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terça-feira, 18 de agosto de 2009

O culto na oficina de pranchas


Ontem a noite eu e a Cil estávamos indo para a academia. Devia ser umas 19:30hs. Na rua onde moramos tem umas 4 oficinas de pranchas de surf. Em uma delas tem um irmão em Cristo chamado Frank. Sempre víamos adesivos falando de Jesus na oficina dele, além de material de divulgação de eventos cristãos, shows e luais em seu quiosque no Posto 10 do Recreio dos Bandeirantes.

Ao passar na frente de sua oficina vimos que haviam várias pessoas sentadas em cadeiras de plástico no meio das pranchas. Aquilo chamou a atenção da Cil. Ela parou e disse: 'Olha, deve ser um culto! Vamos entrar?' Eu fiquei embaraçado. A academia não abre aos domingos e não gosto de ficar dois dias sem malhar. Falei isso a ela e ela insistiu. Disse que queria ir. Respondi meio contrariado: ‘Tá bom, acendeu a luzinha, é melhor obedecer’.

Quando andamos até a porta todos pararam olharam para nós, curiosos. Perguntamos se poderíamos participar da reunião e eles falaram que sim. Arrumaram mais dois banquinhos, daqueles sem encosto, e sentamos. Ao meu lado tinha várias pranchas de surf e o banco não era nada confortável. Não conseguia ficar numa posição que não me incomodasse, inclusive estou fazendo sessões de RPG como tratamento alternativo e aquele banco era uma tortura.

Atrás de mim dois mendigos que via constantemente na Gilka Machado. Ao lado deles um rapaz de cabelos rastafári, à minha frente crianças, jovens, uma vizinha do meu prédio (que pessoalmente não vou muito com a cara, pelo fato dela sempre me olhar com ar de superioridade). Confesso que inicialmente estava muito contrariado em estar lá, mas não gosto de ir contra a direção de Deus, mesmo que ela não tenha sido dada a mim.

Um pastor de chinelo, bermuda e camiseta compartilhou um texto da Bíblia conosco, falou 5 minutos e passou a palavra para o Frank, que falou também por uns 5 minutinhos. Um irmãozinho, daqueles que vivem ‘no monte’, deu um testemunho de livramento e devolveu a palavra ao Frank. Eu estava ali, ouvindo e tendo que lidar com a posição incômoda. O Frank colocou dois louvores no laptop e os irmãos cantaram juntos. Eu só mexia os lábios, até porque só conhecia os refrãos daqueles louvores. Depois disso achei que tinha acabado. Eram 20:30hs e pensei: ‘que bom, foi uma benção, amém, glória a Deus, agora vamos pra academia'.

Só que não tinha acabado. O Frank passou a palavra para um senhor de cabelos grisalhos, ex-sargento do exército. O missionário França. Este eu conhecera outro dia, na loja do Frank, em um dia que eu e a Cil passamos lá. Ele serviu vários anos na fronteira do Brasil com o Paraguai, lá pros lados do Mato Grosso. Neste dia, ao nos apresentarmos, ele já foi segurando nossas mãos e orando a Deus: 'Senhor, glórias te dou por conhecer mais dois de seus filhos. Abençoe cada um deles, em Nome de Jesus, amém!' Isso foi antes mesmo de começarmos a conversar! Gostei muito dele.

Quando ele abriu a palavra e começou a pregar, Deus o usou com muita autoridade e poder, discorrendo pela palavra com muita unção. Ao final do culto improvisado, de 20 pessoas que estavam apinhocadas na loja, umas 8 pessoas aceitaram à Cristo como Senhor e Salvador. Há muitas semanas não via ninguém aceitando a Cristo na igreja, e lá, ao lado de pranchas, mendigos e roupas de surf, estas vidas foram resgatadas.

O pastor Frank e o missionário França, após a oração pelos novos convertidos, chamaram a frente aqueles que precisavam de uma oração específica. Fui à frente e o missionário França orou por mim. Ele profetizava que haveria cura e que em breve eu daria o testemunho. Eu chorava e orava em línguas. Após a oração confirmei ao França que realmente tinha ido à fente pois minha mãe estava em coma. Ele sorriu e confirmou que eu certamente daria testemunho desta cura.

Ao meu lado um rapaz manifestou endemoniado enquanto o Frank orava por ele. Erguemos as mãos em direção ao rapaz enquanto Frank orava e expulsava o demônio. Depois de liberto o rapaz confessou Jesus como Senhor e Salvador. Foi feita uma oração final e nos levantamos para ir embora. Na porta conversamos um pouco mais com o Frank e descobrimos que ele congrega na mesma igreja que nós, a ICAC, mas em horário diferente. Ele como cristão faz a diferença: Todo domingo ele coloca uma 10 pessoas em seu furgão e leva todos os que querem ir à igreja e os deixa em casa após o culto. Reserva nas segundas-feiras a noite um tempo para que sua loja seja transformada em local de culto.

Saímos de lá por volta das 22:00hs. Ali pude ver que eu era um idiota, egoísta e que estava muito mal acostumado com o conforto de minha igreja. Que de vez em quando nos esquecemos das palavras de Jesus, quando ele afirma que quando dois ou mais estivessem reunidos no nome dEle, Ele estaria conosco. Que existem pessoas realmente comprometidas com o Evangelho, enquanto tantos líderes famosos estão envolvidos em escândalos e em seus próprios interesses.

Cristianismo puro e simples. Foi isso o que vi ontem. Como diria o Gondim: Soli Deo Glória!

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...