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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Eu creio mas tenho medo oras!


“E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio Senhor... Ajuda a minha incredulidade!”
Marcos 9:23-24

Hoje eu creio. Não cri sempre, mas fui obrigado à aprender a crer à medida que minhas possibilidades humanas, minhas estratégias, minhas recontextualizações mostraram-se ineficazes. Na prática, fui colocado na ladeira e me empurraram para aprender na marra.

Mesmo tendo visto milagres acontecendo ao meu redor, mesmo tendo orado por situações pessoais e de terceiros e visto a mão de Deus agindo poderosamente, na hora em que o problema está em seu clímax, quando estamos no olho do furacão, nossa fé é posta à prova e trememos.

Paradoxal, podem dizer. Crer acaba sendo um dom dado por Deus, mas – mesmo assim – cremos no meio de nossa própria incredulidade. Comparo o “medo em crer” com a sensação que temos quando ficamos na fila da montanha russa por horas, sentamos na cadeira e, na hora que o carrinho começa a subir, gritamos feito desesperados à cada descida, cada looping, cada emoção, por mais que acreditemos que o brinquedo é "seguro".

Da mesma forma, quando sentamos na poltrona de um avião e passamos por todas as instruções dadas pelos comissários de bordo quanto às medidas de segurança, apertamos os cintos e o avião taxia na pista, sendo disparado a mais de 250 km por hora na hora da decolagem. Quem garante que a aeronave sairá do chão no tempo certo? E na aterrissagem então? Ali sim, é a hora que eu mais temo! Será que os trens de pouso não sofrerão nenhum tipo de avaria? Será que a pista será longa o suficiente (quem usa o Santos Dumont e Congonhas sabe do que falo...) para que o reverso das turbinas sejam acionados e o grande pássaro de metal pare em segurança?

Nem por isso deixo de andar de montanha russa nem de voar. Algo dentro de nós diz que o brinquedo não vai quebrar logo na nossa vez, mesmo com o histórico de acidentes. Igualmente voar. Apesar de aviões terem um baixíssimo nível de acidentes, estes acontecem, mas cremos que não será em nosso vôo.

Este medo natural é por nosso instinto de sobrevivência. Somos humanos e espirituais. Conhecemos nosso Deus e sabemos que Ele está no controle de tudo, mesmo sabendo que as contingências da vida acontecem a todo momento ao redor do mundo. Não é pelo fato d’eu andar com Jesus que significa ter um seguro contra as contingências da vida. Ateus morrem da mesma forma que os que crêem, e não é por isso que deixaremos de crer.

Em outras áreas de nossa vida também temos esta certeza de que Deus está no controle de tudo, mas que – ao mesmo tempo – ficamos como quem pula de pára-quedas, aguardando que ao puxar a cordinha o bichinho abrirá como sempre. As guinadas que nossas vidas costumam dar, a incerteza sobre o trabalho, o sustento, a saúde, a segurança. Todos nós cremos que não ficaremos na mão, ao mesmo tempo que tememos.

Não acredito que Deus fique chateado conosco. Ele sabe que cremos, mas também sabe que somos pó, humanos imperfeitos, mas nem por isso deixa de nos inspirar para tomarmos as melhores decisões, providenciar livramentos quando precisamos, trazer uma provisão inesperada, uma cura...

Eu creio. Sei que “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11.1), mas tenho SIM medo de ficar na mão, do avião não decolar, de perder algo que considero uma fonte de segurança ou sustento. Creio a ponto de crer (perdoe-me pela redundância, mas acho que aqui cabe) que Ele nos entende em nossas limitações. E, só assim, posso avançar como o pai do menino, crendo e pedindo para ele suportar minha incredulidade. Afinal de contas, não tenho como evitar o frio na barriga na hora que desço em alta velocidade na montanha russa da vida...


Reações:

2 comentários:

  1. Boa alusão João... Acredito bem parecido com você. Creio que essa fé (que é sã) nos mostra que devemos fazer, mesmo quando alguma coisa lá dentro parece dizer que não...

    Acabei de comentar lá no Susto que essas coisas, apenas a experiência de quem caminha pode exprimir!

    Saudades, abraços!

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  2. No caso da vida é mais interessante ainda: é uma montanha russa que você é obrigado a entrar na marra!!!!

    Abração!!!

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...