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quarta-feira, 9 de março de 2011

Um para trás, dois para a frente


Ontem dei um passo para trás. Voltei a ser menino, assumi minha fragilidade e chorei no colo do Papai. Não me importei com o que poderiam pensar de mim. Apenas me importei com o que EU estava pensando de mim. Tem horas que canso de mim. Isso normalmente acontece quando começo a entrar em um estado de dormência e torpor.

Acontece assim: As coisas começam a ficar sem sentido. Comer ou não comer não altera o apetite, rir ou chorar não abala o estado emocional, correr ou deitar não alivia o corpo, orar ou não orar não me aproxima mais de Deus.

Sem que eu percebesse, a luzinha de alerta começou a piscar. Falha no sistema. Sensação de já ter vivido aquilo antes. Bendito Déjà Vu. Não pestanejei: Lá estava eu de pé, sendo reabastecido pela Graça novamente. Não me interessava quem estava ao meu lado, era eu e Deus.

Um passo atrás não foi sinônimo de dúvida ou falta de fé. Pelo contrário. A meu ver, este passo atrás muitas vezes é necessário para pegar impulso e seguir em frente. Não tenho resposta para tudo. Me canso e me sinto frágil muitas vezes. Sou obrigado a recomeçar com freqüência, e a sensação de impotência no começo pode gerar imobilismo e frustração, mas depois vejo que estas emoções conflitantes são o campo fértil para novas perspectivas.

Tive que recomeçar várias vezes, de várias formas. Por vontade própria ou por força das circunstâncias. Perdi quase tudo que havia conquistado e me senti um fracasso. Fiquei impotente, sem norte, sem direção ou coragem de continuar. Mas a vida tem seus caminhos misteriosos e, com toda sua sutileza, me empurrou para frente. Mesmo com medo e dor, continuei caminhando. Desejando a morte e quase jogando a toalha, vi que não tinha opções. Avancei.

Esta nova força advinda da fraqueza pode soar contraditória, mas não é. Como diz Paulo em sua carta aos Coríntios:

“Pois, quando sou fraco é que sou forte” (2Co 12:10).

Não levo este pensamento de Paulo ao campo espiritual apenas. Assumir a fraqueza abre um leque de novas e impensadas opções. Muitas vezes estamos perto demais de nossos problemas, inseridos demais em nossas situações cotidianas e ficamos sem uma visão da situação como um todo. Se afastar um pouco do tabuleiro do jogo gera uma visão melhor da situação, possibilita reavaliamos a estratégia e entrar novamente na batalha.

Não vejo nenhum problema em assumir ser fraco. Assumir a fraqueza gera um alívio muito grande. Tirar o peso das costas e poder dizer “e agora, o que eu faço?” é libertador.

Sou fraco, me canso e preciso fazer isso de tempos em tempos...

Reações:

5 comentários:

  1. João,
    ficar no colo de Papai é algo muito bom, sentir Seu carinho, incentivando-nos a prosseguir...

    Às vezes, ficamos tão absortos com as idiotices da vida contemporânea, que não notamos a luz piscar!

    Seu texto, bem como sua experiência, me fizeram refletir agora em minha situação de vida também... (aliás, tuas palavras estão carregadas de sentimentos, viu?)

    Valeu meu velho,
    abração, OK?

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  2. J.C.

    Esse teu relato é também a experiência de todos nós em alguns momentos da vida.

    Acho super bacana quando você diz que o passo para trás é simplesmente para impulsionar outros para a frente.

    Também o admiro muito por não ter receio de expor as fragilidades. Quanto mais vejo isso em você, mais percebo a fortaleza que há em você. Tanta que respinga em quem lê...

    Deus continue te iluminando,

    R.

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  3. Tava aqui me lembrando...

    Outras vezes, esse bendito recuo é simplesmente para nossa própria proteção.

    Lembro-me que, há uns sete anos, meu filho mais velho teve que fechar sua loja de perfumes importados devido a uma série de acontecimentos nefastos, incluindo o roubo de um carro novíssimo ainda sem seguro e uma ação desonesta de uma de suas vendedoras.(Soube que ela foi presa recentemente por outras falcatruas)

    Já falei isso aqui em algum blog, mas sempre que há oportunidade estou repetindo.

    Poucos dias depois, a convite meu, lá fomos nós para a "minha" igreja: ele, a namorada (hoje esposa) e euzinha. E lá ele ficou mais confortado com todas aquelas perdas materiais por Deus ter falado de forma clara, direta e contundente que havia fechado aquela porta porque por trás dela havia um abismo. Houve outras ocasiões em que Deus lhe falou a esse respeito, fortificando-lhe, mas nesse em particular, eu estava presente, por isso compartilho aqui.

    Que fique para reflexão...

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  4. É meu povo e minha pova...

    Muitas vezes temo em me expor tanto, mas o faço por ter urtiga nos dedos e não conseguir me calar e fingir que tudo está bem quando não está.

    Neste momento, estou numa encruzinhada, procurando descobrir o melhor caminho a seguir.

    Só que sei que todos passam por isso e fingem serem super-espirituais, super "oniscientes" e inabaláveis... bullshit!

    Quem nunca voltou atrás atire a primeira pedra! Quem nunca fez escolhas erradas atirem a primeira pedra! Enquanto isso eu fico aqui, todo errado... melhor assim!

    Beijos RÊ e ILE!

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  5. Cara,
    passamos por encruzilhadas todos os dias (encruzilhadas num tem a ver com ILE não tá?)
    e essas encruzilhadas às vezes possuem maiores intensidades ou menores intensidades...
    Como relata a Palavra: "Por amor a Ti, somos entregues a morte todos os dias"...
    Cada minuto, quando decidimos seguir a Vida para que vivamos, é matar um pouco nosso eu, subjugar nossos desejos e deixar livre o caminho para que Cristo nos guie no Caminho!

    Que Ele te dê forças suficientes para pôr o pé atráz e saltar adiante com poder!

    Valeu!
    (ainda rfletindo...W.

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...