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domingo, 3 de abril de 2011

Que título dou a este post?


Decidi escrever sem ter bem ao certo sobre o quê...

Foi assim desde o princípio deste blog. Não é todo dia que tem um assunto específico. Já escrevi até baseado em "encomendas" da bispa de da apostolisa (eu e meus neologismos...) ou de frutos de conversas com outras pessoas e direções específicas do Senhor. Só que hoje escrevo apenas por escrever.

Escrevo pois através deste veículo, consigo colocar para fora algo que na verdade nem está dentro dos parâmetros convencionais.

Quando decido escrever sem assunto específico, deixo o vácuo em minha mente colocar para fora meus devaneios, minhas emoções, minhas percepções de algo que não é tangível, mensurável.

Pode parecer meio bobo, mas gosto disso. Aliás, para quem é está muito bom (eu = bobo).

Nunca quis demonstrar ser algo ou alguém que sempre teria algo útil para passar ao meu leitor. Escrevo primeiramente para mim e deixo a critério de quem lê decidir se aquilo foi de alguma valia ou não, ao mesmo tempo sem me preocupar com este feedback.

Tem coisa melhor para quem "bloga" (acabou de virar verbo) do que simplesmente sentir o prazer de sentir seus dedos deslisando pelo teclado sem se preocurar com fórmulas, conceitos teológicos ou filosóficos, mas apenas pelo escrever em si?

Como alguém disse por aí, "navegar é preciso, viver não é preciso"...

Escrever também é como navegar, tipo uma terapia entre você e você mesmo. Curto compartilhar estes momentos e a muito tempo não sento a bunda numa cadeira à frente de um teclado de lan house (por enquanto, vou pegar minha máquina em breve, de alguma forma...) sem ter um assunto específico à tratar.

(Aproveito o momento para mais uma vez pedir desculpas a todos aqueles amigos verdadeiros, ainda que através da virtualidade, por não poder estar presente no espaço virtual de vocês.)

Estes dias iniciais de adaptação à Universidade tem me consumido muita energia, mais do que tempo propriamente dito. Tenho que lidar com novos conceitos, orando à Deus para que Ele abra meu entendimento para a enxurrada de informações que tem sido derramada em minha mente.

Ainda estou preso ao modelo antigo de aprendizado, com professores pacientemente explicando as matérias, parando e tirando dúvidas, ao mesmo tempo que faço anotações. Eu sou das antigas e tentei me adaptar ao "novo mundo" desta forma, só que isso simplesmente não está funcionando.

"Todos" os alunos, a grande maioria teens, simplesmente colocam seu "MP mil" sobre a mesa do professor enquanto ele literalmente disseca a matéria. Fui obrigado a me adaptar e somente este fim de semana consegui comprar um "chinezinho" para me auxiliar no processo...

Por falar em dissecar, ontem tive aula de Anatomia. Sabadão, 5 horas de aula, fala sério! Por outro lado, é o dia mais produtivo para mim, pois vou de minha casa pra a facú sem me preocupar em chegar atrasado. E ontem foi punk, muito punk...

Fomos instruídos a levar aventais (jalecos) pois a aula teria uma parte prática. Só não esperava que ela fosse TÃO prática como foi. A última hora de aula foi na "ala, sala" (sei lá o nome daquilo) onde os estudantes de Medicina da facú aprendem a "Anatomia em Braile"...

Antes de descermos, o professor avisou que respeitaria os limites de cada um neste processo de adaptação e não se importaria caso algum aluno não aguentasse entrar no "recinto" (melhor assim). Também brincou, dizendo: "Vocês acharam que o curso de Nutrição se limitaria a aprender receita de bolo?"...

Ao entrarmos, dois cadáveres nos esperavam. Fui direto aos corpos, corpos estes conservados em um produto químico (que ainda vou descobrir o nome) que o deixaram amarronzados. O cheiro era horrível. Não cheiro de carne podre, mas era uma mistura nauseabunda deste tal produto químico com um cheiro de algo que não consigo definir, mas certamente era o dos dois corpos + esta mistura.

Analisamos a musculatura dos cadáveres, matéria teórica da aula anterior. Era impossível respirar fundo sem sentir ânsia. Nunca tive problemas em lidar com estes assuntos (como costumo dizer, tenho "sangue no zóio"), só que desta vez a sensação foi inexplicável.

Olhava aqueles corpos sem vida, um deles "prestando serviços" à mais de 10 anos (segundo um dos alunos de Medicina que ficaram incumbidos de dar esta aula prática) aos alunos da Faculdade de Medicina e Nutrição, com uma pergunta idiota que me incomodou muito durante toda aula: "Imagina você entrar numa sala daquelas e encontrar uma pessoa conhecida sua e que simplesmente desapareceu ou que você imaginou que estava enterradinha da silva?"

Fala sério, eu viajo muito mas era isso que eu pensava durante toda explicação anatômica.

Uma garota não aguentou e saiu da sala, tipo um lugar para necrópsias. Só esqueci de falar no início que na sala ao lado tinha uma portinha entreaberta e nela pude ver alguns caixões vazios. Aquilo aumentou minha sensação de desconforto, pois fiquei imaginando idiotamente que os alunos tinham que sair a noite, pular os muros dos cemitérios e sair carregando caixões nas costas para levar àquele lugar para serem dissecados.

Bem, acho que na verdade precisava desabafar. A sensação de lidar com a morte por este ângulo estava me deixando incomodado. Fiquei também com a sensação de que aquele cheiro não sairia de meu nariz por vários dias...

Well, como diria o filósofo "bigbrotheriano" de algumas edições atrás, "faz parte".

Como ironizou o professor, que venham logo as receitas de bolo!!!

Reações:

13 comentários:

  1. Só espero que as receitas de bolo não tenham os ingredientes que vocês estudaram ontem!!!

    Que tal "Little Trip", como título?

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  2. Bom, eu gostei.

    Sua viagem, que começa (ou termina) em suas reflexões profundas sobre si mesmo, passando pelo incomodo causado pelo contato com realidade nua e crua (fedorenta!)e sua intensa empatia com vida, é uma crônica deliciosa.

    Pode desabafar, sou toda ouvidos.

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  3. Little trip é uma boa, vou alterar!

    Quanto às receitas de bolo fica frau, minha especialidade é com salgados...

    :)

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  4. Brigado dotôra, fico feliz em poder contar contigo! Só não venha depois com a conta da sessão de análise... a não ser que você aceite Bradesco Saúde!

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  5. Acho que ela vai aceitar, JC! Pelo jeito, "vazemos gualquer negócia"!!!

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  6. René, quero MORRER teu irmão, porque amigo é pouco!!!!!!!!!!!!!!!

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  7. Será que é por isso que o JC diz que tem medo de mim???

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  8. JC meu irmão, Tudo em riba ?

    Vim só dar um alô e te avisar que dei uma repaginada no meu Blog. Coloquei um link direto pro seu blog e pro do Cláudio.

    Sem dúvida vale a pena ler o que você escreve !

    Forte Abraço !!

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  9. Valeu por me citar, mas tb ai de vc se num me citar, como querer a minha bêncão?! rss

    Mas isso é papo mais que furado pois vc já provou que é um celeiro literário (momento confete)E mais: a gente escreve é pra gente mesmo, tipo uma viagem interior, mas quando cai nas mãos do público, passa a ser de quem lê, cada um viaja a seu modo rss é como compor, muitas vezes o autor faz baseado em vivências pessoais daí ele vê o povo cantando porque viveu algo parecido mas bem particular, bem seu. E a musica vira sua rss

    E essa narrativa me reportou aos meus tempos de muito jovem rss abafa meizzz quando eu, aos desenove anos, tinha aula de anatomia no curso de Odonto. Ainda hoje tenho pavor de colonia Jonhson (é assim que se escreve?) porque me lembra que eu me lambuzava dela pra disfarcar o cheiro do formol... E findou por confundir meu cérebro rss pois qdo sinto o cheiro me lembro do formol.

    Fora que o quadro que se vê é mesmo meio sinistro ih ih

    O&A (Não confundir com OEA, como diria o apóstolo René)

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  10. Ah, e o titulo seria...

    "A receita do bolo"

    ih ih

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  11. Nem me fale em OEA... O profeta Rauzito Seixas é quem estava certo ao dizer que logo logo este país será alugado aos gringos. Viu como eles começaram a se meter na soberania do Brasil em relação à contrução da Usina de Belo Monte?

    Aguarde, isso é só o princípio das dores. Ainda vou escrever sobre minha teoria da conspiração...

    Quanto ao mais, te amo sua puxa-saco!

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  12. Vanderlei meu brother, obrigado pelo jabá. Seu link já está em meu blog, pois também gosto muito do que você escreve!

    Só me desculpe por não estar visitando seu espaço (e de outros queridos) por estar em processo de adaptação ao curso.

    Um forte abraço!

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...