Senhor...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Judas: "Por acaso sou eeeuuu Senhor?"


“E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze. E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair. E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor? E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair.” - Mateus 26:20-23

Oficialmente eles eram doze. Alguns foram chamados por Jesus no começo, outros um pouco depois, uns eram mais íntimos de Jesus, outros tinham outras participações na “logística” do ministério, mas todos andavam juntos com o Mestre, até o momento que as profecias a respeito do Messias deveriam se cumprir.

Tenho certeza que, independentemente da onisciência divina que habitava em Cristo, Ele – naqueles três anos de ministério terreno – sabia muito bem como era cada um deles, quem era de confiança e quem não era, quem aguentaria o tranco e quem arregaria. Mesmo assim, andou com eles, agüentou suas dúvidas, reclamações, picuinhas, disputas internas para saber quem seria o maior no Reino de Deus e todas as outras inúmeras fraquezas humanas que não foram registradas nos Evangelhos.

Ao mesmo tempo que Jesus expulsava demônios, curava todos os tipos de enfermidades, ressucitava os mortos, multiplicava os pães e peixes e "pregava" mensagens maravilhosas (posso imaginar todos os seus seguidores babando!!!!), também dava a entender ou afirmava explicitamente que seria preso, abandonado pelos homens, morreria e ressuscitaria três dias depois. Eles, resumidamente, falavam “de forma nenhuma!”, mas este era seu ministério, esta era sua sina, este era exatamente o motivo pelo qual havia vindo como homem aqui na terra. Só que isso passou a incomodar alguns...

À medida que seu dia se aproximava, tomou o caminho de Jerusalém. Chorou pela cidade, por aquele povo que rejeitava e matava todos aqueles que eram enviados a ela em nome do Senhor. Entrou na cidade e foi recebido como Rei. O cerco se apertava e Ele pediu que alguns dos doze fossem à frente e preparassem um local para que pudessem estar juntos pela última vez, comendo e bebendo. E assim foi feito.

Na mesa, Jesus começou a conversar com eles, falar o que estava por vir e, logo em seguida, iria demonstrar o que isso seria através do partir do pão, que representava seu corpo, e do beber o vinho, que representava seu sangue.

Só que aquilo foi demais para alguns deles. Especificamente para Judas, que aguardava outro tipo de líder. Não um líder que se tornaria Rei num plano "metafísico", digamos assim. Ele esperava um líder militar e político que unisse todos os exércitos da Palestina e derrubassem o poder romano. Mas este não era Jesus.

Judas, em sua lógica mesquinha, sentiu-se “traído” por Jesus por ter entendido errado qual era seu real papel no plano divino e resolveu se vender àquele que ele – Judas – julgava ter mais poder para fazer a “revolução”.

“Traído e vendido”, vendeu por 30 moedas de prata àquele que não tinha preço: Seu líder, seu Senhor, seu Rei, seu Deus. Em sua loucura, realmente acreditou que aquilo era o que deveria ser feito e avançou cegamente em direção ao seu triste papel na história. Saiu da mesa para fazer logo o que ele teria que fazer, encheu o bolso e tomou a frente na mais sórdida tropa de assalto de toda história da humanidade.

Ao encontrar o Senhor da Vida, encenou pela última vez seu papel na trama. Só de pensar no que relatam os Evangelhos sinto ânsia. Melhor colocar aqui:

“E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?”
- Lucas 22:48

Após a prisão, humilhação, julgamento e morte de seu verdadeiro Rei e Senhor, aparentemente arrependeu-se, devolveu o dinheiro e se suicidou. Não necessariamente nesta ordem, eu sei. Triste fim.

Hoje, diversos homens e mulheres se prestam ao mesmo funesto fim. Somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Ele habita em nós e – através de nossas vidas – milhares de Judas encenam os últimos atos deste que se tornou sinônimo de traição. Ao traírem seus próximos, traem ao "Deus em nossas vidas". Eles tem nomes diferentes mas não se tocam que são iguais.

Normalmente, os Judas dos dias atuais são identificados por duas ou três semelhanças ao original: Traem seus pares enquanto dão seus beijos, se vendem por qualquer ninharia e costumam perguntar cinicamente, na tua cara, ao serem confrontados com o fato de todas as evidências apontarem para eles:

“Por acaso sou eu...?"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Eu creio mas tenho medo oras!


“E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio Senhor... Ajuda a minha incredulidade!”
Marcos 9:23-24

Hoje eu creio. Não cri sempre, mas fui obrigado à aprender a crer à medida que minhas possibilidades humanas, minhas estratégias, minhas recontextualizações mostraram-se ineficazes. Na prática, fui colocado na ladeira e me empurraram para aprender na marra.

Mesmo tendo visto milagres acontecendo ao meu redor, mesmo tendo orado por situações pessoais e de terceiros e visto a mão de Deus agindo poderosamente, na hora em que o problema está em seu clímax, quando estamos no olho do furacão, nossa fé é posta à prova e trememos.

Paradoxal, podem dizer. Crer acaba sendo um dom dado por Deus, mas – mesmo assim – cremos no meio de nossa própria incredulidade. Comparo o “medo em crer” com a sensação que temos quando ficamos na fila da montanha russa por horas, sentamos na cadeira e, na hora que o carrinho começa a subir, gritamos feito desesperados à cada descida, cada looping, cada emoção, por mais que acreditemos que o brinquedo é "seguro".

Da mesma forma, quando sentamos na poltrona de um avião e passamos por todas as instruções dadas pelos comissários de bordo quanto às medidas de segurança, apertamos os cintos e o avião taxia na pista, sendo disparado a mais de 250 km por hora na hora da decolagem. Quem garante que a aeronave sairá do chão no tempo certo? E na aterrissagem então? Ali sim, é a hora que eu mais temo! Será que os trens de pouso não sofrerão nenhum tipo de avaria? Será que a pista será longa o suficiente (quem usa o Santos Dumont e Congonhas sabe do que falo...) para que o reverso das turbinas sejam acionados e o grande pássaro de metal pare em segurança?

Nem por isso deixo de andar de montanha russa nem de voar. Algo dentro de nós diz que o brinquedo não vai quebrar logo na nossa vez, mesmo com o histórico de acidentes. Igualmente voar. Apesar de aviões terem um baixíssimo nível de acidentes, estes acontecem, mas cremos que não será em nosso vôo.

Este medo natural é por nosso instinto de sobrevivência. Somos humanos e espirituais. Conhecemos nosso Deus e sabemos que Ele está no controle de tudo, mesmo sabendo que as contingências da vida acontecem a todo momento ao redor do mundo. Não é pelo fato d’eu andar com Jesus que significa ter um seguro contra as contingências da vida. Ateus morrem da mesma forma que os que crêem, e não é por isso que deixaremos de crer.

Em outras áreas de nossa vida também temos esta certeza de que Deus está no controle de tudo, mas que – ao mesmo tempo – ficamos como quem pula de pára-quedas, aguardando que ao puxar a cordinha o bichinho abrirá como sempre. As guinadas que nossas vidas costumam dar, a incerteza sobre o trabalho, o sustento, a saúde, a segurança. Todos nós cremos que não ficaremos na mão, ao mesmo tempo que tememos.

Não acredito que Deus fique chateado conosco. Ele sabe que cremos, mas também sabe que somos pó, humanos imperfeitos, mas nem por isso deixa de nos inspirar para tomarmos as melhores decisões, providenciar livramentos quando precisamos, trazer uma provisão inesperada, uma cura...

Eu creio. Sei que “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11.1), mas tenho SIM medo de ficar na mão, do avião não decolar, de perder algo que considero uma fonte de segurança ou sustento. Creio a ponto de crer (perdoe-me pela redundância, mas acho que aqui cabe) que Ele nos entende em nossas limitações. E, só assim, posso avançar como o pai do menino, crendo e pedindo para ele suportar minha incredulidade. Afinal de contas, não tenho como evitar o frio na barriga na hora que desço em alta velocidade na montanha russa da vida...


terça-feira, 27 de novembro de 2012

A certeza daquilo que esperamos...

"Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos."Hebreus 11:1

Uma forte dor nas costas me acompanhava e se tornava cada vez mais incômoda. No início não dei muita importância, deveria ter sido fruto de um “mosh” que dei no show do Red Hot Chilli Peppers no saudoso festival Hollywood Rock de 1993, quando todos abriram na hora que me joguei e caí de cóccix (pra não dizer bunda, pois não bateu na parte fofinha, mas no osso mesmo...) no chão. Fim de show pra mim, tive que assistir o resto sentado de tanta dor.

Algumas travadas ao andar, virar o pescoço, levantar, sentar... Só quem passou por isso sabe. Amigos “ortopedistas” tentaram “me estalar”, dando um tranco na coluna. Só piorava! Enfim, fui ao médico: Ressonâncias, tomografias, raios-x e foi dado o veredicto: Hérnia de disco na lombar. Nada fazia passar as dores lancinantes, que se irradiavam pelas pernas e me deixavam – literalmente – travado. Levantar da cama levava uns 5 minutos, não por preguiça, mas até encontrar a posição menos pior pra sair sem dor. Licença médica por 10 dias em casa. Dor, muita dor, desânimo, frustração, impotência perante tudo aquilo que me imobilizava.

Certo dia estava eu deitado no chão da sala com a luz apagada. Era o melhor lugar que eu podia ficar (a gente vai se acostumando com a dor e aprendendo a sobreviver né?). Eu estava ouvindo uma rádio cristã que nem conhecia quando – próximo das 18:00hs – o narrador começou a orar. Orou pelas viúvas, órfãos, presidiários, doentes em hospitais em estado terminal e todos os demais “sofredores” de plantão. Eu estava lá, ouvindo tudo “em terceira pessoa” até o momento que o narrador disse:

“Deus está me mostrando um rapaz em casa, deitado no chão, com muitas dores nas costas. É uma hérnia de disco e o Senhor manda te dizer que a partir de agora você está curado, em Nome de Jesus!”

Na mesma hora comecei a chorar e sentir um calor muito grande na região lombar. (Não seu infame, não era fogo no rabo, antes que você venha deturpar meu testemunho...) Coloquei a mão na região e apertei. Não senti nada. Esquecendo da dor e de todas as manobras acrobáticas que havia desenvolvido para sair daquela posição, me levantei como se não tivesse nenhum problema. O resto vocês podem deduzir: Curado, milagrosamente curado!

Talvez alguns de vocês já soubessem desse episódio, mas senti que deveria compartilhar novamente por estar vendo isso acontecer novamente, bem próximo de mim...

Depois de anos, tive algumas recaídas. Entretanto, notei que elas sempre vieram acompanhadas por momentos de profundo stress, aqueles momentos que pegamos todos os problemas de todas as pessoas da face da Terra e achamos que somos os responsáveis em encontrar a solução para cada um deles. Com o tempo, aprendi que não sou Deus nem não sou eu quem teria a obrigação de encontrar as soluções da dor da raça humana. Foi libertador!

Descobri que bem na base da minha coluna tinha um botãozinho mágico. Nele estava escrito “FODA-SE” e tinha que ser apertado com regularidade. Descobri também que este botãozinho estava conectado a um mecanismo semelhante a um disjuntor de eletricidade. Quando a demanda era maior do que minha capacidade de acionar o bendito botão, entrava em alfa do nada, “saía de mim” e via tudo de fora, conseguindo desta forma um foco melhor da situação, o quê se provou ser muito útil.

Um tempo, dois tempos e metade de um tempo depois (é bíblico, sei que está fora de contexto mas é bíblico...) não fui mais acometido daquela maldita dor nas costas. Desde então, procuro compartilhar com os que me cercam três pequenos conceitos que aprendi dessa situação toda:

1) Aquele dia fui curado. Da forma como doía, nunca mais sofri nada parecido. Não fiz novos exames por não sentir necessidade, mesmo com pequenas recaídas que acabei de me referir. Jesus Cristo continua o mesmo, graças à Deus;

2) Todo mundo tem um botãozinho “foda-se” e este deve ser utilizado sempre (e tão somente) quando necessário;

3) Não somos Deus. Não somos responsáveis pela dor alheia, não importa qual seja. Nosso disjuntor tem que desarmar sempre que necessário, senão “travamos” juntos com quem sofre, ficando assim impossibilitados de fazer qualquer coisa.

Utilizei e tenho utilizado esses “três segredinhos” nas mais diversas áreas de minha vida. Problemas que não tenho como resolver de imediato sempre aparecem com alguma solução no tempo certo. Não adianta me desesperar. Incertezas quanto ao amanhã idem. Aliás, de tudo isso, o mais importante e confortante foi descobrir que Deus, no nosso dia-a-dia, faz mais milagres considerados pequenos, frutos do “acaso”, do que somos capazes de discernir.

Estes pequenos milagres é que são os grandes, pois eles são pequenos detalhes diários de uma história de vida sendo escrita. Minha cura foi um presentinho de Deus e necessário naquela época de minha caminhada com Jesus. Tive inúmeras orações respondidas (incluindo uns três infartos de meu pai, que continua conosco) e dez vezes mais orações sem final feliz (incluindo um coma de 5 meses de minha mãe, que faleceu em 2009, vítima de um AVC).

Aprendi a confiar, entendi que quando entreguei minha vida pra Jesus de coração eu realmente perdi o controle de tudo. As dores que vieram em decorrência desta entrega eram, na sua grande maioria, provenientes de tentativas de retomar o controle das situações que não estavam mais sob minha responsabilidade.

Como terminar? Talvez de maneira simplista para quem não sabe exatamente o que significa isso tudo, dizendo: Confie em Deus. Mesmo sem ver um palmo à frente do nariz (para mim, um palmo à frente do nariz é uma grande distância...), dê o próximo passo na certeza de que Ele está no controle de tudo e você está no centro da vontade Dele...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nenhum poder terias se de cima não te fosse dado...


“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência.”Romanos 13:1-5

Apesar de ter todo o escopo deste texto em meu peito há semanas, tenho relutado em começar a escrever pelo simples fato de não querer fazê-lo envolvido nas diversas circunstâncias que estou atualmente. Não quero “borrar” a mensagem com dilemas pessoais e incertezas que me cercam mas, mesmo sem querer, já estou fazendo desta forma. Senão, alguns poderiam dizer, não seria eu escrevendo...

Todos nós estamos sob a autoridade de alguém: Pais, patrões, mestres, governantes, religiosos e outras formas de poder fazem parte de nosso dia-a-dia, mesmo que não queiramos. Uma decisão política no outro lado do planeta pode influenciar a economia do meu país e gerar o desemprego de centenas ou milhares de vidas. Uma palavra mal-dita por um líder religioso ou um filmeco de terceira categoria feito por um estadunidense pode gerar o furor de toda uma nação teocrática (não nação no sentido geográfico apenas, mas toda uma “nação” sob os dogmas de uma religião que se sinta ofendida), gerando fanatismo, mortes, guerra e dor.

Hoje em dia não podemos mais “peidar sozinho na sala”: Pela infalível Lei de Murphy, alguém certamente vai entrar e sentir o cheiro. A velocidade com que a informação atravessa o planeta é assustadora e isso tem seu lado bom e seu lado ruim. Sempre ocorreram tsunamis, furacões, terremotos e erupções vulcânicas devastadores. A diferença é que nos dias de hoje vemos a transmissão destes cataclismos ao vivo pela CNN ou Globo News. Estamos – por mais que não queiramos – irremediavelmente interligados.

Os líderes globais ou locais tomam suas decisões e estas afetam diretamente nossas vidas e as vidas de nossos descendentes. Uma empresa lança uma nova tecnologia, um novo produto, uma nova forma de prestar um serviço e isso gera a quebradeira de diversas outras empresas que atuam no mesmo nicho, mas não conseguem acompanhar aquele desenvolvimento. Interesses pessoais, uma antipatia, um desejo de vingança, uma vaidade, uma posição contrária aos interesses de outrem respingarão nas vidas de quem estiver “por perto”.

Agora vem a pergunta: O quê estas idéias aparentemente desconexas tem a ver com o texto bíblico citado no início? Aparentemente nada a ver e até eu reconheço isso. Não estou “psicografando” o texto, isso apenas está vindo à mente enquanto quero focar o ponto de que toda e qualquer forma de liderança toma suas decisões, certas ou erradas, e estas decisões afetam a todos.

Qualquer um que tenha autoridade – em qualquer âmbito – pode decidir algo e o que for decidido pode nos afetar, nem que seja de tabela, mesmo que esta decisão não nos seja direcionada. Isso acaba gerando um clima de insegurança, nos deixa sem saber como será o amanhã. Sendo dramático, para alguns nem haverá amanhã! Lidar com este clima que me remete aos dias da Guerra Fria nos deixa extremamente inseguros. Tememos o desconhecido, tateamos no escuro, tremendo com a possibilidade de que algo apocalíptico nos aconteça.

Tentando minimizar a angústia que por vezes ficamos, lembro que Paulo nos aconselha a orarmos por todos os homens para que tenhamos dias tranqüilos:

“Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador”. – 1Timóteo:2:1-3

Entretanto, há momentos em que tememos mais do que deveríamos. Não somos “super-crentes”, somos humanos e falhos, acreditamos que Deus está no controle de tudo mas nossa fé por vezes se torna infinitamente menor que um grão de mostarda. Confesso que eu temo e creio ao mesmo tempo. O que me dá alento é que – por mais que homens estejam decidindo os destinos de nossas cabeças – eles não o fazem sem limites:

“E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: NENHUM PODER TERIAS CONTRA MIM, SE DE CIMA NÃO TE FOSSE DADO
. - João 19:8-10

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Força na fraqueza


“Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês. Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus”. - 1 Coríntios 2:1-5

Ser forte pela ótica do atual meio evangélico, o qual eu atualmente-e-glória-à-Deus-por-isso “me incluo fora dele”, significa – entre outras coisas – que detemos fórmulas mirabolantes para chantagear Deus, utilizando suas promessas de forma a obtermos tudo o que desejamos. Afinal de contas, basta pedir que nos será concedido, dar o dízimo para que o gafanhoto devorador voe longe de nossas plantações, não ficarmos doentes por Jesus ter levado sobre si todas as nossas enfermidades, e por aí vai longe...

Está lá, está escrito e pronto. Ele assinou e agora terá que cumprir. Senão, este Deus ou é fraco (por não conseguir atender nossos pedidos), é mentiroso (por falar algo que não faria), não nos ama ou, a pior das mentiras, só atende os filhos que não estão em pecado. Esta última, aliás, é uma das armas mais utilizadas nos púlpitos neo-pentencostais, a desculpa “bombril” que obviamente acaba funcionando com os fiéis que acreditam piamente em suas lideranças bispal-apostólicas-enganadoras...

Isso veio de supetão. Na verdade, quero focar outro ponto do conceito de forte e fraco. Noto com o passar dos anos na presença de Deus que muitas vezes falamos muito, mas MUITO mesmo sobre Jesus, seu poder, seus milagres, seu perdão, sua Graça e todas as virtudes possíveis e imagináveis, mas vivemos muito pouco desta realidade.

Falar é fácil e até um papagaio é capaz de fazê-lo de tanto ouvir algo. O que tenho visto e vivido, entretanto, é que o verdadeiro Evangelho não é algo que tem que ser falado, ele tem que ser VIVIDO diariamente, na prática, no comer e no beber, no andar e no parar, no se relacionar e se afastar. Cada ato nosso é a pregação do Evangelho que será ouvido com os ouvidos da alma. Bombardeio de informações nós sofremos por todos os lados, entrando por nossos ouvidos, olhos, poros, emoções. Todavia, uma pessoa vivendo uma vida em harmonia com Deus através de Cristo tem o poder avassalador de transformação, tanto em nós quanto nos que nos cercam.

Acho que é isso o que o apóstolo Paulo quer dizer em 2 Corintios 3:1-3:

“Começamos outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou, porventura, necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de vós? Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração”.

Talvez escandalize alguns, mas não é pelo muito falar, é por nosso estilo de vida, pelo nosso equilíbrio, por um conjunto de variáveis que na verdade nada tem a ver com legalismo, usos e costumes, fachada, aparente santidade. É algo muito maior, é algo vivo e pulsante, não cabe dentro de você, transborda e afeta todos que te cercam, de uma maneira ou de outra.

Quando vivemos assim, uma das últimas coisas que fazemos é o inverso do que fazíamos quando nos convertemos: Cada vez mais pregamos menos!!! Nos tornamos atraentes ou repugnantes para os que optam por se perder, ao mesmo tempo nos cercam para tentar decifrar que bom perfume é aquele que exalamos. A Palavra pregada mesmo só é dita na hora certa, sob as circunstâncias certas e na medida certa. Uma única bala, atirada diretamente no alvo.

O mais impressionante disso tudo que tenho experimentado é que isso acontece em momentos que acreditamos estar bem fraquinhos. É algo muito louco (o Evangelho é loucura, isso é fato.), pois agimos ou interagimos com outras pessoas muitas vezes sem nem ter em mente que estamos pregando o Evangelho e, quando nos damos conta, alguma coisa acontece e não falamos uma (lá vem jargão) “palavra rhema”, revelada, mas temos uma postura rhema, uma atitude rhema, um silêncio rhema, e isso faz TODA diferença para a vida daquele a quem o Senhor nos colocou em contato para que ELE agisse.

Loucura, heresia, blasfêmia. Podem falar e achar o que quiser de mim e do que estou escrevendo. Todavia vivo isso, tenho visto isso acontecer com outras pessoas. Alguns dos momentos mais produtivos que já tive e vi outros terem para o Reino de Deus foram em “momentos Jonas”, na barriga do peixe, sendo vomitado na praia, fedendo bile de baleia. Não é um paradoxo?

Assim somos fortes. Sem saber que fortes somos e não tentando impressionar com palavras humanas, ainda que recheadas de “evangeliquês”, nem com atitudes hipócritas. Somos fortes naqueles momentos em que todos consideram game over para nós, quando acham que estamos no fio da rabiola. Experimente...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eu com você ou eu CONTRA você?


"Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" - Amós 3:3

Esta interpretação não é minha, surgiu em um Cabra Macho Sim, Senhor, no site da Vem e Vê TV, quando Caio Fábio e o Mega-Bráulio discutiam sobre relacionamentos conjugais.

A postura de um cônjuge em relação ao outro era o foco. Em um determinado momento, eles disseram que alguns casais pareciam que não se relacionavam “um com o outro”, mas – sim – “UM CONTRA O OUTRO”.

E assim realmente tem sido visto em grande parte das relações, não só as entre marido e mulher, mas também na área profissional, comercial, al al al...

Na área que trabalho (logística) não tenho como coordenar tudo ao mesmo tempo, dependendo de terceiros, exportadores, importadores, parceiros, armazéns, caminhões, terminais de carga, armadores, despachantes, pessoas envolvidas na parte documental e financeira. Todos precisam estar afinados ou – na pior das hipóteses – ao menos esforçados para que um processo flua sem grandes entraves. Todavia, o que se vê é um monte de gente querendo que a coisa dê errada para poder te prejudicar.

São muitos interesses escusos. Parece que querem que você erre para poder colocar outra empresa em seu lugar, para te queimar, para ver você se ferrar. Minha área não perdoa erros. Recentemente, inverti dois dígitos em um documento e fiquei uma semana inteira negociando de joelhos para eu não pagar uma multa de 600 reais para corrigir e reemitir o documento. Quem deveria me atender e negociar a isenção da multa simplesmente se omitiu e disse não ser possível. Um outro funcionário, com muito menos bala na agulha, colocou o dele na reta e conseguiu a isenção.

Este é o ponto. Um executivo de contas que ganha dinheiro sobre nós não se esforçou para isentar. Um funcionário da documentação falou com aquela pessoa que o fulano anterior deveria falar e conseguiu. O primeiro só queria contar as verdinhas, literalmente (trabalhamos em dólares). O segundo prezou a relação de anos e colocou isso em prática.

Nos namoros, a mesma coisa. Nos casamentos, a mesma coisa. Nas famílias, a mesma coisa. Não andamos juntos, parece que queremos (não eu, falo como espécie humana) que o outro erre para ter assunto. Típico de pessoas medíocres. Como diz o ditado, “pessoas inteligentes conversam sobre idéias; pessoas normais conversam sobre coisas e pessoas medíocres conversam sobre pessoas”.

Qual o prato do dia? Cabeça de alguém? Não? Ah não, então não quero... Boas notícias não são notícias, más notícias é que são notícias que se vendem sozinhas e que rendem. Neste nível rasteiro, qual interesse alguém tem em falar que fulano está bem, mais bonito, se formou, casou e é feliz? O que dá Ibope mesmo é que fulano traiu cicrana, o filho de beltrano foi preso, caiu o avião e morreu todo mundo. O povão adora a bagaceira...

Acompanho muito de perto estes dramas. Dentro de minha família, na vida de conhecidos, pessoas se digladiando, lançando os pedaços nos liquidificadores e tomando o suco da infâmia. Vizinhos brigando e todo mundo com o copinho colado na parede para ouvir os detalhes mórbidos ao invés de dobrar o joelho e orar pela paz. Famílias desestruturadas, sociedades doentes, agonizantes...

O pior de tudo é que sabemos que isso seria assim. Na verdade, a tendência é que piore, pois lemos:

“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. – Mateus 24:12

Aos que ainda se importam em conciliar, amar, perdoar, curar, fica o próximo versículo:

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. – Mateus 24:13

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Fatos ou intenções?



"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno". – Mateus 5:27-30

Quero tratar de um assunto que me deixa profundamente frustrado, mas que – logo de cara – poderá dar tilt na cabeça de algumas pessoas, pois vou tirar o texto acima do contexto para mostrar os pretextos (adoro este jargão...) que muitos utilizam para interpretar erroneamente certas ações e reações perante coisas triviais que são feitas na inocência, mas quê vem carregadas de consequências nem sempre boas.

As intenções são infinitamente maiores que os fatos. Um bom exemplo disso é aquela criança de um ou dois aninhos que te chama de bobo. Eu, com 43 anos, falo palavrões muito mais cabeludos. Entretanto, um “bobo” vindo de uma criança é tremendamente mais ofensivo do que um “viadinho” dentro do contexto.

Hipocrisia? Não! Viadinho pode ser até uma maneira carinhosa de brincar com alguém. Todavia, “bobo” pode ser a palavra mais ofensiva que uma pessoinha possa conhecer. Aí entra o conceito aparentemente não mensurável (e lamento por quem não entender isso) da diferenciação radical entre os fatos e as intenções. E é aí que mora o problema...

Para quem tem estes conceitos claros dentro de si, o sofrimento emocional ao se ver envolvido em uma discussão sobre conceitos e não fatos é grande. Quantas vezes eu me vi na situação de estar discutindo que o que me motivou a ter determinada reação perante algo simples, tipo “o copo quebrou”? Como é uma merda você tentar explicar para “quem quebrou o copo” que você – na verdade – não está fazendo conta de um copo mas, sim, discutindo o que está por trás daquilo?

Quem não entende isso não entende o quê Jesus falou acima. O que importa para Deus não são exatamente os fatos, mas as intenções por trás deste. O que te motiva é muito mais importante do que o quê você fez ou deixou de fazer. Não adianta nada posar de certinho e não saber lidar com o que dentro de você está em ebulição, prestes a explodir. Não adianta a embalagem se não tem conteúdo de qualidade.

Como diz um colega de trabalho que brinca em relação àquelas meninas bonitas, mas que se acham as perfeições ambulantes em todos os quesitos, “pra quê tanta banca se a mercadoria é pouca?”. Em outras palavras, também tirando o exemplo do contexto imediato, qual a razão de você se preocupar em demonstrar ser algo muito maior do quê na verdade você é? A quem você quer agradar? A quem você quer enganar?

Quando a discussão entra no campo das idéias, dos conceitos, dos valores, do “o quê está por trás disso?”, a galera pira, diz que você é grosso, que pensa pequeno, que é mesquinho, que está fazendo tempestade em um copo d’água. E como isso soa como uma bomba explodindo no bom senso! Como diz o Gondim, bom senso não é exclusividade de gente inteligente. Bom senso é acessível a todos!

Qual a razão de tantos preferirem ficar boiando na superfície, sendo que existem profundidades maravilhosas para se mergulhar, onde estão os verdadeiros tesouros da vida e das relações humanas? Por qual razão as pessoas parecem que tampam seus ouvidos quando uma discussão entra neste nível? O pior: Cargas d’água fazem com que uma pessoa, quando você tenta explicar estes conceitos aparentemente abstratos, ache que você é um intolerante, radical?

Quem não passou por isso? Quem não se viu de repente tentando explicar que o quê te deixou contrariado com algo não foi o fato em si, mas, o que ele significava?

Me desculpem, estou sendo repetitivo. É que isso realmente me incomoda demais...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tolerância


Vou andar por um terreno pantanoso, mas estou incomodado com este assunto e preciso escrever...

Há aproximadamente quatro anos atrás, ouvi dizer que aqui no Brasil era possível conseguir uma cópia do Alcorão gratuitamente, bastando apenas entrar no site da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e fazer o pedido. Acessei o site e encontrei o link para solicitar minha cópia. Preenchi o cadastro e em menos de 20 dias estava recebendo em casa minha versão do Livro Sagrado muçulmano. Não pesquisei, mas não acredito que a Câmara de Comércio “Brasileira Árabe” teria um link no site árabe distribuindo Bíblias ou outro tipo de literatura religiosa nestes países...

Tentei ler na época e confesso que não consegui. Agora, quatro anos depois, vendo toda a turbulência que está acontecendo nos países muçulmanos após o “lançamento” do ridículo filme Innocence of Muslims (Inocência de Muçulmanos, em tradução livre), decidi voltar a ler o Alcorão para entender mais o que estava rolando. Eu, cristão (apenas para poder dar um “rótulo”), estou lendo o Alcorão com todo o respeito. Em meu braço esquerdo tenho tatuado o símbolo do Coexist, com a Cruz dos cristãos, a Lua Crescente dos muçulmanos e a Estrela de Davi dos judeus. Sou um sonhador...

Paralelo à leitura, andei fuçando o site da CCAB e notei que o link para solicitar uma cópia do livro não está mais disponível (ao menos não consegui encontrar). Olhei também alguns sites referentes à fé muçulmana e, resumindo, eles podem agir livremente nos países de maioria cristã, distribuindo seu livro, comparando e menosprezando o Evangelho e o Torá (veja este link). Já os cristãos e judeus...

Como diz o ditado: “Pau que dá em Chico também dá em Francisco”. Discordo totalmente de qualquer tipo de preconceito, principalmente os gerados por diferenças religiosas. Aliás, cada vez mais tolero menos a religião instituída. Esta tem sido a fonte de guerras desde os primórdios da humanidade. Dos cristãos e suas cruzadas no mundo árabe às jihads, mais precisamente – de acordo com o fragmento do texto encontrado no Wikipédia – “"Jihad Menor", descrita como um esforço que os muçulmanos fazem para levar a teoria do Islã a outras pessoas”.

A religião cristã, e não me refiro à relação pessoal com Jesus Cristo, mas – sim – ao esforço humano em fazer algo para se aproximar de Deus, está tão errada quanto o islamismo no quesito tolerância, respeito, co-existência. O ser humano tem esta tendência em querer empurrar goela abaixo suas crenças. Esta “catequese” em nada tem a ver com o “IDE e pregai” de Jesus.

Pode soar como inocência, pode parecer que perdi a noção do perigo, mas quero deixar registrada minha indignação crescente em relação a todo tipo de discriminação e preconceito. Eu tenho que saber conviver com meu próximo, seja ele ateu, espírita, muçulmano, cristão, judeu ou porra nenhuma, da mesma forma que tenho que saber conviver com o homo ou o heterossexual, com o branco, amarelo ou negro, com o corintiano ou com o palmeirense (aliás, deprimente o que aconteceu domingo passado no jogo entre São Paulo e Coritiba (time), em Curitiba (cidade), quando uma menina coritibana (torcedora do Coritiba) de treze anos, fã de Lucas do São Paulo, quase foi agredida pela torcida do time paranaense apenas pelo fato de ter pedido a camiseta deste jogador. Leia e veja o vídeo aqui).

Queria poder andar com a camisa de meu time sem medo de apanhar de uma torcida adversária. Queria ouvir dizer que as religiões acabaram e todos agora buscam a Deus sem se organizarem em guerrilhas fanáticas, não importando o lado que venha o fanatismo. Queria ver uma livraria vender lado a lado os livros sagrados de todas as doutrinas (sebo não vale, já é assim aqui) em um país “teocrático”, digamos assim. Ver as maiorias tolerarem as minorias, não ver o forte procurando empurrar goela abaixo do fraco seus pontos de vista. Queria que as diferenças fossem atraentes, assim como os pólos de um imã. Queria demais, mas este mundo jaz no maligno...

Poderia me estender mais, mas estou sem saco. Poderia escrever melhor, pesquisar mais, mas estou sem saco. É apenas um desabafo. Como costuma dizer o Caio Fábio, “bye bye planeta Terra”...



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ano do Jubileu


“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. (...); ...tempo de estar calado e tempo de falar”. - Eclesiastes 3:1,7b

Está sendo muito difícil voltar a escrever. Não se trata de tempo livre, pois sempre consegui intercalar minhas atividades aos momentos em que eu dedicava a este prazer que é escrever.

Assuntos não faltaram, insigts a cada conversa iam e vinham, mas nada de parar e sentar para escrever. Este texto, obviamente, está sendo escrito na marra e é muito repetitivo, pois já tratei deste assunto outras vezes. Entretanto, decidi analisar o quê vinha acontecendo para que não passasse para a palavra escrita o que se passava em meu coração.

Não sei se é uma desculpa, mas decidi espiritualizar o assunto. E o texto acima, de Eclesiastes, acabou servindo como meu álibi para escrever ou não escrever...

Creio eu que há momentos em que temos que recolher, reduzir, simplificar ou – apenas – viver o que está acontecendo, sem que isso tenha que ser compartilhado. São momentos pessoais, você e Deus, você e a pessoa que despertou o assunto, você e a Palavra. Nem tudo deve ser compartilhado.

Senti que uma espada estava desembainhada à minha frente, limitando meu espaço, bloqueando meu caminho para continuar. Inicialmente achei que era apenas uma entressafra como outra qualquer, mas esta passou a tomar proporções preocupantes, visto que meu último texto fora escrito em 5 de maio deste ano! Desde que inaugurei este blog, nunca fiquei tanto tempo assim sem escrever.

O problema estava em aceitar este ano do jubileu. Como acabei de pesquisar ao lembrar deste período, encontrei um texto sobre o Ano do Jubileu em um site e extraí a seguinte definição deste período:

“Antigamente, no Yom Kipur do qüinquagésimo ano, tocava-se o shofar na Terra Santa como sinal feliz da libertação dos escravos e o retorno de terrenos a seus donos originais.

A palavra jubileu vem do hebraico, yovel. Refere-se ao carneiro, cujo chifre foi usado para anunciar o ano festivo. Há comentaristas que oferecem mais uma explicação. Dizem que yovel vem do verbo hebraico "trazer de volta", pois os escravos voltavam a seu estado anterior de liberdade, não sendo mais servos de homens e sim apenas do Criador; e os terrenos também voltavam aos proprietários originais.

Além da contagem do ano de shemitá, de sete em sete anos, existe a contagem do yovel - o jubileu, que ocorre a cada cinquenta anos, no ano seguinte ao término de 7 anos sabáticos.

Para um agricultor judeu, é muito difícil não trabalhar os campos e pomares durante um ano inteiro, não podendo dispensar-lhes os cuidados adequados. Que dirá então o quão difícil é para ele não trabalhar a terra por dois anos seguidos! O sétimo ano de Shabat Shemitá e o seguinte, do jubileu.”


Assim ficou meu blog. No meu entendimento, um campo sem os cuidados adequados, deixando-me angustiado em querer dispensar algum tempo a ele.

Agora creio que voltarei a escrever, mas no momento oportuno. Neste intervalo, entendo que Deus tratou outros pontos comigo, os quais relatarei quando necessário.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Coração gelado...


"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros". - João 13:34-35

“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará”. – Mateus 24:12

“Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. – 1 João 4:8

Jesus sempre pediu coisas aparente simples, mas de uma profundidade tão grande que, muitas vezes, não conseguimos nem triscar. E amar é uma delas.

Dizemo-nos discípulos, filhos do Pai, salvos pela Graça, não necessariamente nesta seqüência. O problema é que – se somos filhos – temos irmãos. Como isso vem de longe, também temos primos, parentes distantes, amigos, conhecidos, desconhecidos, inimigos... Todos são criados por Deus, com pleno potencial de relacionamento pessoal com Ele, mas nem todos são fáceis de serem amados por nós.

Este meu raciocínio é ligeiramente bobo e egoísta, mas infelizmente verdadeiro, ao menos para mim. Não é fácil amar a todos da mesma forma. Eu não consigo amar um notório estuprador da mesma forma que amo minha mulher. Não imagino colocar ambos sentados um ao lado do outro na poltrona da minha sala enquanto desço ao mercado para comprar alguma coisa que falta na geladeira. Não dá, ponto.

Talvez alguém argumente: “Você não precisa tratar ambos da mesma forma, até Jesus tinha 12 discípulos, mas na hora do “pega-pra-capá” Ele sempre chamava os mesmos três, mais íntimos dEle”. Sim, concordo plenamente. Aliás, é assim que eu penso também. O que quero dizer é que não consigo amar a todos como Deus ama. Tratar da mesma forma então, nem pensar.

Por mais que admire as Madres Terezas, confesso que meu olhar para os considerados “escórias e parias” da sociedade os transforma em homens invisíveis. Confesso que passo ao lado como se não existissem. Se puder fazer de uma maneira discreta, atravesso a rua e vou pela outra calçada dezenas de metros antes de cruzar com eles.

Entretanto, quando leio uma notícia de que algum indigente foi encontrado morto na calçada por alguém ter ateado fogo nele, fico extremamente revoltado com a crueldade humana. Só tem um problema: Cada um mata seu próximo à sua maneira; eu ao ignorá-lo, o outro ao eliminá-lo. No fim das contas, porém, ambos fizeram a mesmíssima coisa.

Volto então para dentro de mim e procuro achar algo de bom, algo que me dê esperança, alguma fagulha da chama Eterna que possa me trazer algum alento, só que vejo que cada dia que passa esta brasinha vai se apagando. Temo pelo que está acontecendo. Me assusto ao confirmar na prática que, como está escrito, assim está se cumprindo.

O amor dentro de mim diminui a cada dia. Ao redor de mim, não me interessa fazer como fazia logo ao me converter. Onde parava, pregava. Não tinham alminhas perdidas que não merecessem alcançar a salvação, não tinha pecador tão vil que me fizesse passar batido, tudo era possível, pois o primeiro amor ardia dentro de mim.

Qual esperança há então, se olho no espelho e aparentemente começo a vislumbrar o velho homem que não se importava com nada que não fosse diretamente ligado ao próprio interesse? Aparentemente foram-se os tempos de inocência. Tenho a impressão que estou me tornando mais frio, menos compassivo, mais interessado em meus próprios problemas, menos tolerante com os que ao meu lado sofrem.

Sinceramente, sinto vontade de quebrar minha cara. Me envergonho desta situação, mas o que é mais paradoxal é que ela (a situação de esfriamento do amor) não é algo que fica explícito para todos, nem mesmo para mim! Quem me olha, acha que eu sou bacaninha e tal, parará-pa-pá... A treta é aqui dentro, este coração aqui, movido à Atenolol 50 mg, que me faz achar que dentro de mim existe um Smeagol e um Gollum em constante batalha entre o bem e o mal.

Como diz o ditado: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Quero gritar como fez Paulo, gritar contra a luta que se trava dentro de mim, minha natureza pecaminosa e o Espírito de Deus habitando aqui no meio deste terreno baldio que é meu coração...

“Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio e, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa. Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo, pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.

Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim, pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.
Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”
Romanos 7:15-24

Dependo totalmente da Graça de Deus em minha vida, pois, sem esta, estou totalmente perdido. Entretanto, podemos concluir esta batalha assim como Paulo o fez:

“Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado”. - Romanos 7:25

Nossa, viajei grandão, comecei falando de amar o próximo, amor se esfriando e Deus ser o próprio Amor. Agora, nem sei como terminar este texto... Pensando bem, sei sim, e este é o conselho do Senhor para todos os que se encontram como eu:

“Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido.

Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor.

Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar”
. - Apocalipse 2:2-5

Ainda não é tarde, e esta é minha oração...

PS: Este texto estava incompleto se não fosse o comentário da bispa Rê... imperdível!