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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Não consegui orar mas escrevi...



“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”


Romanos 8:22-28

Existem momentos em nossas vidas que estamos mergulhados em tantos problemas que apenas pela misericórdia de Deus não jogamos tudo pra cima, apertando o botão “foda-se tudo” e saindo por aí sem direção, deixando as coisas tomarem seus rumos aleatoriamente. Ficamos na maioria das vezes sem saber como agir mas, mesmo assim, algo não nos deixa simplesmente desistir de tudo.

Esboçamos alguma tentativa de reação, mas somos bombardeados por flashes de cada uma das situações que nos atormentam, de forma que não conseguimos articular o raciocínio para priorizar situação A ou B. Ao pensar em um problema, outro salta na frente gritando que ele é mais urgente. De repente, parece que o caminhão basculante vira sua caçamba sobre nossas cabeças e somos soterrados vivos, agonizando...

Sem ar, sem perspectiva e sem direção clara, procuramos manter a sanidade. Se abrirmos a boca para pedir, gritar ou clamar, o som não sai de nossas bocas. Então nos calamos, engasgados, sufocados. Pensamos e até tentamos orar, mas a única oração que sai vem da alma magoada pela dureza da vida é resumida em um gemido, um grunhido ou – no máximo – um “meu Deus.. em nome de Jesus... ai...”

Gemendo e chorando por dentro, somos obrigados a aparentar que ainda estamos conscientes e no controle da situação para não assustar quem nos rodeia. Por algumas leis formalmente não estipuladas de convivência fingimos que está tudo sob controle mas não está e deixamos isso transparecer de alguma forma, seja pela reação desproporcional, seja por uma palavra atravessada e fora do contexto.

Quem nos rodeia e nos conhece um pouquinho mais até percebe que algo está errado. Entretanto, elas também estão travando suas batalhas e humanamente falando a melhor opção é fingir que não viu. Pensando bem, quem na verdade quer ouvir lamentos e ajudar a carregar os fardos uns dos outros?

Assim, entendemos que todos estão além de seus limites, verdadeiros barris de pólvora ambulantes, loucos para explodir ao esbarrar em alguém. Todos estão gemendo por dentro, todos estão sofrendo, mesmo aqueles que parecem que a vida está voando tranquilamente em céu de brigadeiro, em velocidade de cruzeiro e no piloto automático.

Por qual razão este assunto está tão recorrente? Por mais que queira, olho para minha vida, olho ao redor e somente vejo sofrimento e dor dentro de cada um! Não interessa a fachada, não interessa a roupa nova, o bom corte de cabelo, o make-up, o bundão ou o bração tatuado e malhado: T-O-D-O-S estão gemendo, aguardando a redenção (não tão) pacientemente, mas – apenas – por falta de opção! Sei que não estou louco, sei que mais pessoas sentem, respiram e vivem esta realidade, tendo este discernimento!

Agora falo apenas por mim: Enquanto isso, faço apenas o que consigo fazer, na velocidade que me é permitida, tendo que avançar quando possível, retroceder quando necessário, parar e esperar quando não houver nenhuma outra opção, gemendo baixinho... Se eu vacilar um pouquinho e escorregar um milímetro que seja caio no fio da navalha. Travo os dentes, prendo a respiração e procuro fluir como a água, procurando os caminhos possíveis, não necessariamente os melhores caminhos, ao menos no meu entendimento, nas minhas necessidades imediatas...

Senhor, me entenda mesmo sem poder falar, apenas pelo meu silencio, por meu gemido, por minhas lágrimas. Na verdade eu sei que o Senhor entende, eu estou pleno de certeza disso, a certeza que vem de Seu Espírito em mim, me ajudando em minhas fraquezas. Não sei como pedir, mas sei que o mesmo Espírito que aqui dentro está intercede por mim. Sei que todo este aparente caos está totalmente sob o seu controle.

Sei que o Senhor também sofre comigo, não me foi prometido nada diferente disso quanto as escamas que cobriam meus olhos caíram e eu entendi o que significava te amar e te servir plenamente. Pai, fica comigo, fica conosco, segura nossas mãos e não nos deixe sentir medo ou solidão enquanto atravessamos tudo isso, em Nome de seu Filho Jesus...

Reações:

3 comentários:

  1. Então, pastor...
    A gente sabe na teoria, mas quando nos é posto à prova na prática, sabemos o quanto somos fracos.
    A parte boa (boa não, excelente, maravilhosa!) é o paradoxo dessa fraqueza tornar-se força na perspectiva divina.
    Força na peruca!!!
    bjssss

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  2. Minhas orações tem sido 'ais' e outros gemidos inexprimíveis.

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...