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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E aqui estou eu sozinho com o tempo...


A quanto tempo não paro para escrever sem a obrigação de fazê-lo focado em alguma obrigação acadêmica ou profissional? Sinto falta disso, sou viciado em escrever e este é um bendito vício do qual não quero me libertar.

Ultimamente, porém, tenho feito mais o que preciso do quê o que eu gosto, tomando mais remédio do que vinho. Sinto falta de mim nos momentos de ócio e lazer, tempo abençoado que teve de ser trocado por objetivos maiores do que os momentos em que podia ficar meditando em nada e deste exercício colher algumas coisas simples, mas que me davam prazer sem medida.

Agora tudo é cronometrado, tudo é metodicamente executado, não tenho tempo a perder.

Pensado por este prisma, o que vem a ser perder tempo? Perdemos tempo todo dia, vivemos para morrer, avançamos como loucos àquilo que nos espera mais dia menos dia, como mariposas enfeitiçadas pela luz que nos seduz e que nos levará ao destino comum de todos. Que proveito temos disso? Que bem colheremos no futuro que nem sabemos ao certo se o alcançaremos?

Como saber se o que temos à frente é o que de melhor poderíamos ter ou que apenas acabou sendo a única opção disponível? Por que vivemos fazendo tantos planos para o futuro, negligenciando o presente e esquecendo as experiências do passado? Tivemos várias lições praticas na vida e da vida, insistimos algumas vezes em trilhar caminhos que já sabemos de antemão que não darão em nada, isso quando não nos aventuramos rumo ao futuro incerto e fugaz.

Sim, estou meio em crise...

Não sei se o tempo que me resta será suficiente para alcançar algumas coisas que nos fazem crer serem importantes para nos sentir realizados, levando em conta que, das três coisas que alguém um dia disse serem essenciais para nos sentirmos realizados, mal e porcamente fiz apenas uma: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Árvores já plantei e outros comeram de seus frutos, escrever um livro é um sonho que talvez um dia consiga concretizar, bastando apenas eu desenvolver as habilidades que nem sei se tenho. Filho é algo que também quero mas, olhando para frente, não consigo falar do assunto sem cair no lugar comum que diz que, devido a minha idade, quando ele nascer já não me chamará mais de pai e sim de avô.

Tempo, bendito e maldito tempo. Sinto-me limitado por esta fria forma de calcular as coisas. Não quero ser eterno quanto homem na terra, mas gostaria de deixar algo pelo qual pudesse ser lembrado. Como os guerreiros gregos, gostaria de ter a bela morte cantada pelos poetas, tendo meu corpo sendo chorado pelas virgens e cantado nas canções daqueles que poderiam eternizar minha existência.

Olhando a realidade, entretanto, não me vejo digno de uma canção. Deus, por qual razão me pego questionando estas coisas? Por que acho que devo viver como se fosse meu último dia mas, por outro lado, fazendo planos eternos? Não sei dizer se meu copo está meio cheio ou meio vazio! Será que estou mais para lá do que para cá ou vice-versa?

Assim perco tempo que me é caro crendo em possibilidades vagas. Sinto-me enfraquecer e desmotivar. Desmotivado e desmotivador se olharem para mim, ao mesmo tempo que motivo e incentivo todos os que me rodeiam, dando algo que não tenho colocado em prática mas bem sabido na teoria. Não quero ser corrigido nem censurado, apenas estou gozando de meu direito de divagar, meu direito de ter meus momentos de incertezas...

Tempo, dura limitação imposta aos humanos...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O cristianismo nos países comunistas e islâmicos


Em um ambiente extremamente politizado por pessoas que mal conseguem discernir a mão direita da esquerda, tenho que aproveitar as oportunidades que caem em meu colo para mandar pro gol.

Na aula de Teorias Psicológicas nos pediram para falar sobre algum grupo excluído ou perseguido. Na hora lembrei da Igreja Perseguida nos países comunistas (aqueles rascunhos de marxistas vão odiar!!!) e mulçumanos e decidi compartilhar com eles (nossa apresentação será na próxima quinta, 06/10).... e com vocês!!!


“O que é estranho no estrangeiro é o fato de ele não ser eu”Alain, filósofo, citando “Diário Íntimo” de Amiel

Poucas pessoas sabem exatamente o que acontece aos cristãos nos países muçulmanos e comunistas. Não sabemos ao certo a razão disso não ser divulgado na mídia pois, estranhamente, os países ocidentais são predominantemente cristãos e não conseguimos imaginar que nós, que recebemos todos os povos, culturas e religiões diferentes em nossa terra soframos tantas perseguições nestes países.

Para ilustrar o que estamos expondo, vamos citar a Coréia do Norte e o Irã, as duas nações mais opressoras dos direitos dos cristãos ao redor do mundo, baseados no ranking anual da Missões Portas Abertas:

1º: CORÉIA DO NORTE: O país líder no funesto ranking dos que mais perseguem os cristãos é a comunista Coréia do Norte. Desde a instalação do regime comunista, a perseguição tem assumido várias formas. Em um primeiro momento, os cristãos que lutavam por liberdade política foram reprimidos. Depois, o governo tentou obter o apoio cristão ao regime, mas como não teve êxito em sua tentativa, acabou por iniciar um esforço sistemático para exterminar o cristianismo do país. Edifícios onde funcionavam igrejas foram confiscados e líderes cristãos receberam voz de prisão. Ao serem derrotados na Guerra da Coréia, soldados norte-coreanos em retirada freqüentemente massacravam cristãos com a finalidade de impedir sua libertação. Muito mais pode ser visto sobre este assunto ao final deste breve resumo da situação local.

Isso vem de encontro ao que Caterina Koltai disse em entrevista à Revista Insight. Ela cita os escritos de Freud, “Reflexão Para Tempos de Guerra”, onde ele afirma que nem as civilizações desenvolvidas são capazes de resolverhttp://www.blogger.com/img/blank.gif disputas e conflitos sem guerrear. Conversando com Einstein às vésperas da II Grande Guerra, Freud afirma que a ambivalência do homem sempre o levará a novas guerras, pois, através destas, o homem tem como expulsar o ódio para o exterior da comunidade contra o inimigo, enfatizando o monopólio da violência exercido pelo Estado.

Esta violência legal exercida pelo Estado se exprime de modo privilegiado na guerra mas, neste caso, uma guerra civil contra estrangeiros cristãos e cidadãos que se convertem ao cristianismo. Só vínculos afetivos e processos civilizadores podem fazer frente ao verdadeiro massacre que estes sofrem dentro de seu próprio país.

2º: IRÃ:
– O Irã é uma teocracia islâmica. Embora os direitos de cristãos, judeus e zoroastras sejam assegurados pela Constituição, na prática, todos são vítimas de retaliação e perseguição. As restrições e a perseguição ao cristianismo têm se multiplicado rapidamente nos últimos anos. O governo do Irã está consciente do desdobramento da Igreja nas últimas décadas. Ele tem procurado impedir e tornar impossível o crescimento dos cristãos.

É permitido que igrejas ligadas às minorias étnicas ensinem a Bíblia ao seu próprio povo e em sua língua. No entanto, essas igrejas são proibidas de pregar em persa, a língua oficial do país. Muitas igrejas recebem visitantes durante seus cultos, alguns deles, entretanto, são da polícia secreta e monitoram as reuniões. Cristãos ativos sofrem pressão. São interrogados, detidos e, às vezes, presos e agredidos. Casos mais críticos envolvem até a execução.

Para se ter idéia da gravidade da situação, está em andamento em um tribunal iraniano o julgamento pastor Yousef Nadarkhani, iraniano, acusado de apostasia por ter se convertido do islamismo para o cristianismo, correndo o sério risco de ser executado a qualquer momento.

Entretanto, o que mais nos chamou a atenção no caso do Irã, além da perseguição e violência utilizada para conter a prática de culto cristão é este detalhe sutil ligado à proibição da pregação da mensagem cristã na língua oficial do Irã, o persa. Isso vem de encontro ao que lemos no texto “A Estranheza do Sujeito”, um debate entre Paul Ricceur e Jean Daniel sobre o que gera a rejeição, ódio e repulsa aos que nos são estranhos, onde eles citam o aprendizado de novas línguas, que infelizmente é para poucos, como uma maneira de socialização entre os povos de culturas diferentes.

Ao proibir a pregação na língua oficial iraniana, o governo faz com quê esta fique restrita às minorias étnicas do país, aumentando assim o ódio do restante da população contra aqueles que crêem nesta mensagem considerada perniciosa, vinda dos países ocidentais, notoriamente odiados pelo governo iraniano.

Assim, dentro do próprio Irã passam a existir guetos cristãos vivendo em liberdade apenas na Constituição, mas sem o direito de se comunicar na própria língua do país para que a mensagem e cultura crida por eles não contaminem o restante da população. O cristão iraniano passa então a se sentir um estrangeiro dentro de sua própria pátria, ameaçado e perseguido.

Para concluir, podemos parafrasear mais uma vez Caterine Koltai, quando ela diz que a xenofobia é de caráter natural e espontâneo no ser humano. Já que não se pode culpar nem Deus nem as instituições pelo mal que sofremos, o estrangeiro passa a ser o culpado, como um bode expiatório. Extirpando um único ser ou grupo, acha-se que é possível recuperar uma identidade individual, que é extremamente frágil. Ao abrandar a censura do assassinato neste contexto, resume-se tudo em uma frase: “Prefiro perder com meu adversário do que ganhar com ele”.

A base cristã do material foi retirado do site da Missão Portas Abertas; o restante de material do Curso de Serviço Social...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Magoáveis, magoantes, magoados...


Do insight até agora fiquei pensando qual passagem bíblica poderia usar para ilustrar o que se passou em meu coração quando este pequeno jogo de palavras veio à minha mente. Em resposta, um silêncio, nada escrito que pudesse inserir sem distorcer seu significado. Até por que, algo tão pessoal assim não precisa de álibi bíblico para ser escrito.

Como fruto da observação de diversos acontecimentos que cercaram minha jornada e a dos meus próximos, vi o quanto nós somos frágeis, contundentes e vítimas nas relações interpessoais, em seu infindáveis e complexos contextos.

Quantas vezes saímos de casa sem nossa pele de dragão e somos alvo das setas inflamadas lançadas por (e através) (d)aqueles que nos cercam, setas estas que nós mesmos, diversas vezes, lançamos (ou somos instrumentos para lançar) em direção do outro? Como vítima ou vitimizador, passamos pelos estreitos caminhos da vida, relacionando-nos com várias pessoas ativa ou passivamente como cercas de arame farpado, grosas dichavadoras de almas, britadeiras de emoções, rolos compressores de vidas humanas...

Isso me faz lembrar da ilustração dos porcos espinhos com frio, tentando aquecer-se mas não podendo se aproximar do outro pois ferem e são feridos. Por qual razão somos assim meu Deus? Por qual razão nos machucamos e somos machucados por aqueles que nos cercam? A esta altura, até que enfim vem um grito da alma de Paulo que pode dar um pouco de luz a estes devaneios:

“Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?"
Romanos 7.24

Esta é a condição humana, condição de miseráveis seres relacionais que não conseguem desfrutar dos prazeres da existência em comunidade pelo fato de sofrer com o cheiro do outro, com o toque do outro, com as palavras do outro, com os silêncios do outro...

Por qual razão somos assim, magoáveis (sensíveis, impressionáveis), magoantes (contundentes, agudos, cortantes), magoados (feridos, doloridos, não cicatrizados)?

Queremos o outro próximo mas não sabemos lidar com os excessos, os espinhos, com a forma disforme e algumas vezes desfocada que tanto nós quanto eles assumem. E sofremos por isso. Sofremos e fazemos sofrer...

Não consigo concluir este texto, ele ainda está sendo escrito dentro de mim...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Minha alma está triste até a morte...


Vira e mexe acabo chegando aos sentimentos que neste momento estão me consumindo. Olho no espelho de minha alma e fico me perguntando a razão de ser tão aquém do mínimo que gostaria de ser. Sem falsa modéstia ou pieguice, noto a contragosto que por mais que me esforce, faço apenas o mínimo que deveria fazer para ser um pouco “menos pior” do que aqueles que não conhecem a Cristo.

Digo isso de coração, que neste momento está com um peso enorme, fruto da minha incapacidade em avançar a passos largos. Sonho entrar em vôos altos, à velocidade de cruzeiro, tudo equilibradamente disposto. Mas o que vejo como frutos são somente decepções comigo mesmo. Frutos amargos, trazendo angústia e dor.

Entendo perfeitamente o que Paulo quis dizer quando abriu seu coração e falou em Romanos 7:18-24 “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte”.

Não pensem que neste momento de minha vida fiz ou estou fazendo algo abominável ao meu Deus ou ao próximo. Não é isso. Meus algozes me torturam pela minha humanidade falha como um todo. Volto ao espelho da alma e digo novamente: “Rapaz, tu não presta!” Só isso, nada mais.

Vivo pela Graça, somente pela Graça. Não consigo descanso e vejo que isso faz parte do processo. Quem aqui está plenamente satisfeito consigo próprio? Quem aqui vive de glória em glória, sendo cabeça e não cauda, mais que vencedor? Que vida é essa? Minha alma desabafa como fez a de Paulo, quando diz em 1Timóteo 1:15-16: “Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal; mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, o principal, Cristo Jesus mostrasse toda a sua longanimidade, a fim de que eu servisse de exemplo aos que haviam de crer nele para a vida eterna”.

Há momentos assim em minha vida. Creio que na vida de todos deve acontecer algo parecido, mas nestes momentos devo me recolher e aguardar o que está para ser feito por Deus. Creio que seja mais um degrau a subir, creio que seja mais uma revisão, mais um ‘recall’, sei lá. So sei que hoje, como disse Jesus no Getsemani, “...a minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Mt 26:38b.

Vai passar, sei que vai passar. Passar e voltar, como as ondas do mar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O pedaço que falta



Sem comentários...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

É melhor ser feliz do que estar certo


...Como saber , no entanto, se um ferimento fatal foi causado deliberada ou acidentalmente? O livro de Deuteronômio (Deut. 4:42) diz que se a pessoa que sofreu o ferimento não tiver hostilizado a outra nos dois ou três dias anteriores, pode-se assumir que foi um acidente.

Comentando este versículo, os sábios do Talmúd oferecem um enfoque psicológico fascinante. Dizem que a duração de uma querela, na vida normal, é de dois ou três dias. Se uma pessoa o fere ou o ofende, você tem o ‘direito’ de ficar zangado com ela durante este tempo (estamos aqui falando de discussões rotineiras e de mal entendidos, não de ofensas maiores). Se os sentimentos de amargura se estendem pelo quarto dia é porque você está querendo prolongá-los. Você está nutrindo a mágoa, mantendo-a artificialmente, em vez de deixá-la morrer de morte natural.

Deve haver alguma satisfação emocional em colocar-se no papel de vítima, mas essa é uma má idéia por duas razões. Primeiro, afasta você da pessoa de quem você deveria estar perto (E se, se tornar um hábito, como freqüentemente acontece, afasta você de muitas pessoas de quem você deveria estar perto). E, segundo, você se acostuma a se ver no papel de vítima, desamparada, passiva, sentindo-se a presa dos outros. Vale a pena esse sentimento vazio de superioridade moral que o faz ser visto dessa maneira?

O conselheiro pastoral David Norris diz o seguinte: “O perdão envolve um esvaziamento não só da energia negativa inerente à ofensa, mas também dos significados que damos a ela, como resultado dessa e de outras ofensas semelhantes pela vida afora”. A “energia negativa” a que Norris se refere é a sensação de amargura e ressentimento que carregamos conosco quando nos lembramos de como alguém nos magoou.

Quando tentei aconselhar uma divorciada que ainda fervia de raiva ao falar do marido que a deixara há anos por outra mulher, e que atrasava o pagamento da pensão das crianças, ela me perguntou, “Como pode pretender que eu lhe perdoe, depois de tudo o que ele fez a mim e às crianças?", eu lhe respondi: "Não estou pedindo que o perdoe por achar que o que ele fez não foi assim tão terrível; foi, sim, terrível. Estou sugerindo que você o perdoe porque ele não merece ter este poder de transformar você numa pessoa amarga e ressentida. Quando ele se foi, perdeu o direito de ocupar a sua vida e a sua mente da maneira como você está deixando que ele faça. Que você tenha raiva dele não incomoda a ele, mas fere a você. Está transformando-a em alguém que você não quer realmente ser. Afrouxe essa raiva, não por causa dele – provavelmente ele não o merece – mas por sua causa, de forma que você possa deixar emergir o seu verdadeiro eu”. E quando a energia negativa nos distancia de alguém com quem queremos estar juntos – um marido ou uma mulher, um irmão ou uma irmã, um amigo chegado que nos desapontou – é muito mais importante que aprendamos a descarregá-la.

Pelos “significados que a ela damos”, Norris se refere aos sentimentos de não valer nada, que nos vêm quando alguém que amamos nos maltratou ou nos deixou tristes. Essas ofensas nos tocam tão profundamente não apenas porque estão erradas intrínseca ou extrinsecamente, mas porque elas nos atingem onde somos mais vulneráveis. Tocam nosso medo de que, afinal de contas, não sejamos assim tão merecedores de amor. Quanto mais nutrirmos uma mágoa, nos dizendo: “Aquela pessoa não se importa com meus sentimentos”, mais repetimos a mensagem em nossa mente: “Meus sentimentos não devem ter importância”. Quando perdoamos, quando chegamos a encarar o que alguém nos fez não como resultado de maldade ou de pouco caso com nossos sentimentos, mas como o resultado da fraqueza, da impaciência e da imperfeição humanas, não apenas libertamos o outro do papel de vilão; nos libertamos do papel de vítima.

A colunista Linda Weltner, do Boston Globe, conta uma história ilustrativa. Ela recorda ter se sentado num parque para olhar as crianças brincando. Duas crianças começaram a discutir e uma disse à outra; “Eu te odeio, nunca mais vou brincar com você!” Por alguns minutos elas brincaram separadamente e logo estavam de volta, partilhando os brinquedos uma com a outra. A Sra. Weltner comentou com a outra mãe, “Como as crianças podem fazer isso? Como conseguem estar no auge da fúria uma com a outra num minuto e no minuto seguinte serem as melhores amigas?” A outra mãe responde, “É fácil: Elas preferem ser felizes a ter razão”.



Trecho do capítulo cinco do livro "O Quanto é Preciso ser Bom?" - Rabino Harold S. Kushner - págs 91, 92 e 93 - Editora Exodus

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Viva hoje e seja feliz!


“Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia: ‘Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela'.”Jeremias 29.4-7

Há tempos que o Senhor tem falado comigo através destes quatro versículos do livro de Jeremias, mas até então não tinha tido vontade de escrever (ando muito preguiçoso...).

Na verdade, está para se fazer três anos que estes versos se tornaram Palavra revelada em minha vida pois, até então, o tratava como a narrativa histórica à respeito do exílio o qual o povo de Israel fora levado até a Babilônia, por longos 70 anos, até que a Santa Ira (St. Anger, como diria o Metallica em disco homônimo) de Deus passasse (e não é bem assim, convenhamos...). Foi quando eu fui transferido de São Paulo, minha amada e querida megalópole, para esta cidade dita maravilhosa: O Rio de Janeiro.

Aqui, por muitas vezes, me sinto literalmente na Babilônia, no pior sentido. Ao entrar na cidade, você sente no ar o clima e os aromas de uma sexualidade estranha, meio perniciosa, tentando te envolver, te seduzir, te abraçar e levar para seu leito. Algumas vezes até no sentido literal. Outras, no sentido moral, espiritual. Mas este não é o enfoque que quero dar ao texto.

Minha intenção aqui é a de falar a respeito de um assunto que cabe a todos: As circunstâncias que nos cercam, as quais não decidimos consciente e livremente vivê-las.

São aquelas encruzilhadas, verdadeiras sinucas de bico que vez ou outra cruzam nossos caminhos, momentos nunca antes imaginados e que – como um pesadelo aparentemente interminável – aparecem em nossa frente, obrigando-nos a tomar decisões imediatas, visando solucionar aquele problema.

Isso me faz lembrar o relato que encontramos, entre outros textos bíblicos, no Evangelho de Marcos:

“Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Este é um lugar deserto, e já é tarde. Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer". Ele, porém, respondeu: "Dêem-lhes vocês algo para comer". Eles lhe disseram: "Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?" Perguntou ele: "Quantos pães vocês têm? Verifiquem". Quando ficaram sabendo, disseram: "Cinco pães e dois peixes". Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde. Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinqüenta. Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles. Todos comeram e ficaram satisfeitos, e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. Os que comeram foram cinco mil homens.”Marcos 6.35-44

Associem agora as duas situações (ore se for necessário), separadas por muitos séculos, ao cerne do que intento falar: No dia de hoje, 17 de Agosto de 2011, 18:58hs, você está exatamente onde um dia você havia sonhado estar, fazendo exatamente o que você desejara fazer desde a mais tenra idade?

Respondo sem medo de errar: N-Ã-O!!!!!!!!!!!!!

O que você tem feito são pequenos remendos, procurando usar aquilo que você dispõe de imediato, “tirando água de pedra” (Moisés que o diga!!!), lutando desesperadamente para manter o mínimo de lucidez, amor, próprio, decência e felicidade. Esta última, teimosamente, aparentemente insiste em escorrer através dos dedos.

O que não atentamos, porém, é que o dia de hoje é o dia que o Senhor fez, não numa reducionista situação de subserviência, muito menos num estado de espírito muito bem descrito pelo Dr. Zeca Pagodinho (o que me faz lembrar da frase que diz: “até um relógio parado, duas vezes por dia, está certo”): “Deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço por tudo o que Deus me deu!”

O dia de hoje é o dia o qual estamos inseridos por nossas próprias decisões (ou falta DE). Neste dia, vemos que estamos possivelmente exilados, chorando com imensa saudade de nossa pátria (ahhhhh Sampa amada, só te valoriza quem mais não está ai!!!), vivendo uma vida revoltada, contando o tempo como aqueles que sabiam das profecias de Jeremias possivelmente o fizeram (“faltam 69 anos, 364 dias, oito horas e 12 minutos para eu meter o pé desta Babilônia!!!!") mas sem, contudo, parar para pensar nos dois pontos que utilizei para alicerçar este raciocínio:

1) EXÍLIO: Sim, porém tendo a ordem explícita de Deus para que aproveitássemos o máximo este período, casando, construindo casas, dando nossos filhos e filhas em casamento, sem murmurar quanto à situação em que vivemos. Não que Papai não se importe, mas Ele quer que aprendamos a valorizar cada momento de nossas vidas, mesmo exilados, sem fazer continhas de quanto tempo possivelmente ainda falta para que voltemos à nossa amada (porém utópica) situação inicial, que aparentava ser muito melhor que a atual. O problema foi que não soubemos dar o devido valor no tempo certo. Talvez hoje, caso você volte a ela, você não mais a reconheça. Como diz o ditado, atribuído a um filósofo qualquer: “Um homem nunca passa duas vezes pelo mesmo rio: Primeiro, porque suas águas serão outras; segundo, porquê ele próprio terá mudado". Isso automaticamente me remete ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos” e sua célebre frase: CARPE DIEM!!!!!

2) CINCO PÃES E DOIS PEIXINHOS: No contexto apresentado no Evangelho de Marcos, cinco pães e dois peixinhos são tudo o que você dispõe no momento. Estes dois elementos representam suas necessidades imediatas de carboidratos e proteínas para te manter vivo por mais um dia. Se eles são escassos para todas as demandas que se interpõem seu caminho, saiba que serão suficientes para viver mais um dia, O DIA QUE O SENHOR FEZ. Entretanto, talvez você precise LITERALMENTE de um milagre, pois, com estes dois que você tem na mão, você terá que alimentar as multidões que te cercam! São as multidões de problemas financeiros, problemas relacionais, problemas das mais variadas formas de se manifestar em seu caminho. O quê fazer então? Simplesmente CREIA que TUDO ESTÁ NO CONTROLE DE DEUS. Esclarecendo mais uma vez: Não estamos nem somos sujeitos a um Deus que tem como prazer sádico FERRAR seus filhos. Falo, vivo e respiro o DEUS VERDADEIRO, tão caricaturizado através das religiões, mesmos as ditas "cristãs". Ele apenas É E ESTÁ PRESENTE. É o Emanuel, Deus conosco...

Com esta certeza, viva intensamente cada dia, usufrua de tudo o que você tem, mesmo que aparentemente seja pouco. O importante é ter a ciência de quê você está exatamente onde deveria estar, vivendo o que deveria viver. Que fique bem claro que isso não significa subserviência, possibilismo geográfico como aprendemos na escola nas aulas de geografia. Significa que você terá que rebolar para tirar a tal água de pedra, só isso...

Tendo esta firme convicção, saiba que você aprenderá a ser feliz com o dia de hoje e com o que você dispõe nas mãos. Com esta postura, saiba que se moverão céus e terra para que nunca te falte nada, principalmente a FELICIDADE!

Post Scriptum
: Escrevi isso precisando ouvir tudo isso. Papai falou comigo através de cada linha que Ele me inspirou escrever (me abana pois até perdi o fôlego!!!!).

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para Deus tudo é possível?


"Porque para Deus nada é impossível". – Lucas 1:37

Você acredita que tudo é possível para Deus? Eu não creio desta forma. Posso talvez ser mal interpretado, mas em pelo menos uma situação Deus é impotente para agir, e dela falo abaixo.

Isso se dá pelo fato de Deus ser Amor. Seu amor o fragiliza, pois o amor só existe em liberdade. Deus pode nos amar e de fato nos ama, mas Ele pode nos obrigar a amá-lo?

Você conhece pessoas que ouvem a Verdade revelada nas Escrituras, é tocada profundamente pelo Espírito Santo, vão às lágrimas e se derretem toda, mas esta reação é apenas fruto de uma emoção passageira. Como aquela “semente que caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade” (Lucas 8:6), vejo pessoas que caem na descrição que Jesus deu na parábola do semeador. Estas pessoas são aquelas que, “ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam” (Lucas 8:11).

Ouvem a Palavra, se alegram com ela, simpatizam com Jesus, acham-no “o cara”, um grande mestre, o espírito mais evoluído que já viveu entre os homens, um candidato ao prêmio Nobel da Paz... Acham-no tudo, menos que Ele é Senhor e Salvador.

O que Deus pode fazer com uma pessoa assim? O que nós podemos fazer com pessoas assim?

Temos por acaso como decidir por elas? Podemos obrigar alguém a fazer o bem, andar pelo Caminho correto, optar pela Vida? Como está escrito em Deuteronômio 30:15-20,

“Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir. Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, Então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, Amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar”.

Deus alerta, avisa, sinaliza, até mesmo ordena, faz quase tudo para que optem pela vida. Só que isso não é o suficiente, e Deus sabe disso. Como toda ordem, ela pode ser desobedecida. Ele não pode obrigar quem quer virar as costas a Ele que o ame. Se o fizesse, descaracterizaria Deus e Ele não seria mais quem Ele É. Isso a meu ver faz o coração de Deus sofrer, mas só desta forma Ele agiria em coerência com quem Ele É.

Isso é triste, mas o Amor é sofredor. Quem ama sofre. Como diria Raul Seixas em Medo da Chuva, “...hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez”. Base bíblica há, como está escrito em 1Co:13:4-7: O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Em suma: Deus “pode tudo mas não pode” devido ao Amor. Senão Ele não seria AMOR.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Tirem as garras da Amy...


"...Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram: "Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los?" Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: "Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los"Lucas 9.54-55

Me segurei até hoje mas resolvi escrever. Quase todo mundo evangélico pode falar mal da Amy Winehouse e eu vou me omitir?

Os novos porteiros do céu roubaram a chave de São Pedrão e passaram a agir como juízes daqueles que pecaram os “pecadões” imperdoáveis, como o da já saudosa Amy com seu estilo de vida “sex, drugs, drugs, more drugs & rock’n’roll” (no caso dela era soul) e afirmam categoricamente que a pobrezinha está assando no inferno junto com outros da safra dos 27.

Comentam a morte por overdose da linda menina criada por Deus (como a Dri definiu maravilhosamente em seu blog) como um exemplo do que pode acontecer com aqueles que não andam nos trilhos.

Para mim, a questão em pauta não é sobre “foi pro céu ou foi pro inferno?”, mas sim a respeito do prazer que sentem em ver uma pessoa da expressão da Amy morrer para poder justificar suas teorias a respeito de um deus (com “dê” minúsculo) que ama e protege os bonzinhos e ceifa a vida dos malvados.

Que prazer diabólico é esse? Parece que vivem à espera do próximo líder à “cair em pecado”, da próxima catástrofe natural num país considerado pagão para terem orgasmos espirituais!

Eu não faço parte desta banda podre que se considera cristã. Isso não é reflexo do Evangelho da Graça que eu conheci e que vivo. Isso é uma tremenda relação de causa x efeito pior do que as que os espíritas pregam, em suas mais variadas formas.

Não existem Graça nem perdão de pecados, somente a fúria de um deus transtornado e impotente, um deus que nunca seria capaz de perdoar o ladrão na cruz por medo de perder sua “otoridade” e o controle da situação.

Este povinho me faz lembrar a patifaria de Cam, filho (da p#!a) de Noé:

“Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos que estavam do lado de fora. Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ombros e, andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no. Quando Noé acordou do efeito do vinho e descobriu o que seu filho caçula lhe havia feito, disse: "Maldito seja Canaã! Escravo de escravos será para os seus irmãos". – Genesis 9.22-25

Conseguem traçar o paralelo entre o prazer dos religiosos com a morte de gente como Amy Winehouse, Janis Joplin, Jimi Hendrix e outros da “safra dos 27” e a postura covarde de Cam em relação à bebedeira e a nudez de Noé? São poucos os que teriam a decência de Sem e Jafé de cobrirem a nudez do pai, ocultando o estado deplorável que dizem que ele ficou após a suposta relação sexual que Cam teve com o pai bêbado.

Para mim é a mesma coisa. Eles querem ver a bagaça, precisam de carniça para se alimentar, lenha para jogar na fogueira. O problema é que a medida usada com os outros também será usada em seu próprio julgamento.

Eu temo, tremo e só lamento, como dizem por estas bandas...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ele é meu mas eu não sou dele...


“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”Eclesiastes 3.1

O prazer de um blogueiro como eu é sentar à frente do computador e despejar tudo o que passa em seu coração através do teclado, mas eu estava atravessado uma ressaca desgraçada que vinha se prolongando a níveis preocupantes e não estava nem um pouco a fim de escrever...

Insights de textos até surgiam em minha mente (alguns muito bons) mas não vinha tendo paciência em sentar e digitar. Talvez fosse pelo fato de estar no meio de uma crise de lombociatalgia, o que limita minhas resistências físicas em ficar sentado mais do quê 20 minutos à frente de um computador. Desde que esta bendita crise começou, já tomei 6 injeções e algumas dezenas de antiinflamatórios e analgésicos para minimizar minha dor, o que me deixa virtualmente chapado.

Por outro lado, estava realmente precisando de um break neste bendito vício de escrever. Por algumas vezes me vi na ânsia de sentar e escrever, como se estivesse preocupado no que meus possíveis leitores pensariam de mim caso não postasse algo...

...mas que pensamento idiota este! Antes de mais nada, escrevo para mim e não para os outros. Escrevo, pois sinto prazer em escrever e – se não estivesse sentindo este prazer – não haveria razão em fazê-lo. Escrevo para colocar da forma mais ordenada possível os pensamentos, sentimentos e percepções daquilo que se passa dentro de mim e ao meu redor.

Por estas razões, me abstive de escrever. Na verdade, nem acessar meu blog estava fazendo. Foi um processo interessante, uma desintoxicação, uma “desidolatrização”, uma prova a mim mesmo que eu não era escravo daquilo que eu criara.

Este é um exercício interessante de ser feito periodicamente, como se fosse um jejum para pequenas coisas que consumimos freqüentemente e que passam a consumir nosso direito de não querer consumi-las. Na verdade, tudo que se torna obrigação deixa de ser prazeroso e se torna um pequeno carrasco de nossa liberdade.

Agora estou melhor... Agora, mesmo com a dor nas costas, estou sentindo prazer em escrever. Aquele meu pequeno ex-senhor, meu próprio blog, não está controlando meu direito de não querer vê-lo por algum tempo. Por isso volto a ele, caminhando juntos por eu querer continuar com este que – pessoalmente – considerei quase que um ministério mas que, como todo ministério, estava deixando de se tornar algo feito por amor e estava passando a ser feito por obrigação quase que religiosa.

E religiosidade, na boa, não casa comigo...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres


"Também lhes digo que se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus. Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles". – Mateus 18.19-20

Mudam o picadeiro e os palhacinhos mas, infelizmente, o espetáculo é basicamente o mesmo...

Isso me deixa muito triste. Por mais que tente não falar deste assunto, me assusta a imensa dificuldade que muitos queridos irmãos em Cristo enfrentam ao se deparar com a liberdade oferecida pelo Senhor àqueles que O conhecem e O seguem. Por esta razão, insisto no mesmo.

Em meus 18 anos de Evangelho (pouco para alguns, muito para outros, apenas o início de uma caminhada Eterna para mim), demorei MUITO para aceitar o fato de que a verdadeira comunhão com meus irmãos não se dava efetivamente no templo, modelo não ensinado por Jesus, mas sim, copiado do sistema judaico.

Por qual razão é difícil aceitar que o simples compartilhar do pão e do vinho junto aos seus amados pode gerar mais cura, salvação e libertação do que estar perante o sacerdote, dentro de um templo onde ninguém se conhece realmente (raras exceções, claro...) e fingindo um amor e intimidade que – na prática – não existe?

Na verdade, não sou contra o templo nem ao sistema, desde que se consiga – dentro deste – estabelecer verdadeira comunhão entre os irmãos. O problema é que, por um lado, o sistema religioso aparenta incentivar a comunhão mas, na prática, incentiva que os irmãos foquem única e exclusivamente nos interesses da denominação e nos seus próprios, bem mais do que nos interesses do Reino de Deus aqui na Terra.

“Jurar é pecado” mas, apenas para me utilizar da força desta expressão, digo que JURO que tentei...

Tentei ser membro de várias denominações, tentei me enquadrar nas atividades das mesmas, tentei apenas acreditar que pelo simples fato de estar dentro da igreja e ter carteirinha de membro me faria melhor, tentei por duas vezes estudar Teologia, tentei ter boa relação com o pastor e freqüentar assiduamente os cultos, estudos, retiros, campanhas, vigílias & afins.

O problema é que isso não trouxe VIDA nem muito menos RELACIONAMENTO PESSOAL COM CRISTO!

Como escrevi anteriormente, sendo que isso foi o que me motivou a falar sobre este assunto novamente, tendo sido motivado pelo comentário de um querido “anônimo” (irmão anônimo, como isso funciona??????) no texto escrito em Maio deste ano, comunhão verdadeira, COMUNHÃO dentro da igreja (denominação, instituição humana, CNPJ, etc) simplesmente não existe!

Repito: Lógico que dentro deste estabelecimento podemos encontrar dois ou mais verdadeiramente interessados na implantação do Reino de Deus aqui na Terra. O grande problema é que os freqüentadores deste esquemão religioso estão interessados em – perdoe-me pela redundância – seus próprios interesses, na resolução de seus dilemas, conflitos e problemas pessoais.

Por outro lado, qual pastor realmente quer que suas ovelhas cresçam e se submetam ao verdadeiro PASTOR, aquele do Salmo 23? Faço a pergunta, aparentemente dizendo que não existem estes, mas sabendo que existem muitos! O problema é que estes não são bem vistos nem muito menos quistos por suas comunidades!!!

Para estes, como explicar que um “homem de Deus” incentive “suas ovelhas” a aprenderem a andar na Terra como Jesus incentivou ao dizer:

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.”Mateus 10.16

Segundo este raciocínio estreito (não o de Cristo mas dos líderes) perderiam o controle sobre o rebanho, perderiam suas posições alcançadas dentro das igrejas e – conseqüentemente – seus cargos...

Poderia me estender mais nesta breve reflexão. O problema é que este assunto está longe de terminar e tenho que fazer alguma coisa para eu e minha mulher jantar.
Termino com este texto (que deveria ser mais claro que a neve!!!!!!!!!!)

“Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres". – João 8.31-36

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cada um com seu anel...


“Partiram, pois, os onze discípulos para a Galiléia, para o monte onde Jesus lhes designara. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto IDE, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”Mateus 28.16-20

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”Atos 1-8

Fiquei pensando qual versículo usaria como base para escrever este texto que há alguns dias veio à minha mente, mas ainda não tinha encontrado tempo e disposição para escrever. Hoje encontrei ambos...

Primeiramente veio o texto de Atos, acima. Em seguida, porém, veio o de Mateus, que se enquadra melhor na minha linha de raciocínio. Por dia das dúvidas, seguem os dois que – de certa forma – se completam.

O que gostaria de escrever é algo que vinha me entristecendo nas últimas semanas, mas que, com o passar do tempo, pude ver que era uma direção específica do Espírito Santo e não apenas força das circunstâncias pessoais de cada membro da “Liga da Justiça” ou, melhor dizendo, da “Sociedade do Anel”.

Para quem não teve o imenso prazer de ler a trilogia de “O Senhor dos Anéis” ou, ao menos, ter assistido aos filmes, segue um breve resumo do início de tudo:

Logo no início da saga temos Frodo Bolseiro, um pacato robbit, sobrinho de Bilbo Bolseiro e morador do Condado. Frodo foi comissionado pelo mago Gandalf, o Cinzento, a levar consigo o “Um Anel” (que por anos esteve em posse de seu tio) até as fornalhas da Montanha da Perdição para que este fosse destruído, por lá ter sido forjado.

Juntamente com Frodo, saiu em seu apoio Samwise Gamgee (Sam), seu jardineiro e melhor amigo. Durante a jornada, outros se uniram à missão, Meriadoc Brandebuque (Merry) e Peregrin Tûk (Pippin), Aragorn (um humano), Legolas (um elfo), Gimli (um anão), entre outros (caso queira saber mais sobre todos os personagens clique aqui).

Em meio a inúmeras aventuras e perigos pelo caminho pela Terra Média, por força das circunstâncias, eles se separam. Praticamente todos tinham em seus corações a mesma missão (Com exceção de Boromir, veja no link acima), mas tiveram que seguir cada um por seu caminho, encontrando-se futuramente para conclusão de várias etapas da missão.

É um resumo tosco (vai ler os livros ou ver os filmes!!!!!), mas o que quero dizer é que por um grande objetivo, vários se uniram para levá-lo a cabo. Com a caminhada e os obstáculos porém, cada um acabou tomando uma direção sem, contudo, perderem o foco desta “Uma Missão”.

Assim aconteceu comigo e com vários amigos blogueiros, todos cristãos, todos com praticamente a mesma visão do Reino de Deus, mas unidos pelo amor que só o Espírito de Deus coloca no coração de nós, tendo como objetivo maior testemunharmos as grandezas de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, longe do tacão da religião institucionalizada e denominada “evangélica”.

Creio firmemente que todos os que lêem o que estou escrevendo e são parte da “Sociedade do Anel” sabem do que estou falando. Dentro do peito de cada um bate um saudosismo, um vazio que incomoda, mas que - ao mesmo tempo - é consolado pelo fato de sabermos que todos estão basicamente bem, pois não se uniram por questão de fraquezas pessoais, por se utilizarem um ao outro como muletas espirituais: Nos unimos por amarmos nosso querido Jesus.

Sinto saudade de quando tinha mais tempo para fuçar no blog de cada um deles, quando eles tinham tempo para fazer o mesmo em meu blog, quando alinhavávamos estratégias para ganharmos pessoas para o Reino de Deus através do Amor, transbordante em nossas palavras escritas. Por outro lado sei que, assim como na Trilogia de O Senhor dos Anéis, temos uma missão muito maior.

Este conforto, este aconchego de estarmos juntos - mesmo que virtualmente – e “perdido” na da jornada através da Terra Média, será em breve recompensado. Estamos unidos na mesma missão, "cada um com seu anel"... rsrs

Amo todos vocês!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Que porcaria de "crente" é você?

Repostagem "revista e atualizada" - 11 de fevereiro de 2010

Em minha vida e na vida de inúmeros irmãos em Cristo tenho visto certo paradoxo ligado aos nossos estilos de vida, aos nossos usos e costumes particulares em relação ao que vemos e ouvimos como sendo o padrão para ser considerado um verdadeiro cristão.

Vemos testemunhos ‘maravilhosos’ de pessoas que dormiram verdadeiros 'bandidos safados sem vergonhas' e acordaram santos prontos a serem canonizados. Irmãos que não assistem televisão, não torcem por nenhum time, não bebem, não fumam, não olham pro lado, não se iram, dão a outra face para tudo, numa santidade irritante, humanamente impossível de ser alcançada por um reles comedor de feijão.

Estas 'quartas pessoas da Trindade’ dentro de nossas igrejas nos fazem sentir que há algo errado em nossa caminhada com Cristo. Qual a razão de não alcançarmos este ‘nirvana’ cristão? Será que somos os piores dos pecadores e estamos na igreja fazendo parte do joio que cresce no meio do trigo? Você já teve este tipo de questionamento em seu coração?

Quantas vezes você se prostrou com rosto em terra pedindo a Deus que, em Nome de Jesus, você não sentisse mais vontade de assistir novela e se pegou de plantão em frente à telinha para ver o próximo capítulo? Para mim este é fácil, não assisto mesmo porque não gosto, mas imagine como é frustrante você professar sua fé e não conseguir alcançar os elevados patamares dos ‘santos’ que sentam ao seu lado na igreja!

Que fique bem claro: Não me refiro aqui a pecados morais como adultério, prostituição, roubo, homicídio ou outra coisa notoriamente errada, os considerados 'pecados morais'. Digo as pequenas coisas que você não consegue se privar apenas para se encaixar na moldura do que é considerado um 'ser evangélico' (e-ca), ou 'gospel way of life'.

Quem não vive isso em pelo menos uma área de sua vida? Quem não está vivendo isso exatamente agora, desde que se converteu, e não consegue ver nenhuma perspectiva de mudança em sua vida? Qual a razão deste abismo entre o que almejamos ser e o que somos realmente?

Falta de fé?
Carnalidade?
Fraqueza moral?
Falta de jejum e oração?

Não! Protesto! Não é isso!

Quantas vezes já orei, jejuei, fiz votos com toda a sinceridade de meu coração e simplesmente não consegui cumprir? Será que sou o único? Já meti a cara no pó, chorei e clamei a Deus para que ele ‘fizesse a obra’ mas, em resposta, apenas o silêncio divino. Será que Deus não está nem aí para mim ou Ele na verdade tem outra visão da situação?

É difícil admitir, mas também libertador. Pare para pensar comigo: Você crê em Jesus como seu Senhor e Salvador. Anda com Ele, reconhece Sua voz, sabe que é salvo, é batizado MAS (maldito masssssss) sente todas estas dúvidas em relação ao que você é versus o que você gostaria de ser. Não há algo aí que não encaixa? Será que o que você está pedindo para Deus realmente vai ser útil a Ele ou você o pede apenas para ser aceito por homens?

Será que se você parar hoje de beber não vai te transformar num religioso arrogante? Será que se você conseguir parar de fumar hoje não vai fazer com que você se torne um intolerante em relação aos ‘fracos’ e sem vontade própria? Será que se você conseguir viver de acordo com o ‘catecismo’ de sua igreja não vai fazer de você um legalista?

Abaixe suas armas. Jogue as pedras no chão. Pare e pense. Reconheça que Deus é soberano, viu e ouviu suas orações, reconheceu a sinceridade de suas intenções mas simplesmente não fez NADA pois, se o fizesse, você não seria mais útil em Sua soberana vontade!

É difícil de aceitar isso mas é muito bom. Queremos ser ‘perfeitos’. Não queremos ser mal vistos e mal entendidos. Precisamos ser aceitos pela irmandade. Não queremos viver nos escondendo dos irmãos na hora de tomar uma cervejinha. Morreremos de vergonha se o pastor nos encontrar na praia dentro daquele biquinizinho (falo isso pelas irmãs). Mas é isso o que Deus quer?

Como diz nosso brother Paulo em sua carta aos irmãos da Galácia, por que começamos tão bem no Espírito mas, depois de um certo tempo de caminhada, começamos a nos aperfeiçoar nas obras da carne? Pare mais uma vez para pensar! Lembre-se de quando você se converteu e mergulhe naquele primeiro amor maravilhoso, que simplesmente te aceitava como você era! É difícil crer que Deus te aceita como você é?

CLARO que mudanças haverão. Mas não no nosso tempo! A passagem das águas que brotam do trono de Deus em nossas vidas nos purificarão a cada dia, mas não de uma vez! Deus respeita nossas limitações. Ele não derruba a casa e constrói outra irreconhecível em seu lugar de uma hora para outra. Deus não seria digno de ser amado se assim agisse. Não havería opção de não amá-lo! Não teríamos que dia a dia nos negar, tomar nossas cruzes para seguí-lo. Seríamos coagidos. Um monte de gente no Céu, muito a contra-gosto, mas fazendo a única coisa que faria sentido para não sermos eliminados por Ele. MAS... GLÓRIA A DEUS que não é assim, e por isso eu sou loucamente apaixonado por Ele!

Ele faz um constante processo de reforma, que é incômodo, longo e irritante (mas necessário). Vemos algumas mudanças aqui, outras ali, mas todas lentas ao nosso entendimento limitado.

Lembra de quando Deus deu a terra prometida ao povo judeu mas disse que não iria eliminar todos os habitantes da terra de uma vez? Como está escrito em Êxodo 23:27-30: “Enviarei o meu terror adiante de ti, pondo em confusão todo povo em cujas terras entrares, e farei que todos os teus inimigos te voltem as costas. Também enviarei na tua frente vespas, que expulsarão de diante de ti os heveus, os cananeus e os heteus. NÃO OS EXPULSAREI NUM SÓ ANO, PARA QUE A TERRA NÃO SE TORNE EM DESERTO E AS FERAS DOS CAMPOS NÃO SE MULTIPLIQUEM CONTRA TI. POUCO A POUCO OS LANÇAREI DE DIANTE TE DE TI, ATÉ TE MULTIPLIQUES E POSSUAS A TERRA POR HERANÇA”.

Um processo progressivo, lento, até que nossa natureza humana suporte toda a grandeza da natureza divina em nós. Será que estou errado? Creio que não.

Termino com Paulo:

“E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte”. – 2Co 12:7-10

Todo mundo especula sobre o que era o espinho na carne de Paulo, mas uma coisa eu tenho certeza: CADA UM TEM O SEU. E há um agravante. Esta porcaria de ‘defeito de fábrica’ é um MENSAGEIRO DE SATANÁS. Qual a razão disso? SE o espinho fosse algo ‘de Deus’, seria fácil aceitar. Mas ele é algo totalmente contra o que consideramos justo, certo ou aceitável. Ele nos machuca por isso! E por que Deus não o tira, deixando-nos ser torturados dia e noite com a dor, a vergonha, a consciência?

"Simples meu filho...", responderá o Senhor:

“...a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.


Post Scriptum: Ao reler este texto hoje, 21 de Junho de 2011, vejo que TUDO o que está escrito nos Evangelhos possuem uma "essência" tão intensa (me faltam palavras...) que somente apontam para uma direção, como podemos ter um vislumbre no Sermão do Monte, por exemplo:

"Vocês ouviram o que foi dito: 'Não adulterarás' Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração." - Mateus 5:27-28

E que raio de essência é esta???????????

Quem olha para alguém que o atrai e não sente alguma "coisinha" diferente? E olha que estou sendo politicamente correto, pois iria dizer alguém do sexo oposto, o quê - infelizmente - não se enquadra na atual realidade "pós MP 122"...

O que quero dizer é que Jesus nos pede coisas aparentemente impossíveis, mas não para nós não conseguirmos cumprir e sermos então lançados no inferno, mas sim que - obviamente - não consigamos cumprir e nos voltemos à ELE e peçamos perdão por nossos pecados.

É ISSO O QUE ELE QUER
!!!! Esta é a essência das aparentemente impossíveis leis e cobranças que estamos a anos-luz de cumprirmos!

Se não fosse isso, por qual razão Jesus diria em resposta aos que o questionaram sobre...

"Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Respondeu Jesus: " 'Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento' Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: 'Ame o seu próximo como a si mesmo' Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." - Mateus 22.36-40

Que o Espírito Santo de Deus lhes abra o entendimento quanto a isso tudo e - como diria o "Bilú" e Tiago 1.4, vocês busquem o "conhecimento"!!!!!!!!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Está acontecendo algo...



“Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite. E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte. Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Mas ai da terra e do mar! porque o Diabo desceu a vós com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta.”Apocalipse 12.10-12

Tenho certeza absoluta que não sou só eu que está sentindo que neste momento específico da história da humanidade está havendo um alvoroço no mundo espiritual. A coisa está tomando um rumo tão "extra-ordinário" que por vezes me sinto personagem do filme Constantine.

Pequenos detalhes, que se forem analisados individualmente podem ser considerados como mera coincidência, estão acontecendo em grande escala não só ao meu redor, mas também na vida de diversas pessoas que eu conheço. Aquela sensação de “1 + 1 = 3” está demais. De fenômenos físicos a pequenas sutilezas espirituais, um monte de situações está tomando vulto.

Como costumo dizer, parece até que dá para sentir o cheirinho de enxofre no ar. Se você ficar atento, não só o cheiro irá impregnar suas narinas, mas também passará a ver e ouvir certas coisas estranhas acontecendo.

Estou falando sobre isso de maneira aparentemente superficial, mas quem tem o Espírito sabe o que quero dizer. Existe uma opressão no ar. Parece que às vezes você quase chega a ouvir risadinhas pelos cantos, correria de alguém tentando se esconder, a respiração nauseabunda de um ou outro bem próximo a você.

Já vivi algo parecido antes, logo que me converti. Só que agora está algo praticamente tangível, mensurável.

Sábado a noite por exemplo, estava em casa assistindo o Caio Fábio no Vem e Vê TV e estavam debatendo sobre este tipo de fenômeno paranormal. Na verdade foi aí que eu consegui juntar as pecinhas do quebra-cabeças que estavam faltando.

Quando acabou o programa (acho que era o Papo de Graça), chamei minha mulher e ambos nos ajoelhamos na sala. Começamos a orar e, neste momento, parece que uma venda caiu de meus olhos. O Espírito de Deus deu direções muito especificas sobre quais assuntos deveriam ser mencionados em nossa oração. Realmente estava acontecendo coisas estranhas.

Por falar em estranheza, o que tem diferenciado este momento de outros que já notei este tipo de coisa acontecer está sendo o fato de antes o inimigo de nossas almas ser um pouco mais discreto, só que agora não. Parece que o que o imundo e seus asseclas estão fazendo ou prestes a fazer é tão urgente que já não fazem questão de não serem notados.

Para ilustrar, imagine alguém entrando ou saindo de seu prédio com uma sacola nas mãos. Parece algo normal, algum morador que você não conhece ou algum entregador levando algo para um apartamento específico. No caso, a sensação que tenho é a de quê alguém está de mudança, carregando um monte de coisas ao mesmo tempo juntamente com vários ajudantes, sem fazerem questão de respeitar a lei do silêncio.

Esbarram em você e nem se dão conta do que fizeram, pois o que eles estão fazendo é algo tão importante e urgente que parece não importar se esbarrou ou não, se você os viu ou não, de tão entretidos que estão em suas atividades. Parece que eles tem um prazo a cumprir e estão atrasados.

Acho que isso define bem o que estou notando.Quanto a isso tudo, creio que o mais importante que estou fazendo e todos devam fazer baseia-se nas seguintes passagens bíblicas:

“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.”
1 João 1.5-7

E também:

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.”Tiago 4.7

Take care...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tem gente que conta até dez. Eu prefiro escrever...


Se eu não escrever eu vou explodir...

Estava cheio de assuntos pulsando em minha mente e em meu coração para colocar por escrito, mas parece que quando estamos colocando as coisas nos eixos e nos alinhando com o Senhor o inferno se levanta através do primeiro idiota que ele cruza no caminho, tentando tirar sua paz.

Não sou santo e não espero perfeição das pessoas. Por outro lado odeio quando sinto que estão tentando infernizar minha vida. Gente pequena, simplista, tosca e que resolve se levantar e se posicionar contra você sem ao menos tomar o mínimo de cuidado ao cruzar seu caminho, te tratando como um – se fosse na linguagem religiosa – neófito. Não tem a mínima noção do risco que correm ao agir como agem.

Ficam te cutucando para tirar o seu pior. Ficam como aquelas constantes gotinhas pingando insistentemente em sua testa dentro de um quarto escuro, tentando levar você aos extremos de seu domínio próprio, apenas para ver se você fala o que parece que as pessoas querem que você fale. Vontade não falta, mas não bateria em ninguém de óculos, com algum tipo de necessidade especial ou mulheres, “somente em macho, pra ver o sangue correr”...

Não se assustem, trata-se de um desabafo de um cristão que não é hipócrita. Não sei fingir que não sinto o que estou sentindo. Dei a outra face mas por dentro estou me remoendo. A Palavra diz em Efésios 4.26-27:

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo.”

(São 16:20h. Desta forma, ainda tenho algumas horas para desabafar...)

Se eu abro a boca e argumento no nível que sinto que devo argumentar, simplesmente passo por cima da pessoa de uma forma que ela dificilmente terá condições de andar sem ajuda de muletas ou cadeira de rodas, isso se voltar a andar. Não é fácil controlar mas me controlei. Agora, a ressaca vem brava, doendo todos os ossos e deixando a boca com o gosto amargo da reduzida de marcha que fui obrigado a dar.

Sim, tenho que amar os que me perseguem. Estes, normalmente, são pessoas de meu convívio diário e que não encontram meu nome no seu rol de puxa sacos. Caramba, eu não puxo saco nem de patrão, imagina de... Ah, se eu continuar eu me complico ainda mais.

E não é por falta de vontade. Veio até a ponta da língua mas eu engoli. Ao falar sobre isso me lembro de duas outras passagens:

“Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã.” - Tiago 1.26

“Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo. Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também os navios que, embora tão grandes e levados por impetuosos ventos, com um pequenino leme se voltam para onde quer o impulso do timoneiro. Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. Pois toda espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada http://www.blogger.com/img/blank.gifpelo gênero humano; mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim.”Tiago 3.1-10

Não me considero religioso no sentido que costumamos dar à palavra mas, por outro lado, consegui controlar o que me veio à boca na situação que acabei de passar.

Isso me faz lembrar de um filme que adoro chamado Alguém Para Dividir os Sonhos (em inglês, "The Saint of Fort Washington"). Em um determinado momento do filme, um dos moradores de rua estava em um cruzamento limpando o para-brisas de um carro parado no farol quando o motorista (um riquinho qualquer, acompanhado de uma perua que deveria ser sua esposa) abre o vidro do carro e grita para ele:

“Seu vagabundo, por quê você não arruma um trabalho?”

O quê ele não sabia era que a mulher daquele pobre homem estava grávida e tinha acabado de cair de uma escada, perdendo o filho. Este casal estava prestes a retornar para sua cidade natal e seus sonhos foram por água abaixo. A cabeça dele estava, literalmente, fervendo...

Este homem olhou para o motorista do carro e disse...

“VOCÊ DISSE QUE EU SOU UM VA-GA-BUN-DO?”

...e simplesmente começou a destruir o carro do idiota do motorista, gritando para ele que não era vagabundo p%!*&@ nenhuma. Se não fossem os outros colegas deste pobre rapaz ele teria sido preso pela polícia, que tinha visto o ocorrido e corriam em sua direção.

O que quero dizer com isso? Quero dizer que tem momentos que você ouve certas palavras que atingem o nervo mais sensível de sua alma. Aquele rapaz não era um vagabundo. Ele era mais um desgraçado pela sociedade que o consumia dia após dia e estava fazendo seu melhor para não se entregar àqueles que o utilizavam como lenha para a fornalha do sistema.

A palavra “vagabundo” simplesmente não cabia para ele. Morar na rua não era uma das opções que este homem tinha. Era a única opção honesta que ele tinha. Seu espírito não era o de um mendigo, ele “estava mendigo”, algo circunstancial. Ele tinha uma boa esposa, ele tinha sonhos e ele lutava bravamente com o quê ele tinha em mãos para poder conquistar uma situação um pouco melhor em sua vida, na tentativa de resgatar a dignidade.

Numa seqüência de eventos fora de seu controle, sua vida deu uma guinada e ele se encontrava naquela situação. Não desistiu e estava atravessando um momento pior do que o pior que ele já costumava lidar. Para coroar a desgraça vem este miserável deste riquinho, totalmente alheio à dureza da vida, e fala a merda que falou para aquele homem. A bomba explodiu e quem é que atira a primeira pedra numa situação dessa?

Parece que eu mudei de assunto mas não mudei. Coloque este tipo de situação no contexto inicial para que fique claro o que tento falar. Uma pessoa cruza seu caminho, totalmente mergulhada em seu mundinho ridículo, fora da realidade e fala – entre todas as outras coisas que ela poderia falar – que você é isso ou aquilo, ou que tal coisa deveria ser assim ou assado e você não estava se enquadrando.

O problema é que se enquadrar significa que você deva ser uma pessoa fútil, uma pessoa que faz o jogo que os outros fúteis fazem para ficar levar uma vidazinha medíocre mas aparentemente de sucesso. E isso eu nunca fiz, não faço e nunca farei.

Dependo do Senhor, não dos homens. Não trato ninguém mal mas também não trago maçã todos os dias para a professora visando que ela me dê uma notinha melhor na avaliação. Se é é, se não é não é. Sem muita idéia, pois estas são utilizadas para princípios muito mais elevados.

Perdoem-me pelo desabafo, se é que alguém vai ler este texto...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Reconstrução...


Engraçado...

Sei que muitos podem achar que eu basicamente gosto de escrever sempre sobre os mesmos assuntos. Isso me faz lembrar de um” causo” que o Ricardo Gondim contou certa vez em um culto. Existia um pastor muito antigo em uma congregação e que, por alguns meses, somente pregava sobre o assunto AMOR. Intrigados com isso, os líderes da igreja se reuniram com o pastor e perguntaram a ele a razão dele estar pregando sobre o amor a tantos meses. Acreditavam que ele estava sem assunto e que, talvez, seria melhor ele se aposentar. A resposta que ele deu foi que ele insistiria em pregar sobre o amor até que ele visse que todos os membros daquela igreja estivessem vivendo aquela verdade. Ai sim, ele poderia pregar sobre outros assuntos...

Isso posto, digo que por estes dias eu vinha me sentido alheio a tantas coisas! Parecia que a vida tinha se resumido a uma grande bobagem, tipo quando seu time não tem mais condições de disputar o título e também não corre o risco de ser rebaixado. Faltando poucas partidas para o fim do campeonato, ele apenas cumpre tabela, jogando por jogar, para não ser desclassificado por não entrar em campo mas também sem nenhuma motivação em dar seu melhor.

Comer ou não comer, estudar ou não estudar, trabalhar ou não trabalhar, congregar ou não congregar, ir para casa, ficar na rua ou me jogar no mar. Nada estava me dando prazer e eu sabia que o problema não estava nestas atividades e sim em mim mesmo. Onde será que eu tinha perdido o fio da meada? O que eu estava fazendo ou deixando de fazer que fizesse com que tudo estivesse tão sem sal e sem sabor?

O problema estava dentro de mim, algo lá dentro parecia que estava desconectado. Acho que estava tentando cuidar para que tudo estivesse perfeitinho e com esta postura, parecia que eu havia me desfragmentado. Pedaços de mim estavam jogados em todos os cantos. Pior ainda, parecia que eu tinha sido consumido por um fogo e minhas cinzas tinham sido espalhadas pelo vento, tornando impossível me reencontrar.

Quem teria a habilidade e a paciência de recolher cada caquinho, cada grãozinho, cada partícula do pó que eu havia me tornado? Onde estava eu? Havia enfim sido consumido e absorvido como combustível para que todo este sistema perverso continuasse em movimento? Este maldito sistema movido pelo consumo de vidas e almas humanas teria enfim me anulado, jogando meu nome no esquecimento?

Como me reintegrar novamente? Onde estava o fôlego de vida que me sustentava?

Sentia-me como parte dos ossos secos que se encontravam no vale:

“A mão do Senhor estava sobre mim, e por seu Espírito ele me levou a um vale cheio de ossos. Ele me levou de um lado para outro, e pude ver que era enorme o número de ossos no vale, e que os ossos estavam muito secos. Ele me perguntou: "Filho do homem, estes ossos poderão tornar a viver?" Eu respondi: "Ó Soberano Senhor, só tu o sabes..."
(Ez 37.1-4)

Jogados ali, meus restos faziam parte do nada, o triste fim de algo que não havia sido plenamente vivido. Vivia por viver, uma vida morna, agonizante, cansativa e enfadonha. Não passava de um punhado de matéria orgânica inanimada, como todos os que estavam ao meu redor.

O incômodo silencioso de alguém que não se dava mais conta da própria existência parece que moveu os olhos Daquele que tudo vê em minha direção e, em seu imensurável Amor, criou do nada um conjunto de circunstâncias, agindo da mesma forma que agiu o profeta Ezequiel, movido pelo Espírito Santo de Deus.

Mesmo "espalhado", dentro de mim passei a sentir que algo queria que eu me reorganizasse. Parecia que eu estava ouvindo ao longe alguém dando ordem a meu respeito:

“Então ele me disse: "Profetize a estes ossos e diga-lhes: Ossos secos, ouçam a palavra do Senhor! Assim diz o Soberano, o Senhor, a estes ossos: Farei um espírito entrar em vocês, e vocês terão vida. Porei tendões em vocês e farei aparecer carne sobre vocês e os cobrirei com pele; porei um espírito em vocês, e vocês terão vida. Então vocês saberão que eu sou o Senhor". E eu profetizei conforme a ordem recebida. Enquanto profetizava, houve um barulho, um som de chocalho, e os ossos se juntaram, osso com osso. Olhei, e os ossos foram cobertos de tendões e de carne, e depois de pele; mas não havia espírito neles”. (Ez. 37.4-8)

O que tinha sido decomposto e absorvido pela terra, pelos sofrimentos e pela roda viva que nos consome diuturnamente passou a se reagrupar. Tive novamente a sensação de haver esperança para mim. Via-me de fora da cena, lembrei-me de quem eu era, mas sentia que faltava algo. Não bastava tudo estar em seu lugar sem que houvesse dentro de mim o fôlego, o elam que tinha nos primeiros dias.

Novamente, ouvi alguém falando a este respeito:

“A seguir ele me disse: "Profetize ao espírito; profetize, filho do homem, e diga-lhe: Assim diz o Soberano, o Senhor: Venha desde os quatro ventos, ó espírito, e sopre dentro desses mortos, para que vivam". Profetizei conforme a ordem recebida, e o espírito entrou neles; eles receberam vida e se puseram em pé...”
(Ez 37.9-10a)

Era comigo... O Vento sobrou o fôlego em minhas narinas e passei a não apenas me sentir recomposto fisicamente, mas também voltando a me dar conta de que eu era muito mais do quê pedaços de tecido humano reagrupados. Eu não era um acidente cósmico, fruto de uma hipotética evolução das espécies. Eu era um templo no qual havia um espírito e Um Espírito!

Mais do que isso. Olhei ao meu redor e pude ver que vários outros se encontravam na mesma situação e também clamaram silenciosamente para que aquele caos entrasse em ordem. “...Era um exército enorme!” (Ez 37.10b)

Então eu entendi. Todos nós, os filhos de Deus, estávamos passando pelo mesmo momento. Todos nós estávamos caminhando sem direção, mesmo dentro do sistema, sistema esse que nos tirou a alma, destruiu nossas vidas e espalhou os restos no mais profundo vale.

Num outro nível pude entender que, na verdade, aquela voz que eu ouvia era o Espírito Santo de Deus que agia em todos os campos de minha vida para efetuar aquela obra maravilhosa demais para meu entendimento. Passei a discernir que meus clamores silenciosos eram apresentados ao Senhor como uma oração feita de dentro de mim pelo Espírito Santo. Por todos os lados, Ele estava cuidando de mim, reconstruindo minha vida e a vida de todos aqueles que se encontravam na mesma situação.

Pude entender, através de Seu Espírito Santo, que realmente todos nós estávamos como a nação de Israel nos dias do profeta Ezequiel:

“Então ele me disse: "Filho do homem, estes ossos são toda a nação de Israel. Eles dizem: 'Nossos ossos se secaram e nossa esperança desvaneceu-se; fomos exterminados'. Por isso profetize e diga-lhes: Assim diz o Soberano, o Senhor: Ó meu povo, vou abrir os seus túmulos e fazê-los sair; trarei vocês de volta à terra de Israel. E quando eu abrir os seus túmulos e os fizer sair, vocês, meu povo, saberão que eu sou o Senhor. Porei o meu Espírito em vocês e vocês viverão, e eu os estabelecerei em sua própria terra. Então vocês saberão que eu, o Senhor, falei, e fiz. Palavra do Senhor." (Ez 37.11-14)

Gente boa de Deus. Acabei de viver isso em minha vida. Lembrei-me de como todo este caos se instalou em minha vida e agradeço a Deus pelo seu Amor incondicional, amor este que me deu Seu Espírito e está reconstruindo tudo o que foi destruído em minha vida e na vida de meus amados.

Não sei como terminar este texto, desculpem...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Hoje eu o conheço...


Eu o conhecia de ouvir falar, através das missas, da primeira comunhão forçada por meus pais (como todos os bons pais “católicos-apostólicos-romanos-fervorosamente-católicos-mas-não-praticantes”) para cumprimento dos deveres religiosos, através das rezas decoradas nos catecismos, o que me faziam crer que este tal de “deus/jesus” deveria ser muito chato e exigente, perigoso por costumar ficar escondido atrás das moitas localizadas nos caminhos dos pobres seres humanos pecadores, somente para poder dizer “ahá!!!! Pecou de novo! Vai para o inferno se não confessar para o padre e rezar 25789 aff-marys + 42532 pai-nossos!!!"

Não conseguia sequer imaginar que este deus/jesus era alguém que um dia eu iria ter algum tipo de relação sadia. Pelo contrário, tinha medo dele, verdadeiro pavor. Sonhava com coisas absurdas no mundo espiritual, um deus castrador, manipulador dos resultados, inimigo dos pecadores e amigo dos que eram amigos dos padres, das freiras e das beatas.

Imaginava que ele não gostava de nós. Por este foco, imaginava que ele achava que nós éramos tão úteis como pulgas, baratas e percevejos. Nesta minha relação, me sentia totalmente inconveniente, tipo um parasita no meio dos bonzinhos que conseguiam fazer tudo de acordo com o que ele decretava através dos 10 mandamentos, também decorados na marra para satisfazer as necessidades de nossos pais de não terem filhos “pagãos” (sei que assim era considerado os que não eram batizados quando nascessem, mas também era meio pagão os que não fizessem primeira comunhão e crisma, algo que até hoje não sei o que significa).

No decorrer de minha vida desandei, passei a me comportar em rebeldia com os padrões impostos pela religião. Até por isso, passei a considerar este deus bisbilhoteiro como um inimigo perigosíssimo pelo fato dele viver querendo me ferrar, enquanto eu estava cagando e andando para ele. Ao mesmo tempo acontecia algo insólito: Ele me atraía e eu me deixava ser atraído por ele! Como isso poderia se dar? Ser amigo desse deus sádico era algo contraditório! Não sabia explicar. Não era querer ser amigo, nem também ter medo de ir para o inferno.

Aliás, passei a flertar com o inimigo numa boa, por achá-lo mais democrático (literalmente demo-crático, entendeu a anedota?), mais gente boa e gostar de tirar foto para sair em quadrinhos e filmes de terror que eu tanto gostava. Por esta razão, até nos arraiais satânicos procurei preencher meus vazios existenciais, crendo que o vermelhão não era tão mal assim, deveria ter alguma coisa de bom por ser tão “fun to be with”.

À medida que o tempo foi passando porém, um dia descobri que estava totalmente enroscado nas redes do inimigo e precisava me libertar. Pedi arrego e fui para a igreja. “Convertido”, comprei (ou ganhei) meu primeiro “LPA” (livro preto anacrônico, maneira “carinhosa” que uns revoltadinhos com o Senhor chamam a Bíblia) e comecei a ler.

Lia, lia, lia e ia gostando de quase tudo pois, na boa, alguns trechos eram demasiadamente enfadonhos, como as longas genealogias e as descrições de como cada canto do templo deveria ser construído. Nesta, coloquei o capeta para escanteio literalmente e comecei a me relacionar com aquele Deus que antes eu temia (e quê, daqui em diante, será escrito com letra maiúscula).

Várias igrejas, várias doutrinas, vários pacotinhos de regras a seguir, várias proibições e eu lá, já tendo uma relação com o Jesus que até pouco tempo antes eu não conhecia pessoalmente, mas resistindo bravamente aos pacotes de usos e costumes impostos.

O problema foi que este Jesus até então desconhecido não era o mesmo jesus que me fora apresentado na religião e isso me deixava em crise. O que fazer perante este Homem/Deus chamado Cristo? Condicionado ao pensamento de quê este Jesus que eu me apaixonava cada dia mais tinha sido inicialmente apresentado a mim na religião, passei a viver com este incômodo paradoxo de procurá-lo nos templos mas não ter mais do quê breves vislumbres de sua glória nestes lugares.

Como isso podia acontecer? Tentando me enquadrar, me sentia o pior dos homens, mas não no sentido em que Paulo se disse “...dos pecadores, dos quais eu me considero o pior” (1 Tm 1:15) mas no sentido de não me sentir parte de tudo aquilo que eu via meus irmãos fazerem e viverem. Por dentro, não me enquadrava mas queria fazer parte de tudo aquilo, e o fiz sinceramente diversas vezes mas, na grande maioria do tempo, me considerava um hipócrita usando máscaras religiosas para ser aceito pelo grupo.

Tinha medo de ser rejeitado. Tinha medo de descobrirem que ainda ouvia música secular, tomava vinho e gostava de sair a noite para me divertir com os amigos. Quanto a isso era ainda pior: Não conseguia me divertir com os conhecidos das igrejas que freqüentei. Meus amigos eram de fora e com eles a coisa funcionava. Destes amigos, alguns eram cristãos que também usavam máscaras em suas igrejas mas chegavam em minha casa e juntos gozávamos de momentos de comunhão impagáveis.

“E agora João? Continua, insiste, persiste, engole, se enquadra! Se Jesus é o Caminho (e a Universal é o pedágio, rerê) e Ele mora aqui (na igreja), isso que você vive fora é fruto de algum surto psicótico. Na verdade você é um grande hipócrita mesmo por ter vida dupla!”

Era torturado por este tipo de pensamento!

Por outro lado, como negar que eu sentia a presença de Deus nas situações mais absurdas possíveis (avaliando pelo parâmetro religioso)? Como dizer que tudo o que eu vivia e vivo era uma heresia sem tamanho?

Jesus falou:

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem”, e também “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem” (João 10.14, 27)

Como dizer que não o conheço? Como negar minha relação pessoal com Ele só pelo fato desta relação não se enquadrar no “gospel way of life”? Pelo meu estilo de vida, canso de ver irmãos tentando me evangelizar (evangelizar para estes significa me levar para a igreja deles). Tenho eu o direito de falar para eles algo que eles deverão descobrir pessoalmente, buscando esta relação fora dos arraiais da religião?

São algumas perguntas que não espero que vocês respondam para mim e sim para vocês próprios.

Hoje eu me vejo como Ele me vê. Descobri que nada do que faço me fará ser mais amado por Deus. Pelo contrário! Este amor é de graça, a tal da GRAÇA em seu sentido mais pleno, o favor imerecido de Deus que me amou primeiro.

Hoje “somos assim” um com o outro. Tomo decisões com a mente de Cristo, vivo a vida Dele em mim e isso, sinceramente, passa a anos-luz da religião estabelecida...