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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não há como avançar olhando para trás


“Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto! (...) Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.”Gênesis 19:19 e 26

Nunca é fácil tomar decisões, dizer “nãos”, fechar portas, virar páginas, derrubar o que foi mal edificado para reconstruir, aceitar perdas, ver outros ficando para trás enquanto avançamos, pois dentro de nós arde uma dor profunda, a dor de ver que quem esteve ao nosso redor não acompanhou nossos passos, não teve coragem de deixar os mortos enterrarem seus mortos, ficando velando os cadáveres de situações que não mais trazem vida por já terem perdido as suas.

Não há nada de amor ao próximo nesta aparente situação de solidariedade, pelo simples fato de não termos como fazer com que as pessoas que nos cercam aceitem trilhar o Caminho da Vida na marra, deixando para trás o que traz a morte e a destruição.

Muitos estão iludidos com as luzes das “Sodomas e Gomorras”, mas não se dão conta que estas luzes são fogo e enxofre caindo dos céus para sua destruição. Como continuar trilhando então? Como discernir os tempos? Como saber onde investir, edificar e criar raízes?

Como certa vez citou o Gondim em uma mensagem anos atrás, “um caixa de banco reconhece uma nota falsa no meio das demais não pelo fato de ter estudado todas as técnicas de todos os falsários do mundo, mas pelo simples fato de conhecer tão bem uma nota verdadeira que qualquer outra coisa que passe por suas mãos seja imediatamente identificada."

E desta forma temos caminhado por estes dias tenebrosos, esbarrando com verdadeiras obras de arte de perfeição e fidelidade ao que é original, mas não tendo o selo de autenticidade. E isso dói, pois vez ou outra nos apegamos até ao que não é verdadeiro por conta de nossas carências. Sabemos que aquilo não é bom, "mas aqui no peito tá doendo tanto, estou tão sozinho, preciso tanto de uma dose a mais de algo que me entorpeça para esquecer as dores do mundo que aceito esta cópia quase perfeita"...

Nossa, não esperava que pendesse para este lado relacional, pois apenas acreditava estar escrevendo sobre locais físicos ou circunstâncias, mas somos seres holísticos (vão me chamar de Nova Era, mas falo "aristotelicamente"...) e não existe nada “solto” e “sem razão”, pois tudo o que nos cerca faz parte de nossas vidas, influenciando direta ou indiretamente nosso ser.

Espero não esta viajando demais. O real intento destas linhas é mostrar que costumamos achar que somos obrigados a ter o controle de tudo o que acontece conosco e com quem está ao nosso redor, mas não temos como evitar que estes tirem suas próprias conclusões e tomem suas próprias decisões sobre como, o quê e quando fazer ou deixar de fazer algo.

Quando, porém, vem a calamidade ao nosso redor, olhamos para o lado (e não para trás) e vemos que alguns ficaram pelo caminho, por terem-se apegado ao que para trás ficou contra sua vontade. Mas a vida não nos dá a opção de retroagir! Temos que avançar sempre, cuidando daqueles que conosco decidem andar pelo Caminho da Vida, mas – ainda assim – sem o poder de obrigar ninguém a se manter em níveis mínimos de lucidez, necessários para continuar...

Nem Jesus fez isso! Em seu peito doeu ver o “jovem rico” que d’Ele se aproximou querendo saber como herdar a vida eterna, mas não estava pronto para largar tudo para trás e o seguir (Marcos 10:17-22).

Da mesma forma, vemos nos Evangelhos que, “Quando andavam pelo caminho, um homem lhe disse: "Eu te seguirei por onde quer que fores". Jesus respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça". A outro disse: "Siga-me". Mas o homem respondeu: "Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai". Jesus lhe disse: "Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus". Ainda outro disse: "Vou seguir-te, Senhor, mas deixa-me primeiro voltar e me despedir da minha família". Jesus respondeu: "Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus". – a Lucas 9:57-62

É isso o que quero dizer. Sei que dói, não é o que gostaríamos de ver acontecendo ao nosso redor, mas não temos – assim como Deus não tem, por Ele nos dar a opção de não segui-lo – como estar no controle das decisões pessoais de cada um. Atrás de nós, se nos fosse permitido olhar nesta direção, veríamos diversas estátuas de sal, daqueles que iniciaram ao nosso redor, mas optaram em amar mais o presente mundo do que o Reino de Deus e sua Justiça.

Não falo isso com alegria, mas com temor e tremor perante Deus e os homens. Sei que é difícil para alguns aceitarem nossas decisões, sei que não agradamos muitos por não ficarmos por mais tempo na inércia que eles se encontram, apenas deixando as coisas tomarem seus rumos, pois estamos escrevendo a História, não somos apenas coadjuvantes, figurantes nesta peça gigantesca que é a história da humanidade.

Post Scriptum: Recentemente, tive que tomar algumas decisões relativamente radicais, mas o fiz somente para não me tornar um cínico – não no sentido da corrente filosófica grega que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos – mas no sentido pejorativo dos dias de hoje que significa se tornar uma pessoa sem pudor, indiferente, à minha consciência e ao sofrimento alheio e que em nada se assemelha a origem filosófica da palavra.

Meus valores estavam em xeque, não tinha eu como avançar em uma direção contrária ao que considero como caminho, não havia como fazer concessões, por mais que o “prêmio” final fosse algo que desejasse muito. Neste caso, “os meios não justificavam os fins”. Perderia muito tempo com coisas infrutíferas, e já não estou mais na idade de jogar meu tempo fora em troca de algo que me faria estar em comunhão com uma filosofia oposta a tudo o que creio.


E assim termino, sem fim, pois a história ainda está sendo escrita e acho que falei demais...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tinha me esquecido que não sou o único...


Ora, Acabe contou a Jezabel tudo o que Elias tinha feito e como havia matado todos aqueles profetas à espada. Por isso Jezabel mandou um mensageiro a Elias para dizer-lhe: "Que os deuses me castiguem com todo o rigor, caso amanhã nesta hora eu não faça com a sua vida o que você fez com a deles".

Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. Em Berseba de Judá ele deixou o seu servo e entrou no deserto, caminhando um dia. Chegou a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele e orou, pedindo a morte. "Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados. "

Depois se deitou debaixo da árvore e dormiu. De repente um anjo tocou nele e disse: "Levante-se e coma". Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo.

O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: "Levante-se e coma, pois a sua viagem será muito longa". Então ele se levantou, comeu e bebeu. Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até que chegou a Horebe, o monte de Deus.

Ali entrou numa caverna e passou a noite. E a palavra do Senhor veio a ele: "O que você está fazendo aqui, Elias? " Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me".

O Senhor lhe disse: "Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois o Senhor vai passar". Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve o murmúrio de uma brisa suave.

Quando Elias ouviu, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna. E uma voz lhe perguntou: "O que você está fazendo aqui, Elias? " Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me".

O Senhor lhe disse: "Volte pelo caminho por onde veio, e vá para o deserto de Damasco. Chegando lá, unja Hazael como rei da Síria. Unja também Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel, e unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, para suceder a você como profeta. Jeú matará todo aquele que escapar da espada de Hazael, e Eliseu matará todo aquele que escapar da espada de Jeú.

No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram"
. - 1 Reis 19:1-18

Estou envergonhado comigo mesmo. Sem notar, mais uma vez entrei numa espiral descendente e – quando me dei conta – estava no fundo de uma caverna, lambendo minhas próprias feridas, acreditando piamente que eu era “o único” que estava sofrendo perante um conjunto de situações às quais julgava eu ser opressoras somente para mim.

Numa situação dessas, você de repente começa a contextualizar as situações quotidianas de forma que encontra desculpas para tudo o que você decidir fazer ou deixar de fazer. E se você é confrontado por alguém que quer te tirar deste limbo, abre uma gigantesca lista de tudo o que sofreu, está sofrendo e sofrerá, tentando despertar a compaixão daquele que percebeu que você estava afundando para que ele te deixe em "paz" com seus problemas. Pode até funcionar com um ou outro, mas, com isso, você sai de cena e passa a ser contado entre os coitados.

Quando estamos assim, acreditamos nas nossas próprias justificativas ao descrevermos o quadro que nos encontramos. Afinal de contas, "os leões são assustadores e estão lá fora à espreita, as dores são insuportáveis, as calúnias são dignas de processos por danos morais, as distâncias e alturas são realmente intransponíveis, os caminhos são deveras perigosos, as noites são mais frias e escuras" e por aí vai...

Só que tem um "porém": Gente como eu, quando cai nessa de ficar ficar se achando o coitadinho e se isola, tendo vivido o que já vivi com Deus, não tem para onde correr. Para onde for, encontra o Espírito de Deus incomodando, dando na cara, jogando baldes de água fria para ver se tira o indivíduo deste ridículo estado de apatia.

Assim, “descubro” que não sou o único que está tendo que enfrentar os leões, suportar as dores, levantar a cabeça perante as calúnias, percorrer distâncias desgastantes, escalar picos aparentemente inatingíveis, trilhar caminhos cheios de armadilhas no meio da aparente escuridão.

E isso não tem nada a ver com o que o “sinédrio” disse a mim no texto anterior. Refiro-me ao caminhar que cada um de nós tem pelo simples fato de existir nesta terra cada vez mais desolada, onde o amor cada vez mais se esfria, onde o hedonismo impera, onde as injustiças te cecam. E coitado daquele que não tem a coragem de assumir isso, preferindo usar a capa de super-crente...

Na verdade, não precisava nem ter escrito o que escrevi! Bastava apenas ter colocado o texto bíblico acima e ficaria subentendido tudo o que falei agora. Não sou melhor nem pior do que os outros, muito menos sou o único que está vivendo isso. O problema foi eu achar isso e usar como desculpas para a vontade louca que tive de jogar tudo para cima, esquecendo-me do que diz o Salmista:

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”Salmo 119-105

Lâmpada para os meus pés, não um holofote que ilumina toda a estrada, luz suficiente apenas para eu dar o próximo passo, desde que este seja para frente pois – se eu buscar a segurança total que um covarde precisa para continuar andando – morrerei frustrado, desiludido da fé, desiludido da vida, de Deus...

Ele não promete isso. Ele disse:

“...eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”Mateus 28:20-b

Foi um lindo “sacode” o que levei ontem, e glorifico a Deus por ele (o sacode) ter sido dado exatamente onde eu nem imaginava que levaria, provando que eu não era o único que estava tendo que lidar com toda esta demanda, dentro daquele contexto. E não foi através de algo devastador como um vento fortíssimo, um terremoto ou fogo: Foi como numa brisa suave que ouvi, ao final de tudo:

“...pois João, NÓS, PORÉM, NÃO SOMOS DOS QUE RETROCEDEM E SÃO DESTRUÍDOS, MAS DOS QUE CRÊEM E SÃO SALVOS
(parafraseando Hebreus 10:39)

sábado, 24 de março de 2012

Até que enfim estão me chamando de filho do Belzebú...


“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?” – Mateus 10:16-25

Ultimamente tenho sido bombardeado em meu blog. Tudo isso pelo fato de um jovem de Garanhuns - poucos dias atrás - ter lido um texto meu bem antigo, o “Ninguém me moleste, pois eu trago em mim as marcas de Cristo”, ter gostado do conteúdo e ter dito:

“Cara, parabéns, em cima desde texto, hoje Deus realizará prodígios na vida de vários Jovens em Garanhuns”

Quando li este comentário, confesso que chorei muito de alegria e glorifiquei à Deus pelo fato d’Ele pegar este monte de lixo em processo de reciclagem chamado João Carlos e fazer dele – assim como um relógio parado – “certo ao menos duas vezes ao dia”. Pensei comigo que valia a pena ser uma pessoa transparente, humana (ainda que falha), mas sinceramente motivado em fazer a coisa certa, pelos caminhos certos, ainda que eu seja um pecador de merda, um dos piores.

Minha motivação é fazer o melhor sempre, o que não signifique que eu o consiga. Nunca tive a intenção de prejudicar “A” ou “B”, nunca maquinei o mal conscientemente desde que conheci o Senhor de minha vida. Todas as vezes que errei, errei por ser humano e pecador. Nunca quis que fulano ou beltrano se estrepasse, quebrasse a cara, se desse mal.

Entretanto, as sarrafadas que estou levando apenas me fizeram lembrar do texto acima, no Evangelho de Mateus. Os comentários são todos aparentemente da mesma pessoa, ou de um grupo muito próximo e ligado ao que aconteceu em Garanhuns.

Claramente, a intenção de quem está por trás disso é desacreditar o jovem que utilizou o texto acima citado e provar por “A + B” que o “pastor João” é um herege, um lixo de vida que se acha cristão.

Invocaram com minhas tatuagens, encanaram com uma analogia que fiz entre os tele-evangelistas que hoje estão saindo no tapa na disputa pelo couro das ovelhas e o perverso sistema de castas hindu (nem leram o texto, se arrepiaram só de ver que ilustrei o texto com os falsos deuses hindus...), falaram que eu sou escuridão e que o capeta está me usando, etc, e tal. Melhor colar aqui (fazendo a correção em pontuação) do que tentar parafrasear:

Entendi o invisível. Quando Deus olha para o mundo vê muitas luzes brilhando e você João, está invisível para Deus porque não tem brilho, você é escuridão, é descrença, planta desilusão e colhe derrota. Está nas trevas e por isso é invisível, mas satanás te vê e te usa para brincar com a palavra de Deus e você pagará por isso e vai colher o maldição para sua vida e para sua família. Mas Deus ainda assim quer ver você (uffaaa!!!), quer ser seu Pai, quer te chamar de filho. Amar a Deus é somente para aqueles que foram tocados por seu olhar. Jesus pode te salvar de você mesmo, quando sentir perdido e nada mais lhe restar grite por Jesus e será visível para Deus. Que a paz, a graça e a misericórdia de Deus o encontre.”

O problema é que esta é uma situação paradoxal. Ninguém gosta de ser esculachado, por outro lado, não tem como servir a Cristo em espírito e verdade E NÃO SER! Nossa carne quer "aplauso", nosso espírito quer tomar sua cruz dia após dia e seguir a Jesus. Caramba, jogaram “praga gospel” até sobre minha família e depois disfarçaram, profetizando que eu vou me sentir perdido e neste dia eu poderei gritar por Jesus para me tornar “visível para Deus”!

Gostaria de entender este deus (“dê” minúsculo, pois não é o das Escrituras) que não consegue ver um pecador. Só pode ser o deus da religião, o deus impotente da religião que salva apenas os certinhos e não os sinceramente arrependidos por seus pecados. Tem a “ousadia de tirar a chave dos Céus das mãos de Pedrão” e ficar dizendo quem é salvo e quem não é.

Não entendem analogias simples, comparações do quotidiano e das realidades individuais com o Espírito das Escrituras, assim como fez Paulo no Areópago, para trazê-los à verdade pura e simples do caminhar com Cristo.

Quanto a mim, continuo no Caminho, sendo chamado de Belzebu, pois Aquele que deu sua vida por mim no Calvário e ressuscitou em carne no terceiro dia disse que desta forma seria...

quarta-feira, 14 de março de 2012

MINHA é a vingança, diz o Senhor

Andando pela orla da praia do Recreio segunda feira à noite, inesperadamente vieram à minha mente duas pessoas consideradas ameaças contra a sociedade ocidental: Osama Bin Laden e Saddam Russein. Só que não lembrei deles como inimigos dos estadunidenses, mas, sim, as (supostas, no caso de Osama) fotos de ambos presos e mortos.

Aquilo me deixou inquieto pois, pra variar, sabia que tinha que falar sobre o assunto, mas não sabia como começar.

Estes dois homens eram considerados “inimigos públicos número um” pela sociedade ocidental. Saddam, um genocida, Osama, um terrorista, ceifaram milhares de vidas, cada um em seu contexto.

Não quero me ater aos detalhes históricos, mas, sim, a uma visão geral da cena. Os estadunidenses, em sua necessidade vital de guerras, vingança, caça aos “public enemies” e controle do mundo para movimentar sua indústria bélica, empreenderam a tal da “guerra ao terror”, ao custo de bilhões de dólares e milhares de vidas humanas, tanto civis como militares, de ambos os lados.

Entretanto, os pontos culminantes sempre foram quando capturaram as lideranças terroristas ou os chefes de Estado envolvidos na “grande conspiração contra o mundo ocidental e seus valores”.


Quando prenderam o Saddam, fato que praticamente todos nós desejávamos que acontecesse, olhei aquele homem que parecia ter saído do filme “A Guerra do Fogo”, barbudo, cheio de piolhos, bestializado, escondido em um buraco qualquer, longe de ser aquele ditador. Confesso que não consegui olhar para ele e ver o “satã” Russein... só via um homem derrotado e cercado por seus inimigos. Enfim, a “justiça” foi feita e Saddam foi enforcado, para delírio da galera.


Da mesma forma, Osama Bin Laden, considerado um herói e mártir para os seus, mas odiado pela sociedade ocidental, também foi morto em seu esconderijo, mesmo com a possibilidade te o terem preso para ser julgado em um tribunal internacional.

Outros fatos recentes abalaram o mundo árabe. Em dezembro de 2010 um jovem tunisiano, desempregado, ateou fogo ao próprio corpo como manifestação contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser chamado mais tarde de Primavera Árabe.

Inspirados pelo sucesso dos protestos na Tunísia, que culminaram com a queda do então presidente Zine el-Abdine Ben Ali, vimos outros ditadores à décadas no poder caírem ou renunciarem, como Hosni Mubarak do Egito e Ali Abdullah Saleh, do Iêmen.


Entretanto, na Líbia, vimos o coronel Muamar Kadafi, ditador que estava havia mais tempo no poder na região (42 anos, desde 1969) sendo capturado vivo em um buraco de esgoto e sendo morto por seus inimigos na cidade de Sirte, sua terra natal, de maneira covarde e brutal.

Agora me digam: Eles não poderiam ter sido levados presos e julgados por seus crimes? Por qual razão sentimos prazer em ver a “boa e velha” lei do Talião sendo colocada em prática nos dias de hoje?

O ser “humano” gosta mesmo é da bagaceira, sente prazer em ver a “justiça” sendo feita na base do “olho por olho, dente por dente”. “Good news are not news, BAD NEWS are news”, como aprendi no curso de inglês.

O que concluo de tudo isso é que existem situações em nossas vidas que nos oprimem, existem pessoas que geram tudo isso, “enviados de satã”, protótipos de anticristos, enviados para “matar, roubar e destruir”. O "único problema" é que nossa luta não é contra a carne e o sangue e, sim, contra os principados e potestades geradoras deste estado de coisas.

Que Deus nos livre de gozar diante de cenas transmitidas para o mundo inteiro destes ditadores (ou quem quer que seja) sendo mortos “justamente”, porque...

“...bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Hebreus 10:30-31

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ingratidão


A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre Samaria e Galiléia. Ao entrar num povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Ficaram a certa distância e gritaram em alta voz: "Jesus, Mestre, tem piedade de nós!" Ao vê-los, Ele disse: "Vão mostrar-se aos sacerdotes". Enquanto eles iam, foram purificados. Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz. Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. Este era samaritano. Jesus perguntou: "Não foram purificados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus, a não ser este estrangeiro?" Então Ele lhe disse: "Levante-se e vá; a sua fé o salvou".Lucas 17:11-19

Estou escrevendo meio sem estar com vontade de escrever, tá ligado? É que li este texto hoje pela manhã e ele ficou em minha cabeça... Quando isso acontece, tenho que obedecer, mesmo sem saber onde isso vai dar.

Entretanto, depois de uma pausa de algumas horas – já com o texto bíblico colado em uma página em branco e sem eu saber como começar estas linhas (o parágrafo anterior foi escrito às 9 da manhã e agora são 2 da tarde!) – li e reli este acontecimento narrado nos Evangelhos e uma palavra veio à minha mente: INGRATIDÃO. Acho que é sobre isso que o Senhor quer falar, principalmente comigo.

Indo direto ao ponto, quantas vezes eu me deito e levanto no dia seguinte sem me dar conta que o simples fato de acordar mais um dia é um milagre de Deus? Estou trabalhando, acabei de almoçar, disponho de um tempo para escrever, estou com saúde, etecétera e tal. E lógico que tenho inúmeros problemas em diversas áreas, mas - até nisso - o Senhor me abençoa com Seu Espírito em mim, dando-me graça, sabedoria, mansidão e discernimento para decidir e tomar os melhores (ou “menos piores”, dependendo do caso) caminhos.

Então, onde está o problema? Para quê ficar murmurando, revoltado com algumas situações que certamente podem mudar o destino da humanidade, tipo, “pô, o Corinthians empatou aos 48 do segundo tempo!”, “será que eu vou ter dinheiro para ir no show do Kiss em junho e viajar de férias em Julho?”, “quando chegar em casa vai ter água hoje? (típico problema de quem mora na Zona Oeste do Rio)”.

Tenho é que louvar a Deus, pois enchi a máquina de lavar roupa e o tanque com água esta manhã, antes de sair para o trabalho, tendo a bendita e tão esquecida (só lembrada quando falta) por ao menos 4 dias, não dependendo assim do fornecimento externo. Talvez isso não faça sentido para alguns de nós, mas para mim passou a fazer desde que mudei para o RJ.

Na verdade estamos acostumados às pequenas conveniências da vida de apenas chegar, apertar um botão e a luz acender, abrir a torneira e cair água, abrir a geladeira e os armários e encontrar comida e bebida suficiente para pelo menos algumas semanas. Achamos que isso simplesmente tem que ser assim, como se fosse obrigação de Deus para conosco!

Faça um teste a nível intelectual, pois não creio que teríamos coragem de agir desta forma: Abra o guarda roupas e veja que – se pararmos de comprar roupas hoje e só voltar a fazê-lo quando todas não mais tiverem condições de uso, estaremos vestidos razoavelmente bem por pelo menos 4 anos! Por qual razão nos deixamos ser consumidos por um modelo social e econômico que nos impulsiona a gerar todos os dias novas necessidades/banalidades? Não preciso ir ao mercado hoje! Não preciso me preocupar com aquilo que o Senhor disse que nos daria de bom grado, caso buscássemos em primeiro lugar Seu Reino e Sua Justiça!

Cacete, sou muitas vezes ingrato. Rolou a greve da PM aqui e nada nos aconteceu. Sexta comi pizza (mesmo que horrível, pois aqui não sabem fazer), sábado fui ao Outback com minha mulher e minha sobrinha, na geladeira tenho várias garrafas de vinho e durante as noites tenho tido espetáculos maravilhosos proporcionados por Deus, vistos da varanda do apartamento onde moro, lindas noites de verão, o ar fresco, estrelas e nuvens cor-de-rosa fazendo seus desenhos aleatórios no céu! Todavia, prefiro me ater ao problema do bar em frente de casa com sua gritaria e a música alta. É sério, perco muito tempo e fico muito irritado com questiúnculas...

Não quero deixar de ser grato a Deus. Tenho que retornar ao hábito de agradecer ao Senhor por TUDO, pois mesmo o que parece estorvo e desconforto é proporcionado e/ou permitido pelo Pai para que cresçamos um pouquinho mais a cada dia. Isso me faz lembrar das palavras de Paulo:

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu”.Romanos 5:1-5

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Porventura sou eu Senhor"?


“E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze. E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair. E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor? E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair”. – Mateus 26:20-23

Como é duro lidar com a fraqueza de caráter e valores daqueles que convivem conosco. Pode ser desde o fulano que você mal conhece e que te ferra num determinado momento em que os dois se cruzam no caminho, como o motorista que não para no ponto que você vai descer, o vendedor que te atende mal, a pessoa que te irrita do e por nada, mas que você – teoricamente – nunca mais vai cruzar com ela, o que faz com quê aquilo te afete apenas momentaneamente, até aquela pessoa que faz parte de seu convívio diário, que caminha com você todos os dias, como um colega de trabalho, um parente, um familiar.

Estes são os que têm o poder de realmente nos ferir, pois partimos do pressuposto de que quanto maior o laço que nos une, mais escrúpulo, respeito e amor devemos ter com eles. E não que não tenhamos com os demais, pois nossos valores estão entranhados em nosso ser. O fato é que – sendo sincero – é muito mais fácil você mandar à merda a pessoa “que pisa no seu pé” do que a um ente querido.

Como dói lidar com as coisas que chegam aos nossos ouvidos. Como ficamos arrasados com as picuinhas que nos cercam. Como é difícil aceitar que as pessoas te tratam da melhor maneira possível pela frente (isso quando tratam), mas não pensam duas vezes para servir sua cabeça em uma bandeja de prata num banquete.

É horrível descobrir que pessoas que você ama te tratam bem pela frente mas metem o pau na sua ausência. O pior: Esquecem (ou não se importam, o que é pior) que aquilo possivelmente vai chegar aos seus ouvidos.

Isso me lembra de uma frase que aprendi no curso de inglês que – traduzida – diz mais ou menos assim:

Pessoas inteligentes falam sobre idéias
Pessoas comuns falam sobre coisas
Pessoas medíocres falam sobre pessoas...


Não consigo aceitar o fato de que “pessoas que põem comigo a mão no prato”, assim como Judas fez com Jesus, não pensam duas vezes na hora de te vender por algumas moedas. Por outro lado, também está escrito que:

“Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu Nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. – Mateus 10:19-22

É assustador ver que estamos vivendo estes momentos. Lemos e entendemos, sabemos que estas coisas acontecem não somente em novelas, mas, quando é conosco, temos que recontextualizar os fatos, trazer à nossa existência mais uma passagem bíblica que infelizmente começa a se concretizar.

Acima da experiência negativa da traição, da maledicência, da fofoca e outros vícios morais, está o fato de que quem está fazendo isso são pessoas que você ama – ou seja – estas pessoas estão terrivelmente doentes, precisando se libertar das garras do inimigo, o grande acusador que os vem usando sem que se dêem conta disso mas, pensando bem, o apóstolo Paulo disse:

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”
Gálatas 5:19-21

Pensando bem então, isso é obra da carne e o diabo não tem culpa... coitado dele! Isso é natureza humana não tratada, não convertida, não nascida de novo...

Pior, muito pior, pois não adianta orar para que um demônio se manifeste e seja expulso. Uma mudança de atitude nesta área envolve a vontade da própria pessoa. Sei que não adianta peitar, por mais que se tenha como “acabar com a pessoa na argumentação” (e sou “bom” nisso, seria um advogado fdp se me enveredasse nesta profissão). Se fossemos tirar satisfação das pessoas que nos ferram por trás (sem duplo sentido), bem o faríamos pensando na carne, mas colocaríamos engrenagens em movimento que prejudicariam outras, em várias esferas.

Será que temos que agir como nosso Senhor? É uma pergunta idiota, sabemos a resposta, mas é difícil querer aceitar isso! É difícil, dói demais agir como está escrito em Isaias 53:7, que diz que “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca”...

Senhor, é difícil agir assim, tá doendo e eu preciso de sua Graça...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Orem pelo Rio de Janeiro


“Ora, naquele mesmo tempo estavam presentes alguns que lhe falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios deles. Respondeu-lhes Jesus: Pensais vós que esses foram maiores pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. Ou pensais que aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E passou a narrar esta parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, e não o achou. Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente? Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave em derredor, e lhe deite estrume; e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás.” - Lucas 13:1-9

Este é um daqueles textos bíblicos que lemos mas que, aparentemente, não tem nada a dizer diretamente a nós, até o momento em que há uma conjunção entre os fatos cotidianos e o insight do Espírito Santo, traçando uma ponte entre os fatos.

Quando li este texto esta manhã confesso que me assustei com o que entendi. Vivendo neste contexto complexo que é a cidade do Rio de Janeiro, não tive como não fazer uma ponte imediata entre a Palavra e tudo o que tenho visto por estes lados.

De cara, quero que me entendam: Não pensem que estou fazendo uma leitura preconceituosa em relação a esta cidade, muito menos espero estar passando uma idéia religiosa de alguém que crê num deus (dê minúsculo) de causa e efeito, mas sim de um Deus que não age somente por Justiça, mas que – acima de tudo – age com Graça, Misericórdia e AMOR.

Isso me faz lembrar de um interessante diálogo entre o Senhor e Abraão:

“Disse-lhe, pois, o Senhor: "As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei" Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do Senhor. Abraão aproximou-se dele e disse: "Exterminarás o justo com o ímpio? E se houver cinqüenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinqüenta justos que nele estão? Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?" Respondeu o Senhor: "Se eu encontrar cinqüenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles". Mas Abraão tornou a falar: "Sei que já fui muito ousado ao ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinqüenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?" Disse ele: "Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei". "E se encontrares apenas quarenta?", insistiu Abraão. Ele respondeu: "Por amor aos quarenta não a destruirei". Então continuou ele: "Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali?" Ele respondeu: "Se encontrar trinta, não a destruirei". Prosseguiu Abraão: "Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali?" Ele respondeu: "Por amor aos vinte não a destruirei". Então Abraão disse ainda: "Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?" Ele respondeu: "Por amor aos dez não a destruirei". Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa”. – Gênesis 18:20-33

Para mim, traçar um paralelo entre as palavras de Jesus, o diálogo entre Deus e Abraão quanto as acusações contra Sodoma e Gomorra e o que tenho visto aqui no Rio de Janeiro é algo (infelizmente) natural, ao mesmo tempo em que me constrange, me deixa pisando em ovos, com “medo de apanhar” do pessoal, mas – antes e acima de tudo – com uma coisa queimando dentro de meu peito, me impulsionando a escrever.

Outro dia sonhei com o prédio em que eu moro. No sonho, estava na sala do “nosso apartamento alugado” e notava que as paredes começavam a se esfacelar aos poucos, como se fossem feitas de areia. Conseguia olhar entre uma parede e outra através das frestas que se abriam, via o que acontecia no apartamento ao lado, sentia que devia sair correndo dali antes que desabasse tudo, mas estranhamente temia ir para a rua por não me sentir seguro perante as pessoas que – naquele sonho – eram hostis a mim.

Puta viagem, talvez você diga...

Também acho, respondo eu. Entretanto, confesso que depois daquele sonho passei a sentir um desejo imenso de sair de lá. Todavia, não me via saindo de lá e indo para outro lugar no Rio, ao mesmo tempo em que não queria sair da cidade. Acho que me senti como inicialmente deve ter se sentido Ló ao receber a instrução de sair de casa levando todos os seus amados antes do Senhor colocar abaixo tudo aquilo.

Isso foi (e está) crescendo dia a dia dentro de nós (a Cilene compartilha das mesmas “sensações”) e temos orado para que Deus nos mostre a melhor opção, pois estamos falando de mudança literal, e não de uma coisa qualquer.

Voltando ao início de tudo (o texto de Lucas), não tive como não ler o texto e não me lembrar do prédio que caiu “do nada” no Centro do Rio de Janeiro. Quem estava no prédio não eram maiores pecadores do que os que estavam do lado de fora. Entretanto, o prefeito Eduardo Paes disse algo que veio ao encontro do que eu – temendo e tremendo – tenho visto aqui no Rio de Janeiro, quando quatro (isso foi o que conseguiram flagrar, certamente muitos mais) funcionários da concessionária do Porto estavam roubando dos entulhos os pertences das vítimas:

"Eu acho que são uns delinqüentes. Ali está a miséria humana retratada. É inacreditável que alguém numa situação como essa vá roubar --aquilo é roubo-- de um entulho vindo de uma tragédia como aquela. Eu vejo com muita tristeza, com uma certa raiva. Os nomes já foram passados para a polícia e eles serão demitidos da concessionária lá do Porto"


Aqui no Rio de Janeiro impera a Lei de Gerson: O IMPORTANTE É LEVAR VANTAGEM EM TUDO. Se tá bom para mim, FODA-SE O RESTO. Isso está impregnado no ar. Isso você vê todos os dias em todas as áreas possíveis, do lixo jogado na praia ao motorista que costura, fecha, xinga, estaciona sobre a calçada ou de qualquer jeito e acha que está certo. A sensualidade exacerbada impregna o nariz de quem não compartilha dos mesmos “valores”. Você não pode reclamar do bar em frente à sua casa por ele estar tocando funk nas alturas durante toda a madrugada. Literalmente, eles te ameaçam e você se torna refém dentro de sua casa.

Hoje mesmo, dentro do Terminal Alvorada, tinha um pedestre dando porrada no vidro de um ônibus parado, enquanto discutia com o motorista em altos brados/palavrões. Ninguém fez nada. Assim como ninguém faz nada quando bueiros explodem e ceifam vidas. Assim como a Gilka Machado é um campo de entulho e podridão pelo fato dos moradores jogarem seus dejetos embalados em sacolas plásticas de supermercado no meio da rua. Mendigos, cachorros e urubus disputam o prêmio e – cada vez mais – me sinto menos “gente” por estar inserido neste contexto e não poder falar nada sem correr risco de vida.

Não pensem que estou exagerando. Aqui, a inversão de valores é gritante. A mãe, na porta do boteco, chama seu filho de filho da puta (ela certamente sabe de quem está falando) por ele estar chorando, enquanto ela toma todas às altas horas da madrugada. O marido, outro cachaceiro, olha aquilo tudo com a maior naturalidade. A mesma mãe, já com os filhos despachados, começa a gritar, falar putaria, discutir e – quando um vizinho reclama da gritaria por estar com a esposa doente em casa – é ameaçado e xingado por todos os cachaceiros... “desce aqui seu filho da puta!” ou “a rua é pública porra!”. Ao final da discussão, ela chama outro homem para ir beber com ela em outro bar, na frente do marido, dizendo “vamos lá fulano, meu marido não quer ir e eu quero sair. Hoje eu vou pagar para macho sair comigo, vamos! Vamos! Ele não manda em mim!”...

Outro dia, no mesmo bar, um homem mordeu o olho de uma mulher (sim, mordeu o olho que enxerga, na cara...) numa briga, arrancando sangue, enquanto os dois rolavam no meio do pó da rua. No bar, todos olhavam, alguns riam da situação, ninguem fez nada, tirando eu, que tive a infeliz idéia de ligar para o 190. Em resposta, o dono do bar intimou minha mulher na entrada do prédio, dizendo que "alguém tinha ligado para a polícia e ele iria descobrir quem tinha ligado e denunciar nosso prédio por este não RGI", o que - em São Paulo - chama-se de Habite-se...

Poderia citar zilhões de pequenos dramas testemunhados por mim, mas não creio ser necessário. Há três anos vejo esta figueira não dar frutos, frutos de arrependimento, frutos de um espírito coletivo que indique a possibilidade de alguma mudança. Esta é a cidade que vai receber Copa do Mundo e Olimpíadas. Esta é a cidade que está sendo totalmente repaginada, mas que não tem um alicerce moral que indique que a mudança da fachada virá acompanhada de uma metanóia, de uma mudança de pensamentos e de valores.

Estou no Rio a 3 anos. Coincidência demais para mim, pois a três anos procuro frutos nesta figueira. Por mais um ano, (não literalmente, mas espiritualmente... no contexto de “para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos são como um dia...”) o Senhor permitirá que a terra seja adubada com estrume. Caso ela continue não gerando frutos, esta figueira será cortada.

Orem pelo Rio de Janeiro. Orem por nós, que aqui estamos. Está doendo escrever isso, mas é o que tenho recebido do Senhor...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O ano que não queria acabar...


"Cantai louvores ao Senhor, vós que sois seus santos, e louvai o seu Santo Nome. Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo". – Sl 30:4-5

O mês de Dezembro de 2011 foi extremamente desgastante para mim. Parecia que estava em meio a um terrível pesadelo, delirando, suando e falando sozinho em meio ao turbilhão de acontecimentos que me cercaram.

Não conseguia ver saída nem esperança perante a quantidade de coisas que simplesmente aconteciam erradas, sem nenhuma explicação plausível. Corria para tapar um buraco e imediatamente via outro vazamento no barco, de forma que chegou um momento no qual simplesmente desisti de tentar manter a situação sob controle.

Estava emocionalmente exausto, sem vontade de acordar, sem vontade de ficar, sem vontade de sair, sem vontade de nada. Tudo o que costumava me dar prazer se tornara um peso. Queria reagir a tudo, mas me faltavam forças. Meus inimigos eram maiores e mais poderosos que eu.

Ao meu redor, ninguém se disponibilizava em me apoiar. Pareciam sentir prazer em ver que meu barquinho estava indo a pique. Sem ter com quem conversar, mesmo cercado de gente, me calava face à dor que me consumia. Engrujava, definhava, agonizava sem esperança. Joguei a toalha e fiquei ali, prostrado em terra, à mercê daqueles que silenciosa ou descaradamente riam de minha dor.

Passei o Natal assim. Virei o Ano Novo assim. Todos comemorando 2012 e eu ainda preso a tudo o que me afligira no mês anterior. Preso a 2011, as coisas não avançavam. Senti-me o pior dos homens, o pior dos cristãos, acreditando que talvez pudesse ter tomado o caminho errado em minha postura quanto à fé. Cheguei a crer que deveria fazer tudo como fazia nos primeiros anos, negando Àquele que me tomara pelas mãos e me guiava dia e noite e voltando a trilhar os caminhos obscuros da religião.

Não queria aquilo, não queria me ver novamente alguém menos do que já era. Não no sentido de orgulho, não no sentido de não querer me submeter, mas – assim como alguém inocente, porém torturado por seus algozes – pensava seriamente em assinar o rol de acusações que me eram feitas apenas para ver o fim de todo aquele sofrimento.

De que valia a vida? De que valia procurar estar andando retamente; não por justiça própria, mas pela Graça? Como o beduíno no deserto, pego de surpresa por uma tempestade de areia, apenas me deitei no pó, me cobri com a capa e me deixei ser encoberto pela cruel tempestade que caía sobre mim. Quanto tempo se passou eu não sei, pois não sentia prazer em contar meus dias.

Aos poucos, o ruído da tempestade cessou. Como que acordando, passei daquele torpor inicial que sentimos após uma péssima noite de sono ao estado de alerta. Levantei, sacudi minha capa, tirando a areia e procurando me localizar. Estava tão longe e ao mesmo tempo tão perto de tudo! Cansado, levantei-me e procurei seguir o caminho de volta, para um lugar que não sabia qual.

Aos poucos, notei que as coisas estavam se encaixando novamente. Tudo muito surreal, diga-se de passagem. O que estava dando errado passou a se ajustar, o que havia sido quebrado ou foi jogado fora e reposto ou se arrumou milagrosamente. Durante minha dor, confesso que blasfemei contra Deus, dizendo que 2011 tinha sido o pior ano de minha vida. Passada a loucura, lembrei-me que apenas o mês de Dezembro tinha sido o causador de tanto sofrimento. Pedi perdão a Deus.

Hoje, nada de novo acontece debaixo do sol. Entretanto, saí desta situação mais forte. Ele estava comigo, Ele não me abandonou. Mergulhei em outro nível de águas profundas, praticamente morri mas ressuscitei com Ele, passando a dar valor ao que realmente importa...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Não estou mais aguentando a pressão...


Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa contra uma nação ímpia; livra-me do homem fraudulento e iníquo. Pois tu és o Deus da minha fortaleza; por que me rejeitaste? por que ando em pranto por causa da opressão do inimigo? Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem; levem-me elas ao teu santo monte, e à tua habitação. Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria; e ao som da harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu. Por que estás abatida, ó minha alma? e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele que é o meu socorro, e o meu Deus. - Salmo 43

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desabafo de um injusto justificado...




Bendirei o Senhor o tempo todo! Os meus lábios sempre o louvarão. Minha alma se gloriará no Senhor; ouçam os oprimidos e se alegrem. Proclamem a grandeza do Senhor comigo; juntos exaltemos o seu nome.

Busquei o Senhor, e ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores. Os que olham para ele estão radiantes de alegria; seus rostos jamais mostrarão decepção. Este pobre homem clamou, e o Senhor o ouviu; e o libertou de todas as suas tribulações. O anjo do Senhor é sentinela ao redor daqueles que o temem, e os livra. Provem, e vejam como o Senhor é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia!

Temam o Senhor, vocês que são os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leões podem passar necessidade e fome, mas os que buscam o Senhor de nada têm falta. Venham, meus filhos, ouçam-me; eu lhes ensinarei o temor do Senhor. Quem de vocês quer amar a vida e deseja ver dias felizes? Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade.

Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança. Os olhos do Senhor voltam-se para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro; o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal, para apagar da terra a memória deles. Os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações.

O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido. O justo passa por muitas adversidades, mas o Senhor o livra de todas; protege todos os seus ossos; nenhum deles será quebrado. A desgraça matará os ímpios; os que odeiam o justo serão condenados. O Senhor redime a vida dos seus servos; ninguém que nele se refugia será condenado.

Salmo 34

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Palavra de Deus para mim e para vocês...


Portanto, visto que temos este ministério pela misericórdia que nos foi dada, não desanimamos. Antes, renunciamos aos procedimentos secretos e vergonhosos; não usamos de engano, nem torcemos a palavra de Deus. Ao contrário, mediante a clara exposição da verdade, recomendamo-nos à consciência de todos, diante de Deus.

Mas se o nosso evangelho está encoberto, para os que estão perecendo é que está encoberto. O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Mas não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: "Das trevas resplandeça a luz" ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.

Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida.

Está escrito: "Cri, por isso falei". Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos, porque sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos, também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará com vocês. Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus.

Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. 2 Corintios 4


Senhor, obrigado pela Tua Palavra que sempre nos traz cura...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Não somos escravos das mídias sociais...


(Resposta a uma amada pessoa que me mandou um email de desculpas)

Pedido de desculpas pra quê? A gente já conversou! Eu vi o que vocês escreveram no chat, mas estava tão sem tempo pra comentar que preferi apenas me calar. Como diz o ditado, “até um tolo, de boca fechada, passa por sábio”. Simplesmente não sabia o que responder sem que aquilo voltasse a tomar proporções e progressões geométricas...

Sem querer a gente – e não só você, como você escreveu - se perdeu um pouco. O que era engraçado tomou contornos estranhos, de repente eu me vi exposto demais, mas DEMAIS pro meu gosto. Gosto de "brincar" neste ambiente virtual, mas a criatura passou a querer ficar maior do que o criador. Estava sendo sugado, sentava no computador para fazer trabalho de faculdade e simplesmente não conseguia me desligar dele. Meu propósito inicial, que era influenciar para o bem àqueles que me cercam direta ou indiretamente, estava sendo maculado...

Como a coisa tomou esta proporção optei em dar um tempo. Ainda estou entrando, mas não estou "entrando" nas discussões e debates sem fim, mesmo que engraçadas, pois meu tempo é muito importante e este estava escorrendo entre os dedos, literalmente. Estou nas duas semanas finais deste semestre e tenho trabalhos da faculdade que não podem ser deixados em segundo plano. Tenho afazeres domésticos que são tão importante quanto. Acima de tudo, tenho minha relação real, presencial, com aqueles que fazem parte de meu cotidiano e que estavam sendo deixados sentados quietinhos no sofá enquanto eu me divertia sozinho, rindo litros – como você costuma dizer – em frente a um teclado e um monitor. Como diz o ditado: "(se não tomarmos cuidado) a internet aproxima as pessoas distantes e afasta as pessoas próximas"...

Tenho por certo que nossa amizade é verdadeira. Como bom amigo, sinto prazer que aqueles que eu amo estejam bem, mesmo que para isso eu tenha que me afastar um pouco da pessoa para que esta possa se ver melhor, se doar ao quê e a quem realmente é importante para ela e que – sem que esta pessoa notasse – de repente ela tivesse deixado em segundo plano, talvez como tentativa de fuga da realidade, talvez como pura falta de percepção dos fatos. Neste processo, se a pessoa não notou que algo importante estava sendo deixado em sua vida e em suas relações, tanto pior. Com mais firmeza digo que optei em fazer a coisa certa.

Nossa amizade é muito importante, esta galerinha que a gente conseguiu ligar com laços de amor e amizade me são muito caros, mas, por outro lado, ao nosso redor não cresceu apenas trigo, nasceram também aqui e acolá alguns brotos de joio, e você sabe disso. Quanto mais estávamos nos expondo entre nós, consciente ou inconscientemente, mais estávamos servindo de espetáculo para aqueles que nos cercam, e nem todos estavam bem intencionados. Passei a me sentir no centro de um picadeiro, assim como senti que isso estava acontecendo com vocês também. Quase podia “ouvir” dizerem: “Vamos lá, vamos ver que tipo de putaria eles estão discutindo hoje!”

Isso se tornou muito perigoso. Praticamente esquecemos que somos espetáculo para homens e anjos, passamos a nos divertir cercados apenas por vidraças, como que num Big Brother, enquanto todos os que passavam por nós tinham orgasmos múltiplos ao verem as direções que nossa liberdade e intimidade tomavam. Peço perdão a todos caso o que decidi fazer com a minha vida e com “meu espaço virtual” tenha “abalado” ou ofendido alguém. Na verdade eu também me senti ofendido com algumas coisas, então não esquento muito a cabeça com o que possam pensar.

Peço perdão por ter tido que tomar uma posição profética em relação aos meus caminhos. Quem não entendeu um dia vai entender. Quem se magoou um dia vai me perdoar. Quem estava apenas se divertindo às nossas custas, ah – sinceramente – estes eu quero é que se fodam bem gostoso...

Com amor verdadeiro,

JC

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Você se porta como filho do Pai?


“A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo. Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém lhes tirará essa alegria. Naquele dia vocês não me perguntarão mais nada. Eu lhes asseguro que meu Pai lhes dará tudo o que pedirem em meu nome. Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa. Embora eu tenha falado por meio de figuras, vem a hora em que não usarei mais esse tipo de linguagem, mas lhes falarei abertamente a respeito de meu Pai. Nesse dia, vocês pedirão em meu nome. Não digo que pedirei ao Pai em favor de vocês, pois o próprio Pai os ama, porquanto vocês me amaram e creram que eu vim de Deus.”João 16:21-27

Como começar a falar tudo o que se passa dentro de meu peito? Estou vivendo um maravilhoso turbilhão de emoções, voando em espírito por inúmeras situações diferentes, sentindo aquilo que Neo na Matrix sentiu ao se dar conta de que ele – no contexto do filme – era o “messias” escolhido para trazer a libertação para Zion, passando então a lidar com tudo o que o cercava no enfoque correto, resolvendo o que tinha que ser resolvido da maneira mais simples e eficaz possível, sem deixar de atirar quando necessário, ao mesmo tempo que não desperdiçava uma bala sequer.

É com temor e tremor que escrevo isso. Como disse Paulo, “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”, em Gálatas 6:14.

Por outro lado, não posso me calar perante tudo o que tenho visto, lido, ouvido, sentido, vivido, arrepiado... O Espírito Santo não tem cabido dentro de meu peito, mesmo sendo eu um servo de Cristo da pior estirpe. É que não depende de mim. Não depende de nós. Depende Dele!!! Como está escrito em Filipenses 2:13:

“...porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”

Porém, vamos aos fatos. Como disse, tenho vivenciado situações que aparentemente estavam desfocadas e – como se algo voltasse ao foco correto – de repente se reconfiguravam e passavam a ser as coisas mais simples do mundo. A visão turva, decorrente de nossa imersão na dura e sufocante matéria, passa simplesmente a deixar de ter o poder imobilizador que nos impedia a dar qualquer passo e tudo se relativiza, tornando-se extremamente simples encontrar as respostas necessárias para a tomada de decisões.

Pude entender que muito do que tem travado o avanço do povo de Deus aqui na Terra é uma visão distorcida de quem realmente somos um com o outro e – principalmente – com nosso Pai. Achamos inicialmente que podemos tudo e pedimos “nossa parte da herança”, assim como fez o famoso filho pródigo na parábola contada por Jesus nos Evangelhos, movidos por uma falsa interpretação do que significa ser filho d’Aquele que é Criador de todas as coisas:

“Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades."
Lucas 15:11-14

Ao quebrarmos a cara nos arraiais da teologia da prosperidade & afins, tendemos a ou perder a fé e abandonar os caminhos de Jesus ou a cair em uma falsa assepsia, uma falsa humildade, um desapego quase nirvânico das coisas que nos cercam, como se de nada mais necessitássemos. Entretanto, por dentro estamos carcomidos de mágoas contra Aquele que considerávamos um Pai amoroso e bom, invejosos daqueles que conseguem uma camisa nova a mais que nós, igual ao irmão do filho prodigo, esperando a primeira oportunidade para vomitar na cara de Deus que estamos “no caminho” com Ele fiel e obedientemente, não ousando triscar em um cabritinho que seja para fazer uma festa com os amigos:

“Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu..."
Lucas 15:29-31

O que eu concluí disso tudo foi que – passadas ambas as fases, passamos a viver o Reino de Deus aqui na Terra sem arroubos de desejos nem plenamente daquilo que o Senhor tem para nós. E não se trata aqui que bens materiais apenas. Já somos maduros para saber do que realmente precisamos para sermos felizes aqui na Terra, não vamos mais querer ser milionários nem vamos cair no extremo oposto de uma falsa vida em humildade.

O Pai quer nos ouvir! O Pai quer saber nossa opinião! Podemos argumentar com Ele sem soarmos como filhos rebeldes! Quem fala isso é o próprio Jesus no texto inicial: “Eu lhes asseguro que meu Pai lhes dará tudo o que pedirem em meu nome. Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa.”

Isso é para filho, nem pródigo nem resmungão, é para aqueles que gozam do relacionamento amoroso e bom com seu amado Pai. Temos visto isso na prática em nossas vidas e não tenho medo de compartilhar com vocês estas linhas. Temos acesso ao Trono de Deus através do Sangue de Nosso amado Jesus. Ele quer nos ouvir, quer nos fazer felizes, mesmo que no contexto de estar no meio de tribulações momentâneas.

Espero que entendam... e que o Espírito Santo confirme o que estou tentando dizer...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

No Caminho...


“Respondeu Jesus: Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo. O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito". – João 3:5-8

Os últimos dias têm sido dias de profunda apreensão para mim. Estou mais uma vez atravessando aqueles momentos em que não temos controle algum sobre as circunstâncias que nos cercam. Muitas coisas estão acontecendo e não consigo nem ao menos ter um vislumbre da situação como um todo. Vejo um recorte aqui, outro fragmento ali, noto que todos eles fazem parte de uma grande tapeçaria sendo bordada à mão pelo grande Tapeceiro mas, como Ele costuma agir, não nos permite ver além do necessário.

São momentos de mudanças profundas em minha vida. Sei que a minha frente algo novo me espera mas, assim como foi no meu divórcio e em minha vinda ao Rio de Janeiro, nada do que está acontecendo terá algum tipo de interferência de minha parte no que tange à direção que sinto o vento soprar. É algo ao mesmo tempo tão intenso e sutil, é uma voz que ouço e que me recuso a não obedecê-la, simplesmente por ser a Voz dAquele a quem um dia entreguei cada milímetro de minha vida, cada segundo de minha existência.

Ele, novamente, decidiu que preciso respirar novos ares. Ele está no controle, pois Ele habita em mim de uma forma absolutamente irreversível. Ontem, eu e Ele conversamos bastante sentados na Pedra da Macumba (ô nomezinho infeliz, ao mesmo tempo que ô, lugarzinho maravilhoso pra se estar, cercado de ondas bravias e natureza intensa). Eu chorava, me submetendo à Sua vontade, ao mesmo tempo que cogitava a possibilidade de não fazer Sua vontade, da mesma forma que Jesus pediu ao Pai que afastasse d’Ele o cálice que estava prestes a sorver em prol da humanidade.

Ele, graciosa e pacientemente, me ouvia através de minhas palavras não faladas, apenas soluçadas entre minhas lágrimas silenciosas. Queria saber se um dia descansaria, se um dia fincaria raízes em algum lugar e apenas levaria uma vida considerada normal, nos padrões do sonho americano. De forma claramente não falada Ele me disse que eu poderia apenas não aceitar o que estava por vir. Ao me dar a opção, porém, notei que na verdade eu não queria fazer o que gostaria de fazer, mas sim o que deveria fazer. Deus é um expert em nos deixar decidir pelo o que Ele tem de melhor.

Minha decisão veio baseada nas palavras de Jesus dada a um mestre da lei, e já bem conhecida minha:

“Então, um mestre da lei aproximou-se e disse: Mestre, eu te seguirei por onde quer que fores. Jesus respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça". – Mateus 8:19-20

Um dia eu dei a Ele as chaves de meu coração. Um dia eu entreguei tudo em Suas mãos, e foi sincera e convictamente. Entre lágrimas, decidi avançar. Ele sorriu para mim, confirmando não para Ele – que tudo sabe desde a Eternidade – mas para mim, de que eu decidiria estar sempre no centro de Sua vontade.

Assim, continuo no Caminho...

P.S. O René tá ligado, acabou de colocar um comentário que define o que está acontecendo: "Os passos do homem são dirigidos pelo SENHOR; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?" (Pv 20.24)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não me sigam pois eu acho que estou perdido...



Convivo com um turbilhão de emoções, que me levam das mais altas montanhas às profundezas do abismo. São sensações desconexas, que ora me entorpecem como o vinho, hora me deprimem com angústia e dor. Poucas delas me fazem feliz por mais que alguns momentos. Por qual razão tudo isso que vivo é tão fugaz? Por qual razão tenho dentro de mim esta sensação de que estou correndo atrás do vento e não vou chegar a lugar nenhum?

Quando faço algo produtivo me vem a impressão de que o que fiz foi por acaso. Por que sinto esta sensação dentro de mim? Caminho por entre estas densas trevas, mal conseguindo ver o próximo passo a ser dado.

Neste caminho muitas vezes tenho esta sensação de que as pequenas coisas que faço são muito poucas perante tudo que sonho fazer. Não consigo acreditar que um ser tão pequeno como eu tenha algo a acrescentar à humanidade. Lembro-me das palavras que estão escritas num mural em frente ao Teatro Paulo Eiró, lá em São Paulo: ‘O homem sonha monumentos, mas só ruínas semeia para a pousada dos ventos’.

Prossigo sonhando com grandes obras, mas minha semeadura parece ser insuficiente. Vejo a necessidade daqueles que estão ao meu redor, e mal consigo dar o mínimo que precisam. Sinto-me insuficiente para oferecer o que necessitam. Por que será que as pessoas olham para mim e esperam que eu saiba o que fazer?

As vezes tenho vontade de dizer para que não me sigam, simplesmente pelo fato de não saber onde vai dar o caminho que estou trilhando. Minhas palavras são insuficientes para descrever o que se passa em minha mente. Meu vocabulário é muito pobre e não consigo trazer à luz o que está sendo gerado dentro de mim.

Quero gritar, mas não tenho voz. Quero correr, mas temo tropeçar e cair. Quero voar e alcançar altos cumes, mas minhas asas são muito pequenas. Preciso encontrar o que estou procurando, mas o problema é que não sei exatamente o que quero. Por qual razão Deus acredita mais em mim do que eu mesmo? Como Ele consegue ver algo bom dentro de mim?

Como posso ter certeza de que estou andando pelo caminho certo? Creio que vem da Palavra de Deus, quando ela diz que ilumina meus passos. Ela tem sido lâmpada, e o fato de não enxergar além apenas exercita minha fé. Tomo caminhos misteriosos, aleatórios, tateando com uma mão, segurando a lâmpada com a outra, sentindo esta sede do desconhecido dentro de mim, que não me deixa ficar parado onde estou.

Desculpem-me pelo excesso de perguntas. Não sei se vocês têm tantas questões dentro de suas mentes como eu tenho. Minha alma é inquieta e meus alvos são muito maiores do que creio ser capaz de alcançar. Creio dentro de mim que isso é bom. Não quero ser como eu sou. Quero crescer, ser melhor. Quero que meus galhos façam sombra para aqueles que eu amo. Quero que meus frutos alimentem aqueles que precisam de mim.

Quero que minhas palavras tragam alívio aos que me ouvem. Mas o que vejo é que estou como o Chacrinha, que dizia: ‘Eu vim para confundir, e não para explicar’... é gente, para variar, hoje está punk!

Inicialmente postado em 9 de setembro de 2009, re-postado em 04 de maio de 2010 mas hoje sinto-me assim...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Os dois alicerces (Lc 6:20-49)



Olhando para os seus discípulos, Ele disse:

Bem-aventurados vocês, os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus;

Bem-aventurados vocês, que agora têm fome, pois serão satisfeitos;

Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir;

Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem.

Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a sua recompensa no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas.

Mas...

Ai de vocês, os ricos, pois já receberam sua consolação.

Ai de vocês, que agora têm fartura, porque passarão fome.

Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar.

Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês, pois assim os antepassados deles trataram os falsos profetas.

Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo:

Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam;

Abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam;

Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra;

Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica;

Dê a todo aquele que lhe pedir, e se alguém tirar o que pertence a você, não lhe exija que o devolva;

Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles.

Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os 'pecadores' amam aos que os amam. E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? Até os 'pecadores' agem assim! E que mérito terão, se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os 'pecadores' emprestam a 'pecadores', esperando receber devolução integral.

Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus. Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso.

Não julguem, e vocês não serão julgados;

Não condenem, e não serão condenados;

Perdoem, e serão perdoados;

Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês.

Jesus fez também a seguinte comparação: "Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco? O discípulo não está acima do seu mestre, mas todo aquele que for bem preparado será como o seu mestre. "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho', se você mesmo não consegue ver a viga que está em seu próprio olho? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.

Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom. Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.

Por que vocês me chamam 'Senhor, Senhor' e não fazem o que eu digo? Eu lhes mostrarei com quem se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica. É como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa.

Lucas 6:20-49 sem nada a acrescentar...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E aqui estou eu sozinho com o tempo...


A quanto tempo não paro para escrever sem a obrigação de fazê-lo focado em alguma obrigação acadêmica ou profissional? Sinto falta disso, sou viciado em escrever e este é um bendito vício do qual não quero me libertar.

Ultimamente, porém, tenho feito mais o que preciso do quê o que eu gosto, tomando mais remédio do que vinho. Sinto falta de mim nos momentos de ócio e lazer, tempo abençoado que teve de ser trocado por objetivos maiores do que os momentos em que podia ficar meditando em nada e deste exercício colher algumas coisas simples, mas que me davam prazer sem medida.

Agora tudo é cronometrado, tudo é metodicamente executado, não tenho tempo a perder.

Pensado por este prisma, o que vem a ser perder tempo? Perdemos tempo todo dia, vivemos para morrer, avançamos como loucos àquilo que nos espera mais dia menos dia, como mariposas enfeitiçadas pela luz que nos seduz e que nos levará ao destino comum de todos. Que proveito temos disso? Que bem colheremos no futuro que nem sabemos ao certo se o alcançaremos?

Como saber se o que temos à frente é o que de melhor poderíamos ter ou que apenas acabou sendo a única opção disponível? Por que vivemos fazendo tantos planos para o futuro, negligenciando o presente e esquecendo as experiências do passado? Tivemos várias lições praticas na vida e da vida, insistimos algumas vezes em trilhar caminhos que já sabemos de antemão que não darão em nada, isso quando não nos aventuramos rumo ao futuro incerto e fugaz.

Sim, estou meio em crise...

Não sei se o tempo que me resta será suficiente para alcançar algumas coisas que nos fazem crer serem importantes para nos sentir realizados, levando em conta que, das três coisas que alguém um dia disse serem essenciais para nos sentirmos realizados, mal e porcamente fiz apenas uma: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Árvores já plantei e outros comeram de seus frutos, escrever um livro é um sonho que talvez um dia consiga concretizar, bastando apenas eu desenvolver as habilidades que nem sei se tenho. Filho é algo que também quero mas, olhando para frente, não consigo falar do assunto sem cair no lugar comum que diz que, devido a minha idade, quando ele nascer já não me chamará mais de pai e sim de avô.

Tempo, bendito e maldito tempo. Sinto-me limitado por esta fria forma de calcular as coisas. Não quero ser eterno quanto homem na terra, mas gostaria de deixar algo pelo qual pudesse ser lembrado. Como os guerreiros gregos, gostaria de ter a bela morte cantada pelos poetas, tendo meu corpo sendo chorado pelas virgens e cantado nas canções daqueles que poderiam eternizar minha existência.

Olhando a realidade, entretanto, não me vejo digno de uma canção. Deus, por qual razão me pego questionando estas coisas? Por que acho que devo viver como se fosse meu último dia mas, por outro lado, fazendo planos eternos? Não sei dizer se meu copo está meio cheio ou meio vazio! Será que estou mais para lá do que para cá ou vice-versa?

Assim perco tempo que me é caro crendo em possibilidades vagas. Sinto-me enfraquecer e desmotivar. Desmotivado e desmotivador se olharem para mim, ao mesmo tempo que motivo e incentivo todos os que me rodeiam, dando algo que não tenho colocado em prática mas bem sabido na teoria. Não quero ser corrigido nem censurado, apenas estou gozando de meu direito de divagar, meu direito de ter meus momentos de incertezas...

Tempo, dura limitação imposta aos humanos...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O cristianismo nos países comunistas e islâmicos


Em um ambiente extremamente politizado por pessoas que mal conseguem discernir a mão direita da esquerda, tenho que aproveitar as oportunidades que caem em meu colo para mandar pro gol.

Na aula de Teorias Psicológicas nos pediram para falar sobre algum grupo excluído ou perseguido. Na hora lembrei da Igreja Perseguida nos países comunistas (aqueles rascunhos de marxistas vão odiar!!!) e mulçumanos e decidi compartilhar com eles (nossa apresentação será na próxima quinta, 06/10).... e com vocês!!!


“O que é estranho no estrangeiro é o fato de ele não ser eu”Alain, filósofo, citando “Diário Íntimo” de Amiel

Poucas pessoas sabem exatamente o que acontece aos cristãos nos países muçulmanos e comunistas. Não sabemos ao certo a razão disso não ser divulgado na mídia pois, estranhamente, os países ocidentais são predominantemente cristãos e não conseguimos imaginar que nós, que recebemos todos os povos, culturas e religiões diferentes em nossa terra soframos tantas perseguições nestes países.

Para ilustrar o que estamos expondo, vamos citar a Coréia do Norte e o Irã, as duas nações mais opressoras dos direitos dos cristãos ao redor do mundo, baseados no ranking anual da Missões Portas Abertas:

1º: CORÉIA DO NORTE: O país líder no funesto ranking dos que mais perseguem os cristãos é a comunista Coréia do Norte. Desde a instalação do regime comunista, a perseguição tem assumido várias formas. Em um primeiro momento, os cristãos que lutavam por liberdade política foram reprimidos. Depois, o governo tentou obter o apoio cristão ao regime, mas como não teve êxito em sua tentativa, acabou por iniciar um esforço sistemático para exterminar o cristianismo do país. Edifícios onde funcionavam igrejas foram confiscados e líderes cristãos receberam voz de prisão. Ao serem derrotados na Guerra da Coréia, soldados norte-coreanos em retirada freqüentemente massacravam cristãos com a finalidade de impedir sua libertação. Muito mais pode ser visto sobre este assunto ao final deste breve resumo da situação local.

Isso vem de encontro ao que Caterina Koltai disse em entrevista à Revista Insight. Ela cita os escritos de Freud, “Reflexão Para Tempos de Guerra”, onde ele afirma que nem as civilizações desenvolvidas são capazes de resolverhttp://www.blogger.com/img/blank.gif disputas e conflitos sem guerrear. Conversando com Einstein às vésperas da II Grande Guerra, Freud afirma que a ambivalência do homem sempre o levará a novas guerras, pois, através destas, o homem tem como expulsar o ódio para o exterior da comunidade contra o inimigo, enfatizando o monopólio da violência exercido pelo Estado.

Esta violência legal exercida pelo Estado se exprime de modo privilegiado na guerra mas, neste caso, uma guerra civil contra estrangeiros cristãos e cidadãos que se convertem ao cristianismo. Só vínculos afetivos e processos civilizadores podem fazer frente ao verdadeiro massacre que estes sofrem dentro de seu próprio país.

2º: IRÃ:
– O Irã é uma teocracia islâmica. Embora os direitos de cristãos, judeus e zoroastras sejam assegurados pela Constituição, na prática, todos são vítimas de retaliação e perseguição. As restrições e a perseguição ao cristianismo têm se multiplicado rapidamente nos últimos anos. O governo do Irã está consciente do desdobramento da Igreja nas últimas décadas. Ele tem procurado impedir e tornar impossível o crescimento dos cristãos.

É permitido que igrejas ligadas às minorias étnicas ensinem a Bíblia ao seu próprio povo e em sua língua. No entanto, essas igrejas são proibidas de pregar em persa, a língua oficial do país. Muitas igrejas recebem visitantes durante seus cultos, alguns deles, entretanto, são da polícia secreta e monitoram as reuniões. Cristãos ativos sofrem pressão. São interrogados, detidos e, às vezes, presos e agredidos. Casos mais críticos envolvem até a execução.

Para se ter idéia da gravidade da situação, está em andamento em um tribunal iraniano o julgamento pastor Yousef Nadarkhani, iraniano, acusado de apostasia por ter se convertido do islamismo para o cristianismo, correndo o sério risco de ser executado a qualquer momento.

Entretanto, o que mais nos chamou a atenção no caso do Irã, além da perseguição e violência utilizada para conter a prática de culto cristão é este detalhe sutil ligado à proibição da pregação da mensagem cristã na língua oficial do Irã, o persa. Isso vem de encontro ao que lemos no texto “A Estranheza do Sujeito”, um debate entre Paul Ricceur e Jean Daniel sobre o que gera a rejeição, ódio e repulsa aos que nos são estranhos, onde eles citam o aprendizado de novas línguas, que infelizmente é para poucos, como uma maneira de socialização entre os povos de culturas diferentes.

Ao proibir a pregação na língua oficial iraniana, o governo faz com quê esta fique restrita às minorias étnicas do país, aumentando assim o ódio do restante da população contra aqueles que crêem nesta mensagem considerada perniciosa, vinda dos países ocidentais, notoriamente odiados pelo governo iraniano.

Assim, dentro do próprio Irã passam a existir guetos cristãos vivendo em liberdade apenas na Constituição, mas sem o direito de se comunicar na própria língua do país para que a mensagem e cultura crida por eles não contaminem o restante da população. O cristão iraniano passa então a se sentir um estrangeiro dentro de sua própria pátria, ameaçado e perseguido.

Para concluir, podemos parafrasear mais uma vez Caterine Koltai, quando ela diz que a xenofobia é de caráter natural e espontâneo no ser humano. Já que não se pode culpar nem Deus nem as instituições pelo mal que sofremos, o estrangeiro passa a ser o culpado, como um bode expiatório. Extirpando um único ser ou grupo, acha-se que é possível recuperar uma identidade individual, que é extremamente frágil. Ao abrandar a censura do assassinato neste contexto, resume-se tudo em uma frase: “Prefiro perder com meu adversário do que ganhar com ele”.

A base cristã do material foi retirado do site da Missão Portas Abertas; o restante de material do Curso de Serviço Social...