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sábado, 16 de abril de 2011

Peita mesmo!!!


“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão.”Mateus 18.15

Todo mundo acha que crente é bobo. Quem acha isso, infelizmente, está... CERTO. Sei que esta afirmação terrível (risos) poderá magoar 13,78% dos meus leitores, mas quero que saibam que crente é bobo sim.

Digo isso pois aprenderam a “interpretar” as Escrituras não pelo contexto geral e por sua relação pessoal com o Espírito de Cristo, mas sim pela forma (ah, as malditas formas...) que foram catequizados (sim, expressão utilizada no contexto dos portugueses chegando no Brasil e enfiando RELIGIÃO goela abaixo nos nativos) pelos líderes religiosos que procuram controlar seu rebanhos de ovelhas apenas visando a tosquia e o abate.

Entre ser crente (faz bem em creres, até o diabo crê e treme...) e ser CRISTÃO existe um abismo indigesto para estes, pois ser cristão não tem nada a ver com ser crente.

As primeiras pessoas a serem chamadas de cristãs assim o foram pelo fato de serem parecidas com Jesus Cristo e não por seguirem um pacote de usos, costumes e preceitos religiosos.

Por este ângulo, ser cristão envolve muita rebeldia, revolução e quebra de paradigmas, principalmente contra o câncer religioso.

Como já disse baseado nas Escrituras (e não estou afim de procurar o texto, só me lembro que se encontra no livro de Atos dos Apóstolos), ser cristão é ser parecido com nosso Senhor Jesus e não parecido com o quê estereotiparam a respeito dos verdadeiros discípulos do Mestre.

Ser cristão é ser muito punk, e ser contracultura, principalmente a cultura religiosa. Basta ver algumas estripulias que Jesus cometeu em seu tempo aqui na Terra.

O Cara transformou água em vinho numa festa de casamento e curtia muito as duas coisas: Tanto o vinho como as festas. Chutou o balde na porta da Universal, quero dizer, no templo ao ver os mercadores enganando os judeus devotos que ali levavam seus holocaustos e eram enganados pelos vendilhões do templo. Foi chamado do comilão e bebedor de vinho, amigo de prostitutas, pecadores, publicanos e todas as outras consideradas catrevas da época.

Para piorar, disse que não veio trazer paz à Terra, pelo contrário, veio trazer divisão entre pai e filho, entre nora e sogra (esta é fácil, em qualquer combinação que queiram fazer, invertendo os sexos e a hierarquia), disse que teríamos que comer de seu Corpo e beber do seu Sangue, deixou um pequeno momento de intimidade entre os verdadeiros seguidores como instituição para lembrar de seu sacrifício vicário (em outras palavras, fazer uma reunião informal entre os amigos regada a pão e vinho), entre outros inúmeros atos que seriam considerados como motivo de exclusão de uma porrada de denominações por aí afora.

Sei que para a grande maioria dos “crentes”, é difícil chupar esta manga. O problema é que não podemos assistir tudo o que rola por aí como ovelhas mudas que vão para o matadouro.

Com isso posto, chego agora onde queria chegar (isso foi só uma introdução, mas Papai está mandando eu escrever e à Ele eu obedeço... então TOOOOOOMMMMMEEEEEE!!!!!).

O motivo inicial deste post foi algo que aconteceu com a Cilene esta semana: Ela está trabalhando no plantão noturno de uma grande rede hospitalar aqui do Rio e, durante este plantão, os técnicos de enfermagem podem fazer um revezamento de soneca de três horas, divididos entre meia noite às três da manhã e das três até as seis, uma hora antes do término do plantão.

Ao se dirigir ao primeiro turno de cochilo, uma funcionária antiga, mal amada, cheia de vontade de ser chefe que iria dormir no segundo turno disse às meninas que iam dormir:

“Vão para a sala “xis” e não à que sempre vão pois haverão vários partos normais nesta sala (xiiiii, acho que entreguei o hospital) e não vou conseguir dormir se for na “xis” pois ela é do lado da sala de partos e as grávidas fazem um escândalo desgraçado.”


Entretanto, ao passarem na sala onde sempre dormem, estava tudo pronto para recebê-las. Como todas elas estavam viradas e cansadas, resolveram ficar por lá mesmo.

Ao deitarem, todas desmaiaram e só acordaram pelo despertador que uma delas colocou para serem rendidas pela próxima leva de funcionários.
Ao saírem da sala, porém, esta funcionária que falou para dormirem na outra sala pegou a Cilene de canto e disse com todas as letras:

“Não falei que era para vocês dormirem na outra sala? ATÉ MEU CACHORRO ouve mais do que vocês!”

Pela agressão, talvez motivada pelo fato da Cilene ter menos de três meses neste hospital ou por uma tremenda falta de “consolo” que ela vinha sofrendo à décadas (ou tudo junto e misturado mesmo), meu amorzinho simplesmente travou, ficando sem resposta.

Ao chegar em casa, super amuada, ela me contou...

O problema é que eu tenho sangue no zóio e odeio injustiças. Conversamos (resumão) e disse à ela que ela deveria peitar a mal amada na primeira oportunidade.

Hoje à tarde, ao voltar da faculdade (16 horas, nobody deserve...), ela estava deitada no sofá angustiada, pois seria a primeira vez que ela encontraria a jovem criatura pela frente, com a missão de colocá-la em seu devido lugar.

Disse a ela pra ficar tranqüila, pois o Senhor era com ela e ela saberia dizer exatamente o que ela deveria ouvir.

Há uma hora, meu amorzinho ligou, dizendo que tinha acabado de conversar com a fulana, mencionando boa parte do que tínhamos conversado antes. Algo do tipo:


“Fulana, devemos conversar sobre o que aconteceu no plantão passado. Você me colocou abaixo de seu cachorro com seu comentário infeliz seu que eu seja. Logo de cara existe uma diferença básica entre ele e eu: Seu cachorro recebe ração de você, você leva ele para o pet-shop para ser cuidado banhado e tosado, leva para passear e, acima de tudo, é um ser irracional. Nós, as meninas que você agrediu através de mim, somos apenas colegas de trabalho.

Quero que você nos respeite primeiramente como seres humanos, depois como cidadãs e colegas e trabalho. Não merecia ser o bode expiatório para sua raiva e quero que fique claro que este tipo de situação nunca mais deverá acontecer...


Resumindo (só agora, rerê) a “agressora“ foi pega de surpresa pois não esperava este tipo de reação da Cilene. Pediu desculpas, disse que estava precisando de férias e nunca mais faria aquilo.

Fiquei orgulhoso de meu amor. Fiquei muito mais feliz ainda com a Palavra de Deus, que nunca volta vazia. Muito mais elevado à enésima potência pelo fato de Jesus ser O Cara que Ele foi, é e sempre será, indigesto para muitos mas extremamente amoroso e bom, zelando por suas ovelhas e nos dando exemplo de como devemos ser CRISTÃOS aqui neste mundo tenebroso...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tem hora que é melhor não fazer nada...


"O beduíno quando está caminhando pelo deserto e é surpreendido por uma tempestade de areia não tenta voltar correndo para sua tenda para se abrigar. Se fizer isso ele certamente se perderá, pois as dunas mudam de lugar constantemente, não servindo de referencial. Se ele se arriscar segui-las, certamente morrerá. Para se proteger, ele para exatamente onde está, se cobre com sua capa e deixa a areia cair. Quando a tempestade termina, ele se levanta, sacode sua capa, se localiza pelo sol, lua ou estrelas e volta a caminhar até sua tenda, em segurança".


Quem costumava falar isso era o pastor Ricardo Bitun. O conheci ainda na época que ele era o segundo pastor da Igreja Betesda em São Paulo, um grande irmão, quase um paizão para mim.

Lembrei-me deste causo depois de uma breve conversa com uma colega de andar aqui onde trabalho. Ela me perguntou se iria viajar no carnaval. Disse que não, não estava a fim de viajar. Em uma fração de segundo, tentei imaginar o que estaria a fim de fazer. Não estava a fim de ficar no Rio, não estava a fim de ir a algum lugar, não estava a fim de dormir, não estava a fim de ficar acordado, não estava a fim de trabalhar, nem de descansar, nem de ir pra academia, muito menos de... Caramba! Estranhamente descobri que não estava a fim de fazer NADA!

Você também fica assim? Momentos em que nada te satisfaz?

Creio que seja a insatisfação de Eclesiastes com a futilidade que a vida se transforma de tempos em tempos. Momentos que a melhor atitude a se tomar é não tomar nenhuma atitude.

Isso é estranho pra mim, pois creio ser hiper ativo. Mas quando sinto esta bola de ferro presa em meus pés nada me satisfaz. Até fazer nada enche o saco. É aquela sensação de estar de pé em ônibus lotado, parado no “trânsito infernal desta megalópole” (como diria o motoboy “Jackson Five”, personagem do Marco Luque do CQC) em dia de chuva, com as janelas fechadas. Resta o quê a ser feito? Agüentar o desconforto, a irritação e a impotência quieto, resignado.

Fazer como Davi fez quando viu Saul dando um barro na caverna em que ele estava escondido: Ficar quieto, agüentar o cheiro e não poder fazer nada! (quem comentou esta passagem dessa maneira foi o pastor Silmar Coelho, risos...)

Se tentar fazer alguma coisa num momento de extrema sensação de ‘cozimento’ como essa vai fazer caquinha. Se for obrigado a fazer algo possivelmente vai comer cru e quente.

(Nota: Aff, to cheio de exemplos idiotas para falar sobre isso, um verdadeiro ‘parabólico’. É que estou escrevendo do jeito que estou pensando e minha mente hoje está muito adubada...)

Continuando. Tentar agir num momento de incerteza e imobilidade me fez lembrar daquele filme, “Mar em Fúria”, quando os pescadores mandam arrumar o sistema de refrigeração do barco, saem em alto mar para pescar, entopem os porões com uma quantidade absurda de peixes mas descobrem que o sistema de refrigeração ainda estava com o mesmo defeito de antes. Devendo horrores, próximos a perderem o barco e com a chance de pagarem todas as suas dívidas com a venda da preciosa carga a bordo, resolvem voltar, mesmo contra uma tempestade monstruosa que se formava em seus caminhos. O título do filme e a lógica dos fatos apresentados já podem fazer vocês imaginar o que aconteceu com eles...

É isso que dá. Tem hora que é pra ficar parado mesmo, sentindo o mal cheiro, apertado, impaciente, morrendo de calor, coberto pela tempestade de areia.

O importante é não se esquecer que uma hora ela vai passar. Aí você volta a ver as coisas como elas realmente são.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A casinha de vidro


Como diz a música to Toquinho, “era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...”.

Assim era a casa que eu morava. Próximo ao mar, com uma vista maravilhosa, cercada por todos os lados por pedras que há séculos eram banhadas pelas ondas do mar que insistentemente tentavam em vão ultrapassar os limites naturais impostos pelo Criador.

A sensação de não ter teto nem ter nada vinha do fato dela ser feita toda de vidro. Uma construção impressionante, que por simplesmente existir deixava o mais incrédulo dos homens começando a crer que aquilo não poderia ser obra feita por mãos humanas.

Ao passar pela porta da casa algo mágico acontecia, mas creio ser difícil explicar: A sensação que se tinha era a de que a casa ou diminuía de tamanho, ajustando-se a você e a quem mais estivesse dentro gerando uma sensação de proteção e conforto ou todo mundo que entrava nela crescia em tamanho, fazendo com que os espaços vazios fossem preenchidos por nossa presença, mas sem a sensação de claustrofobia que um fato insólito como este poderia criar.

Pelo fato de ser toda de vidro (digo vidro por não ser capaz de definir aquele material com a palavra apropriada), de lá de dentro tinha a visão privilegiada de tudo o que acontecia no mar. A natureza transbordava sua beleza diante de meus olhos a cada momento, e vivia em perfeita paz e harmonia com a Criação.

Um dia, porém, estava lá sem fazer nada quando subitamente ouvi um vento muito forte. Olhei para o céu e o mesmo estava escurecendo rapidamente. Pessoas gritavam nas proximidades e corriam desesperadamente em direção contrária, como que fugindo de algo assustador. Senti um frio na espinha.

Por instinto, desviei meu olhar das pessoas em pânico e olhei para os lados das franjas do mar tentando descobrir de quem eles fugiam em desespero. Qual foi meu pavor ao ver que o mar encapelara-se como um gigante, despencando dos céus em grande fúria, numa velocidade espantosa. Minha casa de vidro seria engolida, bem como tudo que estava ao redor.

Aquela proteção natural das rochas se tornara insignificante perante ele, descendo com toda sua sede de destruição. Como a casa estava ajustada ao meu tamanho, tive tempo apenas de gritar “meu Deus!” e instintivamente me deitei, costas no chão e pés para cima, apoiando o telhado de vidro.

As águas despencaram sobre a casa. Na verdade tudo ao meu redor foi engolido pela fúria do gigante Ulmo*, que por alguma razão agia como que se estivesse buscando vingança contra algum inimigo que desconhecia até então. Senti o impacto das águas no vidro que se encontrava em meus pés. Flexionei as pernas e recebi forças suficientes para agüentar a tentativa de saque que a natureza estava tentando fazer.

Ao baixar as águas encontrava-me ainda ofegante e assustado. Demorou poucos segundos, mas foi como se o relógio tivesse parado e aqueles segundos tivessem sido eternizados.

Olhei ao redor e ainda pude ver o monstro retrocedendo, arrastando casas, árvores, vidas. Os gritos cessaram. Olhei ao céu e vi que o mesmo clareara novamente. Após muito receio, decidi abrir a porta e sair. Vi pessoas amadas ainda lutando desesperadamente, agarradas aos últimos fiapos de esperança. Resgatei uma, parecia alguém muito amado, mas não reconheci seu rosto.

Outros que tinham casas como a minha saíram também, e pude ver minha amada saindo e correndo até as pedras para ver melhor o retorno de Ulmo até seu reino. Corri até ela e a puxei de volta, repreendendo-a severamente. Num momento desses não devemos nos expor ao risco desnecessariamente, pois nada na verdade dizia que a fome do gigante estava plenamente saciada.

Sua sede por um juízo e acerto de contas com a humanidade poderia não ter sido concretizada. Em respeito ao inimigo ela me entendeu e passou a ser mais cautelosa desde então.

Sobrevivemos a este primeiro ataque, mas nada garantia que aquilo não votasse a acontecer. Nosso reino não era mais seguro como antes. O encanto parecia haver acabado. Mesmo com tudo belo ao nosso redor, sentíamos que éramos vigiados pelo monstro, que a qualquer momento de descuido poderia voltar. E ele voltou.

Desta vez porém, uma janela da casa estava aberta. Ele veio engolindo tudo e tive tempo apenas de fechá-la, tendo já muita água por todos os lados. Mesmo assim consegui interromper o processo. Não foi por minha força, nem muito menos merecimento. Na verdade merecia ter sido engolido desta vez por não estar vigilante.

A Graça me tocou. Arranhado moralmente pelo descuido mas salvo mera e exclusivamente pela infinita misericórdia do Senhor.

Tem sido assim...

Este é um sonho que freqüentemente tenho, ora eu estou blindado, ora pego de calças curtas, mas sempre conseguindo manter minha casinha de vidro em pé. Muitos outros somem, alguns morrem, mas os que estão dentro de suas casinhas de vidro conseguem permanecer vivos.

Este sonho frequente me alerta para muitas coisas. Tirem suas conclusões...

*A respeito de Ulmo, ele é utilizado em meu relato apenas por ser o senhor das águas na mitologia criada por Tolkien (autor de - entre outros - a trilogia de "O Senhor dos Anéis"). Ulmo na verdade é amigo dos Elfos, anões e homens. Faz justiça apenas contra os inimigos do bem, digamos assim. Abaixo um breve resumo, estraído do site Wikipédia, a enciclopédia livre:

Ulmo, nas obras de Tolkien, era o vala das águas, defendia a liberdade de elfos, único dos Valar que não se casou. Ajudou na construção de Gondolin e mandou notícias de sua queda. Raramente saía do mar, tinha três servos que o ajudavam com as ondas do mar: Ossë, Uinen, e Salmar.

Trecho de "O Silmarillion"

“Ulmo é o Senhor das Águas. Ele vive só. Não mora em lugar algum por muito tempo, mas se movimenta à vontade em todas as águas profundas da Terra ou debaixo dela. Seu poder só é inferior ao de Manwë; e, antes da criação de Valinor, era seu melhor amigo. [...] não gosta de caminhar sobre a terra e raramente se dispõe a se apresentar num corpo, como fazem seus pares. Quando os Filhos de Eru o avistavam, eram dominados por intenso pavor; pois a chegada do Rei dos Mares era terrível, como uma onda que se agiganta e avança sobre a terra, com elmo escuro e crista de espuma, e cota de malha cintilando do prateado a matizes do verde. As trompas de Manwë são estridentes, mas a voz de Ulmo é profunda, como as profundezas do oceano que só ele viu. [...] Ulmo ama elfos e homens e nunca os abandonou, [...] subindo por braços de mar para aí criar música com suas grandes trompas, as Ulumúri, que são feitas de concha branca pelo maia Salmar; e aqueles que a escutam, passam a ouvi-la para sempre em seu coração, e o anseio pelo mar nunca mais os abandona.”

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tem hora que é melhor não fazer nada!


"O beduíno quando está caminhando pelo deserto e é surpreendido por uma tempestade de areia não tenta voltar correndo para sua tenda para se abrigar. Se fizer isso ele certamente se perderá, pois as dunas mudam de lugar constantemente, e morrerá. Para se proteger, ele para exatamente onde está, se cobre com sua capa e deixa a areia cair. Quando a tempestade termina, ele se levanta, sacode sua capa, se localiza pelo sol, lua ou estrelas e volta a caminhar até sua tenda, em segurança".


Quem costumava falar isso era o pastor Ricardo Bitun. O conheci ainda na época que ele era o segundo pastor da Igreja Betesda em São Paulo.

Lembrei-me deste causo depois de uma breve conversa com uma colega de andar aqui onde trabalho. Ela me perguntou se iria viajar no carnaval. Disse que não, não estava a fim de viajar. Em uma fração de segundo, tentei imaginar o que estaria a fim de fazer. Não estava a fim de ficar no Rio, não estava a fim de ir a algum lugar, não estava a fim de dormir, não estava a fim de ficar acordado, não estava a fim de trabalhar, nem de descansar, nem de ir pra academia, muito menos de... Caramba! Estranhamente descobri que não estava a fim de fazer NADA!

Você também fica assim? Momentos em que nada te satisfaz?

Creio que seja a insatisfação de Eclesiastes com a futilidade que a vida se transforma de tempos em tempos. Momentos que a melhor atitude a se tomar é não tomar nenhuma atitude.

Isso é estranho pra mim, pois creio ser hiper ativo. Mas quando sinto esta bola de ferro presa em meus pés nada me satisfaz. Até fazer nada enche o saco. É aquela sensação de estar de pé em ônibus lotado, parado no “trânsito infernal desta megalópole” (como diria o motoboy “Jackson Five”, personagem do Marco Luque do CQC) em dia de chuva, com as janelas fechadas. Resta o quê a ser feito? Agüentar o desconforto, a irritação e a impotência quieto, resignado.

Fazer como Davi fez quando viu Saul dando um barro na caverna em que ele estava escondido: Ficar quieto, agüentar o cheiro e não poder fazer nada! (quem comentou esta passagem dessa maneira foi o pastor Silmar Coelho, risos...)

Se tentar fazer alguma coisa num momento de extrema sensação de ‘cozimento’ como essa vai fazer caquinha. Se for obrigado a fazer algo possivelmente vai comer cru e quente.

(Nota: Aff, to cheio de exemplos idiotas para falar sobre isso, um verdadeiro ‘parabólico’. É que estou escrevendo do jeito que estou pensando e minha mente hoje está muito adubada...)

Continuando. Tentar agir num momento de incerteza e imobilidade me fez lembrar daquele filme, “Mar em Fúria”, quando os pescadores mandam arrumar o sistema de refrigeração do barco, saem em alto mar para pescar, entopem os porões com uma quantidade absurda de peixes mas descobrem que o sistema de refrigeração ainda estava com o mesmo defeito de antes. Devendo horrores, próximos a perderem o barco e com a chance de pagarem todas as suas dívidas com a venda da preciosa carga à bordo, resolvem voltar, mesmo contra uma tempestade monstruosa que se formava em seus caminhos. O título do filme e a lógica dos fatos apresentados já podem fazer vocês imaginar o que aconteceu com eles...

É isso que dá. Tem hora que é pra ficar parado mesmo, sentindo o mal cheiro, apertado, impaciente, morrendo de calor, coberto pela tempestade de areia.

O importante é não se esquecer que uma hora ela vai passar. Aí você volta a ver as coisas como elas realmente são.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Déjà Vu


Eu estava parado em frente ao prédio. Cigarro aceso (de vez em quando eu faço isso, não me pergunte por que...), entre um trago e outro apareceu um menino com não mais que quatro anos que se dirigiu a mim dizendo:

“Amarra esta linha numa pedra pra mim!”

Respondi ao menino:

“Já amarro pra você, só um minuto”.

“Amarra agora!”

Não foi um pedido, foi uma ordem. Arrepiei-me todo. Já tinha passado por situações parecidas. Olhei ao lado e vi que seus pais estavam retirando o adesivo de venda de um Audi preto recém comprado.

Olhei nos olhos do menino, endureci e respondi:

“Não. Vou acabar de fumar primeiro e depois eu decido se amarro ou não”.

“Joga este cigarro fora agora e amarra a linha pra mim!”

Ignorei.

“Joga o cigarro fora e amarra a linha pra mim!”

Respondi:

“Não vou mais amarrar a linha para você”, e olhei novamente para os seus pais, a menos de três metros de nós, ouvindo aquela conversa mas aparentando achar aquela situação normal.

Ele disse:

“Joga este cigarro naquele carro para ele pegar fogo!”

Fiz que não ouvi...

“Joga agora!”

“Não!” respondi.

“Então joga o cigarro no carro do meu pai para ele pegar fogo!”

Olhei novamente para seus pais, olhei nos olhos do menino e disse:

“Eu não vou fazer nada do que você está pedindo”.

Seus olhos faiscavam. Ele se irritou. Eu me controlei, mas me mantive firme até ele sair.

Vocês podem perguntar mil coisas, não entender tantas outras, pensar o que quiser de mim, mas sei o que aconteceu ali.

Não era a primeira vez que tinha encontrado o Diabo assim.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O filho da dona Maria e o churrasco na laje


Vou contar um causo que aconteceu a muitos anos atrás com um brother meu, o filho da dona Maria. Antes porém, deixe eu apresentá-lo.

Ele nasceu num barraco na periferia de uma cidade qualquer. Cresceu quase que anonimamente, aprendeu a trabalhar com o Zezinho, seu pai e se tornou um jovem super bacana, apesar das dificuldades.

Desde pequeno mostrou ter uma inteligência acima do normal. Todos que o conheciam ficavam impressionados com seu QI acima da média mas, por incrível que pareça, ele não era um babaca não. Ele era o que se chama em inglês de “fun to be with”, algo como “legal de se estar com”. Gente de QI alto normalmente tem muita dificuldade em se relacionar, mas ele era um cara que tinha uma facilidade em atrair as pessoas como poucos. Fazia amizade fácil, todo mundo gostava de segui-lo. Do mais simples ao mais culto, ele tratava todos da mesma forma. Só não tinha muita paciência com os hipócritas, que diziam uma coisa mas viviam outra.

Ele costumava andar por aí, ajudando os outros. Um dia encontrou um cara que estava com problemas para enxergar. Arrumou seus óculos sem cobrar nada e ele voltou a ver normalmente. Outro estava com tendinite e ele deu um jeito de estender sua mão de forma que não sentisse mais dor. Trombou com um carinha que tava meio nervoso, quebrando tudo que via pela frente, trocou uma idéia com ele e descobriu que tinha uns elementos que estavam infernizando vida dele. Foi lá, intimou os caras e eles pararam de pentelhar com o rapaz. Caíram fora, literalmente. (Na boa: Se eu for falar tudo o que o filho da dona Maria já fez de bom não vai caber neste post não...)

Além de fazer, ele falava muitas coisas legais, mas os hipócritas estavam com muita inveja de tudo o que ele estava dizendo. Achavam que ele estava se achando ‘o cara’, o ‘filhinho do papai’ e estavam querendo enquadrar ele. Mas isso eu falo depois. Comecei a escrever pensando numa balada muito louca que o filho da dona Maria foi. Quem contou esta fita foi o João. Era um casamento, a laje lotada de gente comendo churrasco e tomando cerveja. Muito animados, não se deram conta que nem tudo estava bem. De repente estoura a bomba: Acabou a cerveja!

O que fazer? Dona Maria tava lá também, e chamou seu filho para avisar que não tinha mais cerveja. Ele estava trocando idéia com seus amigos e não gostou muito de sua mãe vir falar aquilo pra ele. Além do mais, ele não andava com dinheiro do bolso. De qualquer maneira ele pediu que trouxessem uma piscina de plástico que estava vazia no canto, enchessem de água e dessem um gole. Acharam que ele tava de brincadeira mas resolveram encarar. Afinal, tava todo mundo muito bêbado.

Quando provaram ninguém acreditou: A água tinha se transformado em Bohêmia!!! (alguns discutem e dizem que ela era tão boa que deveria ser Heineken, Guiness ou outra marca gringa mas, tudo indica, era Bohêmia mesmo).

Alguém perguntou por qual razão passaram o casamento inteiro tomando Crystal e Bavária e só no fim soltaram a boa. Mas tudo bem, o importante é que tinha cerveja pra todo mundo, e nem precisaram fazer vaquinha pra comprar. O interessante é que ninguém no casamento veio reclamar que faltou refrigerante. Costumavam falar que fazia muito mal à saúde, e o filho da dona Maria sabia disso, era um cara legal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sonhei, parte 2: "O Mago"


Eu já disse em outros posts que quando eu era criança eu era muito, muito bundão. Antes de deitar enfiava as beiradas do meu cobertor por baixo do colchão, deixando-o blindado, à prova dos monstros que habitavam embaixo de minha cama. Se me desse vontade de fazer xixi à noite eu preferia fazer na cama e tomar uma surra de minha mãe do que arriscar andar em território inimigo.

A forte impressão da presença maligna era quase tangível. Engraçado como quando somos crianças, nosso medo é tão grande que quase materializamos nossos monstros.

Numa noite qualquer fui deitar como de costume, protegido pela minha blindagem de cobertor. Apesar do calor, adormeci. Sempre tive muitos sonhos idiotas, mas naquela noite tive um pesadelo que me traumatizou.

Estava na rua de casa, soltando pipa. O vento soprava em direção a rua da feira, a melhor direção para soltar pipa perto de minha casa, pois era onde menos tinha fios de eletricidade. Vários pipas no ar, estava muito divertido. Laçávamos, cortávamos as linhas dos outros até que comecei notar que algo estranho estava acontecendo. Subitamente o vento começou a soprar em várias direções, e as pipas se esbarravam umas nas outras. Achei super bacana o vento estar soprando em várias direções, nunca tinha visto nada como aquilo. Só que, de repente, o céu escureceu e começou a trovejar muito.

Entrei em desespero e larguei a linha, tentando correr. Vários garotos correram para a Barraquinha, a lojinha de doces de um senhor que morava perto de minha casa. Quando alcancei a porta, a mesma se fechou em minha cara. Os trovões ficaram mais fortes e começou a chover muito. Eu estava desesperado. Quando decidi correr para minha casa apareceu diante de mim o Mago Merlin (eu viajo muito, já falei), com aquele chapéu pontudo, cheio de estrelas.

Ele se aproximou de mim e disse: “Vou te enterrar aqui”. Tentei correr, mas não consegui. Comecei a me arrastar em direção a porta da minha casa, mas me senti amarrado. Neste momento do pesadelo comecei a ficar naquele estado de ainda estar dormindo, mas começando a acordar. Chorava e soluçava muito, lutando com todas as forças por minha vida.

O bruxo se aproximou de mim e me tocou. Dei um grito e acordei, todo suado, com dores no corpo. A lembrança deste pesadelo me acompanhou por toda minha vida. No início me gerava muito medo, até o dia que cresci e, finalmente, conheci o Senhor.

Pode ser bobo para alguns, mas como tenho lembranças vívidas deste pesadelo, acabei tirando dele algumas lições...

A lojinha de doces era do “Seu Benedito”, um cristão que vivia falando de Deus com os meninos que freqüentava sua lojinha. Eu era um dos que não dava muito valor, queria apenas brincar. Ele ficava enchendo o saco com aquelas coisas da Bíblia. Já tinha muito trabalho em estudar para a primeira comunhão. Tinha que decorar rezas e trechos da missa e achava tudo ligado a Deus um saco.

Soltar pipa era para mim era uma das coisas que mais gostava de fazer. Esquecia de tudo, só pensava em me divertir. Como não ouvia o que o Seu Benedito me falava, não dei a devida importância à mudança súbita da direção do vento. Se eu o ouvisse, possivelmente poderia ter associado ao que está escrito em Mateus 24:29: “Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados”. Estava vendo claramente que algo fora do normal estava acontecendo, mas por não ter conhecimento da Palavra apenas achei diferente, legal.

Quando escureceu tudo quis correr e me abrigar na Barraquinha, só que era tarde demais. Todos entraram e eu fiquei do lado de fora. O bruxo que apareceu era o meu maior temor. Em meu sonho, ele representava o dia do Juízo. E eu seria enterrado, pois nunca tinha dado ouvidos a Deus. Tentava fugir mas no sonho eu já estava julgado. Por isso não conseguia correr, meus pecados me aprisionavam e eu não consegui alcançar nem o portão da casa dos meus pais.

Graças a Deus que no sonho não cheguei a ser enterrado. Acordei antes, suado e chorando, a tempo de sempre me lembrar deste sonho e saber que devo estar atento a tudo o que não é natural. Pode ser um sinal de Deus que não pode ser ignorado.

Bobeira de criança? Talvez. Para mim porém, foi muito forte.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apelaste para César, para César irás...

Desde que comecei com meu blog pensei milhares de vezes se deveria postar este texto. Hoje resolvi escrever...

Em meados de 2000 eu trabalhava na PostNet, uma franquia de serviços americanas. Comecei como atendente, fui promovido a sub-gerente e com alguns meses gerenciei duas lojas. O próximo passo em minha carreira na empresa foi passar a dar treinamento a novos franqueados e funcionários.

Nesta fase, tínhamos dois franqueados no Rio de Janeiro. Um no Botafogo e outro na Barra da Tijuca. Meu diretor um dia me chamou em sua sala e disse que eu iria para o Rio de Janeiro e ficaria 5 dias entre as duas lojas. Naquela época meu casamento estava em crise, e tudo o que eu não queria era me ausentar por este período.

Nesta época já era membro da Betesda, e durante um culto a palavra pregada foi sobre o seguinte texto:

“Se, pois, sou malfeitor e tenho cometido alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles; apelo para César. Então Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Apelaste para César; para César irás.”
Atos 25:11-12

Não lembro da mensagem, mas em outra igreja que tinha ido visitar o texto de Atos 25 se repetiu. Abri uma Bíblia e lá estava de novo Atos 25. “Apelaste para César, para César irás”... Não sei quantas vezes antes de minha viagem esta passagem me acompanhou, mas ela ficava dentro de mim, não saía de minha mente.

Chegando o dia da viagem me despedi de minha ex-mulher com um aperto no coração. Cheguei no Rio de Janeiro pela manhã, fui ao hotel na Praia do Flamengo, tomei um banho, troquei de roupa e fui à loja do franqueado do Botafogo. Fiz o que tinha que fazer durante o dia e, ao final da tarde, voltei ao hotel. Coloquei uma bermuda e uma camiseta, chinelos e uma pochete com minha carteira, uma máquina fotográfica, uma caneta e um bloco de anotações.

Fui à praia, comprei uma cerveja em lata e comecei a fazer o relatório do que havia feito na loja. Sentado na areia, tomando minha cerveja e escrevendo, minha mente começou a divagar. Parei de escrever, olhei para o Pão de Açúcar, o mar (poluído) da Baia do Guanabara, as árvores atrás de mim. Sentia a areia nos pés. Tinha sido meu primeiro dia no Rio, e vi o quanto esta cidade era linda. De repente senti a presença de Deus. Era muito forte, diferente de todas as outras vezes que estive na presença de Deus.

Senti-me envolvido por Ele. Veio à minha mente os problemas conjugais que estava passando, mas Deus me falou que estava no controle. Relaxei um pouco (estava dividido) e fui impulsionado por Deus a começar a andar. A medida que andava pela areia eu ia chorando cada vez mais. O misto de peso da mão de Deus sobre mim e o gozo que estava sentindo estava ‘insuportável’.

Olhei à minha direita e vi uma espécie de península artificial que divide ficticiamente a Praia do Flamengo da Praia do Botafogo. Fui arrastado para lá. No caminho, passava por pessoas e profetizava, orava. Estava transbordando da presença do Espírito Santo.

Quando cheguei à península, vi que tinha muitos carros estacionados nela. Vi mais a frente uma churrascaria chamada “Porcão”, que existe até hoje. À medida que me aproximei dos carros, pude ver que todos eles tinham bandeiras e adesivos de propaganda política. Quando vi o nome do candidato eu gelei: CÉSAR MAIA. Naquele milésimo de segundo caiu a ficha: Deus queria que eu falasse com ele. Dirigi-me até a porta da churrascaria e tinha muitos seguranças. Parei e lembrei que estava de bermuda, chinelo e camiseta. Era uma situação surreal...

Retrocedi, sentei-me perto de umas pedras que davam para o mar e comecei a negociar com Deus. Disse à Ele que durante o caminho já tinha pregado para um monte de gente, e que aquilo deveria ser o suficiente. Deus ‘sorriu’ para mim e disse que nada feito: O negócio era com o César Maia. Levantei-me e fui até a porta da churrascaria. Se era Deus que tava no negócio eu conseguiria entrar. Aproximei-me de um segurança e disse que gostaria de entrar. Ele respondeu para mim que não poderia entrar, pois o comício havia acabado e os participantes estavam apenas cumprimentando o candidato.

Respondi ao segurança: “Amigo, Deus mandou eu entrar e falar com o César Maia”. O segurança arregalou os olhos, perdeu a fala. Em seguida começou a chorar. Eu fiquei sem saber o que fazer (era uma tarde de fortes emoções...). Quando ele se recompôs, disse que era cristão e estava longe dos caminhos do Senhor. Orei por ele e ele me disse: “Meu irmão, quem sou eu para barrar o teu acesso. Se Deus mandou você entrar e falar com o homem vai. Espere só um pouco para que os outros seguranças não vejam que eu estou liberando seu acesso”.

Quando ficou tudo tranqüilo ele me deu sinal verde e eu entrei. Havia uma fila de pessoas cumprimentando o César Maia. Entrei na fila sem a mínima idéia do que ia falar pra ele. Mas não tardou para chegar minha vez. Quando segurei a mão de César Maia comecei a falar feito um tagarela. Era Deus. Era uma palavra profética a ser entregue. Foi algo mais ou menos assim:

“César Maia, Deus manda eu te falar que o senhor vencerá esta eleição. Ele ama esta cidade e ela precisa ser tratada com seriedade, carinho e respeito. Ele está te entregando a chave da cidade hoje, mas saiba que o senhor deverá governá-la com temor no coração. O senhor responderá pelo que for feito de bom e de ruim nesta cidade”.

Todo mundo parou, parecia cena de Matrix. Ele ficou segurando minha mão sem balbuciar nenhuma palavra. Quando acabei de falar ele recuperou o fôlego e disse : “Amém”.

Virei as costas e fui embora. Uma sensação de ressaca tomou meu corpo. Voltei ao hotel e fui dormir. No dia seguinte me dirigi à loja do franqueado da Barra da Tijuca. Comentei o ocorrido com ele e ele deu risada. Disse-me que só se fosse milagre mesmo, pois o principal concorrente de César Maia – Luis Paulo Conde – estava muitos pontos à frente dele, faltando uma semana para as eleições.

Voltei pra São Paulo depois de alguns dias, e acompanhei pelo noticiário que César Maia havia virado as intenções de voto em tempo recorde. Acabou sendo eleito prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Era mesmo Deus...

O franqueado da Barra da Tijuca me ligou e disse: “Pô João, ‘seu santo’ é forte! Não é que o safado ganhou a eleição?”

Dei risada. Realmente ‘meu Santo’ é forte. Entreguei a palavra para o César. Mesmo tendo sido reeleito em 2004, dizem que seu mandato foi um lixo. Mas ele sabia o que tinha que fazer... Ele que se acerte com Deus...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O burro e a cenoura


Vivemos querendo adiantar o tempo, ansiando que segundos se transformem em minutos, minutos em horas, horas em dias, dias em semanas, semanas em meses, meses em anos, sempre achando que agora as coisas não vão bem, mas que no futuro tudo será muito melhor.

Esperamos os segundos que faltam para acabar a prorrogação da partida de futebol quando nosso time está ganhando. E os segundos se transformam em minutos, e a partida acaba. Que felicidade.

Os minutos tardam em passar, e queremos que chegue logo a hora do almoço ou de ir embora do trabalho. Minutos eternos, contados no relógio. Mas os minutos se transformam em horas e estas horas passam. Chega a hora de ir embora do trabalho e ficamos felizes com isso.

As horas se arrastam no relógio, e os dias são longos. Não vemos a hora de chegar o fim de semana para descansarmos um pouco. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta. Até que enfim. Sobrou-nos dois dias para recarregarmos a bateria, fazemos festas e churrascos ou apenas limpamos a casa, lavamos roupa e descansamos um pouco assistindo Fantástico domingo à noite. Que maravilha.

Puxamos o saldo de nossa conta e vemos quanto de dinheiro temos. E nunca é o suficiente. Os dias que faltam até o próximo pagamento se arrastam lentamente, fazendo com que a ansiedade que ficamos em quitar nossas dívidas nos deixe com dores nas costas, dor de cabeça e insônia. Fazemos de tudo para esticar o salário, mas este vaza entre os dedos como água. Resistimos heroicamente até que chegamos no dia do pagamento. Mais um mês que se foi, graças a Deus.

Mas temos o conforto de que daqui mais alguns meses tiraremos um mês inteiro de férias. E torcemos para que o ano passe rápido. Apesar de toda luta diária, o ano passa e chegamos ao bendito mês. Descansamos alguns dias mas o dinheiro acaba. Ficamos ansiosos esperando que as férias terminem logo, pois fazer nada sem dinheiro não dá.

Mesmo assim não perdemos a esperança de dias melhores. Lembramos que temos trabalhado anos a fio, e o tempo que falta para nos aposentar está chegando. Assim não dependeremos mais de um mísero mês de férias para descansar os ossos. Chegará o dia que daremos entrada em nosso pedido de aposentadoria. E este glorioso dia chega. Papelada e burocracia cumprida, pronto. O troféu por anos de trabalho a fio chega. Ficamos em casa, inventamos uma coisinha aqui e outra ali para fazer, até que não vemos mais nada pela frente.

Perdemos a disposição, ficamos cada vez mais doentes, passamos a freqüentar os estaleiros com uma freqüência cada vez maior. A virilidade dos primórdios se foi. O prazer pela vida também. O que conseguimos juntar? Valeu a pena o esforço? Agimos como o capitão do barco a vapor que participava de uma competição. Forçamos os motores ao máximo para chegarmos à frente de todos, lançando carvão nas fornalhas. O objetivo vai sendo alcançado até que acaba o carvão. Mas o importante é vencer a corrida e começamos a jogar toda peça de madeira do barco nas fornalhas para alimentar o fogo que nos impulsiona para frente. Cadeiras, mastros, lemes, remos, botes, tudo vai pro fogo.

Chegamos ao fim da corrida na frente de todos. Qual foi o prêmio? Chegar ao fim. O que sobrou do barco? Nada! De que adiantou queimar tudo de bom que tínhamos em mãos, nosso presente precioso, em troca de um oásis que na verdade não passava de uma miragem?

Ouvimos muitos louvores e pregadores da prosperidade dizer que o melhor de Deus está por vir. Com isso jogamos nossas vidas fora. Correndo atrás da cenoura presa em uma vara em nossa frente, mas nunca a alcançamos, apesar do esforço.

Que Deus nos dê sabedoria para valorizar cada segundo vivido, ouvindo, respirando, falando, comendo, trabalhando, rindo, chorando, brincando. Isso é o que vamos levar da vida.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Meus 16 anos de VIDA

Ainda não tinha contado como foi minha conversão. Vou tentar abreviar...

Durante minha vida antes de Cristo me envolvi em quase todo tipo de excesso. Bebidas, cigarros, drogas, mulheres, confusões, brigas... Tantas coisas aconteceram que hoje olho para trás e vejo que apenas sobrevivi pelo fato de Deus ter tido muita misericórdia de mim.

Paralelo aos meus descaminhos, dentro de mim sempre houve algo que queimava em meu peito e me fazia tentar procurar algo mais do que estava à minha vista. Sentia sede pelo sobrenatural, sabia que devia existir uma força maior, uma energia, algo que fizesse com que a vida fizesse sentido.

Nesta minha busca, freqüentei o catolicismo por vários anos, devido à fé de minha família. Quando cheguei à adolescência, comecei a achar que pensava. Comecei a questionar os fatos, os por quês das coisas. Influenciado por uma namorada, comecei a freqüentar o espiritismo. Fui em duas das vertentes, o considerado ‘alto espiritismo’ e o ‘baixo espiritismo’. Isso merece um capítulo à parte, devido a quantidade de acontecimentos que vivi neste período.

Devido a inúmeras decepções e sustos nesta área, me afastei e cai ainda mais na gandaia. Mais bebidas, mais drogas, mais mulheres, mais um monte de coisas. Mas a sede pelo sobrenatural estava lá. Lia livros de magia negra, flertava com satanismo, brincava com fogo, literalmente. Por mais estranho que possa parecer, tudo isso foi feito com muita sinceridade. Estava na busca, mas não discernia o que era certo do que era errado.

Nesta época um de meus melhores amigos era também meu companheiro de loucuras, baladas e também na busca pelo sobrenatural. Só que ele era muito ‘zicado’. Para você ter uma idéia, bastava nós sairmos e de alguma maneira a polícia vinha dar geral na gente. Era impressionante como com ele parecia que se fechava um circuito e tudo o que não prestava acontecia. Uma vez na casa dele ficamos tirando cartas de tarô e começamos a ver que coisas estranhas começaram a acontecer. Arrepios, fortes sensações, temor, opressão, medo. Decidimos acabar com a brincadeira e o baralho foi enterrado no fundo da casa dele. No dia seguinte pela manhã as cartas estavam desenterradas, ao lado da cabeceira de sua cama...

Um determinado sábado decidimos ir à Galeria do Rock pela manhã. Os pais dele tinham ido viajar. Marcamos com outros dois amigos e fomos para a casa dele depois. Lá começamos a ouvir música, beber e fumar. Depois de um tempo, este meu amigo bolou um baseado e eu dei um pega. Fumava de vez enquando. Até cocaína já tinha cheirado. O máximo que tinha acontecido até ali foi ter ficado numa rebordosa desgraçada. Só que aquele dia foi diferente: A parada BATEU.

Bateu forte e comecei a ter visões.Ao redor de meu corpo parece que acendeu uma luz roxa, como neon. O meu amigo olhou para mim e disse: ‘Agora sim Johnny, agora sim bateu!’. Ele via isso em mim, mas os outros dois não viam.

Nós quatro sentamos no chão e fechamos um círculo. Tocava ‘The Doors’ ao fundo. Eu e meu amigo começamos a ter as mesmas visões. Estávamos numa ilha, subíamos em árvores, retirávamos frutos e comíamos. Dávamos risada, corríamos. Tudo isso em visão. Nós falávamos tudo o que estávamos vendo, mas os outros dois não viam as mesmas coisas. Eles estavam desconfiando que estávamos brincando. Mas era tudo real.

Nisso começou a acontecer algo muito estranho. Uma luz muito forte apareceu do chão, iluminando tudo ao nosso redor. Eram spots muito potentes, e nossos corpos eram iluminados de baixo para cima, formando colunas de sombras e luzes. Nós estávamos ali, e de repente brotou no meio de nós quatro uma bolhinha branca no chão, que começou a crescer e se tornou um cogumelo branco. Ele ia crescendo cada vez mais, até se transformar no Jim Morrison, vocalista do The Doors, a banda que estavamos ouvindo (loucura total né? mas aguenta firme que ainda não acabou...).

Para quem não sabe, Jim Morrison tinha morrido no começos dos anos 70 e tinha um envolvimento muito grande com xamanismo, um tipo de espiritismo dos índios americanos. Foi então que Jim Morrison começou a conversar conosco. Ele falou mais ou menos assim:

‘Esta é a última vez que volto para o plano material. Ainda não tinha me libertado e precisava que quatro rapazes, loucos como eu era, estivessem no mesmo espírito para que eu pudesse passar deste plano para o outro. Isso que estou fazendo aqui é um presente que dou a vocês. Não contem isso para ninguém, pois não acreditarão”.

Nisso ele desapareceu. Como nós conhecíamos a história da vida do Jim, eu e meu amigo chorávamos. Nos levantamos e nos abraçamos, felizes por termos participado de um momento tão ‘sublime’. Como ex-espíritas, mais ainda flertando com tudo quanto era tipo de atividade ligada ao ocultismo, realmente acreditamos em tudo o que aquele ‘espírito’ tinha falado conosco.

Me afastei do meu amigo por um instante, ainda chorando e olhei para ele. Quando vi seu rosto notei que ele estava branco. Olhos fechados e braços estendidos. Me assustei. Parecia que ele estava morto. Sobre o corpo dele, como imagens sobrepostas, havia um outro corpo, sem densidade, não tangível e muito maior. Este olhava para mim e tentava me abraçar. Seus olhos faiscavam terror. Vi neste corpo todo o mal que até então não tinha visto em toda minha vida. Gritei, me afastei, comecei a falar que ia embora dali.

Os outros dois rapazes tentavam me acalmar. A visão espiritual tinha passado, mas meu amigo depois daquilo começou a me olhar com os olhos daquele ser que tinha visto sobrepondo o corpo dele. Quase quebrei as coisas da casa dele. Foi então que os outros dois rapazes decidiram me colocar num carro e me levar para casa. O meu amigo veio junto, mas parecia que éramos dois galos de briga, se medindo para atacar.

Ao chegar no portão de minha casa os três rapazes esperaram que eu abrisse o portão. Deram partida no carro e se foram. Só que eu não entrei em casa. Dentro de mim algo começou a falar mais alto. Havia uma luta no mundo espiritual por minha alma, mas eu ainda não discernia exatamente o que estava acontecendo. Fechei o portão e desci a rua. Fui até uma encruzilhada, tirei um par de tênis que estava calçando e joguei ali, no chão. Um Nike caríssimo. Eu fazia isso e respondia a uma voz que falava comigo. Eu dizia a ela: 'Foi você que me deu? Então toma de volta! Não quero nada seu!’ Em minha cabeça veio diversas coisas que pareciam que tinha sido dadas à mim pelo demônio. Mas ainda não sabia que ele era o dito-cujo.

Voltei para casa e fui direto no quarto de minha irmã. Ela acordou e olhou para mim. Eu estava um farrapo humano. Fedendo maconha, bêbado, mijado, sujo e chorando. Ela se assustou, não sabia o que fazer. Eu chorava muito. Soluçando, eu falei para ela:

“Leila, to cansado desta vida, quero conhecer seu Jesus!”

Ela tinha acabado de se converter, influenciada por minha outra irmã e tinha falado alguma coisa sobre Jesus. Ela me abraçou chorando, me levou pro quarto e eu dormi.

Tive uma noite boa de sono. Pela manhã ela tinha ligado para minha outra irmã e as duas vieram ao meu quarto. Minha irmã mais velha, a que tinha se convertido antes da Leila, expôs o plano de salvação para mim. Eu entendi mais ou menos, mas era aquilo que eu queria. Estava sendo guiado pelo Espírito Santo à tomar aquela descisão. Minhas irmãs oraram por mim e após isso elas falaram: ‘Cá, você tem um monte de coisa aqui que você vai ter que jogar fora’.

Comecei então a fazer a catação. Guias de orixás, roupas que usava em rituais, quadros, CDs, fitas de vídeo. Até meu colchão. Dentro dele eu tinha colocado um monte de ‘palha da costa’, instruído pelo pai de santo do terreiro que eu freqüentava, devido à um ataque que sofrera no mundo espiritual numa determinada noite. (esta estória merece um post à parte).

Fomos ao fundo do quintal e metemos fogo em tudo. Senti muita paz.

Uma semana depois, numa sexta feira, fui à uma ‘sessão de descarrego’ na Universal. Quando coloquei os pés na calçada e vi escrito ‘Jesus Cristo é o Senhor’, comecei a chorar feito criança. Foi ali, na calçada, que o que minha irmã tinha falado no final de semana anterior se tornou real em minha vida. Como já falei anteriormente em outro post, a Universal foi meu pronto socorro espiritual. Poucos meses depois estava seguindo outros caminhos, sempre baseado na Palavra.

Isso foi em Agosto de 1993. Hoje faz 16 anos que me converti.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O culto na oficina de pranchas


Ontem a noite eu e a Cil estávamos indo para a academia. Devia ser umas 19:30hs. Na rua onde moramos tem umas 4 oficinas de pranchas de surf. Em uma delas tem um irmão em Cristo chamado Frank. Sempre víamos adesivos falando de Jesus na oficina dele, além de material de divulgação de eventos cristãos, shows e luais em seu quiosque no Posto 10 do Recreio dos Bandeirantes.

Ao passar na frente de sua oficina vimos que haviam várias pessoas sentadas em cadeiras de plástico no meio das pranchas. Aquilo chamou a atenção da Cil. Ela parou e disse: 'Olha, deve ser um culto! Vamos entrar?' Eu fiquei embaraçado. A academia não abre aos domingos e não gosto de ficar dois dias sem malhar. Falei isso a ela e ela insistiu. Disse que queria ir. Respondi meio contrariado: ‘Tá bom, acendeu a luzinha, é melhor obedecer’.

Quando andamos até a porta todos pararam olharam para nós, curiosos. Perguntamos se poderíamos participar da reunião e eles falaram que sim. Arrumaram mais dois banquinhos, daqueles sem encosto, e sentamos. Ao meu lado tinha várias pranchas de surf e o banco não era nada confortável. Não conseguia ficar numa posição que não me incomodasse, inclusive estou fazendo sessões de RPG como tratamento alternativo e aquele banco era uma tortura.

Atrás de mim dois mendigos que via constantemente na Gilka Machado. Ao lado deles um rapaz de cabelos rastafári, à minha frente crianças, jovens, uma vizinha do meu prédio (que pessoalmente não vou muito com a cara, pelo fato dela sempre me olhar com ar de superioridade). Confesso que inicialmente estava muito contrariado em estar lá, mas não gosto de ir contra a direção de Deus, mesmo que ela não tenha sido dada a mim.

Um pastor de chinelo, bermuda e camiseta compartilhou um texto da Bíblia conosco, falou 5 minutos e passou a palavra para o Frank, que falou também por uns 5 minutinhos. Um irmãozinho, daqueles que vivem ‘no monte’, deu um testemunho de livramento e devolveu a palavra ao Frank. Eu estava ali, ouvindo e tendo que lidar com a posição incômoda. O Frank colocou dois louvores no laptop e os irmãos cantaram juntos. Eu só mexia os lábios, até porque só conhecia os refrãos daqueles louvores. Depois disso achei que tinha acabado. Eram 20:30hs e pensei: ‘que bom, foi uma benção, amém, glória a Deus, agora vamos pra academia'.

Só que não tinha acabado. O Frank passou a palavra para um senhor de cabelos grisalhos, ex-sargento do exército. O missionário França. Este eu conhecera outro dia, na loja do Frank, em um dia que eu e a Cil passamos lá. Ele serviu vários anos na fronteira do Brasil com o Paraguai, lá pros lados do Mato Grosso. Neste dia, ao nos apresentarmos, ele já foi segurando nossas mãos e orando a Deus: 'Senhor, glórias te dou por conhecer mais dois de seus filhos. Abençoe cada um deles, em Nome de Jesus, amém!' Isso foi antes mesmo de começarmos a conversar! Gostei muito dele.

Quando ele abriu a palavra e começou a pregar, Deus o usou com muita autoridade e poder, discorrendo pela palavra com muita unção. Ao final do culto improvisado, de 20 pessoas que estavam apinhocadas na loja, umas 8 pessoas aceitaram à Cristo como Senhor e Salvador. Há muitas semanas não via ninguém aceitando a Cristo na igreja, e lá, ao lado de pranchas, mendigos e roupas de surf, estas vidas foram resgatadas.

O pastor Frank e o missionário França, após a oração pelos novos convertidos, chamaram a frente aqueles que precisavam de uma oração específica. Fui à frente e o missionário França orou por mim. Ele profetizava que haveria cura e que em breve eu daria o testemunho. Eu chorava e orava em línguas. Após a oração confirmei ao França que realmente tinha ido à fente pois minha mãe estava em coma. Ele sorriu e confirmou que eu certamente daria testemunho desta cura.

Ao meu lado um rapaz manifestou endemoniado enquanto o Frank orava por ele. Erguemos as mãos em direção ao rapaz enquanto Frank orava e expulsava o demônio. Depois de liberto o rapaz confessou Jesus como Senhor e Salvador. Foi feita uma oração final e nos levantamos para ir embora. Na porta conversamos um pouco mais com o Frank e descobrimos que ele congrega na mesma igreja que nós, a ICAC, mas em horário diferente. Ele como cristão faz a diferença: Todo domingo ele coloca uma 10 pessoas em seu furgão e leva todos os que querem ir à igreja e os deixa em casa após o culto. Reserva nas segundas-feiras a noite um tempo para que sua loja seja transformada em local de culto.

Saímos de lá por volta das 22:00hs. Ali pude ver que eu era um idiota, egoísta e que estava muito mal acostumado com o conforto de minha igreja. Que de vez em quando nos esquecemos das palavras de Jesus, quando ele afirma que quando dois ou mais estivessem reunidos no nome dEle, Ele estaria conosco. Que existem pessoas realmente comprometidas com o Evangelho, enquanto tantos líderes famosos estão envolvidos em escândalos e em seus próprios interesses.

Cristianismo puro e simples. Foi isso o que vi ontem. Como diria o Gondim: Soli Deo Glória!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os trens assombrados da linha Osasco x Jurubatuba, parte 2



Deus tem falado muito comigo e me cobrado! Segue a primeira resposta sobre algo que aconteceu comigo...


Me converti na Universal. Conheci Jesus e a Palavra, fui batizado na água e no Espírito, tudo muito rápido. Foi um pronto socorro espiritual, um desfibrilador, uma quimioterapia digamos assim... Inicialmente me fez um bem muito grande por ter me tirado da morte, mas não tinha como continuar por lá depois de um tempo. Neste comecinho já era fortemente direcionado pelo Espírito Santo.

Procurei a Renascer em Cristo. Outro clima, mais jovem, a presença de Deus muito forte também. A ‘Bispa’ Sonia pregava a minha vida. Dava a impressão que ela estava acompanhando cada passo que eu dava. Domingão e pá! O Espírito Santo revelava detalhes de meu dia-a-dia durante a ministração da Palavra. Mas o Espírito não me deixava confortável. Parecia me empurrar para frente.

Sentia que Deus queria cavar mais fundo, pois eu havia dado toda liberdade ao Espírito para me dirigir. Parecia carro velho, onde parava eu pregava.

Fui fazer uma visita à Assembléia de Deus, creio que o ministério do Belém, perto de casa. Deus falou muito comigo, mas foi apenas uma visita. Os usos e costumes foram a razão de minha não permanência por lá. Minha ‘ex’ teria que mudar o ‘look’ e achávamos que não era por ai. Ainda não era casado, apenas namorávamos e ela morava no Jaguaré, razão pela qual passava algumas vezes na semana pela estação de trem de lá.

Nesta estação trabalhava um irmão ‘fogo puro’ chamado Gessi. Quando começamos a conversar ele me disse que era da Congregação Cristã no Brasil e eu disse que era da Renascer em Cristo. Nossa amizade foi se tornando cada vez mais profunda. Este irmão era daqueles que só de olhar em seus olhos começa a profetizar. Deus falava muito comigo através dele, dava até aflição. Ele, no meio da conversa e do nada me olhava, parava e dizia: ‘É varão...’ ficava em silencio por uma fração de segundo e eu sabia que vinha bomba. Ele nem falava ‘assim diz o Senhor’. Falava em primeira pessoa: ‘Eu vou fazer tal coisa em tua vida amanhã’. A parada acontecia do jeito que ele falava, fora fatos e dúvidas que se passavam em meu íntimo e que Deus revelava a ele.

Em nossas conversas, um belo dia estávamos falando sobre nossas igrejas ele fez um convite para eu ir visitar a Congregação onde ele congregava (me perdoe pela aparente redundância). Aceitei o convite e fui com a minha ex no sábado. Ele nos recebeu na estação de trem de Carapicuíba (sim, é longe pra caramba, como diria o Jota Quest) e nos levou à casa dele. Apresentou-nos seus amigos, familiares, irmãos e fomos ao primeiro culto. Deus falou demais. Demais. Demaaaaaaaaiiiiiiiisssss. Foi maravilhoso, me batizei nas águas (já era batizado, mas Deus me quebrou as pernas lá), a ex também. Voltamos do culto e fomos para a festa de noivado da filha dele. Muito guaraná e salgadinho, bolo e docinhos. Conheci mais irmãos, me senti em casa. Orávamos, louvávamos. Rolou umas profecias dizendo que não era para eu me casar com a Rosi, rolou uns papos fortes sobre doutrina (ela estava de calça de moleton), um monte de coisa. A mesma irmã que falou da maneira de se vestir foi tomada por Deus e usada para ministrar sobre a vida dela. Ela foi batizada no Espírito Santo aquela noite. No fim da festa rolou até um ‘pega-pra-capá santo’: Os irmãos ‘cheios do espírito (com ‘e’ minúsculo mesmo), começaram a quebrar disco de musica secular, televisão, garrafa de bebida... Até eu entrei na ‘unção’ do ‘vâmo quebrá tuuuddoooo’ e joguei uns discos do Raul Seixas pela janela, aff...

No dia seguinte, depois de mais algumas visitas a outras ‘Congregações’ nas redondezas (foi uma ‘imersão’ o que fizeram conosco), nosso irmão nos levou até a estação de trem e nos perguntou se gostaríamos de nos tornar membros da Congregação. Decidimos que sim, pois havia sido diferente de tudo o que tinha acontecido até então, mesmo pagando o preço de termos que mudar drasticamente nosso estilo de vida, devido aos usos e costumes desta denominação.

Agora que o bicho pega: Tomamos o trem em Carapicuíba e vínhamos conversando sobre tudo o que tinha acontecido naquele fim de semana. É importante frisar que estávamos conversando baixo. O trem não tinha muita gente. Um rapaz que estava sentado no outro extremo do vagão se levantou, veio até nós e pediu licença para conversar. Ele aparentava ser um cara normal, não demonstrava ser algum bandido. Concordamos e ele sentou-se ao nosso lado. Apresentou-se (na verdade não lembro o nome) e perguntou: ‘vocês são crentes?’ Estávamos à paisana, nem Bíblia estava à mostra. Dissemos como o pessoal da Congregação dizia: ‘pela graça e misericórdia de Deus, SIM’. Ele perguntou: ‘de que igreja?’. Respondi, cheio de orgulho: ‘somos da Congregação Cristã no Brasil’. O rapaz arregalou o olho e disse: ‘Aahhhhh.... com vocês eu não posso não!’

Pausa na cena, ‘a lá Matrix’. Inspire, respire...

Eu olhei pra ele e já o chamei pelo nome: ‘diabo, você de novo...’ e já fui querendo expulsá-lo, pra variar. Ele disse para mim: ‘calma, não vou fazer mal nenhum a vocês. Na verdade eu MORRI EM 1967 e estou aqui apenas para conversar um pouco’. Era ele mesmo, o rabudo. Continuamos ‘conversando’ (entenda: ele falava e eu ficava ordenando que ele se fosse, em nome de Jesus) até que ele se levantou e desceu em uma estação.

Assim que ele desceu, me virei para a Rosi e disse: Você viu só como ele ficou quando dissemos que éramos da Congregação? Ele disse que conosco ele não tinha poder nenhum! Agora sim, estamos na igreja certa!

Levei-a em casa e nos sentamos na calçada por um momento para conversar a respeito de tudo o que iríamos fazer dali para a frente. Meu amor por Deus era (e é) tão grande que estava disposto a tomar a direção que Deus desse para minha vida, para meu ministério. Nisso, o vizinho começou a reclamar que estávamos sentados na frente do portão dele. Nos levantamos. Afinal de contas, éramos servos do Altíssimo e não deveríamos ficar sentados no chão. Meu coração estava cheio de orgulho pela ‘descoberta’ da igreja certa.

No dia seguinte pela manhã, estava indo para o banco (trabalhava na Nossa Caixa). Abri minha Bíblia ao acaso e comecei a ler. Não gosto de brincar com a Bíblia, como se fosse uma caixinha de promessas, mas não há como negar que de vez em quando Deus fala SIM desta maneira conosco. Ela se abriu em Gálatas, e comecei a tomar um tapão atrás do outro:

Gl 1:6-12 - Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo...

A cada linha que eu lia ficava mais e mais tenso. Será que ‘era Deus’? Será que era coincidência? Será que o diabo tava tentando me enganar? Continuei lendo. Caía em trechos falando assim:

Gl 2:3-7 – Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, embora sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar; aos quais nem ainda por uma hora cedemos em sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. Ora, daqueles que pareciam ser alguma coisa (quais outrora tenham sido, nada me importa; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me acrescentaram; antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me fora confiado, como a Pedro o da circuncisão...

Lia e chorava... Cada linha escrita pulava em minha cara. Viva e pulsante... Não era possível! Tinha acabado de sair de um final de semana maravilhoso perante Deus e havia decidido mudar totalmente minha trajetória. Tinha aceitado servir ao Senhor, mesmo sob uma doutrina pesada, cheia de regras, por amor ao Senhor! Peguei meu filho Isaac – minha LIBERDADE – e coloquei no altar em sacrifício. A presença do Espírito Santo era muito forte. Li mais e mais em Gálatas e entendi que não era aquilo o que Deus queria de mim... Abri em outro trecho da Bíblia. Meu queixo caiu mais ainda:

Cl 2:4 – Digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas...
Cl 2:8 – Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo...
Cl 2:16 – Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados...
Cl 2:18 – Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal...


Estava desesperado e ao mesmo tempo aliviado... O Espírito continuava derramando seu bálsamo:

Cl:2-20-23 – Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.

Era Deus e era comigo. Sei que toda Palavra é Deus, mas ali era direto para aquele assunto. Bati o martelo: Não ficaria na Congregação.

Encontrei-me no final do dia com meu irmão Gessi e ele perguntou se poderia me levar para ser apresentado em ‘minha comuna’, que significava a igreja próxima à minha casa. Eu respondi: 'NÃO, pois não teria como servir a Deus sob a doutrina da Congregação.' Ele caiu pra trás. ‘Depois de tudo o que Deus falou com você lá em casa neste final de semana você NÃO QUER ser apresentado na minha igreja?’ Respondi: ‘Não meu irmão, e você não sabe da metade do que Deus falou comigo DEPOIS deste final de semana!’ E expus as passagens da Bíblia a ele. Como ele é de Deus, por mais que tivesse ficado contrariado, entendeu. Relutou um pouco mas entendeu. Eu disse a ele exatamente as coisas que escrevi entre uma passagem e outra. Meu ministério era um, o dele era outro.

Por outro lado, depois disso tudo, fiquei sem chão. Apresentava a Deus minha angústia por não ter ainda encontrado A IGREJA onde serviria a Deus. Visitava uma aqui, outra ali... Chorava muito a respeito disso. Sabia que tinha que estar sob a autoridade pastoral. E o Espírito sempre me lembrava de uma passagem das Escrituras: ‘O filho do homem não tem onde reclinar a cabeça’...

Nesta época freqüentava assiduamente o Instituto Cristão de Pesquisas, que na época era presidido pelo grande Pr. Paulo Romeiro, que até hoje tem minha grande admiração e respeito. Benção pura, como diria o Pr. Jabes Alencar...

Ia lá direto pois, como tinha sido muito usado pelo inimigo antes de minha conversão, vivia no campo de batalha espiritual, evangelizando pra tudo quanto era tipo de seita, e o ICP era o local onde conseguia muito material para evangelismo e estudo.

Um dia apresentei esta minha necessidade de encontrar uma igreja sadia, que não fosse nem ‘farra do boi’ nem legalista demais. Equilibrada e santa. O Pr. Paulo Romeiro então, após perguntar onde eu morava, indicou a Assembléia de Deus Betesda, de seu amigo pessoal, PR. Ricardo Gondim.

Daí pra frente foi só alegria...

Para finalizar, gostaria de comentar uma coisa: A Congregação é uma benção para quem sente que lá deve servir a Deus. O Corpo de Cristo tem vários membros, todos com sua importância. A astuta intenção diabo, ao usar aquele homem no trem e dizer através dele que não podia lutar contra mim pelo fato de agora (naquela época) eu ser um crente da Congregação Cristã no Brasil, era apenas de me engessar, me imobilizar e fazer com que eu não desse todos os frutos que Deus queria que eu desse. Lá eu teria que lidar com usos e costumes, e assim esfriaria da fé ao cuidar do ‘não fazer isso, não comer aquilo, não vestir isso, não olhar para aquilo’. O orgulho que entrou em meu coração após aquela investida do diabo já deveria ter sido o suficiente para eu notar que tinha algo errado. Satanás é um exímio estrategista, capaz de sacrificar umas peças para ganhar o jogo no final. Não podemos menosprezar suas estratégias sórdidas.

Agora véio, a parada é sinistra!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Os trens assombrados da linha Osasco x Jurubatuba, parte 1




Em minha busca por Deus, bati em várias portas. Cisquei o budismo, consultei cartomantes, búzios, cartas de tarot, brinquei com o satanismo, fiz mesa ouija, fui católico, kardecista, umbandista... cheguei a ser filho de santo, misericórdia. Quando tive meu encontro pessoal com Jesus Cristo em 1993 larguei tudo isso. Saí com várias cicatrizes, mas, como diria Paulão: ‘onde abundou o pecado, super-abundou a Graça’. Minha conversão merece um capítulo a parte. Qualquer dia conto como foi.

O que estava me lembrando agora na verdade foi que em cada caminho que eu entrei eu o fiz com muita sinceridade e, baseado nisso, sempre arrastei muita gente comigo. Quero falar de uma pessoa em especial, mas prefiro não mencionar o nome dela. ‘Chamá-lo-ei’ de ‘Tief’ (alguns vão matar a charada).

Sempre o encontrava na casa de seus primos. Falávamos de música, de mulheres, jogávamos truco a tarde inteira, saíamos de vez em quando, íamos jogar bola no Parque do Ibirapuera, tomar nossas cachaças... Às vezes as conversas ficavam sérias. Falávamos sobre assuntos espirituais também. Quando comecei a freqüentar a macumba uma das coisas que mais me impressionou foi que de fato o pessoal realmente conseguia ver o passado e prognosticar algumas coisas do futuro. Mas só viam a podreira, que fique bem claro. Quem fala que isso não funciona não sabe do que está falando. Lógico que há alguns charlatões no meio, mas a porcaria funciona de verdade. O problema é o preço que você paga. Aí que o bicho pega, literalmente.

Falei com o Tief a respeito do local que estava freqüentando e ele ficou super interessado em conhecer. Levei-o lá e a filha de santo que ‘tirava as cartas’ descascou a vida dele. Ele ficou impressionadíssimo e começou a freqüentar mesmo sem minha companhia. Ele também tinha a mesma sede por Deus que eu e estava tateando no escuro à procura da Luz. Se envolveu até o pescoço no batuque. A mãe dele pegou ódio mortal de mim naquela época.... não tiro a razão dela.

Uma vez fomos passar uns dias em uma colônia de férias no litoral paulista. Numa noite estávamos andando na praia quando vimos uma sessão espírita acontecendo. Aproximamos-nos para ver melhor e tinha um rapaz literalmente ‘virado num demônio’. Não lembro o nome da entidade que ele disse que estava incorporado. Nem importa. Ele estava com uma garrafa de pinga na mão e nos ofereceu. Tomamos metade da garrafa com ele enquanto ele dava a ‘consulta’ para nós e fomos embora. O impressionante é que não ficamos nem um pouco alcoolizados. Misericórdia.

Passados um tempo, dois tempos e metade de um tempo (como diria Daniel, rerê...) eu já tinha tido meu encontro pessoal com Jesus Cristo e estava voltando de trem do Jaguaré para Santo Amaro. Passando os olhos pelo vagão encontrei o Tief sentando em um banco. Como eu o tinha levado para o ‘saravá’ eu me sentia culpado pelo estrago que havia feito. Sentei-me ao seu lado e começamos a conversar. Falei que tinha me convertido e, para minha surpresa, ele também tinha tido seu encontro pessoal com Jesus. Ficamos muito felizes um pelo outro e vínhamos conversando a respeito da obra de Deus em nossas vidas.

Em um determinado momento um rapaz que estava sentado em um banco próximo se levantou e colocou o dedo em minha cara dizendo: ‘Vocês pensam que vão sair do meu caminho assim de graça?’ Identificamos na hora que se tratava de um demônio utilizando a vida daquele rapaz. Eu nem lembro exatamente o que eu respondi. Só lembro que ele do nada me deu um tapa na cara, ao mesmo tempo em que fazia um monte de ameaças contra nós dois, pelo fato de termos abandonado a macumba.

Levantei-me e tentei mantê-lo afastado de mim. O Tief também se levantou. Ele me deu outro tapa. Desta vez eu me esquivei. Ele blasfemava contra Deus e tentava me acertar. Eu falava de Deus e me esquivava. Chegou num ponto que eu perdi a paciência. Peguei-o pelo colarinho e o derrubei no chão. Joguei-me sobre ele e, quando ia dar um murro em sua cara, olhei em seus olhos e brequei o golpe. Levantei-me e gritei: 'Você é louco cara? você é louco? Desce deste trem agora!’ Ele não respondeu nada. Apenas levantou-se e desceu. Olhei ao redor e vi que todo mundo que estava no vagão estava colado em seus bancos olhando a cena toda, apavorados.

Ele se foi.

Aquele trajeto Jaguaré/Santo Amaro era freqüente para mim. Depois do ocorrido, sempre que ia pegar aquele trem eu olhava para ver se aquele rapaz estava dentro do vagão que eu ia pegar. Podia ser que, se ele me encontrasse novamente, tentasse se vingar.

Um dia eu o encontrei. Quando o vi, estranhamente não senti medo nenhum. Eu o olhei de cima a baixo. Ele se vestia com roupas bem velhas e carregava uma bolsa dessas de carregar roupas de bebê. Tive muita pena dele. Ele me viu e não me reconheceu. Chegando à Estação Largo 13, eu me levantei para descer e ele também. Passei bem perto dele e perguntei: 'você lembra de mim?' Ele respondeu que não. Fiquei com ódio do diabo. Então falei: ‘Jesus te ama’. Ele me olhou, deu de ombros e desceu.

Impressionante como o diabo é sujo. Usou a vida daquele rapaz, que estava lá como um fantoche no dia que estava falando das maravilhas de Jesus com meu amigo Tief. Tentou nos amedrontar, nos ameaçou para que desistíssemos de continuar no Caminho. O tiro saiu pela culatra. Após minha conversão, varias outras vezes encontrei o inimigo pelo caminho, mas nada seria capaz de me fazer desistir de Jesus Cristo.

Atualmente meu brother Tief é pastor de uma Igreja das quais já freqüentei. Glória a Deus por isso. Eu sigo neste ministério itinerante, como agente secreto de Deus (sei que tem gente que não concorda com isso), catando um aqui, outro ali, levando a Verdade da maneira que o Espírito Santo me dirige a fazer. Como diria Raul Seixas: Pastor João, e a Igreja invisível...

Ainda tenho muito a falar sobre isso...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Porcos na sala


Estávamos visitando o Silvio e a saudosa Vilma, meus ex-cunhados, no interior do Paraná. A cidade se chamava Vila Alta. Nem sei se era mesmo uma cidade. Acho que era um distrito de Xambrê, próximo de Icaraíma , ou vice versa, sei lá. Agora sim vocês se localizaram melhor, certo? Resumindo, longe pra cacete. Era um local muito gostoso, cidade pequena, ‘de primeira’ como costumam dizer. Se engatasse a ‘segunda’ já estava fora da cidade...

Sempre que íamos ao interior do Paraná o pessoal tinha que fazer uma correria para arrumar colchões emprestados para dormirmos. A mulherada tinha ido à casa de uma vizinha ‘negociar’ os colchões enquanto eu e o Silvio ficamos em casa tomando cerveja e colocando a fofoca em dia.

No início da noite fomos até a vizinha para pegar o colchão. Chegando lá, nos apresentaram a dona da casa e sua filhinha, que devia ter no máximo uns sete anos de idade. Sentamos à mesa, ela nos ofereceu algo para beber (café, suco, não me lembro) e ficamos batendo papo.

Eu não estava muito à vontade. Ninguém acredita, mas sou muito tímido. Sorte que o pessoal do Paraná é super simpático e te recebe muito bem. Enquanto conversávamos, comecei a notar que a dona da casa falava toda hora sobre o pavor que ela tinha da filha dela ficar doente. Toda hora falava algo como ‘porque se minha filhinha ficar doente eu não sei o que faço’, ou ‘ah, se ela ficar gripada eu isso’, ‘se ela pegar um sei lá o quê eu fico aquilo’...

Naquela época eu tinha acabado de ler um livro chamado Porcos na Sala, que fala sobre possessão demoníaca. Este livro falava sobre alguns processos de identificação de casos de possessão e libertação meio fora do padrão, digamos assim. Muitos criticaram este livro. Eu sou da turma do ‘provai de tudo e retém o que é bom’. A medida que aquela mulher falava eu comecei a discernir em meu espírito que aquele medo era muito além do que preocupação. Olhei nos olhos da mulher e vi que tinha algo de errado naqueles olhos. ‘Olhos insanos’, como diria o Nenhum de Nós em ‘Camila Camila’.

Ela também me olhou nos olhos e daí pra frente foi mais forte do que eu. Tudo foi em uma fração de segundo: olhando fixamente nos olhos dela, no meio da conversa (e aparentemente do nada) eu ordenei: Demônio maldito, você tem trazido pânico nesta mulher, ameaçando trazer doença sobre a vida da filha dela. Saia agora, em nome de Jesus!

Ninguém acreditou no que aconteceu: Ela deu um grito, teve algo parecido com uma ânsia de vômito, cuspiu algo nojento, como um fio de saliva muito longo, mas de uma cor estranha. Jorrou longe. Ela começou a chorar convulsivamente. Abraçamos ela e ela aos poucos se acalmou. Clamei pelo Sangue de Jesus em sua vida e na vida de sua família, apresentei Jesus como Senhor e Salvador, ela orou junto a nós todos.

Ali ela foi liberta. Isso já faz mais de 10 anos. Pouco tempo atrás tive notícias dela, dizendo que hoje ela estava firme na presença de Jesus e que a filhinha dela estava muito bem.

Nosso inimigo é muito sujo. Que o Espírito de Deus nos dê discernimento para estarmos atentos às astutas ciladas do diabo.

Loucura loucura loucura....

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sonhei, parte 1


Há alguns anos atrás, sonhei que estava levando minha ex-esposa no ponto de ônibus pela manhã (sonho de pobre é uma merda). No meu sonho, assim que ela pegou o ônibus, veio logo atrás outro ônibus indo para Itapecerica da Serra. Por alguma razão, eu dei sinal. Subi no ônibus e fui até o final da linha. Ao chegar lá comecei a andar pela cidade, mas não era Itapecerica, e sim São Vicente, litoral paulista. Fui andando em direção à Ilha Porchat. Gostava muito de São Vicente naquela época..

Andando pelas pedras vi um homem de joelhos. Parei ao seu lado e vi que ele estava chorando. Coloquei minhas mãos sobre sua cabeça e comecei a ministrar sobre a vida dele. Quando fiz isso eu acordei com o despertador. Sonho louco, pra variar.

Levantamos, tomamos café e fui levá-la ao ponto. Ela pegou o ônibus e adivinha: logo atrás vinha um Itapecerica da Serra. Por impulso dei sinal e subi. Estava encanado com o sonho, queria ver o que ia acontecer.

Cheguei ao ponto final e comecei a andar. Andei, andei e nada acontecia. Fiquei por lá meia hora batendo perna. Decidi voltar para casa.

Peguei um ônibus de volta e desci no Vila Remo. Ao passar em frente a uma padaria tive a impressão de ter ouvido alguém fazendo ‘psiu’, mas não deveria ser pra mim. Continuei andando e ouvi novamente o ‘psiu’, desta vez mais perto. Parei e olhei para trás. Era um homem de uns 40, 45 anos, roupas simples. Ele chegou perto de mim e disse: ‘Você não me ouviu te chamando não?’ Aquilo me irritou. Respondi ‘quem me conhece me chama pelo nome, não olho pra ‘psiu’. O que você quer?’

Ele me disse: ‘Não te conheço mas te vi passando pela porta. Quando você passou uma voz falou ao meu ouvido “chame ele e peça para ele orar por você”. Por isso te chamei.’

Me arrepiei todo. Perguntei: ‘Você é cristão?’ Ele respondeu ‘não, mas ore por mim’.

Me lembrei do sonho, do homem de joelhos e não pensei duas vezes. Coloquei a mão sobre a cabeça dele e comecei a orar. Dizia ‘Deus, em nome de Jesus, toma a vida deste homem em suas mãos...’ Nisso ele começou a tremer e caiu de joelhos. Ele, chorando, me perguntou: ‘moço, que poder é este que você tem?’ Respondi: ‘Eu não tenho poder nenhum, mas Deus, em nome de Jesus, tem todo o poder sobre os Céus e a Terra.’ Um monte de gente passava por nós, mas não estava nem aí. Obedecer é melhor do que sacrificar, como diz a Palavra...

Enquanto eu orava ele chorava e tremia. As pessoas que passavam não entendiam nada. Clamei pela vida dele, pela sua salvação, pela família. Quando acabei de orar ele me disse, com os olhos cheios de lágrimas: ‘Moço, eu estava na padaria tomando pinga com um amigo meu (eram 8 horas da manhã!) e de lá nós iríamos para os cinemas da Av. São João. Iríamos passar o dia assistindo filmes pornográficos. Agora não vou mais. Vem aqui, quero que você ore pelo meu amigo, ele precisa disso que você me fez.’

Entramos na padaria. O outro homem, visivelmente perturbado, ao me ver se encostou no balcão e gritou: ‘Eu não quero nada com você não, vai embora!!!’ O amigo dele replicou: ‘Fulano (não lembro dos nomes deles, para variar), ele orou por mim, quero que ele ore por você!’, mas ele fugia de mim. Fui até a direção dele e peguei em sua mão, mas senti que o que tinha que acontecer já tinha acontecido. Sem fazer julgamentos, mas era para orar só pelo primeiro rapaz. Disse apenas ‘Fica com Deus’ e me voltei para o outro.

Ele me pediu, olhos cheios de lágrimas: ‘Meu amigo, quero que você vá até minha casa e ore por todos que estão lá. Eles estão precisando de Deus’. Falei: ‘Então vamos agora!’ Ele replicou: ‘Não, é melhor que você vá no sábado.’ Ele então me passou o endereço e me mostrou ao longe onde era mais ou menos.

Fui para casa e, à medida que se aproximava o sábado, confesso que fui ficando cada vez menos à vontade para ir à casa dele. É aquela história do ‘panela suja se lava quente’.

Chegou o sábado. Peguei o papel com o endereço, minha Bíblia e fui procurar o endereço. Perguntei pra um onde era a rua, não sabia. Perguntei para outro. Não sabia. Andei uns 10 minutos e confesso que fui ficando aliviado por não encontrar o endereço que ele me passou. Existem situações que tem que ser resolvidas na hora. Voltei para casa com um peso enorme na consciencia.

Na época me condenei muito por não ter insistido em ir no mesmo dia nem de não ter ficado mais tempo procurando a casa dele. Hoje eu entendo que a parada era com ele. O sonho, o ônibus, o andar pelas pedras, o encontro, a oração...

Acredito que não devo ter sido o primeiro a ministrar sobre a vida dele, nem muito menos o último.

Não acho que pisei na bola...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O dia que deixei de ser Carlinhos



Aqui estou eu novamente, pensando em um monte de coisas ao mesmo tempo. No momento o que mais tenho pensado é em como alguém como eu pode ter chegado aos 40 anos depois de tomar tantas porradas.

Superei situações que imaginava serem impossíveis de serem superadas, inimigos imaginários, medos, traumas... creio que a origem de tudo foi em minha infância.

Eu era um moleque insuportável (sei que não mudei muito quanto a isso), sempre querendo coisas que não estavam ao meu alcance, dando trabalho aos meus pais, pentelhando minhas irmãs, fazendo escândalos por não me darem o que eu queria... até hoje me lembro do Autorama que eu não tive, do trenzinho Santa Fé que era meu sonho de consumo, dos aeromodelos que sonhava construir e por para voar. Foi muito difícil, mas esta dificuldade foi gerada pelo fato de eu não saber lidar com o NÃO. Até bem pouco tempo atrás 'não' não existia para mim. Sempre dava um jeito para conseguir as coisas, ou pelo menos tentava remediar de alguma maneira. E quando o 'não' era definitivo eu me fechava, chorava, resmungava contra Deus, contra as pessoas que me amavam... mas isso é outra história, qualquer dia eu conto.

Voltanto ao assunto superação, me lembro vivamente da primeira vez que tive que resolver minhas coisas sozinho.

Estava em casa, sobre a laje que havia sobre o portão no terreno ao lado da casa de meu pai (o terreno era dele, mas vendeu por ter ficado muito tempo sem trabalho) soltando pipa. Minha lata tinha muita linha, tinha feito um cerol muito bom... estava feliz, desbicando meu 'bólido' quando de repente vi um dos meus pesadelos subindo a rua em minha direção. Era um garoto (influência carioca em meu vocábulário) que sempre me batia quando estava brincando na rua. Acho que todos os garotos sabem bem do que eu estou falando. Ele me dava frio na espinha. Nem era maior que eu, mas sabia se impor, era folgado pra caralho e me intimidava.

Como eu estava sobre a lage pensei: "tranquilo (carioquês), to aqui em cima, ele não pode fazer nada".

O meliantezinho parou embaixo do portão e ficou conversando banalidades comigo, tipo 'seu pipa é da hora', 'desbica para eu ver', etc e tal. Como estava protegido fiz o que ele tava pedindo. Ai ele disse:

'Que legal! quanto de linha você tem na lata? Parece que é bastante né? Vê quanto você tem, manda linha até vermos onde você consegue 'mandar busca' (dialeto de quem empina pipa)!

O otário aqui mandou toda a linha da lata (afinal, estava seguro mas tinha que obedecer né? Depois iria para rua e poderia tomar uns cascudos dele) e assim que a linha chegou ao final ele pegou um pedaço de pau que estava por perto e baixou minha linha, quebrou e começou a puxar rapidamente. Foi tudo muito rápido, entrei em desespero e a primeira reação que tive foi gritar:


Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!

Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!

Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!


Gritava chorando e ele ficava rindo, enquanto enrolava a linha de improviso em uma lata que ele encontrou. Estava paralizado de medo, me sentindo traído, um trouxa, um bosta, um idiota... como eu pude acreditar nele? Como eu pude me deixar influenciar por ele???

Continuei gritando e ninguém vinha ao meu socorro. Aí eu descobri que estava sozinho e que ninguém iria me ajudar. Ele foi embora, eu chorei muito e tive que me conformar (eu era muito bunda-mole).

Após o almoço eu estava no quintal de casa brincando meio amuado quando vi que o meu pipa estava no ar bem longe, mas com a linha passando sobre a minha casa. Entrei em crise, pensei, pensei e decidi agir.

Peguei uma vassoura, subi no telhado e puxei a linha. Medi um palmo e dei um tranco para que ela quebrasse bem perto da mão dele (quem solta pipa conhece as técnicas... rere..) A linha rebentou, comecei a enrolar super feliz, orgulhoso de mim mesmo. Estava super excitado. O medo de apanhar era menor do que meu desejo de vingança, afinal de contas ele me batia por nada! Enquanto enrolava o demoniozinho veio correndo até meu portão e começou a me xingar, me ameaçando, falando que o pipa era dele... aquilo foi demais para mim. Num acesso de raiva fui até o portão e encarei ele. Disse tremendo de medo por dentro, mas cheio de uma força que hoje sei que veio de Deus:

"Olha aqui, este pipa É MEU, você ROUBOU de mim e TOMEI de volta! Se quiser de volta vai ter que tomar de mim de novo!!!"

Ele não esperava de jeito nenhum esta reação, perdeu a voz e pude ver que pela primeira vez na vida ele não estava no controle da situação (pelo menos comigo).

Ele amarelou, baixou a cabeça e foi embora. Depois disso ele NUNCA MAIS me enfrentou. Venci meus limites, venci meus medos, e - mais importante de tudo - descobri que dali para frente eu havia descoberto que meu pai não estaria sempre ao meu lado para me socorrer.

Parece bobeira mas isso foi um divisor de águas em minha vida.

Sempre me lembro disso (com lágrima nos olhos ao escrever)... Hoje luto ferrenhamente pelos meus objetivos e sei que - se não sou tudo o que sempre quiz ser - pelo menos estou no caminho.

É isso gente... escrevendo isso muitas coisas estão vindo à minha mente... sempre que lembrar de algum causo eu vou colocar para vocês aqui.

Um abraço!

João Carlos (deixou de ser 'Carlinhos' naquele dia... glória a Deus!)