
Quero escrever. Sinto dentro de mim algo em ebulição, mas não consigo identificar o que é. Desta forma, deixo apenas que meus dedos corram sobre as teclas, para ver o que virá à tona. Engraçado isso. A sensação de que há algo a ser dito, mas que não está claro em minha mente.
Normalmente isso acontece quando estou conversando com alguém, aquela sensação de que parece que Deus quer falar com aquela pessoa através de você, ou que Deus quer falar com você através daquela pessoa. Quando isso acontece, deixo o papo rolar informalmente, sem a preocupação de forçar a coisa acontecer. No relacionamento informal vejo que Deus fala muito mais do que quando buscamos os profetas institucionalizados.
Coisa boa esta. Estar com alguém sem nos preocupar com as palavras. Coisa que só a verdadeira comunhão permite. Nestas horas parece que são os corações que estão conversando. Como diria uma música antiga do U2, Two Hearts Beat as One*...
E é isso mesmo. A verdadeira comunhão faz com que dois ou mais corações batam no mesmo compasso. O silencio não incomoda. Na verdade, falar alguma coisa neste momento sagrado faz com que as palavras que devem ser ditas sejam sufocadas pela necessidade de uma comunicação verbal, que é pobre e limitada algumas vezes, isso quando não é desengonçada e capaz de derrubar as taças de cristal dispostas na mesa da comunhão informal.
A verdadeira comunhão é leve, sutil, etérea. É um momento sagrado para mim. É o momento onde brindamos a alegria de estarmos vivos, livres, unidos. É quando não usamos máscaras, não nos preocupamos em agradar o outro, somos nós mesmos. Somos aqueles que são amados e amamos aqueles que estão comungando aquele momento. Algo meio difícil de colocar por escrito. Se fosse algo definível, não seria assim tão maravilhoso.
Acho que é isso. Deus quer falar comigo e com você sobre a comunhão. Isso me leva ao texto de 1 João 1.5-7:
“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado”.
Comunhão com Deus, comunhão uns com os outros. Sem palavras, literalmente.
*Ah, uma canja, o vídeo de Two Hearts Beat as One do U2...


































