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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O burro e a cenoura


“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”.Salmo 90.12

Vivemos querendo adiantar o tempo, ansiando que segundos se transformem em minutos, minutos em horas, horas em dias, dias em semanas, semanas em meses, meses em anos, sempre achando que agora as coisas não vão bem, mas que no futuro tudo será muito melhor.

Esperamos os segundos que faltam para acabar a prorrogação da partida de futebol quando nosso time está ganhando. E os segundos se transformam em minutos, e a partida acaba. Que felicidade, oh!

Os minutos tardam em passar, e queremos que chegue logo a hora do almoço ou de ir embora do trabalho. Minutos eternos, contados no relógio. Mas os minutos se transformam em horas e estas horas passam. Chega a hora de ir embora do trabalho e ficamos felizes com isso.

As horas se arrastam no relógio, e os dias são longos. Não vemos a hora de chegar o fim de semana para descansarmos um pouco. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta. Até que enfim. Sobrou-nos dois dias para recarregarmos a bateria, fazemos festas e churrascos ou apenas limpamos a casa, vamos à igreja, lavamos roupa e descansamos um pouco assistindo Fantástico domingo à noite. Que maravilha.

Puxamos o saldo de nossa conta e vemos quanto de dinheiro temos e nunca é o suficiente. Os dias que faltam até o próximo pagamento se arrastam lentamente, fazendo com que a ansiedade que ficamos em quitar nossas dívidas nos deixe com dores nas costas, dor de cabeça e insônia. Fazemos de tudo para esticar o salário, mas este escorre por entre os dedos como água. Resistimos heroicamente até que chegamos no dia do pagamento. Mais um mês que se foi, graças a Deus.

Mas temos o conforto de que daqui mais alguns meses tiraremos um mês inteiro de férias. E torcemos para que o ano passe rápido. Apesar de toda luta diária, o ano passa e chegamos ao bendito mês. Descansamos alguns dias, mas o dinheiro acaba. Ficamos ansiosos esperando que as férias terminem logo, pois fazer nada sem dinheiro não dá.

Mesmo assim não perdemos a esperança de dias melhores. Lembramos que temos trabalhado anos a fio, e o tempo que falta para nos aposentar está chegando. Assim não dependeremos mais de um mísero mês de férias para descansar os ossos. Chegará o dia que daremos entrada em nosso pedido de aposentadoria. E este glorioso dia chega. Papelada e burocracia cumprida, pronto. O troféu por anos de trabalho a fio chega. Ficamos em casa, inventamos uma coisinha aqui e outra ali para fazer, até que não vemos mais nada pela frente.

Perdemos a disposição, ficamos cada vez mais doentes, passamos a freqüentar os estaleiros com uma freqüência cada vez maior. A virilidade dos primórdios se foi. O prazer pela vida também. O que conseguimos juntar? Valeu a pena o esforço? Agimos como o capitão do barco a vapor que participava de uma competição. Forçamos os motores ao máximo para chegarmos à frente de todos, lançando carvão nas fornalhas. O objetivo vai sendo alcançado até que acaba o carvão. Mas o importante é vencer a corrida e começamos a jogar toda peça de madeira do barco nas fornalhas para alimentar o fogo que nos impulsiona para frente. Cadeiras, mastros, lemes, remos, botes, tudo vai pro fogo.

Chegamos ao fim da corrida na frente de todos. Qual foi o prêmio? Chegar ao fim. O que sobrou do barco? Nada! De que adiantou queimar tudo de bom que tínhamos em mãos, nosso presente precioso, em troca de um oásis que na verdade não passava de uma miragem?

Ouvimos muitos louvores e pregadores da prosperidade dizer que o melhor de Deus está por vir. Com isso jogamos nossas vidas fora. Correndo atrás da cenoura presa em uma vara em nossa frente, mas nunca a alcançamos, apesar do esforço.

Que Deus nos dê sabedoria para valorizar cada segundo vivido, ouvindo, respirando, falando, comendo, trabalhando, rindo, chorando, brincando. Isso é o que vamos levar da vida.

“Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos em que dirás: Não tenho prazer neles; antes que se escureçam o sol e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; no dia em que tremerem os guardas da casa, e se curvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas, e as portas da rua se fecharem; quando for baixo o ruído da moedura, e nos levantarmos à voz das aves, e todas as filhas da música ficarem abatidas; como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho; e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e falhar o desejo; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se rompa a cadeia de prata, ou se quebre o copo de ouro, ou se despedace o cântaro junto à fonte, ou se desfaça a roda junto à cisterna, e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade".
Eclesiastes 12.1-8

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

As profundezas

Perdi o temor das ondas que tentavam me encobrir. Antes nadava contra as correntezas que procuravam me arrastar para as profundezas do oceano. Passei a ver que este temor era desnecessário. Na verdade temia o desconhecido. Sempre gostei de andar em segurança, mas não há como manter tudo sob controle, e o desconhecido não é tão mal assim. Não importava o quão bom nadador ou cauteloso eu fosse. Sempre que tentei me manter de pé por conta própria caí, todo desengonçado.

Não quero mais ter o controle. Sou incapaz de decidir o que é o melhor para mim. Quando entendi que não tenho como manter o controle de tudo, me deixei levar. No início por falta de opção. Agora por total confiança (Deus é expert em tirar o melhor de nós...). Quando dou por mim, estou nadando entre lindos peixes e corais. A substância que supostamente poderia me levar à morte não me sufoca mais. Apenas o temor do desconhecido me prendia. Não sabia que já era capaz de sobreviver sob as águas. Nado e vasculho as profundezas do oceano. Encontro tesouros perdidos, maravilhas ocultas que nem era capaz de imaginar. Descubro que é necessário confiar. O que via na superfície não era real, existe vida nas profundezas, existe luz no meio das trevas.

Deixei de ser covarde. Hoje saio à caça de meus tesouros nestas profundezas. Não carrego nada comigo. Nem mascara para mergulho, nem balão de oxigênio. Nenhum apetrecho de sobrevivência, pois não sei quais situações enfrentarei e não posso carregar tanto peso. Nesta confiança infantil, faço-me um com a nova natureza, que passa a ser excitante. Nada de temor, apenas a sensação de liberdade. Não tento mais enquadrar a realidade no meu foco estreito. As profundezas são imensas, cheia de vida. Meu temor se dissipa e me torno um com a Criação.

Meu Criador me habilita atravessar os mares. Antes achava que o mar se abriria ou andaria por sobre as ondas, mas não é assim que tenho visto. Mergulho, deixo-me levar e conheço cada vez mais o profundo do profundo de Deus. Momentos antes inimagináveis aprendi a gozar. Prazer na dor e na frustração, pela simples confiança de que tudo está sob o controle do Abba. Tenho visto a vida por outro ângulo, descobrindo vida onde para muitos apenas há o caos e a desordem. No mergulho que faço em meu interior, conheço-me cada vez mais.

Assim caminho, ou nado, ou sou arrastado… Total confiança.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eu sou um pé no saco!


Eu sou pequeno, frágil, pecador, limitado, inconstante, chato, rabugento, sistemático, facilmente levado aos extremos das emoções... Mas gosto de mim. Gosto por saber de minhas limitações. Apesar de tudo, não tenho uma visão pessoal distorcida. Isso faz com que eu também saiba de meu valor.

Jogo limpo. Minhas intenções são boas. Nunca ferrei ninguém, pelo contrário, houve diversas ocasiões que coloquei o meu na reta para salvar pessoas que eram mais fracas que eu e não saberiam suportar a pressão de suas falhas.

Se aconteceu de alguma vez alguém ter sido prejudicado por alguma posição tomada por mim, certamente não foi por eu ter agido assim com a intenção de gerar o mal. Isso me faz bem. Procurar ser íntegro perante Deus e perante os homens tem sido minha bússola, meu estilo de vida.

Quantas vezes pelo caminho deixei pessoas tristes comigo? Foram várias, mas sempre pelo fato de decepcioná-las em relação ao que elas esperassem que eu fosse, e não por eu ser quem eu sou. Quem se aproxima de mim e passa a me conhecer não tem grandes surpresas. As que acontecem normalmente são boas. Agora, não esperem de mim um sorriso falso, palavras doces para encobrir minha posição real perante os fatos.

Inúmeras situações eu vivi às quais vieram me perguntar o que eu achava sobre um assunto qualquer ou de determinada atitude que eles tinham tomado. Aprendi a responder “quer saber mesmo ou você só está perguntando”?

Com isso queria dizer que poderia ser “genérico” em minha resposta ou então ir fundo e discutir o assunto com seriedade. Mas nem todos estão preparados para uma discussão neste nível. E eu odeio ser simplista, assim como odeio simplismos. Não tolero aqueles papos vagos do tipo “e ai meu brother, está tudo bem”?, esperando uma resposta positiva. Se estiver tudo bem está tudo bem, mas se não estiver não estará. Aí cabe minha resposta: “Quer saber mesmo”?

Por isso vejo que muita gente se afasta de mim. Chamo isso de seleção natural. Não quero ser super pop. Não quero ser aceito por aqueles que nada de proveitoso (no bom sentido) tem a me dar. Parece indelicado mas não é. Quero dizer com isso que não pago qualquer preço para manter uma relação alicerçada na areia. Gosto de cavar fundo. Gosto de saber onde vou pisar. Cansei de relacionamentos “areia movediça”. Quando você dá conta, está atolado até o fim, sem conseguir se safar.

Não, basta! Quero paz. Quero poder contar meus amigos nos dedos das mãos. Não preciso ter um milhão de amigos no Orkut por exemplo. Pessoas que me adicionam pelo fato de ter uma foto minha de costas com uma tatuagem animal. Pessoas que querem passar por populares. Não participarei de rodas de pessoas que se alimentam de pessoas. Nunca andarei na direção das multidões. Sou doce e amargo, macio e áspero, delicioso e intragável. Não há como me comer com ketchup e mostarda. Sou um prato sofisticado e não combino com qualquer vinho.

Por que estou escrevendo tudo isso? É que ontem a noite estava falando sobre auto-estima com um conhecido meu. E isso eu tenho de sobra. Eu me amo, por isso posso amar os outros. E meu amor é firme, duro e penetrante. Sou como uma espada de dois gumes. Vou no fundo, cortando, tirando fora o que não vale a pena ser mantido.

Na sociedade de hoje não considero fácil gostar de gente assim.

Na boa? Tomei Activia com Johnnie Walker para eles (tradução: tô cagando e andando...).

Base bíblica? Basta uma: "Daqui em diante ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus". - Gálatas 6:17

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Deus é AMOR!


Costumo ouvir muitas pessoas dizerem que as coisas que acontecem estão escritas. Muitos dizem perante uma tragédia que Deus quis que aquilo fosse daquela maneira. Morre uma pessoa e falam ‘a meu filho, não fique triste, Deus quis assim’...

Sinceramente este não é o Deus que eu creio. Não é o Deus da Bíblia. O Deus que eu creio não criou a morte nem a dor. Ele criou o mundo perfeito e nós humanos é que bagunçamos tudo. Temos controle de nossos atos mas não temos controle das consequências. Colocamos engrenagens em movimento que levam as coisas para direções que não esperamos.

Alguns podem dizer então: ‘Como se explica que uma criança nasça sem cérebro e viva apenas 23 segundos após o parto? Ela teve tempo de pecar?’ ou ‘Por qual razão um Airbus A310 com 153 pessoas cai no Oceano Índico e apenas uma criança de 14 anos sobrevive, um A320 cai no Rio Hudson e todos sobrevivem graças à perícia do piloto e um A330 cai no Atlântico e todos os 228 passageiros e tripulantes morrem?’ Será isso alguma praga lançada por algum concorrente da Airbus? Será que o diabo deixou de vestir Prada e agora está vestindo a prata de uma fuselagem? Aquela criança de 14 anos não era mais santa do que as outras 152 pessoas que morreram. No avião do Rio Hudson não havia 151 eleitos de Deus, com uma missão que somente eles poderiam cumprir na Terra. Muito menos o A330 caiu pelo fato de ter um argentino entre os passageiros (foi mal... desculpe).

Deus está cochilando enquanto isso acontece? Tem gente que diz que Deus criou o mundo e deu corda, agora assiste ele andar sozinho, até que tudo acabe. Não é isso. Com certeza não. Alguns dizem que Ele pode tudo mas não ama a humanidade o suficiente para intervir. Outros dizem que até que Ele ama, mas é impotente para agir. Tudo isso é besteira. Ele pode tudo, mas não chantageia seus filhos, vinculando bom comportamento ou vilania humana ao seu ato de intervir ou não.

Nosso Deus é eterno, onipotente, onipresente, onisciente e – acima de tudo, ele é AMOR.

Por ser Eterno, ele não está preso à nossa medida de tempo ‘kronos’. Ele vive no tempo ‘kairos’, o tempo pleno, de onde Ele vive a eternidade. Não há ontem, hoje nem amanhã para Deus.

Nosso Pai é onipotente. Tudo se criou através de sua Palavra. Ele disse 'haja' e ouve. Não há nada que Ele não possa fazer.

Ele é onipresente e acompanha todos os fatos. Da formiga andando em uma pedra no interior da floresta amazônica às últimas noticias da CNN. Acompanha e não se mete. Onisciência é quase que um atributo natural pelo fato de ser eterno e estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

Mas o mais impressionante na Pessoa de Deus é o AMOR. Deus é amor. Amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera. Este amor fez com que Deus criasse o homem para se relacionar com Ele, mas não criou apenas os bonzinhos, deixando os malzinhos na forma por não terem correspondido às Suas expectativas. Colocou no mundo o bebê acéfalo que viveu 23 segundos da mesma maneira que colocou Hitler. Todos com as mesmas chances. Todos amados desde a formação. O ponto é que Deus, em sua onisciência, já sabia que um não sobreviveria e o outro seria responsável pelo massacre de 6 milhões de judeus.

Eu vejo em tudo isso o tamanho da grandeza de Deus. Grandeza de caráter, grandeza de amor. Eu não serviria a um Deus que me chantageasse com o bem. Eu não respeitaria um Deus que coloca somente os bons em campo. Isso seria coerção. Servir a Deus seria a única escolha sábia a ser feita, afinal de contas, seria o melhor investimento.

Sirvo a Deus pois Ele me dá a opção de não servi-lo. É esta a razão de sermos espetáculo para os anjos e demônios. Sirvo a Deus, independentemente do que ele faça ou deixe de fazer por mim. Deus se fragilizou e se expôs ao limite quando nos criou. Tornamos-nos a maior aposta de Deus. Somos a prova que Deus precisava para mostrar ao diabo que é possível sim amar a Deus, independente de circunstâncias. Até a não destruição do diabo é um fato que prova o tamanho do caráter de Deus. Se Ele tivesse esmagado a serpente já no Jardim do Éden, hoje seríamos meros fantoches, amedrontados com a fúria de um Deus que não sabe conviver com ninguém que pense ou aja fora de seus padrões.

Crianças sem cérebro continuarão a nascer, monstros continuarão a dizimar povos e nações, aviões continuarão a cair. Mas haverá o dia em que Deus limpará de nossos olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas serão passadas (Ap 21-4) Chegará o dia em que a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados (1Co 15-52). A morte e o inferno serão lançados no lago de fogo (AP 20-14) Chegará o dia que se cumprirá a Palavra que está escrita: ‘TRAGADA FOI A MORTE NA VITÓRIA. ONDE ESTÁ, Ó MORTE, O TEU AGUILHÃO? ONDE ESTÁ INFERNO, A TUA VITÓRIA? - 1Co15:54-55

Maranata! Ora vem Senhor Jesus!!!!!!!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Amar te faz sofrer... mas é bom!


Sabe quando uma música fica ‘tocando’ em sua mente e você não consegue parar de pensar nela? Na minha cabeça estava ‘tocando’ Medo da Chuva, do grande Raul Seixas, em especial aquela estrofe que diz: 'Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez'.

Ninguém neste mundo é feliz tendo amado uma vez... Ninguém neste mundo é feliz tendo amado uma vez... Fiquei pensando a respeito e comecei a fazer uma análise do que é amor, até por que não amei apenas uma vez. Amei e amo muito, várias vezes!

Quando você ama você sofre e sofre muito. Eu e Raul não estamos sós quando afirmamos isso. Paulo disse o mesmo quando escreveu em 1Co 13:4 que ‘O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.’

O amor te fragiliza, pois te torna um com o objeto de seu amor. Vitória ou fracasso já não depende só de você, o amado se torna co-responsável por seu destino. Quando você ama você vibra com os sucessos do seu amado, chora com sua dor, goza com suas vitórias, não menospreza suas emoções. Não há como ser imparcial.

Quando você ama você não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal (verso 5). Dizer que o amor é cego é a mais pura verdade, pois você não olha para os defeitos do seu amado, simplesmente por ter decidido amá-lo. Isso não é feito baseado em emoções. Seu interior se move nesta direção, atropelando seus sentimentos e te impelindo a agir. O amor é, neste sentido, uma força maior que te empurra para frente, em direção ao bem daquele a quem você ama.

Este tal de amor não folga com a injustiça, mas folga com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (versos 6 e 7). O amor amplia teus limites. Sua resistência à dor e ao sofrimento se torna cada vez maior. Você defende seu amado de toda boca que levanta acusação contra ele e sofre as conseqüências disso. Você acredita na essência da bondade de teu amado. Não que ele em si seja realmente bom, mas teu amor cobre-o com um manto de justiça. Ele é puro aos teus olhos, pelo amor que você deposita nele.

Você acredita que aquele que você ama cada vez mais será beneficiado pelo amor que você deposita nele e aguarda pacientemente que todo o potencial dele venha à tona. Você suporta todas as falhas e mau-criações que teu amor te causa, pois ele é único e especial para você.

A meu ver, este processo todo te faz se aproximar cada vez mais de você próprio, pois ao aceitar que aqueles que você ama são falhos, mas dignos de serem amados, você aprende a lidar com suas próprias fraquezas e imperfeições. E isso te joga para um patamar ainda mais alto, pois começa a entender que esta é a maneira que Deus nos olha e nos aceita. Ele nos ama, e seu amor nos cobre e nos purifica. Ai você entende o por que de Deus ser amor. Você entende o que moveu Seu coração quando viu que sua criação não era digna de Seu amor, e algo teria que ser feito para que nós pudéssemos gozar de sua bendita companhia.

Ele sofreu por nós, foi bom conosco, nos tratou bem, acreditou em nós, suportou nosso fardo de pecado. Entregou-se totalmente e pagou o preço que era necessário para que pudéssemos estar em Sua presença. Pare para pensar: Deus sofre por nós. Deus é um Deus sofredor.

Mas este amor não falha. Um dia, a semente que Deus plantou ao dar seu Filho Jesus para pagar por nossos pecados dará a plenitude dos frutos esperados. Tudo passará, até as maiores virtudes dadas por Deus serão reduzidas a nada. Deixaremos de agir como meninos e seremos homens e mulheres plenos. Deixaremos de ter a visão distorcida das coisas e veremos tudo como realmente elas são. Conheceremos a nós mesmos como Deus nos conhece (minha interpretação dos versículos 8 a 13).

A fé e esperança permanecerão, mas o amor será então colocado no lugar maior. Ele prevalecerá sobre tudo. Então veremos que valeu a pena ter sofrido tanto por termos amado.

Peço que vocês me perdoem ao falar sobre o amor por este ângulo, mas há alguns dias isso tem me incomodado e quis escrever. Não tenho a mínima pretensão de querer encerrar o assunto. Pelo contrário, estou muito longe disso. Se eu ler e reler o que escrevi, possivelmente vou alterar e cortar muita coisa, até chegar ao ponto de desistir de postar este texto em meu blog. É apenas o que tenho pensado nestes dias sobre este assunto...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mais um aninho de VIDA!!!

"Xa" eu falar como foi minha conversão... afinal de contas, amanhã faço 17 aninhos...

Durante minha vida antes de Cristo me envolvi em quase todo tipo de excesso. Bebidas, cigarros, drogas, mulheres, confusões, brigas... Tantas coisas aconteceram que hoje olho para trás e vejo que apenas sobrevivi pelo fato de Deus ter tido muita misericórdia de mim.

Paralelo aos meus descaminhos, dentro de mim sempre houve algo que queimava em meu peito e me fazia tentar procurar algo mais do que estava à minha vista. Sentia sede pelo sobrenatural, sabia que devia existir uma força maior, uma energia, algo que fizesse com que a vida fizesse sentido.

Nesta minha busca, freqüentei o catolicismo por vários anos, devido à "fé" de minha família. Quando cheguei à adolescência, comecei a achar que pensava. Comecei a questionar os fatos, os por quês das coisas. Influenciado por uma namorada, comecei a freqüentar o espiritismo. Fui em duas das vertentes, o considerado ‘alto espiritismo’ e o ‘baixo espiritismo’. Isso merece um capítulo à parte, devido a quantidade de acontecimentos que vivi neste período.

Devido a inúmeras decepções e sustos nesta área, me afastei e cai ainda mais na gandaia. Mais bebidas, mais drogas, mais mulheres, mais um monte de coisas. Mas a sede pelo sobrenatural estava lá. Lia livros de magia negra, flertava com satanismo, brincava com fogo, literalmente. Por mais estranho que possa parecer, tudo isso foi feito com muita sinceridade e inocência. Estava na busca, mas não discernia o que era certo do que era errado.

Nesta época um de meus melhores amigos era também meu companheiro de loucuras, baladas e também na busca pelo sobrenatural. Só que ele era muito ‘zicado’. Para você ter uma idéia, bastava nós sairmos e de alguma maneira a polícia vinha dar geral na gente. Era impressionante como com ele parecia que se fechava um circuito e tudo o que não prestava acontecia. Uma vez na casa dele ficamos tirando cartas de tarô e começamos a ver que coisas estranhas começaram a acontecer. Arrepios, fortes sensações, temor, opressão, medo. Decidimos acabar com a brincadeira e o baralho foi enterrado no fundo da casa dele. No dia seguinte pela manhã as cartas estavam desenterradas, ao lado da cabeceira de sua cama...

Um determinado sábado decidimos ir à Galeria do Rock pela manhã. Os pais dele tinham ido viajar. Marcamos com outros dois amigos e fomos para a casa dele depois. Lá começamos a ouvir música, beber e fumar. Depois de um tempo, este meu amigo bolou um baseado e eu dei um pega. Fumava de vez enquando. Até cocaína já tinha cheirado (com a pó o máximo que tinha acontecido comigo até ali foi ter ficado numa rebordosa desgraçada...). Só que aquele dia foi diferente: A parada BATEU.

Bateu forte e comecei a ter visões. Ao redor de meu corpo parece que acendeu uma luz roxa, como neon. O meu amigo olhou para mim e disse: ‘Agora sim Johnny, agora sim bateu!’. Ele via isso em mim, mas os outros dois não viam.

Nós quatro sentamos no chão e fechamos um círculo de mãos dadas. Tocava ‘The Doors’ ao fundo (nada mais propício para abrir as portas da percepção...). Eu e meu amigo começamos a ter as mesmas visões. Estávamos numa ilha, subíamos em árvores, retirávamos frutos e comíamos. Dávamos risada, corríamos. Nós falávamos tudo o que estávamos vendo, mas os outros dois não viam as mesmas coisas. Eles estavam desconfiando que estávamos brincando. Mas era tudo real.

Nisso começou a acontecer algo muito estranho. Uma luz muito forte apareceu do chão, iluminando tudo ao nosso redor. Eram como spots muito potentes, e nossos corpos eram iluminados de baixo para cima, formando colunas de sombras e luzes. Nós estávamos ali, e de repente brotou no meio de nós quatro uma bolhinha branca, que começou a crescer e se tornou um cogumelo branco. Ele ia crescendo cada vez mais, até se transformar no Jim Morrison, vocalista do The Doors, a banda que estavamos ouvindo (loucura total né? mas aguenta firme que ainda não acabou...).

Para quem não sabe, Jim Morrison tinha morrido no começos dos anos 70 e tinha um envolvimento muito grande com xamanismo, um tipo de espiritismo dos índios americanos. Foi então que Jim Morrison começou a conversar conosco. "Ele" falou mais ou menos assim:




"Esta é a última vez que volto para o plano material. Ainda não tinha me libertado e precisava que quatro rapazes, loucos como eu era, estivessem no mesmo espírito para que eu pudesse passar deste plano para o outro. Isso que estou fazendo aqui é um presente que dou a vocês. Não contem isso para ninguém, pois não acreditarão”.



Nisso ele desapareceu. Como nós conhecíamos a história da vida do Jim, eu e meu amigo chorávamos muito. Nos levantamos e nos abraçamos, felizes por termos participado de um momento tão ‘sublime’. Como ex-espíritas, mais ainda flertando com tudo quanto era tipo de atividade ligada ao ocultismo, realmente acreditamos em tudo o que aquele ‘espírito’ tinha falado conosco.

Me afastei do meu amigo por um instante, ainda chorando e olhei para ele. Quando vi seu rosto notei que ele estava branco. Olhos fechados e braços estendidos. Me assustei. Parecia que ele estava morto. Sobre o corpo dele, como imagens sobrepostas, havia um outro corpo, sem densidade, não tangível e muito maior. Este olhava para mim e tentava me abraçar. Seus olhos faiscavam terror. Vi neste corpo todo o mal que até então não tinha visto em toda minha vida. Gritei, me afastei, comecei a falar que ia embora dali.

Os outros dois rapazes tentavam me acalmar. A visão espiritual tinha passado, mas meu amigo depois daquilo começou a me olhar com os olhos daquele ser que tinha visto sobrepondo o corpo dele. Quase quebrei as coisas da casa dele. Foi então que os outros dois rapazes decidiram me colocar num carro e me levar para casa. O meu amigo veio junto, mas parecia que éramos dois galos de briga, se medindo para atacar.

Ao chegar no portão de minha casa os três rapazes esperaram que eu abrisse o portão. Deram partida no carro e se foram. Só que eu não entrei em casa. Dentro de mim algo começou a falar mais alto. Havia uma luta no mundo espiritual por minha alma, mas eu ainda não discernia exatamente o que estava acontecendo. Fechei o portão e desci a rua. Fui até uma encruzilhada, tirei um par de tênis que estava calçando e joguei ali, no chão. Um Nike caríssimo. Eu fazia isso e respondia a uma voz que falava comigo. Eu dizia a ela: 'Foi você que me deu? Então toma de volta! Não quero nada seu!’ Em minha cabeça veio diversas coisas que pareciam que tinha sido dadas à mim pelo demônio. Mas ainda não sabia que ele era o dito-cujo.

Voltei para casa e fui direto no quarto de minha irmã. Ela acordou e olhou para mim. Eu estava um farrapo humano. Fedendo maconha, bêbado, mijado, sujo e chorando. Ela se assustou, não sabia o que fazer. Eu chorava muito. Soluçando, eu falei para ela:

“Leila, to cansado desta vida, quero conhecer seu Jesus!”

Ela tinha acabado de se converter, influenciada por minha outra irmã e tinha falado alguma coisa sobre Jesus. Ela me abraçou chorando, me levou pro quarto e eu dormi.

Tive uma noite boa de sono. Pela manhã ela tinha ligado para minha outra irmã e as duas vieram ao meu quarto. Minha irmã mais velha, a que tinha se convertido antes da Leila, expôs o plano de salvação para mim. Eu entendi mais ou menos, mas era aquilo que eu queria. Estava sendo guiado pelo Espírito Santo à tomar aquela descisão. Minhas irmãs oraram por mim e após isso elas falaram: ‘Cá, você tem um monte de coisa aqui que você vai ter que jogar fora’.

Comecei então a fazer a catação. Guias de orixás, roupas que usava em rituais, quadros, CDs, fitas de vídeo. Até meu colchão. Dentro dele eu tinha colocado um monte de ‘palha da costa’, instruído pelo pai de santo do terreiro que eu freqüentava, devido à um ataque que sofrera no mundo espiritual numa determinada noite. (esta estória merece um post à parte).

Fomos ao fundo do quintal e metemos fogo em tudo. Senti muita paz.

Uma semana depois, numa sexta feira, fui à uma ‘sessão de descarrego’ na Universal. Quando coloquei os pés na calçada e vi escrito ‘Jesus Cristo é o Senhor’, comecei a chorar feito criança. Foi ali, na calçada, que o que minha irmã tinha falado no final de semana anterior se tornou real em minha vida. Como já falei anteriormente em outro post, a Universal foi meu pronto socorro espiritual. Poucos meses depois estava seguindo outros caminhos, sempre baseado na Palavra.

Isso foi em Agosto de 1993. Amanhã, 28/08, fará 17 anos que me converti!