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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Memórias de um ex-corno: Onde foi que eu errei?


“Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens" - Romanos 12:18

Quanto uma relação entre duas pessoas acaba, como podemos fazer para saber se fomos os responsáveis pela ruptura? Como seres humanos imperfeitos que somos, nunca estamos 100% corretos. Cometemos erros, pequenos ou não, provocamos crises, pequenas ou não, sendo que – mesmo que tenhamos 0,001% de responsabilidade na ruptura de uma relação qualquer – como cristãos, nos sentimos muitas vezes responsáveis pelo fracasso total da mesma.

Mas isso é justo? Será que podemos nos prostrar e deixar com que os outros usem-nos como capachos, limpando seus pés em nossas costas ao seu bel prazer? Você já passou por este tipo de situação? Eu já, mais vezes do que gostaria de ter passado.

Em meu primeiro casamento eu fui muito conivente com as falhas de minha ex-mulher. Deveria ter sido mais duro, deveria ter sido mais firme mas, infelizmente, procurei agir como “cristão” e usei erroneamente os ensinamentos de 1 Corintios 13:4-7, que nos ensina que “o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...”

Cria firmemente que deveria fazer vistas grossas aos defeitos de minha ex. Tolerei várias infidelidades, crendo que se eu continuasse apenas demonstrando amor incondicional reconquistaria seu amor. Só que isso teve efeito contrário. Como um câncer que vai minando suas resistências dia após dia, minha omissão fez com que as poucas chances de manter meu casamento se esvaíssem. Fui fraco, pensando que agia corretamente, “crentemente”, digamos assim.

Um confronto firme logo na primeira escapada (mas baseado em amor sincero) poderia ter salvo meu casamento. Deixei de impor os limites e os efeitos foram catastróficos. Como crianças, muitas vezes “o outro” não quer fazer tudo o que tem vontade. De fato, quer apenas testar os limites. Se não encontram os tais, perdem o respeito, que é a base de toda relação sadia.

Talvez você discorde disso, mas lembre-se que primeiramente já fomos filhos, alunos e alguns hoje são pais. As crianças precisam de limites para não se perderem, em todos os sentidos. Suponhamos que hoje você chegue em casa e encontre seu filho ou filha na sala, usando drogas tranquilamente com um bando de “amigos”. Você entraria em casa, falaria “Boa noite filho/a, tudo bem com você? E seus amiguinhos, estão bem? Querem que eu desça até a boca de fumo pra comprar mais drogas para vocês? Ah, se passarem mal me avisem, vou ficar acordado de plantão no quarto (não vou ficar na sala para vocês ficarem mais a vontade) para qualquer eventualidade”.

Isso é amor? Logicamente que não! E o pior é que existem pais bunda-moles o suficiente para agirem assim, em prol da “modernidade”!

NA HORA
deveria ter o confronto. Colocar toda aquela catrevada (expressão muito usada no interior do Paraná para definir gente que não presta) para fora e repreender duramente o filho/a. Impor os limites e deixá-lo ciente que dentro de sua casa NUNCA MAIS comportamento parecido será aceito.

Na hora tal atitude poderá doer para ambas as partes, mas este ato de firmeza inicial salvará a vida de seu filho e sua família.

Temos que ser firmes. O AMOR TEM QUE SER FIRME! Numa relação extraconjugal de um parceiro a mesma coisa: Delimite os espaços com firmeza, não evite o confronto. Como se costuma dizer, “panela suja se lava ainda quente”. Não se aceita a infidelidade de um parceiro mansa e “cordeiristicamente”.

Marque território antes que seja tarde. Não tema “perder” um parceiro. Na verdade, perder neste caso já é algo que está a caminho. Mantenha a auto-estima, mostre que você tem valor e que não aceitará apenas uma “porcentagem” de seu parceiro infiel. Mesmo que seja 99% “seu”, este maldito 1% é o suficiente para afundar toda a relação. Lembrem-se dos votos de fidelidade até que a morte os separem.

Outra coisa: abra a porta da gaiola NA HORA, se necessário. Fale para ele ou ela pegar suas coisas e ir embora. O parceiro infiel precisa sentir que cometeu um grave erro. Na verdade ele está em crise. Não dê tempo à ele para racionalizar a situação e começar a perder mais ainda o senso de certo e errado. Deixe ele/a sem chão!

Digo por experiência própria. Ao aceitar a situação por um tempo, crendo que estava sendo “cristão”, diminuí-me como ser humano, passado a ter menos valor do que realmente tinha, tanto para ela como para mim...

Acham que não há base bíblica para abrir a porta da gaiola?

“E se alguma mulher tem marido incrédulo, e ele consente em habitar com ela, não se separe dele. Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente; de outro modo, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. Mas, se o incrédulo se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão; pois Deus nos chamou em paz”.1 Corintios 7:13-15

Nenhum tipo de relação deve ser mantido à força. Nem mesmo Deus nos obriga a amá-lo. Ele nos deixa a opção de não O amar. Nós sabemos valorizar esta relação e não o abandonamos por nada. Mas todos quanto apenas nos usam, quer sejam cônjuges, familiares, parentes, amigos, colegas de trabalho, que eles tenham claramente em suas mentes que não estamos à mercê de suas patifarias.

A base para isso continua sendo o AMOR e a PALAVRA. Veja o que disse Jesus ao ser questionado sobre qual era o grande mandamento na lei:

“ Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo COMO A TI MESMO. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Mateus 22:37-40

Se não nos amarmos, não podemos amar o próximo. E este amor envolve respeito a si próprio, manutenção da dignidade, auto-estima. Isso não está à venda. Hoje vivo plenamente com uma mulher de Deus que me ama e me respeita da mesma forma que eu a ela.

Nota: Tudo o que escrevi acima se baseia nas minhas experiências pessoais, na Palavra de Deus e do excelente livro do Dr. James Dobson, conselheiro matrimonial, chamado “O Amor Tem Que Ser Firme”, Editora Mundo Cristão. Já li este livro duas vezes, estou lendo pela terceira vez e "pena" que o fiz a primeira leitura tarde demais. Aconselho a todos que estiverem passando por momentos de crise em suas relações que leiam este livro, ou indiquem-no para alguma pessoa próxima que o cônjuge esteja sendo infiel. Como o próprio autor diz, DE MANEIRA NENHUMA dê este livro para aquele que estiver praticando infidelidade.

P.S: Acabei de descobrir que aparentemente tenho em mãos uma das últimas edições deste livro em português. Ao pesquisar no site da Mundo Cristão para colocar o link para o livro, vi que o mesmo está fora de circulação. Ao fuçar mais, vi alguns textos que mencionam este livro, mas não avalizando o ministério do Dr. Dobson. Well, como diz a Palavra em 1 Tessalonissenses 5:21, "Examinai tudo. Retende o bem". Pessoalmente creio que os conselhos dados neste livro são excelentes. É fácil para alguns religiosos dar palpite "no jogo dos outros". Estando de fora, têm-se outra visão do que significa passar por um adultério e um divórcio subsequente...

Reações:

3 comentários:

  1. Pastor,

    Sempre me alegra esse tipo de abordagem, primeiro porque sei o quanto pode ajudar a outras pessoas e depois (E por isso mesmo!) porque desbanca o equívoco de que não se deve tocar "na ferida".

    Digo isso porque sempre que se traz à tona essas questões há quem diga haver ressentimento nas entrelinhas.

    Ora, quem o diz não crê em CURA, fazer o quê?

    O que não significa que temos que nos calar. Pelo contrário! Pois só quem passou pela experiência tem condição de falar com propriedade. E só quem não sente mais dor, pode falar com tanta maturidade, como nesse caso.

    Esse amor onde a gente se permite anular não é amor, é relação doentia onde o manipulador do alto do pódio alimenta seu ego com o aplauso ingênuo e pueril do manipulado. Ambos nocivos.
    E o bom é que há CURA. Também para ambos rss

    Parabéns pelo texto! (quase que este coment. era outro rss)

    bjussss

    R.

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  2. Brigadão Rê...

    Sabe o que é o "pior"????

    Hoje eu e minha ex somos super amigos!

    Nenhuma mágoa, nenhum ressentimento. Nem preciso falar que na época vivi meu Calvário particular, inclusive dei até uma de Isaías e Jonas, pedindo idiotamente à Deus que Ele tirasse minha vida. Ele riu por dentro, entendeu minha dor e obviamente não atendeu meu pedido.

    Mal sabia eu que a restauração seria completa, e que hoje sou um homem melhor do que era antes, em todas as áreas.

    Quanto à me expor, para que serviria minhas experiências de vida se não fossem para tentar ajudar os outros?

    Como está escrito em 1 Coríntios 4:9-14, "Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos (não me acho apóstolo tá?), nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois SOMOS FEITOS ESPETÁCULO AO MUNDO, AOS ANJOS E AOS HOMENS. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis. Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos. Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados".

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...