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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Super-Mãe


Minha mãe ontem fez 45 dias de UTI. Entubada, inconsciente e desenganada pelos médicos. Estávamos numa briga feroz com a ouvidoria do Hospital, lutando para que fizessem uma traqueostomia. 45 dias com um tubo na boca, isso estava acabando com ela. Não que isso por si só iria resolver o problema do AVC. Nossa intenção era apenas diminuir o desconforto dela e tirar totalmente a sedação. No nosso entendimento, só assim para avaliar se realmente ela teria alguma possibilidade de recuperação.

Semana passada apertei o nó. Por email e telefone, eles não estavam mais me agüentando, de tanto que eu cobrava a cirurgia. Finalmente marcaram para sexta feira. (Esta era a terceira vez que tinham marcado a cirurgia. As outras duas foram canceladas sem sabermos a razão)

Sábado minha sobrinha foi até o Hospital para ver minha mãe e, ao chegar lá, foi informada pelo médico responsável pelo setor de neuro-cirurgia que ele não iria autorizar a cirurgia numa paciente que ele ‘garantia’ que não sairia viva do hospital. Minha sobrinha saiu do hospital chorando, arrasada.

O problema foi que este médico pisou num ninho de cobra. Entrei matando, parti pro tudo ou nada. Envolvi a ouvidoria da Secretaria de Saúde do Estado de SP, pedi para falar com a diretoria do Hospital, azucrinei todos. Mandei email, liguei, briguei. Dei porrada pra tudo quanto era lado. Paciência você tem quando vê que as coisas estão sendo feitas. Estava todo mundo parado, esperando ela morrer.

Veja abaixo o último email que mandei para a Ouvidoria, com cópia para a Secretaria de Saúde, ontem pela manhã:

Prezados Senhores, bom dia.

Conforme emails abaixo, estamos pedindo desde o dia 13 de julho que a diretoria do Hospital (....) intervenha junto à equipe médica responsável pelo acompanhamento de minha mãe, Severina (...), que sofreu um AVC dia 13 de Junho e se encontra internada em vosso Hospital desde o dia 17 que seja feita a traqueostomia e a retirada do tubo de ventilação.

Por duas vezes a família foi informada que fariam a traqueostomia, mas outras cirurgias consideradas mais importantes foram feitas, palavras ditas a nós para justificar a não realização da cirurgia, fazendo com que minha mãe continuasse respirando por meio artificial.

Por morar e trabalhar no Rio de Janeiro, poucas vezes pude ir a São Paulo, e me utilizo do email e telefone para falar com os senhores. Através dos emails que enviei semana passada voltei a pedir aos senhores pela cirurgia, e creio que devido a isso, a médica de plantão na quinta feira informou à minha irmã que novamente marcaram a traqueostomia de minha mãe para sexta feira última, 24 de Julho.

Meu pai esteve no hospital em visita na sexta e o médico de plantão informou que estava tudo certo para a cirurgia, logo após o horário de visita.

Sábado, 25 de Julho, minha sobrinha foi visitar minha mãe e viu que a mesma não tinha sido operada.

Ao perguntar a razão de minha mãe não ter feito a cirurgia ao Dr. (...), médico responsável pelo departamento disse friamente:

ELA NÃO FEZ E NEM IRÁ FAZER. NÃO AUTORIZO ESTA CIRURGIA PARA PACIENTE QUE NÃO TEM CHANCES DE SE RECUPERAR. TODOS OS ORGÃOS DELA ESTÃO FALHANDO E ELA NÃO SAIRÁ DAQUI VIVA.


Não é isso o que todo o resto da equipe afirma no dia-a-dia. Ouvimos durante toda a semana passada que todos os órgãos vitais de minha mãe estavam funcionando e que era o momento oportuno para a execução da cirurgia. Na última vez que o Dr. (...) foi confrontado por nossa família, mencionando a opinião dos outros médicos (que estão sob autoridade dele), notamos que nas visitas seguintes TODOS OS MÉDICOS afinaram o discurso e passaram a repetir literalmente as palavras deste doutor.

Infelizmente estou sendo obrigado a entrar em um terreno perigoso ao falar sobre isso, mas TODAS AS FAMILIAS de pacientes internados no andar onde este médico é responsável evitam pegar informações sobre seus amados com ele, devido à frieza que este trata da dor alheia. Se quiserem tirar a dúvida façam uma pesquisa.

Começo a temer muito mais pelas chances de sobrevivência de minha mãe. Estão negando a ela uma possibilidade de ficar totalmente sem sedação e, desta maneira, verificar se realmente ela tem chance de se recuperar ou não.

Eu, como ser humano, filho e cristão peço – em Nome de Jesus – que seja feita uma avaliação exata do que está acontecendo. Não temos medo da morte nem da dor, simplesmente queremos esgotar as possibilidades antes de jogar a toalha.

Sabemos que toda ciência e sabedoria é dom de Deus, mas acima de tudo prevalece a vontade do Doador da Vida.

Precisamos de um retorno urgente. Algo consistente.


Responderam o seguinte:

Informamos que registramos e encaminhamos sua manifestação para a Diretoria responsável. Assim que obtivermos resposta entraremos em contato.

O problema (para eles) era que eu já estava no veneno. Respondi:

Prezado (...),

Preciso de uma resposta consistente. Esta vem sendo a resposta padrão às minhas solicitações. Trata-se da vida de minha mãe e uma ação imediata é necessária.

Passe-me algum telefone para eu falar com diretoria responsável urgentemente.

Grato por suas imediatas providências.


Após o email liguei novamente. Botei pressão. Era 8 ou 80, não tinha mais volta.

Na parte da tarde minha irmã foi à visita. Quando ela entrou foi informada que minha mãe tinha acabado de fazer a operação. Ela me disse que nossa mãe estava com uma carinha muito boa, sem aquele tubo na boca.

O médico de plantão (não aquele) disse pra minha irmã que a operação tinha ocorrido normalmente, mas o problema era que o cérebro de minha mãe estava danificado para sempre. Ela disse que entendia bem o que ele estava dizendo, mas que estávamos crendo que Deus poderia reconstruir tudo o que tinha sido destruído. Ele deu de ombros e entrou.

Mesmo que Deus não opere o milagre, já estamos confortados. Tiraram aquela droga da boca dela. Ela está parecendo gente de novo. Acima de tudo, ela se tornou um exemplo de força e amor à vida. Hoje já faz 46 dias que ela luta.

Super-Mãe, me tornei seu fã, mais ainda...

Reações:

2 comentários:

  1. Caro João,

    A Severina, a sua super-mãe, vai triunfar. Junto-me em oração, a vc e sua família, nesse momento de expectativas.

    Um abraço
    Paulo Silvano
    Betesda SJCampos-SP

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  2. caro João.
    naum pare de lutar e acreditar que tudo é possivél, pois quem tem fé no Criador tudo pode.
    lute cm o hospital e consiga tudo que sua mãe precisa, eu tive uma filha que se internou cm tres meses e foi desenganada, me disseram(os médicos)que ela seria um vegetal...
    vagem é o cerebro desses ignorantes que naum tem sensibilidade para acreditar no "impossivél", eu acreditei.
    minha filha está viva, tem paralisia cerebral adquirida após esse evento, naum anda e naum fala, mas é uma espoleta , linda e feliz e uma benção de Deus para nós.
    Quanto as leguminosas....acho k apodreceram na lavoura infértil dakeles que se acham os "donos da razão e que tudo sabem".
    Sua mãe vai vencer como minha filha venceu.
    um gde beiju no coração.
    ah!( sou amiga de infancia da tammy, esposa do teu amigo Ailton)
    valéria.

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...