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sábado, 12 de junho de 2010

O mergulho...



Desde minha conversão vi e vivi muitas experiências sobrenaturais intercaladas com fatos normais do dia a dia. Manifestações demoníacas verdadeiras, palavras proféticas, orações por cura, salvação e libertação respondidas. Caminhava no início neste sobrenatural maravilhoso ao mesmo tempo que tinha que limpar a casa, fazer comida e trabalhar.

Irmãos em Cristo várias vezes questionavam o fato de não terem passado por estas experiências. Na verdade não buscava por elas, elas vinham até mim. Paralelamente ao lado sobrenatural, sempre gostei de ler e, além da Bíblia, li muitos autores cristãos. Não deixei de ler o que se considera literatura secular, pois não acredito neste dicotomismo do preto x branco, céu x inferno, luz x trevas. Tem muita coisa considerada secular que é boa, e não necessariamente do inimigo.

Os livros que li se dissolveram dentro de mim. Dificilmente pego um deles pela segunda vez lembrando de seu conteúdo. Parece que eles se tornam parte de você. Cada um preenche um espaço, como se fossem tijolos de uma parede sendo construída.

Leitura, oração, comunhão, meditação. Lembro-me de que certo sábado eu estava sozinho em casa e resolvi ler o livro de Hebreus. Foi uma experiência maravilhosa e que nunca mais aconteceu. Cada linha que lia o Espírito Santo ia me dando o entendimento do papel de Jesus como sacrifício perfeito, sumo sacerdote perfeito oferecendo o sacrifício. Nunca mais aconteceu como daquela vez.

Acho isso maravilhoso no cristianismo. Dinâmico certas vezes, aparentemente entediante em outras, mas sempre edificante. Tijolinhos colocados na parede e construindo meu caráter. Este mix do sobrenatural, que te faz caminhar por sobre as águas e da dureza da letra e da roda viva em outras vezes acabou formando o que sou.

Passei a entender que Deus não queria que eu me tornasse um religioso fanático. Faço coisas que muitos irmãos duvidam. Já senti a presença de Deus em shows de rock de bandas seculares, preguei para pessoas tomando cerveja (e estas se converteram) ou em churrascos, fiz reuniões informais com meus amigos mais íntimos, comendo pizza e tomando vinho e que se tornaram momentos maravilhosos de comunhão com Deus.

É um caminho fascinante. Não se repete, não deixa de ser vivo, mesmo perante muitos silêncios de Deus. Acho isso incrível. Deus não quer nos transformar em retardados que não são capazes de dar um passo sem a direção dEle. A bagagem que ele nos dá permite sermos seres humanos independentes de “horóscopo gospel”, caixinhas de promessas e profetadas. Ele valoriza a capacidade dada por Ele de sermos seres humanos plenos.

Este equilíbrio entre o divino e o humano no dia a dia nos torna pessoas capazes de discernir os tempos, avaliar as situações e agir da maneira apropriada nas mais diversas situações. Creio que Deus gosta disso. Eu não gostaria de ter filhos que fossem totalmente dependentes de mim no sentido prático da coisa. Quero ver meus filhos sabendo andar com suas próprias pernas. A dependência de Deus não nos torna seres infantis emocional e espiritualmente. Ele nos ensina a pescar, nos dá as ferramentas para isso e só interfere no processo (quando interfere) quando é realmente necessário, dizendo para que lado lançar as redes.

Enquanto escrevo isso me vem à mente o texto de Ezequiel 47:1-6

“O homem levou-me de volta à entrada do templo, e vi água saindo de debaixo da soleira do templo e indo para o leste, pois o templo estava voltado para o oriente. A água descia de debaixo do lado sul do templo, ao sul do altar. Ele então me levou para fora, pela porta norte, e conduziu-me pelo lado de fora até a porta externa que dá para o leste, e a água fluía do lado sul. O homem foi para o lado leste com uma linha de medir na mão e, enquanto ia, mediu quinhentos metros e levou-me pela água, que batia no tornozelo. Ele mediu mais quinhentos metros e levou-me pela água, que chegava ao joelho. Mediu mais quinhentos e levou-me pela água, que batia na cintura. Mediu mais quinhentos, mas agora era um rio que eu não conseguia atravessar, porque a água havia aumentado e era tão profunda que só se podia atravessar a nado; era um rio que não se podia atravessar andando.”

Este é o rio que tenho pela frente. Chegou o momento em sua travessia que simplesmente tenho que nadar, pois não tenho mais como continuar andando. É o momento do mergulho no sobrenatural de Deus, mas não o sobrenatural que vivi no início de minha carreira cristã. É o sobrenatural de quem vive o natural entendendo que ele é apenas parte da realidade, que é infinitamente maior.

Isso faz muito sentido para mim, mas é tão pessoal que não encontro palavras para definir. Perdoe-me pela minha incapacidade. Mergulhe também neste rio e talvez você possa definir o que tentei acima de maneira mais coerente.

Reações:

3 comentários:

  1. ""A bagagem que ele nos dá permite sermos seres humanos independentes de “horóscopo gospel”, caixinhas de promessas e profetadas. Ele valoriza a capacidade dada por Ele de sermos seres humanos plenos.""

    belíssimo, hein!!

    RG disse um vez que Deus nos dá muito mais liberdade do que blindagem.
    Talvez, seja porque Ele quer que sejamos o que temos que ser, nada mais, nada menos.

    beijão

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  2. João

    Viajei nesse texto (pra variar rss)

    E essa travessia só mesmo com Jesus no comando de nossas vidas. É Ele quem dá todo o sentido. Ele é a fonte da vida que flui em nós.

    Gosto dessa analogia bíblica de Jesus como fonte de água viva. Pois só tomando dessa água viva, nadando nessa água viva e mergulhando fundo é que se vive o natural e o sobrenatural com naturalidade :)

    Ah, mas num é cap 47, não? Tavas tão empolgado rsss normal, acontece :)

    Valeu pelo texto, sempre me edifica (ai, detesto esses dizeres de crente rss)

    bj

    R.

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  3. Ahh... era mesmo, corrigi, valeu!!!

    Na verdade, eu que me edifico com os comentários de vocês, muito obrigado!

    Beijos..

    JC

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...