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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Querido diário - um comentário


Minha bispa preferida,

Demorei em ler e comentar seu texto pois queria fazê-lo com a atenção necessária.

Você bem sabe que eu exponho minhas entranhas nas minhas postagens. Quem me conhece, mas de alguma forma está distante de mim fisicamente, pode saber exatamente como estou através do que posto no meu blog.

Minha intenção primeira é escrever para mim mesmo, como você bem comparou com um diário. Lá eu choro, dou risada, dou a dica do que estou ouvindo, vivendo.

Em segundo lugar escrevo para todos os que se dispuserem a perder seu precioso tempo comigo, sem contudo ter preocupação nenhuma do que vão achar de mim, de meus pontos de vista, de minha história.

Quero com isso mostrar que para ser um cristão verdadeiro não há necessidade de viver "de glória em glória", nem como "cabeça e não cauda" 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quero mais é que saibam que um cristão maduro também tem suas dúvidas, fraquezas, questionamentos, momentos de ira etecétera e tal.

Pode parecer contraditório, mas é assim que eu creio, é isso que tenho visto na vida de quem realmente está no campo de jogo, caindo, levantando, se contundindo e se recuperando. ODEIO a postura de quem assiste a vida da arquibancada, a tal da "turma do amendoim" que só sabe criticar, dar pitacos, parecer os "supercrentes", as "quartas pessoas da Trindade".

Eu sou o que sou: O esboço de uma obra inacabada, mas andando firmemente na direção certa, pelo CAMINHO. Quanto ao resto, tomei Actívia com Johnnie Walker: Tô cagando e andando!

Estou assim pra quem critica por criticar, sem contudo ter conteúdo para manter seus argumentos por mais que três ou quatro "réplicas, tréplicas, etc".

Também estou assim para quem bate e sai correndo, coisa muito vista nos comentários de alguns, que polemizam por polemizar, sem contudo chegar a lugar nenhum.

Estes me lembram aqueles que Jesus comenta no Evangelho de Mateus, capítulo 11, versos 16 a 19:

“Mas, a quem compararei esta geração? É semelhante aos meninos que, sentados nas praças, clamam aos seus companheiros: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não pranteastes. Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras”
.

Para gente assim, nada está bom. E eu quero que se lixem!!!

Até e também por isso, parei de comentar em “blogões”. Não quero parecer com alguns que assim o faz apenas para usar o espaço alheio como “trampolim” para tentar ganhar “sucesso e notoriedade” em suas carreiras como “escritores”. Aprendam a escrever para si próprios! Caso contrário, suas verdadeiras intenções ficarão expostas, mais cedo ou mais tarde!

“Quero” poucos e bons seguidores. Mesmo porquê me considero altamente periculoso. Não sou para qualquer um seguir. Quem garante que o JC não “está perdido”????? (risos!!)

É isso ai! Era para ser um comentário e virou um post!!!!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Enem - meu protesto, enviado à Defensoria Pública da União


Prezados Senhores, bom dia.

Meu nome é João Carlos, tenho 41 anos e tive poucas oportunidades para dar andamento aos meus estudos, devido ao fato de ter começado a trabalhar muito cedo.

Com muito esforço, concluí o Ensino Médio (na época o Segundo Grau) em 1990, mas não consegui dar andamento ao grande sonho da Universidade.

Neste meio tempo não fiquei parado. Graças a Deus consegui bolsa de estudos numa escola de inglês de primeira linha e esta segunda lingua abriu várias portas. Mesmo assim, a Universidade sempre foi um "sonho distante", devido às responsabilidades que tive que assumir desde cedo.

Com a inclusão do Enem para critério de acesso para Universidades públicas e particulares, voltei a sonhar com a possibilidade de ingressar no ensino superior.
Fiz minha inscrição, aguardei a chegada das provas e - uma semana antes - tive que fazer uma cirurgia no joelho. Mesmo assim, fiz as provas e pelo que pude verificar nas correções disponibilizadas em sites da internet, tive o aproveitamento de 70% (SETENTA POR CENTO) que a meu ver é muito bom para quem ficou 20 anos "longe" da escola, mas sempre me aperfeiçoando por conta própria.

Agora pergunto: É justo eu ter passado por tudo que passei, ter visto uma luz no fim do túnel, ter agarrado a oportunidade que me apareceu e vê-la sendo jogada fora por erros ocorridos alheios à minha vontade?

Só tem sido discutido os 2, 3 mil que se sentiram "prejudicados". E os 3.998.000 de estudantes que não sofreram prejuízo? Não adianta alegar que todos estarão na mesma situação. Como bem diz o filósofo: "UM HOMEM NUNCA PASSA DUAS VEZES PELO MESMO RIO. PRIMEIRO POR QUE AS ÁGUAS SERÃO OUTRAS, SEGUNDO POR QUE ELE PRÓPRIO TERÁ MUDADO".

A pressão é toda contra. O processo é desgastante. Também tenho meus direitos, concordam?

Fica meu protesto.

Cordialmente,

João Carlos dos Santos - 41 anos - sobrevivente e tremendamente frustrado...
Número de Inscrição no Enem: 2010...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Deus é AMOR!


Costumo ouvir muitas pessoas dizerem que as coisas que acontecem estão escritas. Muitos dizem perante uma tragédia que Deus quis que aquilo fosse daquela maneira. Morre uma pessoa e falam ‘a meu filho, não fique triste, Deus quis assim’...

Sinceramente este não é o Deus que eu creio. Não é o Deus da Bíblia. O Deus que eu creio não criou a morte nem a dor. Ele criou o mundo perfeito e nós humanos é que bagunçamos tudo. Temos controle de nossos atos mas não temos controle das consequências. Colocamos engrenagens em movimento que levam as coisas para direções que não esperamos.

Alguns podem dizer então: ‘Como se explica que uma criança nasça sem cérebro e viva apenas 23 segundos após o parto? Ela teve tempo de pecar?’ ou ‘Por qual razão um Airbus A310 com 153 pessoas cai no Oceano Índico e apenas uma criança de 14 anos sobrevive, um A320 cai no Rio Hudson e todos sobrevivem graças à perícia do piloto e um A330 cai no Atlântico e todos os 228 passageiros e tripulantes morrem?’ Será isso alguma praga lançada por algum concorrente da Airbus? Será que o diabo deixou de vestir Prada e agora está vestindo a prata de uma fuselagem? Aquela criança de 14 anos não era mais santa do que as outras 152 pessoas que morreram. No avião do Rio Hudson não havia 151 eleitos de Deus, com uma missão que somente eles poderiam cumprir na Terra. Muito menos o A330 caiu pelo fato de ter um argentino entre os passageiros (foi mal... desculpe).

Deus está cochilando enquanto isso acontece? Tem gente que diz que Deus criou o mundo e deu corda, agora assiste ele andar sozinho, até que tudo acabe. Não é isso. Com certeza não. Alguns dizem que Ele pode tudo mas não ama a humanidade o suficiente para intervir. Outros dizem que até que Ele ama, mas é impotente para agir. Tudo isso é besteira. Ele pode tudo, mas não chantageia seus filhos, vinculando bom comportamento ou vilania humana ao seu ato de intervir ou não.

Nosso Deus é eterno, onipotente, onipresente, onisciente e – acima de tudo, ele é AMOR.

Por ser Eterno, ele não está preso à nossa medida de tempo ‘kronos’. Ele vive no tempo ‘kairos’, o tempo pleno, de onde Ele vive a eternidade. Não há ontem, hoje nem amanhã para Deus.

Nosso Pai é onipotente. Tudo se criou através de sua Palavra. Ele disse 'haja' e ouve. Não há nada que Ele não possa fazer.

Ele é onipresente e acompanha todos os fatos. Da formiga andando em uma pedra no interior da floresta amazônica às últimas noticias da CNN. Acompanha e não se mete. Onisciência é quase que um atributo natural pelo fato de ser eterno e estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

Mas o mais impressionante na Pessoa de Deus é o AMOR. Deus é amor. Amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera. Este amor fez com que Deus criasse o homem para se relacionar com Ele, mas não criou apenas os bonzinhos, deixando os malzinhos na forma por não terem correspondido às Suas expectativas. Colocou no mundo o bebê acéfalo que viveu 23 segundos da mesma maneira que colocou Hitler. Todos com as mesmas chances. Todos amados desde a formação. O ponto é que Deus, em sua onisciência, já sabia que um não sobreviveria e o outro seria responsável pelo massacre de 6 milhões de judeus.

Eu vejo em tudo isso o tamanho da grandeza de Deus. Grandeza de caráter, grandeza de amor. Eu não serviria a um Deus que me chantageasse com o bem. Eu não respeitaria um Deus que coloca somente os bons em campo. Isso seria coerção. Servir a Deus seria a única escolha sábia a ser feita, afinal de contas, seria o melhor investimento.

Sirvo a Deus pois Ele me dá a opção de não servi-lo. É esta a razão de sermos espetáculo para os anjos e demônios. Sirvo a Deus, independentemente do que ele faça ou deixe de fazer por mim. Deus se fragilizou e se expôs ao limite quando nos criou. Tornamos-nos a maior aposta de Deus. Somos a prova que Deus precisava para mostrar ao diabo que é possível sim amar a Deus, independente de circunstâncias. Até a não destruição do diabo é um fato que prova o tamanho do caráter de Deus. Se Ele tivesse esmagado a serpente já no Jardim do Éden, hoje seríamos meros fantoches, amedrontados com a fúria de um Deus que não sabe conviver com ninguém que pense ou aja fora de seus padrões.

Crianças sem cérebro continuarão a nascer, monstros continuarão a dizimar povos e nações, aviões continuarão a cair. Mas haverá o dia em que Deus limpará de nossos olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas serão passadas (Ap 21-4) Chegará o dia em que a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados (1Co 15-52). A morte e o inferno serão lançados no lago de fogo (AP 20-14) Chegará o dia que se cumprirá a Palavra que está escrita: ‘TRAGADA FOI A MORTE NA VITÓRIA. ONDE ESTÁ, Ó MORTE, O TEU AGUILHÃO? ONDE ESTÁ INFERNO, A TUA VITÓRIA? - 1Co15:54-55

Maranata! Ora vem Senhor Jesus!!!!!!!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Deus não é justo


Todo ser humano, em uma ou outra ocasião, faz as seguintes perguntas de sessenta milhões de dólares:

“Se Deus é um Deus de amor, por que há tanto sofrimento no mundo?”

“Por que os perversos parecem prosperar?”

“Por que coisas horríveis acontecem com pessoas excelentes?”

“Por que a vida tem de ser tão dura?”

“Não existe um meio mais fácil de crescer?”

“O sofrimento tem algum significado?"


Não existem respostas prontas para estas perguntas universais. De fato, volumes tem sido escritos num esforço para responder a cada pergunta especificamente. Muitos desses livros ajudam, proporcionando algum consolo aos que se acham em meio a difíceis provações.

Não tentarei oferecer soluções genéricas a problemas que deixaram os pensadores perplexos durante séculos. Em seu livreto “Why Does God Allow Suffering?” (Por Que Deus Permite o Sofrimento?” – St. Louis: Lutheran Laymen’s League, 1965, pg. 5), Paul Malte explica:

“A própria Bíblia jamais ofereceu respostas muito fáceis para o sofrimento ou aos sofredores. Mesmo Jó, o livro clássico sobre o sofrimento, o mal nunca chega a ser justificado. Jó porém, aprende a viver com o sofrimento – e com o Deus Criador. No mais fundo da alma – e não em sua mente – Jó descobre a paz que transcende todo entendimento humano. Jesus – que afirma ser o representante de Deus entre os homens – jamais desata o problema intelectual da bondade de Deus e do seu poder. Ele simplesmente age para demonstrar a bondade do Pai e seu poder canalizado pessoalmente para os homens.

Jesus não cura todos os leprosos da Palestina, expulsa todos os espíritos imundos, conserta todos os casamentos. Onde e quando pode, Ele cura e ajuda. Ele dá às pessoas a atitude interior, a coragem e a alegria para tratar com o sofrimento. Ele nada faz para adiar sua própria morte e se torna vítima da hostilidade humana. Ele sofre tanto a angústia da morte física como o inferno da alienação de Deus. Ao sofrer conosco Ele sofre por nós. Ele sofre para que nosso sofrimento possa ser transformado em triunfo.

Os cristãos não tem respostas preparadas de antemão para o sofrimento, não existem dez princípios fáceis para os felizes sofredores. Eles só têm atitudes para enfrentá-lo, meios de vencê-los, perspectivas para transcendê-lo.”

Trecho do livro “Deus Não é Justo” – Joel A. Freeman – Editora e Distribuidora Candeia – 1º edição (1991) – pgs. 19/20

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Basquete, torção, (...), artroscopia, 100%!!!


"E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" - Romanos 8-28

Na minha juventude gostava muito de jogar basquete no Parque do Ibirapuera. Um belo dia recebi a bola, girei em meu eixo apoiado na perna esquerda à procura de alguém a quem eu passaria a bola MASSSS... meu pé ficou fixo no chão. Só o joelho girou (torceu) para o lado.

Caí gritando e chorando de dor na quadra. Pararam o jogo e um dos companheiros de time falou: "$¨¨#@%@@*!!! Isso dói demais!!!"

Como não tinha convênio médico e não costumava usar o serviço público, deixei o joelho se "recuperar" sozinho, apesar da intensa dor. Vez ou outra acontecia alguma outra torção, e se passavam longos meses de convívio com a limitação gerada pela situação não resolvida na época.

Nos últimos anos voltei a malhar, correndo uma hora todo dia sem sequer um pingo de dor.

No início deste ano, após um mergulho no mar, estava saíndo da água quando uma onda me pegou nas costas bem próximo à margem. Para não cair fixei os pés na areia, que seguraram meus pés enquanto a onda me derrubava. Devido a este último incidente, passei o ano de 2010 lutando com a dor, enquanto fazia fisioterapia, me entupia de medicamentos e fazia uma série de musculação específica para fortalecimento e recuperação do joelho.

Como sou muito curioso, fucei muito sobre o melhor tratamento e influenciei diretamente meu ortopedista a fazer uma astroscopia. Consegui convencê-lo a menos de 20 dias.

Marquei a cirurgia, fiz os exames pré-operatórios e na última quarta feira, 3 de Novembro, me internei às 6 da manhã, operei o joelho e saí andando normalmente às 4 da tarde.

Ontem, fui à academia com minha mulher (apenas para acompanhá-la). Hoje, acabo de voltar do banco e do mercado.

Meu joelho está 100% recuperado. Nenhuma sensação de falseio, que te obriga a controlar o limite dos movimentos para não haver nova torção. Nenhuma dor, nenhum inchaço.

Escrevo isso para glorificar o Nome de Jesus. Em minha oração antes de me internar pedi à Ele que o RESULTADO da cirurgia fosse alcançado. E foi.

Amanhã retorno ao médico para tirar os 3 pontos (um em cada parte do joelho). Espero voltar ao trabalho já na segunda feira (não gosto de "viver de atestados"). Assim que possível, volto a malhar. Assim que possível 2 - A Missão - volto a correr minhas "uma horinhas" diárias.

Deus é maravilhoso!!!!!!!!!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

diálogo super-espiritual entre um porco e um gambá


Luciano diz:
Bom dia meu porco assado, kkkk

João Carlos diz:
Fala seu gambá de Kichute, quanto foi ontem contra a urubuzada maldita? só vi até 1 x 1...

Luciano diz:
E só...

João Carlos diz:
Dois lixos; ontem o juiz passou a mão no porquinho

Luciano diz:
Num fica com ciuminho não, seu timeco tá melhorando

João Carlos diz:
Ciúme de vocês? Você já amanheceu tomando pinga?

Luciano diz:
Kkkk,sei que no fundo teu coração é corintiano e um dia vai acontecer essa conversão aleluia.......

João Carlos diz:

Bora combinar, tenho muitos pecados, mas este eu não cometo...

Luciano diz:

Estarei em jejum e oração forte, kkk

João Carlos diz:
Ah sim, faz a campanha dos 318 apóstolos, corredor do sal grosso... Nunca terei um coração negro!

Luciano diz:
Copo dágua com a tua foto amarrada no porquinho e colocada na boca da caveira ai sim, eita..

João Carlos diz:
Pode até enfiar minha foto na boca do gambá e soltar ele no rio Tietê que não funciona

Luciano diz:
Kkkkk vc mataria o gambá com tua feiúra né?

João Carlos diz:

Por outro lado, em tudo vejo que há esperança para tua alma negra e corrompida. Nunca se esqueça: a esperança é VERDE! É verde e tem estádio, endereço fixo, todos os dentes na boca e não está sob liberdade condicional...

Luciano diz:
Óh Senhor, abre os olhos deste tão louco sofredor

João Carlos diz:
...e tá no lado nobre da linha leste-oeste, Itaquera nem pega celular...

Luciano diz:
Irmão o tinhoso verde não tem mais poder sobre ti, eu profetizo e viva Jorge!

João Carlos diz:
Tinhoso verde é bom, mas não precisa apelar pra estes deuses pagãos, seu filisteu incircunciso

Luciano diz:

Cuidado num xinga o Jorginho!

João Carlos diz:
Jorjão cabrunquento, comedor de dragão

Luciano diz:
Tem até nome de destruição diabo verde desentope tudo mesmo

João Carlos diz:
Recebe o mistério aí varão: um dia deitarás em pastos VERDEJANTES, rodeado por uma multidão de virgens

Luciano diz:
Com o gavião preso ao meu ombro e lançalo-ei à caça dos porcos do mato

João Carlos diz:
Uiiiiii caçador! Tua espécie é maldita entre todas... Com esta lista branca em suas costas negras nenhum ser vivente ousa se aproximar. Com esta marca recebida nem as aves carniceiras se aproximarão de ti, mamífero fedorento!

Luciano diz:
Comedora de porcos suculentos...

João Carlos diz:
Sabia que você tava com graça.... nunca tocarás em mim, seu incircunciso

Luciano diz:
Então seu tiririca, qdo estará de férias?

João Carlos diz:
Ontem o Rio de Janeiro teve uma noite negra

Luciano diz:
Pq?

João Carlos diz:
Duas das espécies mais asquerosas se encontraram em um confronto entre o mal e o mal, os gambás contra os urubus malditos

Luciano diz:
Kkk!

João Carlos diz:

O Engenhão terá que ser purificado, apesar que só passa lixo lá mesmo...

O resto não interessa pra vocês...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O jovem mendigo, ou a parábola do filho pródigo...


Lembro-me do dia 28 de Agosto de 1993 como se fosse hoje: O dia que me converti. No mesmo dia já ganhei uma pessoa pra Jesus. Um excelente aproveitamento né? Mas não estou falando isso pra me gabar. Muito pelo contrário!

Este ímpeto de ganhar almas, de ser útil, de implantar o Reino de Deus aqui na Terra com o passar dos anos foi vergonhosamente substituído por um "comodismo incômodo"...

Mas antes de cair na mesmice, aconteceram muitas coisas loucas em minha caminhada com Cristo. E é uma delas que me faz escrever agora...

Tinha me desligado da Nossa Caixa e estava trabalhando com meu pai. Certo dia, por volta das 10 da manhã, estava eu voltando para casa. Aguardava o Jd. Maracá ou Jd. Caiçara na Av. Prestes Maia. Nisso, um rapaz se aproxima de mim e começa a conversar.

Ele deveria ter na época uns 25 anos. Estava um pouco sujo, o cabelo meio desgrenhado, mas nada em sua aparência denotava algum tipo de periculosidade. Chegou até mim e pediu licença. Começamos a conversar. Ele me pediu uns trocados para comprar alguma coisa pra comer.

Naquela época, andava mais duro que um coco. Olhei bem pra ele e senti algo se remexendo dentro de mim. Creio que o olhei com os olhos de Deus, o vi como ele era visto pelo Pai. Ao invés de apenas dar-lhe um trocado, perguntei à queima-roupa:

- O que você está fazendo na rua?

O cara desmontou. Começou a chorar. Sem me preocupar com os demais, o abracei, enquanto ele soluçava copiosamente em meu ombro.

- Você quer mesmo saber?
Disse ele.

- Claro, me conte...

E ele contou...

Contou que era de uma família de boa condição social em Brasília. Tinha uma namorada que trabalhava na zona de meretrício e, para azar dos dois, ela engravidou. Ele ficou desesperado, pois sua família nunca aceitaria que ele tivesse uma namorada prostituta, muito menos que ela estivesse grávida dele.

Ao nascer a criança porém, sua namorada morreu. Para evitar maiores escândalos e também para fugir da situação, ele levantou todo o dinheiro que pôde junto a família sem explicar o motivo, deixou a maior parte com uma prostituta amiga de sua falecida namorada e que se responsabilizou de cuidar da criança e partiu de Brasília para São Paulo com apenas 300 reais no bolso.

Ao chegar no Terminal Rodoviário do Tietê foi assaltado. Levaram tudo o que ele tinha. Como teoricamente ele havia saído de casa com muito dinheiro, ele ficou com vergonha de revelar aos familiares tudo o que de fato havia acontecido.

Com isso foi viver na rua, andando com outros párias. Para aplacar a fome, passou a usar drogas e a beber muito. Estava sendo engolido pelo sistema e cada vez mais sem forças e perspectivas de dar uma virada na vida.

Isso tudo ele me contava aos prantos, enquanto caminhávamos abraçados, lado a lado. Então eu perguntei:

- Se eu conseguir o dinheiro para você comprar uma passagem de volta para Brasília você voltaria à casa de seus pais?


Ele não acreditou no que falei. Eu enfatizei que não estava brincando, era sério.

- Se eu voltaria? Claro que eu voltaria! A vida que estou levando na rua é uma vida miserável! Não estava mais dando valor a nada e só ansiava que tudo acabasse logo. Tava querendo me matar!


- Pois então vamos dar um jeito nisso. Quanto é uma passagem para Brasília?

- “X” reais, e tem um ônibus que sai do Tietê às 13 horas.

- Ok. Você está com fome?

- Sim, faz alguns dias que não como comida de verdade - disse ele.


Na época, era membro da Renascer em Cristo. Como estávamos no Centro, decidi ir com ele até o Copan, pois sabia que eles tinham um ministério voltado às crianças de rua, distribuindo comida e evangelizando a garotada.

Chegamos lá bem na hora. Eles estavam com um monte de marmitex prontos para serem distribuídos. Procurei o coordenador do projeto e expus a situação. Pedi a ele que ajudasse na compra da passagem e pedi uma refeição para ele.

O religioso hipócrita simplesmente disse NÃO. Eles não dariam nenhuma ajuda financeira para comprar a passagem, nem muito menos uma marmita para o pobre rapaz. Argumentou que se fosse ajudar todos os moradores de rua que apareciam lá pedindo algum tipo de ajuda teriam que acabar com o ministério de crianças.

Revoltado com sua postura, literalmente eu o amaldiçoei, profundamente decepcionado com a frieza de seu coração.

O rapaz, já humilhado com a situação disse para deixarmos para lá. Eu estava puto com o que tinha acontecido na Renascer e não iria desistir assim tão facilmente.

- Já sei quem pode nos ajudar. Vem comigo.

Fomos até a Galeria do Rock, na loja de um grande amigo meu, o Johnny (quem freqüenta a Galeria sabe qual é a loja dele...)

Chegando lá, falei com o Johnny tudo o que estava acontecendo, inclusive o que aconteceu na Renascer. Ele não titubeou. Pegou o valor da passagem no caixa, deu uns trocados a mais para pagar uma refeição.

Agradecemos e fomos de Metrô para o Tietê. Chegamos ao guichê da empresa de ônibus, compramos a passagem exatamente no valor e no horário que ele tinha me falando e fomos até a plataforma de embarque.

Em nossa despedida, ele chorava muito, não sabendo como agradecer. Eu também chorava muito. Ele disse que quando chegasse na casa do pai dele ele mandaria para mim uma pepita de ouro, pois tinham muitas. Eu falei pra ele que não tinha nada a ver, estava fazendo aquilo pois Deus estava me direcionando a fazer, não visando nenhum retorno.

Abri minha mochila, tirei minha Bíblia e perguntei se ele tinha uma. Ele disse que não. Dei a ele e disse que ali era a fonte de tudo o que ele precisaria para recomeçar sua história. Ele agradeceu, oramos juntos e ele embarcou.

Aparentemente fica meio difícil de saber o destino dele. Em meu coração entretanto, tenho a absoluta certeza que ele recomeçou sua vida, retornando para a casa de sua família, mesmo tendo desperdiçado tudo o que recebera como parte de sua herança.

Tremendo para mim ao analisar o que aconteceu é a semelhança dos fatos com a parábola do filho pródigo que se encontra em Lucas 15:11.32...

Post Scriptum: Quanto ao Johnny, também conhecido como Magrão, ele é um irmão em Cristo muito amado. Foi um dos fundadores da Renascer em Cristo, juntamente com o casal Hernandes. As primeiras reuniões da então recém fundada igreja foram feitas em sua casa. Ele abandonou a igreja após ter seu casamento destruído por intrigas (diziam que ele não era muito espiritual, enquanto sua mulher estava totalmente envolvida – no pior sentido, fanatizada – no ministério). Como conseqüência, se separaram. Esta foi uma das razões que fizeram que o Johnny não pensasse duas vezes em ajudar o rapaz. Como dizem, ele é sal fora do saleiro...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os limites da sanidade...


Depois da experiência da Cil, que semana passada foi ao hospital psiquiátrico visitar a irmã de nossa amiga, o assunto “limite da sanidade versus início da loucura” ficou ribombando em minha mente. Digo isso pois não me considero a pessoa mais equilibrada da face da Terra. Pelo contrário, tenho algumas manias que seria melhor eu mantê-las escondidas, tipo contar degraus de escada, colocar pregadores da mesma cor quando estou colocando roupa no varal, etecetera etecetera...

Conversamos muito sobre isso enquanto ouvíamos algumas bandas que gosto muito, tipo Pixies, Velvet Underground, Sonic Youth, Cake ... Cada “novo” som fazia com que eu mergulhasse mais e mais em áreas obscuras de meu ser. Viagens estranhas eu costumo ter gente. Dependendo do que ouço, vejo florestas, sobrevôo montanhas, mergulho em profundos mares, pego retas intermináveis em rodovias a mil por hora, tudo isso movido ao bom e velho rock and roll.

(Tenho um amigo, dono de loja na Galeria do Rock, que NÃO PODE ouvir Pink Floyd sem se encolher contra a parede, fugindo de crocodilos invisíveis...)

Com isso, pude ver que o que faz uma pessoa passar do estreito limite da razão para a loucura é muito subjetivo. Como foi falado pela Cilene no texto abaixo, uma psiquiatra rompeu a barreira e hoje se encontra internada num hospício. A amiga de nossa amiga regrediu mentalmente até a idade de 5 anos devido a uma decepção amorosa (pé na bunda, para ser mais preciso...).

Agora imaginem como é difícil se manter são neste mundão véio em que vivemos, rodeados de uma complexa gama de variáveis que tendem a nos arrastar para as profundezas da alma. Eu mesmo, quando me separei (fui separado sem opção, diga-se de passagem) beirei o desespero, flertei com desejos suicidas, desejei o fim do mundo por não estar suportando a pressão e o vazio, a perda emocional e financeira, o recomeçar do ZERO após uma década e meia dedicado a uma relação, um projeto de vida que acabou em nada.

Ao falar disso me lembro de um velho mendigo que parei para conversar muitos anos atrás na Praça do Patriarca e que havia se transformado em algo menos que humano, sentado dia e noite ao relento, aguardando restos de alguém empapuçado de seu Big Mac pelo simples fato de ter perdido seu emprego, ter sido despejado e abandonado pela mulher e filhos e ouvia dos espíritas de plantão que era daquele jeito mesmo, ele estava pagando pelo que havia feito na encarnação anterior...

Não fossem minha relação com Deus através de Jesus Cristo, meus bons amigos (Ailton e Mirela, amo vocês!!!) que “sentiram o momento” e não me deixaram sozinho nos piores momentos, elevando minha auto-estima para que hoje eu fosse o homem que sou e meu amor à vida, estaria ou um farrapo humano, um desiquilibrado mental vagando pelas ruas, um louco, interno de uma clínica qualquer ou então um presunto frio sete palmos abaixo do chão.

Não pensem que estou exagerando. Pedi a Deus para morrer! Não achei sentido para nada mais sobre a face da Terra! Na primeira virada de ano sozinho tomei 4 garrafas de vinho para aplacar a dor, chorando feito um sei-lá-o-quê. Logicamente Ele não me atendeu, pois sabia que ali não era o fim de minha história (que estava apenas começando...).

Como bem disse Jesus no Evangelho de João, capítulo 12, versos 24 e 25, “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna”.

Isso é tremendo! Mas só sabe exatamente o que isso significa quem perdeu, quem viu e/ou sentiu os dedos gelados da morte, quem recomeçou tudo do ZERO ou que tenha sofrido algum outro tipo de baque é que pode dizer que o limite entre a sanidade e a loucura é colocado à prova nesta hora.

Isso prova então que sem uma relação real, sólida com Jesus Cristo, pessoas que nos amem verdadeiramente e estejam dispostas a passar o dia 1 de Janeiro de 2008 longe da família para ir com você ao cinema após a virada de ano que quase acabou em suicídio (Mirela... minha amiga, minha irmãzinha caçula...) e o amor pela vida, em nada somos diferentes da doutora em psiquiatria que hoje está internada numa clínica, em nada temos alguma vantagem sobre o mendigo que você finge que não vê e troca de calçada para não sentir o cheio que um ser humano pode ter por ter sido abandonado por todos, em nada somos melhores do quê aqueles que jazem esquecidos sob as lápides do abandono...

Aí volto ao assunto música, que aparentemente não tem anda a ver. É que a música abre portas da percepção em mim, fico mais sensível, vejo a realidade por outros ângulos.

Assista abaixo o vídeo (antiiiiigoooooo, final dos anos 60) do sensacional grupo Velvet Underground, ex-banda do também sensacional Lou Reed (que era/é outro que vive no limite...) e me diga para onde você viaja...



Manhã de Domingo

Manhã de domingo, louve o amanhecer
É apenas um sentimento inquieto ao meu lado
Cedo amanhecer, Manhã de domingo
São apenas os anos desperdiçados tão perto

Tome cuidado, o mundo está atrás de você
Sempre haverá alguém perto de você que ligará
Não é nada

Manhã de domingo e estou caindo
Sinto algo que não quero saber
Cedo amanhecer, Manhã de domingo
São todas as ruas que você atravessou, não há muito tempo atrás

Tome cuidado, o mundo está atrás de você
Sempre haverá alguém perto de você que ligará
Não é nada

Tome cuidado, o mundo está atrás de você
Sempre haverá alguém perto de você que ligará
Não é nada

Manhã de domingo
Manhã de domingo
Manhã de domingo

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A visita...


Semana passada, resolvi acompanhar minha amiga em uma visita a sua irmã, internada no Hospital Psiquiátrico Bela Vista.


Chegamos lá às duas da tarde e já estávamos sendo aguardadas ansiosamente pela interna. Fomos até seu quarto guardar o que havíamos levado: Roupas, biscoitos, sucos, queijo, frutas e cigarros.


Lá conheci uma cuidadora de idosos que lá se encontra cuidando de uma senhora a mais de 21 anos. Ela mostrou-me suas mãos com marcas e cicatrizes, geradas por beliscões, fruto da agressividade da idosa. Hoje a interna já se encontra menos agressiva, devido à debilidade da idade. A cuidadora disse-me que, depois de 21 anos, trabalha não mais pelo dinheiro e sim pelo amor pela senhora.


Lá fiquei sabendo de uma médica com especialidade em psiquiatria que estava internada a 3 anos. Sua mãe foi visitá-la. A idade da mãe era de 89 anos. Contaram-me que a médica internada vivia dizendo que sua mãe tinha um amante que, no caso, era o próprio irmão da médica. A mãe comentou: "Estou com 89 anos e ainda tenho que ouvir que meu filho é meu amante...”


Vi de longe as duas conversando e comendo seus lanches. Pude sentir quanto amor havia ali, principalmente por parte da mãe (naquela situação, eu acredito que a filha estava longe de entender o que é o amor).


Voltando para a irmã de minha amiga, fomos sentar na área verde do Hospital, onde havia muitas árvores e alguns bancos. Senti o sol batendo em meu rosto, coisa gostosa de sentir... Digo isso pois, ao entrar em um daqueles quartos, vi que eles eram abafados, com pouca luminosidade e ventilação. Sentir o sol no pátio foi uma sensação maravilhosa.


Começamos a conversar um pouco. A irmã de minha amiga está a mais de 15 anos vivendo alienada, após romper um namoro quando tinha 17 anos. Sua idade mental agora é de uma criança de 5 a 6 anos. Durante a conversa sua mãe começou a folhear uma revista que havia levado para a filha. Esta se aproximou da mãe e começou a falar:


- Mamãe, mamãe, compra este sapato pra mim mamãe! Compra mamãe, ele tem salto e é vermelho!


- Mamãe, mamãe, compra este vestido pra mim mamãe, compra pra mim!


- Mamãe, mamãe, compra este creme pra mim mamãe, compra pra eu passar na minha pele mamãe!


Ela também mostrava que conhecia de carros caros e outras coisas. Ela gosta do que é bom...


Entre um cigarro e outro, ela pediu para a mãe comprar um perfume caro, um walkman para ficar ouvindo música, um monte de outras coisas, tudo isso não se esquecendo da frase repetitiva: “compra pra mim mamãe, compra pra mim mamãe!”...


Ao surgir outra interna com uma bituca de cigarro na mão ela disse:


- Mamãe, esta preta machucou minha mão e pegou meu cigarro!


Nisso, a outra interna se aproximou e pediu para ela acender sua bituca. A irmã de minha amiga continuou a repetir que ela a tinha queimado, ao mesmo tempo que acendia sua bituca.


Ali naquele hospital encontram-se conveniados e aqueles que vão para a ala pública, homens e mulheres, todos juntos. Pude ver o descaso que eles são tratados. Numa situação como essa eles precisam estar separados; ala masculina e ala feminina.


Pude conhecer jovens bonitas que estavam ali por situações diversas, pressões da vida que não conseguiram suportar.


Conheci também um senhor que trabalha lá a 47 anos. Mesmo aposentado, ele não largou o cargo. Pude ver uma interna que se encontrava muito agressiva, falando palavrões. Logo em seguida, ela foi até este senhor e o abraçou como se ele fosse um pai, um irmão. Aquele senhor, assim como a ajudadora de idosos que falei antes, já não trabalhavam por dinheiro; trabalhavam por amor. Fiquei muito sensibilizada com a cena...


No final da visita, próximo das 15:40h, a irmã de minha amiga ficava repetindo:


- Vai embora mamãe, vai embora mamãe, vai mamãe, vai embora!


Triste, desanimada e depressiva, sua mãe se despediu e saímos de lá com o coração partido. Certamente, ela gostaria de estar saindo trazendo sua filha para casa...


Para mim formam momentos intensos. Pude orar e falar de Deus com alguns. Apesar do pouco tempo lá, valeu muito a pena a visita. Em poucas horas, senti que cresci um pouquinho humana e espiritualmente...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Foi com voz mansa e delicada que Ele nos falou...


“E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o SENHOR. E eis que passava o SENHOR, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do SENHOR; porém o SENHOR não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o SENHOR não estava no terremoto; E depois do terremoto um fogo; porém também o SENHOR não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada. E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna; e eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?” - 1 Reis 19:11-13

Não sei bem a razão de ter esperado quatro dias para escrever algo sobre o retiro que participei no fim de semana passado. Em parte talvez por falta de tempo devido à quantidade de trabalho, negociações e decisões a serem tomadas; talvez pelo fato de ainda me encontrar meio entorpecido por tudo o que vivi de sexta feira, 15/10 à domingo, 18/10, quando encerrou o evento.

Mas tempo no meio da falta de tempo eu arrumo facilmente. Acabei usando a falta de tempo como álibi para adiar esta postagem. Então vamos lá!

Encontramo-nos sexta feira a noite na igreja, aguardamos alguns (vários) retardatários e saímos em direção à Casa de Retiros Padre Anchieta (sim, católica) no bairro de São Conrado. Chegamos lá perto das 23:00hs, fomos ao refeitório, tomamos uma sopinha (tinha outras coisas mas era meio tarde para se empanzinar) e fomos a um dos auditórios para ouvir o Pedrão pregar a primeira mensagem, que acabou nos primeiros minutos do sábado.

Estava meio agoniado pois estou no meio de alguns exames pré-operatórios para um desvio de septo que insiste em não me deixar dormir como um anjinho. Pareço mais um javali em fúria, roncando que é uma beleza. Pode parecer bobeira, mas estava muito constrangido em dividir o quarto com alguém, já que os casais dormiram em quartos separados. Na hora da entrega das chaves aconteceu o primeiro milagre: Meu companheiro de quarto, um tal de Lutero (olha o mixxxtériooo), cancelou sua ida ao Retiro aos 44 minutos do segundo tempo. Que eu saiba, fui o único que dormiu sozinho... Yes!

Entrei no quarto, tudo muito limpo e arejado, duas camas, uma mesa de estudos, duas cadeiras e um ambiente que me fez ficar muito introspectivo. Havia uma reverência no ar, um “quê” de santidade, como se por ali já tivesse passado muita gente boa. Fechei a porta, desfiz minha mala, tomei um bom banho e orei ao Senhor, pedindo que não saísse o mesmo de quando entrei. Sentei-me na cadeira, acendi a luminária da escrivaninha e comecei a escrever algo como um diário e fui deitar.

Dormi muito bem. Pela manhã, fui ao refeitório, tomei meu café e fomos ao auditório para a segunda ministração. Após cada mensagem pregada, reuníamos em grupos para discutir o que havia sido pregado. Temas como oração, santidade, fruto do Espírito (fruto e não frutos) entre outros eram compartilhados entre eu, a Cilene (por acaso, ficamos no mesmo grupo), a Milena (que era a líder de nosso grupo), a Nívia, a Ana Paula, a Diva e o Áthila, o mais novo...

Em pouco tempo, ansiávamos em estar juntos para trocar idéias e experiências pessoais após as ministrações. Ao mesmo tempo que parecia que o relógio insistia em arrastar as horas, tudo começou e acabou muito rápido. O engraçado foi que nós conversamos muito e descobrimos que todos estavam ali sem estar muito afim de estar, digamos assim. Em outras palavras, todos estavam confortavelmente instalados em seus casulos e estavam evitando uma comunhão maior, mas ao chegar ao Retiro, algo aconteceu, como um “ploc”.

Quando retornamos daquele lugar paradisíaco (estávamos aos pés da Pedra da Gávea, com visão para a Praia de São Conrado. Havia trilhas, árvores frutíferas, gramados, muitos macaquinhos, pequenos lagartos, uma cachoeira que não conseguimos achar...) foi que notamos o quão diferentes estávamos. Era engraçado isso! Dentro do Retiro parecia que nada demais estava acontecendo. Quando chegamos no “asfalto” foi que notamos o quanto estávamos diferentes.
Esperávamos algo mais “pentecostal” (digamos assim), mesmo sendo um retiro organizado por uma Igreja Batista; mas foi tudo muito tranqüilo, com muita ordem e decência. Lógico que houve momentos de um pouco mais de bagunça santa. Os jovens ficavam tocando violão, jogando baralho e conversando até altas horas, mas nada que atrapalhasse o sono. Como eu disse antes, parecia que não estava acontecendo nada demais durante os momentos que estivermos lá. Só notamos a diferença quando retornamos para casa. A visão que passamos a ter de algumas situações corriqueiras estava mudada. A maneira de ver as pessoas era diferente.

Não sei explicar direito. Só sei que Deus agiu muito em mim e em minha mulher. Não foi no grande e forte vento que fende montes e quebra as penhas, nem no terremoto; muito menos no fogo que Deus falou conosco. Foi na voz mansa e delicada do Espírito.

Diferente...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Deixa passar, não segura nada não...

De vez em quando acontece comigo o que acabou de acontecer. Eu estou sentado à frente do meu computador escrevendo sem saber onde vou parar, mas a alguns minutos atrás estava sentado aqui mesmo, com uma pessoa ao telefone, ouvindo ela desabafar. Desliguei o telefone e fiquei sem conseguir pensar em nada. A mente estava vazia, o monitor do computador estava com esta página toda em branco, esperando que eu começasse a escrever. Não vinha nada.

É uma sensação boa esta de não pensar em nada, ao mesmo tempo em que é estranha, pois normalmente não consigo parar de pensar. Na verdade acho que fui sugado.As palavras que ouvi entraram em meu ouvido e levaram todos meus pensamentos embora. Ainda estou entorpecido. Meu corpo está meio mole, parece vinho. Mas não o vinho bom, que aquece o coração e alegra a alma. Algo como um “Chapinha”, “Cantina da Serra”, sei lá. Talvez vá dar ressaca.

Apenas ouvia. Aprendi a ouvir. Na verdade descobri que tenho que agir como pára-raios, recebendo toda a descarga e deixando ela passar. Acho que isso é o que define melhor. Não posso reter nada do que ouvi, pois se trata apenas de um desabafo. Do jeito que vem tenho que mandar pra terra. Um fio-terra, isso que sou. Nada de questionar a pessoa, tentar argumentar o porquê de aquilo estar passando por mim. Sou um condutor elétrico. Tenho um disjuntor e este cai quando a corrente é muito forte. Isso. Foi isso que aconteceu. Por esta razão estava sem energia. Se eu absorvesse tudo entraria em curto-circuito.

Sei que isso faz bem a quem fala. Na verdade eu também gosto de falar sem ser questionado de vez em quando. É um falar que não tem a intenção de ‘estar certo’. É um falar por falar. Assim como estou escrevendo agora. Não tenho a intenção de chegar a lugar nenhum com o que estou escrevendo. Minha mente divaga, o espírito voa, mergulha nas profundezas do oceano das idéias, chega a lugar nenhum e volta mais leve.

É bom descarregar a energia. E também é bom ser canal de benção para quem precisa falar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tem dias que as noites são longas e frias...


Há algo dentro de mim que se move inquietantemente. E não são gases, engraçadinhos! Sinto que tenho retido meu pleno potencial, simplesmente pelo fato de não saber exatamente como submergir em meu íntimo, identificar as variáveis e começar a coordenar as mesmas para que aquela massa sem forma e vazia se encha do Fiat Lux Divino e tome forma.

Por esta razão, sinto dificuldade em externar esta sensação de vazio. O caos dentro de mim aguarda ansiosamente a direção certa a tomar. Não sei lidar com esta ansiedade, esta contagem regressiva que não para de ser contada dentro de meu ser. Quero avançar, porém não tenho um norte a ser seguido. Apenas sei que em frente devo continuar meu caminho.

Mas confesso que estou cansado. Não cansei da vida, cansei das indefinições impostas. Por vezes, quero ver o Céu aberto e receber as instruções divinas, como Abraão e Moisés. Algo como “saia de sua terra, do meio de sua parentela...” ou “liberte meu povo do Egito...”. Mas creio que estou mais como Saulo, cego pela luz divina, que recebeu a ordem do Senhor, registrada no livro de Atos dos Apóstolos, 9:11: “Levanta-te, vai à rua chamada Direita e procura em casa de Judas um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando”.

Digo estar mais para Saulo não pela instrução divina (que é o que espero), mas sim pela cegueira. Como é frustrante seguir cego em frente, sem ao menos uma bússola, um cão guia que seja!

E não me venham com surras de Bíblia ou religiosidade vã. Todos passam por momentos de cegueira no deserto, e não adianta repetir versículos famosos (como ouvi um babaca um dia falar para mim...) ou profetadas vãs. Sou abusado. Quero revelação de Deus, direto comigo.

Paralelo a isso, me canso em ver que determinadas áreas de minha vida estão nas mãos de terceiros. SIM meu amado, sei que minha vida está nas mãos de Deus, bem sei também que, como respondeu Jesus à Pilatos em João 19:11, “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado; por isso aquele que me entregou a ti, maior pecado tem”. Quem de alguma maneira exerce autoridade em minha vida a faz por ter sido ordenado por Deus e não por aleatoriedade ou azar meu... mas que é frustante tentar avançar e descobrir que não depende de você é!

Pois é amados, quem nunca passou por isso, se até mesmo Jesus assim ficou, conforme registrado em Mateus 26:36.38: “Então foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmane, e disse aos discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo”.

Esse é um ponto a ser considerado. O Mestre passou por angústias e aflições infinitamente maiores que as minhas e venceu. Creio ser necessário agüentar o tranco, aguardar os fatos se desenrolarem. Pode ser que eu atravesse este momento sentado numa linda e fofa nuvem. Pode ser que eu receba a bendita palavra que aguardo, dando direção aos meus passos. Pode ser também que eu encontre sentido no caos gerado dentro de mim. Pode ser também que nada disso aconteça e que eu tenha que perambular 40 anos nos desertos da alma até chegar à terra prometida.

Que seja feita a vontade do Pai, e não a minha...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Lá vem o acampamento.... ai!!!!!



“E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. – Romanos 8:28

Estou numa ressaca de sono que não é brincadeira.

De ontem para hoje fiz uma polissonografia, aquele exame que você dorme numa clínica, cheio de catéteres colados na cabeça, queixo, peito, barriga, pernas. Além destes "espinhos na carne" chamados de catéter, ainda colocam um treco com uma luzinha vermelha no dedo da mão para monitorar os batimentos cardíacos. Demora para acostumar com o desconforto. De quebra, você é monitorado por câmeras durante a sua “noite de sono” para verificar seu movimentos, para ver se você fala dormindo, se se movimenta muito.

Super agradável. Não dormi NADA a noite inteira (o cara da sala ao lado conseguia roncar mais que eu...). No máximo me distraía por alguns minutos e “voltava ao corpo” dando um tranco, igual àquelas pessoas que cochilam sentadas e tentam disfarçar que deram uma dormidinha. De manhã tive coragem de me olhar no espelho. Parecia o personagem daquele filme de terror, o Hellraiser... misericórdia!



Apesar de toda esta "tribulação", tive um final de semana maravilhoso. Fiquei bastante tempo com minha mulher, passeamos, fizemos comida, ficamos juntinhos, assistimos pelo Multishow parte do show do Rage Against the Machine no Festival SWU (romantico né?), fomos à Igreja. Foi muito bom.

Na volta da igreja, descemos um ponto antes de casa para caminharmos um pouco pela orla. Sentamos em uma barraca à beira mar e ficamos ali, matando um pouco do tempo e pensando sobre a vida.

Voltei a olhar o mar que vejo todo dia com os olhos que tinha quando me mudei para o Recreio dos Bandeirantes. O mar agitado, muitos surfistas, a Pedra do Pontal. Lembrei-me de quanto fiquei grato a Deus pela oportunidade de morar ali.

Nisso, comecei a sentir uma certa sensação de insegurança. Mas não insegurança ligada a algum tipo de medo. Insegurança literalmente. Parecia que o chão estava querendo sair debaixo de meus pés, como se estivesse para começar uma nova fase em minha vida.

Isso costuma acontecer comigo, como se fosse um aviso. Falei para minha mulher o que estava sentindo. A sensação era a de quê estava por começar um novo capítulo de minha história. Sei que parece vago. Afinal de contas, cada novo dia é uma página em branco a ser escrita.

Honestamente, acho que sei a razão. Domingo passado, o Pr. Pedrão nos chamou ao final do culto e nos intimou a irmos ao acampamento “Restaurando Vidas”, que será entre os dias 15 e 18 de Outubro aqui perto (São Conrado). Quando ele disse “estou escolhendo os casais A DEDO e quero que vocês participem" nós dois sentimos muito forte tanto a autoridade pastoral quanto a presença de Deus.

Qualquer outro pastor que falasse daquele jeito conosco ficaria à ver navios. Mas não os pastores da CBRio. São homens de Deus, comprometidos com a Palavra, que conseguem demonstrar o AMOR de Deus através da vida deles.

O lance é que a gente se acostuma com as zonas de conforto e acaba caindo em formalismos, por mais que não percebamos. Através dos olhos do Pedrão, senti que a chapa vai esquentar. Deus quer algo mais através de nossas vidas... Ai!!!!!

Mudar é ruim, mas é necessário. Costumamos ficar em nossa zona de conforto, apenas esquentando banco de igreja, mas há momentos que Deus quer fazer um upgrade em nossas vidas. De certo, apenas uma coisa: Deus está no controle total de minha vida, e Ele tá querendo ter um particular comigo.

Depois conto como foi....

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cavalinhos de Tróia do cotidiano...


“Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora. Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos".1 João 2:18.19

Não sei bem como começar esta reflexão sem que a mesma soe talvez um pouco repetitiva. Muito menos creio que conseguirei discorrer sobre este assunto sem que eu passe por uma pessoa amargurada, por um juiz, por um apontador de argueiros nos olhos dos outros...

O fato é que eu estou cada dia mais frustrado com um tipo específico de gente. Gente que entra em sua vida sem você saber ao certo como isso se deu e fica lá, conquistando espaço, confiança e nosso afeto gradativamente, até o momento que ela – após estar bem estabelecida dentro de nossos ingênuos corações – começa a mostrar quem ela realmente é.

A dificuldade está em conseguir discernir as reais intenções de gente assim no início. Permitimos que a mesma se “aprochegue” de nós e – quando damos conta – a mesma já está causando um estrago muito difícil de ser reparado.

Alguns não conseguem disfarçar suas reais intenções, diga-se de passagem. Estes são mais fáceis de controlar. Nosso antivírus cata o bichinho no ato e a gente já deleta na hora.

O problema são os Cavalos de Tróia.

Estes entram sem aparentar nada de negativo. Simpáticos, falantes, cativantes, divertidos. Entram pela porta da frente e inocentemente os convidamos para sentar e compartilhar do nosso pão e vinho diário. Passam a fazer parte de nosso convívio íntimo. São apresentados às pessoas próximas a nós e começam a se entranhar cada vez mais em nossas vidas.

Com o tempo porém, passamos a notar certos vícios de caráter, certas manias, certas posturas que traem elas mesmas. Começamos a notar que elas na verdade são grandes manipuladores, procurando tirar o máximo possível daqueles que os cercam, mas de maneira lenta, gradual, como fazem os pequenos parasitas que sabem que não podem sugar a seiva de uma vez só, senão o hospedeiro morre. Sugam algumas gotas de sangue por dia...

Notando isso, passamos a ter uma situação delicada para administrar. Pelo grau de intimidade que permitimos ter sido criado incautamente no início, fica difícil apenas usar nosso antivírus que dormiu no ponto. A ruptura pode vir a ser muito mal interpretada por todos, principalmente por aqueles que não conseguem ver o que você levou tempo para descobrir.

A opção é colocar estas pessoas na quarentena, tendo atenção redobrada nas atitudes da mesma. Nos afastamos um milímetro por dia, passamos a criar sistemas de defesa que – assim como as atitudes iniciais deste corpo estranho – também serão gradativas. Apertaremos o cerco pacientemente, sem deixar explícito que descobrimos suas reais intenções.

Quando menos o indivíduo esperar, ele estará totalmente isolado por suas próprias atitudes. Descobrir-se-á desnudado sob a luz dos holofotes de sua própria astúcia. Expostos à vergonha, estes se afastam de nós, procurando outros hospedeiros que os recebam inocentemente.

Trata-se de um processo penoso, cansativo. Mas serve como castigo para nós mesmos por termos sido tão incautos, tão inocentes.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Amar te faz sofrer... mas é bom!


Sabe quando uma música fica ‘tocando’ em sua mente e você não consegue parar de pensar nela? Na minha cabeça estava ‘tocando’ Medo da Chuva, do grande Raul Seixas, em especial aquela estrofe que diz: 'Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez'.

Ninguém neste mundo é feliz tendo amado uma vez... Ninguém neste mundo é feliz tendo amado uma vez... Fiquei pensando a respeito e comecei a fazer uma análise do que é amor, até por que não amei apenas uma vez. Amei e amo muito, várias vezes!

Quando você ama você sofre e sofre muito. Eu e Raul não estamos sós quando afirmamos isso. Paulo disse o mesmo quando escreveu em 1Co 13:4 que ‘O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.’

O amor te fragiliza, pois te torna um com o objeto de seu amor. Vitória ou fracasso já não depende só de você, o amado se torna co-responsável por seu destino. Quando você ama você vibra com os sucessos do seu amado, chora com sua dor, goza com suas vitórias, não menospreza suas emoções. Não há como ser imparcial.

Quando você ama você não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal (verso 5). Dizer que o amor é cego é a mais pura verdade, pois você não olha para os defeitos do seu amado, simplesmente por ter decidido amá-lo. Isso não é feito baseado em emoções. Seu interior se move nesta direção, atropelando seus sentimentos e te impelindo a agir. O amor é, neste sentido, uma força maior que te empurra para frente, em direção ao bem daquele a quem você ama.

Este tal de amor não folga com a injustiça, mas folga com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (versos 6 e 7). O amor amplia teus limites. Sua resistência à dor e ao sofrimento se torna cada vez maior. Você defende seu amado de toda boca que levanta acusação contra ele e sofre as conseqüências disso. Você acredita na essência da bondade de teu amado. Não que ele em si seja realmente bom, mas teu amor cobre-o com um manto de justiça. Ele é puro aos teus olhos, pelo amor que você deposita nele.

Você acredita que aquele que você ama cada vez mais será beneficiado pelo amor que você deposita nele e aguarda pacientemente que todo o potencial dele venha à tona. Você suporta todas as falhas e mau-criações que teu amor te causa, pois ele é único e especial para você.

A meu ver, este processo todo te faz se aproximar cada vez mais de você próprio, pois ao aceitar que aqueles que você ama são falhos, mas dignos de serem amados, você aprende a lidar com suas próprias fraquezas e imperfeições. E isso te joga para um patamar ainda mais alto, pois começa a entender que esta é a maneira que Deus nos olha e nos aceita. Ele nos ama, e seu amor nos cobre e nos purifica. Ai você entende o por que de Deus ser amor. Você entende o que moveu Seu coração quando viu que sua criação não era digna de Seu amor, e algo teria que ser feito para que nós pudéssemos gozar de sua bendita companhia.

Ele sofreu por nós, foi bom conosco, nos tratou bem, acreditou em nós, suportou nosso fardo de pecado. Entregou-se totalmente e pagou o preço que era necessário para que pudéssemos estar em Sua presença. Pare para pensar: Deus sofre por nós. Deus é um Deus sofredor.

Mas este amor não falha. Um dia, a semente que Deus plantou ao dar seu Filho Jesus para pagar por nossos pecados dará a plenitude dos frutos esperados. Tudo passará, até as maiores virtudes dadas por Deus serão reduzidas a nada. Deixaremos de agir como meninos e seremos homens e mulheres plenos. Deixaremos de ter a visão distorcida das coisas e veremos tudo como realmente elas são. Conheceremos a nós mesmos como Deus nos conhece (minha interpretação dos versículos 8 a 13).

A fé e esperança permanecerão, mas o amor será então colocado no lugar maior. Ele prevalecerá sobre tudo. Então veremos que valeu a pena ter sofrido tanto por termos amado.

Peço que vocês me perdoem ao falar sobre o amor por este ângulo, mas há alguns dias isso tem me incomodado e quis escrever. Não tenho a mínima pretensão de querer encerrar o assunto. Pelo contrário, estou muito longe disso. Se eu ler e reler o que escrevi, possivelmente vou alterar e cortar muita coisa, até chegar ao ponto de desistir de postar este texto em meu blog. É apenas o que tenho pensado nestes dias sobre este assunto...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mudar na marra, dar uma garibada ou esperar o tempo certo?


“Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”. 2 Coríntios 12:7-10

Muitas vezes vemos e ouvimos testemunhos de pessoas que dormiram super-pecadoras e acordaram super-santas. Estes testemunhos me arrepiam todo. Não pelo poder transformador de Deus que eu conheço bem, mas pela vinculação pseudo espiritual feita entre o encontro com Cristo e a mudança radical de usos e costumes.

Sabe aqueles super-crentes que não comem, não bebem, não cheiram nem fedem? Aqueles que tem o poder de desmotivar os mais fracos com seu testemunho de "chatidade", daqueles que não se misturam com os que até tentaram mas não conseguiram se ajustar na moldura quadradinha e limitada do gospel way of life? Pois é. Não suporto este povo.

Mudam seu modo de vestir, de falar e de agir. Passam a viver como seres de outro planeta, dentro de uma bolha de vidro lacrada para não se contaminarem com as impurezas deste mundo tenebroso. Até certo ponto não há nada de mal nisso. Devemos ter uma vida exemplar. Mas o exemplo de vida que devemos dar vai muito além das aparências. A mudança tem que ser de dentro para fora.

A mudança tem que ser de caráter, não de fachada. A casa inteira tem que cair e ser reerguida sobre novos alicerces. Não adianta passar uma mão de cal por fora para dizer que o imóvel é novo. Tem que mudar lá no coração. Aprender amar, aprender a perdoar, aprender a aceitar as diferenças, aprender a aproveitar as oportunidades de ser um reflexo vivo do Senhor, atraindo as pessoas não pela fachada, mas pelo magnetismo irresistível de uma nova criação.

E isso não se faz por vontade própria. Isso é obra do Espírito Santo, que vai nos moldando dia após dia, trabalhando nosso caráter, limpando e podando aquilo que for necessário, mas limitando sua ação às nossas características pessoais.

O que quero dizer com isso é que no começo de nossa caminhada com Cristo podemos até querer seguir o catecismo da igreja “A” ou “B”, numa tentativa de ser O crente que todos esperam que sejamos. A treta é que, caso estejamos realmente andando com Ele em espírito e em verdade, algumas destas tentativas de mudança na marra simplesmente não acontecerão, pois deixaremos de ser quem Ele quer que sejamos.

Deus conhece e respeita nossas limitações. Sabe que se um dia eu conseguir deixar de fazer certas coisas que outros irmãos talvez não façam, eu deixarei de ser o homem que Deus escolheu para uma parte específica de sua obra aqui na Terra. Quando eu digo “eu” quero dizer qualquer irmão ou irmã em Cristo.

Certamente você faz coisas que não gostaria de fazer, que sabe que aparentemente são erradas. Principalmente naquela área que se costuma chamar de “pecados morais”. Nesta área pessoalmente creio que a mudança tem que ser radical, mas no tempo de Deus, caminhando com Ele e sendo contaminado por sua Santidade. Já na “área exterior”, digamos assim, a fachada pode mudar ou não, dependendo dos planos de Deus em sua vida.

Papo estranho né? Tá difícil para eu conseguir escrever o que realmente quero dizer. Creio ser mais fácil dar alguns exemplos para conseguir explicar... (como disse, ainda estou em primeira marcha!)

Pode ser que Deus não faça você parar de beber, pois Ele conhece seu coração e sabe que aquilo não te tira dos trilhos. Você pode até pedir para Ele te ajudar a parar, pois você quer ser igualzinho a todos os outros irmãos que se gabam de não ter este “vício”, mas Deus simplesmente te ignora na cara dura e te deixa sem resposta. Vai chegar um momento, porém, que você vai notar que aquilo não é o ponto primordial de sua relação com Deus.

Na verdade, você até ganha vidas para Jesus tomando uns golinhos com seus amigos. Eles olham para você e podem até dizer (condicionado pelos estereótipos): “Nossa, fulano toma seus golinhos, mas fala de Jesus de uma maneira que nunca ninguém falou comigo até hoje!” Com isso, aquela pessoa que foi impactada pelo testemunho de Cristo em sua vida será alcançada pela graça através de você, e não pela vida do também super importante irmãozinho que nem trisca em uma trufa de Amarula e pede perdão até hoje pelo fato de ter tomado Biotônico Fontoura quando era criança.

Ambos são igualmente importantes na obra, mas um foi chamado para alcançar um perfil de pecador, outro para outro perfil de pecador. Faz sentido para você?

Outro exemplo meio bobo, mas não menos importante, é sobre música secular versus musica cristã. Existe música secular que é muito melhor que música gospel, feita através do dom de Deus na vida de diversos músicos, assim como existe música feita por músicos evangélicos que são ridículas. Tentei parar de ouvir música “do mundo”, mas em nada cresci espiritualmente com isso. Me senti engessado. Como já disse, já estive na presença de Deus ouvindo cada banda de rock que deixaria alguns (muitos) irmãozinhos de cabelo em pé.

Uma coisa que sempre fico pensando em relação a isso é: Que tipo de música Jesus ouvia? Havia este tipo de distinção na época? Que som deveria estar rolando nas bodas de Cana, quando acabou o vinho? Sei não, Jesus era meio punk (risos)...

Não consigo falar deste assunto sem me lembrar da passagem abaixo:

"Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: "Não manuseie!", "Não prove!", "Não toque!"? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne”. – Colossenses 2:20.23

Bom, creio desta forma. Tanto pela minha vida quanto por tudo o que vejo na vida de muitos irmãos, que tentam se enquadrar na moldura limitada da religião, mas não atentam no que é realmente importante para estabelecer o Reino de Deus aqui na Terra, que definitivamente não se ajusta aos valores do reino humano, falível e caído, nem da religião.

As coisas acontecem no tempo de Deus

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pr. João desceu do monte....

“Mas o povo, vendo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e lhe disse: Levanta-te, faze-nos um deus que vá adiante de nós; porque, quanto a esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. E Arão lhes disse: Tirai os pendentes de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, de vossos filhos e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo, tirando os pendentes de ouro que estavam nas suas orelhas, os trouxe a Arão; ele os recebeu de suas mãos, e com um buril deu forma ao ouro, e dele fez um bezerro de fundição. Então eles exclamaram: Eis aqui, ó Israel, o teu deus, que te tirou da terra do Egito. E Arão, vendo isto, edificou um altar diante do bezerro e, fazendo uma proclamação, disse: Amanhã haverá festa ao Senhor. No dia seguinte levantaram-se cedo, ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo sentou-se a comer e a beber; depois levantou-se para folgar”. – Êxodo 32-1.6

Fiquei uns dias fora do ar por estar de férias. Deixei de visitar o mundo virtual, o que me fez muito bem, pois estava muito viciado, quase como aqueles adolescentes deslumbrados com os “milhões de amigos” feitos no Orkut. Foi muito bom redescobrir que não tenho nada que me prenda ou me limite. Apenas senti falta dos bons amigos (boas amigas, principalmente E SEM duplo sentido...) que fiz, principalmente na blogosfera.

Agora que voltei, vejo que estou mais leve, porém bem mais crítico. Não sei explicar bem a razão, mas talvez seja pelo fato de ter ficado tanto tempo sem fazer nada do que estava condicionado a fazer mecanicamente. Estava na roda viva do “tenho que postar, tenho que postar, tenho que postar...”. Estava me sentindo mal com isso, parecia uma obrigação!

Vejo também que "enquanto estive fora" o povo andou tomando direções estranhas. Alguns andaram erguendo altares, construindo deuses pagãos, dando seu espaço de adoração para outras entidades. Ainda estou tentando entender. Qualquer dia escrevo sobre isso (e NÃO adianta perguntar o que quero dizer, pois ainda estou tentando entender, como já disse...).

Preciso administrar melhor este meu tempo. Ainda mais por que estou voltando também de férias no trabalho, com trocentos emails com assuntos dos mais diversos a resolver. Vou caminhando, devagar e sempre. Preciso focar minhas energias naquilo que exige maior atenção no momento. Muitas coisas boas aconteceram nos meus dias de liberdade, mas agora volto a pisar em solo firme e noto que mudei, bem como as pessoas ao meu redor também mudaram.

Como diz aquela famosa frase de não sei bem quem (risos):

“Um homem nunca passa duas vezes pelo mesmo rio. Primeiro por que as águas serão outras; segundo, por que ele próprio terá mudado”.

Isso define bem minha sensação.

De longe, pude notar que os problemas não eram tão grandes assim, bem como aquilo que me trazia alegria não era tão vital. Isso assusta alguns, pois tudo se relativiza e gera insegurança para quem não entende o que está acontecendo. Aqueles que tinham algum tipo de poder sobre mim sentem que estou escorrendo por seus dedos e agora não me controlam mais. Aquilo que carregava em minhas mãos também está livre. Nenhum peso, nenhuma culpa.

Sinto que estou mais crítico, menos tolerante e mais focado naquilo que é de maior importância em minha vida. Nada de egoísmo, apenas mais seletivo. Agüentei firme porrada atrás de porrada antes de minhas férias. Agora noto que estou mais resistente aos “impactos” e quedas.

Desci do monte com o rosto resplandecente. Não com maior ou menor virtude, mas com uma estranha sensação de que as coisas estão diferentes, tanto em mim, quanto nos outros. Mas será que mudou mesmo? Talvez a proximidade com as situações estressantes fizesse com que eu não conseguisse separar o joio do trigo. Era um bololô só, todos dentro de um liquidificador, lutando desesperadamente para não ser atingido pelas lâminas que trituram tudo e todos, transformando o bom e o mau numa massa só.

Enquanto estava no monte, perdi a necessidade de tentar administrar tudo. Aqui em baixo, tudo agora parece menor. Acho que isso é bom.

E todos se regozijaram.... (?)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Autoridade


"Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei". - Mateus 7.28.19

Lido com pessoas dos mais variados níveis de autoridade. De clientes à diretores de empresas, de irmãos em Cristo à líderes cristãos, de amigos a "autoridades familiares", como irmãos mais velhos, tios, meu pai... Difícil é aceitar o simplismo que certas pessoas julgam o conceito de autoridade.

Muitos crêem que autoridade é grito, imposição de suas idéias e ideais, alguns até com uso da força e de seu pesudo poder, em detrimento ao bom senso e histórico de vida, que naturalmente serve como aval para exercer autoridade.

Como Jesus, os líderes deveriam ser autoridades simplesmente pelo fato de serem exemplos vivos a serem seguidos, e não como aqueles que ficam nos cruzamentos das estradas da vida, apitando freneticamente as direções que eles crêem que devem ser seguidas, mesmo sem a devida vivência e experiência do assunto tratado.

Um exemplo prático disso é (digo sem preconceito) o dos líderes católicos que gostam de palpitar na vida conjugal de seu rebanho. Como alguém pode ousar dar pitacos na intimidade de um casal se - teoricamente - estes não desfrutam desta prática? Baseado no que leram e ouviram apenas?

No âmbito profissional ídem. Muitos praticam verdadeiro terrorismo psicológico, ameaçando pessoas com as famosas frases "ninguém é insubstituível", ou "vocês não me respeitam como chefe", insinuando que, caso não haja mudança na postura de seus subordinados (mesmo que os mesmos estejam certos), o final do pobre coitado será a fila do seguro desemprego.

Não aceito isso. Autoridade é exemplo vivo, não alardeado aos quatro cantos do vento como ondas espumando ameaças e chantagens emocionais. Tampouco não ouso agir desta forma. Foge de meu caráter. Foge do mínimo que consigo ser.

O que falo e procuro ensinar está pautado na experiência de vida que tenho, no bom senso e na justiça, esta baseada principalmente nos valores cristãos, pois caminho com Ele, mesmo sendo imperfeito.

Erro muitas vezes mas, em nenhuma das vezes que deixo a desejar, ajo com má fé. Se errei, foi tentando acertar. Nunca de maneira parcial, visando os benefícios de alguns "mais queridos" ou a mim mesmo, mas sempre na prática da retidão.

Por esta razão, costumo dizer: "se for para alguém mandar, que seja eu". Já liderei equipes, gerenciei muita gente, sempre pautado nestes valores, a ponto de ser respeitado por funcionários que, mesmo diante da demissão por pura falta de opção, vieram a me dizer "puxa João, nunca tive um chefe como você".

Não estou jogando confete em minha cabeça. Na verdade, estou escrevendo isso pelo fato do assunto estar em minha mente desde que saí de férias (esta a razão de estar tão afastado dos teclados...).

Glorifico a Deus por tudo o que Ele me proporcionou nesta área. Procuro andar no Caminho. Caso erre com algúem, mais uma vez, não foi por má fé, mas sim pelo fato de ser humano e falível como todos os demais.

É isso...

Qualquer dia volto a falar mais sobre o assunto.

domingo, 5 de setembro de 2010

Glória a Deus que Lúcifer não foi destruído


"Filho do homem, erga um lamento a respeito do rei de Tiro e diga-lhe: Assim diz o Soberano, o Senhor: "Você era o modelo da perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita beleza. Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o enfeitavam: sárdio, topázio e diamante, berilo, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda. Seus engastes e guarnições eram feitos de ouro; tudo foi preparado no dia em que você foi criado. Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso eu o designei. Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras fulgurantes. Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se achou maldade em você. Por meio do seu amplo comércio, você encheu-se de violência e pecou.”
- Ezequiel 28:12-16a

Lúcifer, o querubim ungido, mais belo e poderoso de todos os seres celestiais criados por Deus, o modelo de perfeição, um dia deixou que suas virtudes o deslumbrasse. Seu coração se encheu de orgulho e, se esquecendo de sua natureza criada, ousou querer se colocar acima do Altíssimo:

“Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você, que dizia no seu coração: "Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo."
- Isaías 14:12-14

Esta soberba fez com que Deus o expulsasse do Céu, conforme os textos abaixo:

'Por isso eu o lancei, humilhado, para longe do monte de Deus, e o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes. Seu coração tornou-se orgulhoso por causa da sua beleza, e você corrompeu a sua sabedoria por causa do seu esplendor. Por isso eu o atirei à terra; fiz de você um espetáculo para os reis."Ezequiel 28:16b-17

“Mas às profundezas do Sheol você será levado, irá ao fundo do abismo! Os que olham para você admiram-se da sua situação, e a seu respeito ponderam: "É esse o homem que fazia tremer a terra, abalava os reinos.”Isaías 14:15-16

Jesus testemunhou o fato e o cita brevemente:

"Ele respondeu: Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago.” - Lucas 10:18

Lembrei destas passagens e deste assunto depois de uma conversa que tive hoje com meu amigo-pai de santo e homossexual. Estávamos conversando sobre os escândalos na igreja e entramos no assunto de Lúcifer. Como já falei anteriormente, este rapaz está se aproximando cada vez mais de mim (sem segundas intenções), pois sou o único cristão que ele conhece que não fica a todo momento tentando enfiar uma Bíblia em sua goela e levá-lo ao céu algemado (minha estratégia tem funcionado, em breve darei o testemunho de sua conversão, aguardem...).

Nessa nossa conversa ele perguntou por que Deus não havia destruído Lúcifer quando ele se rebelou contra Deus. Respondi dizendo que se Deus tivesse feito isso Ele não seria digno de ser amado. Como disse o pastor Ricardo Gondim uma certa vez, as últimas palavras de Lúcifer antes de ser destruído seriam algo como: “Viu como o Senhor é fraco? Tu não sabe conviver com quem não te ama, por isso está me destruindo!”

Estas palavras ecoariam na eternidade. Ninguém ousaria não amar ao Deus carrasco. Lúcifer estaria certo. Deus sabiamente apenas expulsou Lúcifer do Paraíso. Mesmo sabendo do estrago que o agora príncipe das trevas faria, Deus optou em mandá-lo aqui pra baixo.

Com isso, Deus pôde mostrar ao mundo e principalmente para o anjo caído que é possível sim amar a Deus, independente de força ou coerção. Isso até foi sugerido por Satanás, quando ironizou sobre a relação de Jó e Deus:

“Disse então o Senhor a Satanás: "Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal". "Será que Jó não tem razões para temer a Deus?", respondeu Satanás. "Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra. Mas estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face." O Senhor disse a Satanás: "Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não toque nele". Então Satanás saiu da presença do Senhor."
Jó 1:8-12

Os resultados desta aposta todos sabem. Jó não amaldiçoou a Deus, mesmo tendo sofrido tudo o que sofreu. Sua resposta perante a tragédia foi:

“Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Então prostrou-se, rosto em terra, em adoração, e disse: "Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor ". Em tudo isso Jó não pecou e não culpou a Deus de coisa alguma."
Jó 1:20-22

Os anjos e os homens ficam boquiabertos ao verem que nós podemos amar a Deus sem que Ele nos chantageie com bênçãos ou que o sirvamos sem que haja coerção. Somos colocados neste mundo para servirmos de espetáculo:

“Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens.” - 1Coríntios 4:9b

Louvo a Deus por isso. Amo-o cada vez mais. Mesmo perante a tragédia e a dor, tenho a honra de estar ao lado d’Ele, fazendo parte desta ‘aposta’ feita lá no início. Lúcifer nos odeia por isso. Amamos Deus por quem Ele é, e juntos vamos provar que Deus estava certo de (ainda) não ter destruído Lúcifer quando este se rebelou contra Deus.