Labels

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Calar ou não calar?


“Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos. Tendo Paulo e Barnabé contenda e não pequena discussão com eles, os irmãos resolveram que Paulo e Barnabé e mais alguns dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, por causa desta questão. Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja por um trecho do caminho, passavam pela Fenícia e por Samária, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos. E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles. Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de Moisés. Congregaram-se pois os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. E, havendo grande discussão, levantou-se Pedro e disse-lhes: Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo, assim como a nós; e não fez distinção alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também”. – Atos 15:1-11

Muitas vezes me questionava se discutir opiniões sobre pontos de nossa fé eram saudáveis. Ficava muitas vezes com peso na consciência por ter várias vezes “ganho a batalha” no campo das idéias, ao expor minha liberdade em Cristo e opondo-me radicalmente aos usos e costumes humanos.

Houve tempo também que optei em fugir das discussões. Não foram poucas as vezes que passei por irmãos em Cristo e não me manifestei como cristão, apenas para não chocar os mais tradicionais, os mais legalistas. Lembro-me de passar em portas de igrejas extremamente legalistas nos finais de culto e ver os irmãos saindo, louvando, conversando sobre o culto, a mensagem, o Cristo e preferi me calar, mesmo doido para me revelar como irmão.

Ficava neste dilema. Pensava nas palavras de Paulo em Romanos 14 que diziam que éramos para acolher os que eram débeis na fé, mas não para discutir opiniões. Por outro lado, não conseguia ver pessoas que estavam carregando um julgo maior do que suas capacidades de carregá-lo. Não o julgo de Jesus que – como Ele mesmo disse – é leve, mas o julgo das doutrinas esdrúxulas e contraditórias à liberdade que há em Cristo Jesus.

Entendeu como ficava minha cabeça né? Discutir, expor, ou calar-se, acomodar? Já oscilei entre estes dois extremos. Só que, entre os dois lados, o que mais me fazia sofrer era o da omissão. Nunca consegui me calar perante usos e abusos (acabei de inventar...) da religiosidade humana sem me indignar. Sempre me doeu ver pessoas sinceramente devotas de crenças que só faziam-nas relacionar-se com Deus por medo das conseqüências (exclusão, inferno, etc).

Até hoje conheço pessoas assim. Pessoas que evitam pessoas e preferem ser sal dentro do saleiro para não comprometerem sua “pureza”. Andam apenas com pessoas “crentes”, falam como crentes, vestem-se como crentes e torcem o nariz para os “mundanos” como eu. Recentemente ouvi da boca de uma pessoa dessas que via a liberdade que nós tínhamos em nossas descontraídas reuniões entre amigos (cristãos), mas que não se sentia à vontade para "comungar" conosco.

Me senti “o desviado”. Ao mesmo tempo quis dar uma surra de Bíblia nela, pois o testemunho de vida e de relacionamento com Cristo que ela (ela = a pessoa, antes que pensem que menciono o sexo) dava era egoísta, “segregacional” digamos assim. Fazia o papel que nem mesmo Jesus fazia, tanto que Ele era contado como amigo de publicanos e pecadores (Lucas 7:34).

Então pergunto: Devemos ou não nos posicionar quanto ao assunto? Minha resposta é a mesma dada por Pedro no texto acima. Devemos SIM, opor-nos ao legalismo e à religiosidade, pois “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”. (João 4:24). Não devemos fugir do debate, devemos estar preparados para apresentar a razão de nossa fé, como diz Pedro em sua primeira epístola:

“Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atento à sua súplica; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal. Ora, quem é o que vos fará mal, se fordes zelosos do bem? Mas também, se padecerdes por amor da justiça, bem-aventurados sereis; e não temais as suas ameaças, nem vos turbeis; antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, fiquem confundidos os que vituperam o vosso bom procedimento em Cristo".

Reações:

5 comentários:

  1. ô lindo,

    I Pe 3:13 é demais.

    Gostei do "usos e abusos", vou adotar. Me lembrou dos usos e costumes, esquemão que jogou muita gente fora da igreja e que sabem dentro do inferno.

    abraço

    ResponderExcluir
  2. Olha, J.C.
    É o seguinte: vc como pastor tá na sua posição rss Tem que falar meizzz

    Já euzinha, deixei mais de mão, sabe? Sou assim meio de fases... eu disse fases, não leia errado he he

    E não é que me omita, pois até que é da minha natureza fazer certas contestações mas tem hora que cansa falar num português bemdizido pra quem não quer ouvir.

    Se bem que - paradoxalmente - jamais deixo de dar minhas pinceladas ácidas por onde passe e a minha oposição ferrenha é sempre ao legalismo porque este oprime, entristece, chateia, achata. É em cima disso que faço minhas colocações nos acontecimentos ao meu redor. Principalmente porque estou sempre rodeada de pessoas fundamentalistas, legalistas, conservadoras, daí vc imagine o prato cheio com jogo de cintura como sobremesa.

    Falar com clareza sem adulações e ainda conservar a amizade e uma convivência harmoniosa não é nada fácil. Ás vezes tem um mais melindroso que se ofende e toma pra si como se fosse algo pessoal, daí paira uma nuvenzinha cinza, mas não resta dúvida que eu vou sempre preferir ficar com esse desafio, pois tenho algo chamado consciência.

    Esse lance de não escandalizar os fracos é muito mal empregado do mesmo jeito que dizer que é pecado debater assunto considerado tabu. Por isso sempre achei uma coisa meio doentia o jeito que os religiosos tratam as cartas do NT.

    No mais, boa reflexão pra se ler e reler.

    bj

    R.

    ResponderExcluir
  3. Dri, usos e abusos é melhor que usos e costumes né?
    rsrs

    ResponderExcluir
  4. Missionária R.F.,

    Estou me sentindo um disco riscado, tenho falando muito da mesma coisa mas...

    É sempre a mesma coisa que vem acontecendo!

    ResponderExcluir
  5. Missionária foi ótimo rss vc tá é se vingando por eu te chamar de pastor, que eu tô ligada...

    Mas vc não perde por esperar pois que logo vou colocar os videos da minha lida evangelística só pra vc ver como mereço o céu he he (Momento ácido)

    Mas sem onda, eu te entendo, pois é assim que eu me sinto também vez em quando, repetitiva. Só não desanime!

    Além do mais (óia o egoismo) amo teus posts, vai :)

    Abs

    R.

    ResponderExcluir

Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...