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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Saudades de uma casinha branca...


Certos momentos de nossas vidas são emocionalmente mais intensos que outros. Vagueamos entre um misto de torpor para os fatos concretos do cotidiano e uma hiper sensibilidade a situações não tangíveis, não mensuráveis, sem saber a razão daquilo, como num sonho.

Nestes momentos, as portas da percepção se abrem e pequenos insights deflagram fortes reações. Às vezes uma paisagem, uma palavra ouvida, outras vezes um filme, uma cena de carinho entre pais e filhos, um bichinho, uma musica...

Estou atravessando um momento assim.

Ontem foi um dia bacana. Nossos vizinhos organizaram um churrasco para comemorar o aniversário de um querido novo amigo aqui do Rio de Janeiro. Uns cinco casais se reuniram e tivemos uma tarde muito agradável. 90% dos presentes eram cristãos, mas muito tranquilos em relação ao "pode não pode".

Depois de algumas horas o povo se espalhou, foi um pra cada lado. Como a Cilene tinha que entrar de plantão no hospital, fui com ela até o ponto de ônibus, voltei pra casa, tomei banho e deitei no sofá.

Nisso o interfone tocou. Era o Johnny me chamando para descer ao subsolo do prédio, onde eles estavam novamente reunidos. Estava rolando um "rodízio de tapioca" e queriam que eu fosse lá. Tava meio triste e preferi ficar em casa. Tocaram novamente o interfone. Era o Cleber, dizendo que o Johnny estava triste pois eu não tinha aceito o convite e que ele iria tocar para nós, sendo que uma música seria especialmente para mim. Disse mais uma vez que estava tarde, iria trabalhar na sexta e preferia descansar (tem horas que sou muito chato, e eu não estava afim de mais nada aquele dia...).

Deitado no sofá ouvia-os fazendo a maior festança no porão do prédio. Cinco minutos depois vieram pessoalmente e enterraram o dedo na campainha. Fiquei pê da vida, mas desta vez o Lenildo conseguiu me convencer a descer.

Cheguei lá e 'fizeram uma festa' por eu ter descido. O Johnny subiu em seu apartamento e pegou sua guitarra. Já tinha ouvido falar que ele tocava e cantava muito (era músico da noite e tocava em vários barzinhos anos atrás), mas até então não tinha visto ele em ação. Apenas ouvia-o cantarolar algumas músicas em seu apartamento, vez ou outra.

Guitarra em punho e dono de uma voz poderosíssima, Johnny tocou por mais de uma hora ininterrupta algumas músicas que me emocionaram profundamente, pois sou extremamente musical. Gilberto Gil, Toquinho, Seu Jorge, Legião Urbana, Djavan, Gonzaguinha, Queen, Belchior, Zé Ramalho, Milton Nascimento, George Benson e John Lenon entre outros, deixaram-me encantado. Não conseguia falar nada, não ousava cantar junto. Ficava quieto, olhos fixos em meu amigo que, num determinado momento, tocou Casinha Branca. Tinha vários vídeos no Youtube, mas preferi adicionar a versão original com Gilson:



Tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer

Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher

Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer

Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizade
Vou seguindo a multidão

Mas eu me retraio, olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão


Comecei a chorar. Senti o peso da metrópole, que me consome a cada dia. Senti saudade de um lugar que nunca fui antes. Ansiei estar nesta casinha bucólica, no meio deste lugar de mato verde, respirando ar puro, vendo o sol nascer pela janela de meu quarto.

Senti a presença de Deus. Senti ao mesmo tempo uma tristeza misturada com felicidade, um turbilhão de emoções.

Acabou a música e a cantoria, pois passava das 22:30h e deveríamos ter interrompido o sarau meia hora antes. Ajudei o Johnny a levar suas tralhas para seu apartamento. Dei um abraço nele e agradeci a Deus e a ele por aquele momento.

Não há mais nada a dizer, é difícil compartilhar um momento desses, ainda mais por escrito...

Sei lá, só sei que foi assim...

Reações:

3 comentários:

  1. foi um dengo de Deus para com tua vida, que lindo!!
    Eu acho que Deus é mais mãe que pai...

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  2. Foi um dia estranho e legal ao mesmo tempo, rsrs

    Tks!

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...