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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cirurgia sem anestesia


"E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.] Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.] Ou, se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno, onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga". - Marcos 9.43-48

Eu sou muito resistente à dor física. Costumo ser muito sangue frio quando o assunto é meu corpo, tanto que – das 4 cirurgias que já me submeti – na única que não tomei anestesia geral (oh delícia!!!), uma de hérnia inguinal, pedi ao médico que baixasse uma espécie de biombo que me impedia de vê-los me cortando e inclinasse o refletor para eu assistir, dormindo da cintura para baixo, eles reconstruindo a parede abdominal rompida devido a intensas séries de musculação feitas na época sem a devida cautela. Eu ria das piadas do médico, dizendo que ia cortar fora meu pipiu, enquanto todo mundo (enfermeiras, anestesistas e técnicos) brincavam e sacaneavam comigo.

Fora as tatuagens que são, em determinados momentos, verdadeiras sessões de tortura. Só vale a pena pelo prazer da obra concluída. Tem também minhas ‘experiências médicas autônomas’, pequenas ‘intervenções cirúrgicas’ feitas por mim mesmo quando estava sem condições financeiras de ir a um médico e que acredito ser melhor nem entrar em detalhes para não levar uma bronca dos profissionais de saúde de plantão. Resumidamente, era (sou) terrível!!!!

Lido tranquilamente com a dor física, meu limite é considerável, tenho o tal do ‘sangue no zóio’. Por outro lado, venho trabalhando em mim a resistência às dores da alma, que são o meu calcanhar de Aquiles. É nesta área que eu costumo desmoronar.

Não sei lidar direito com perdas emocionais. Odeio ser injustiçado. Sofro muito em ter que atravessar os limites do controlável e me sentir à deriva dentro de meu coração. Gosto de ter um aparente controle da situação, odeio ser levado pelas ondas sem leme, acaba comigo ser injustiçado. É um mea-culpa em forma de post sim, mas – mais uma vez – creio não ser o único, por esta razão não me importo em me expor.

Como postei antes, recentemente tive que passar por cima de meu orgulho ferido para reatar um relacionamento. Ao falar do assunto, não quis me passar por super herói. Na verdade expus minha fragilidade em lidar com o assunto. Me senti arrastado a uma reconciliação. Afinal de contas, ‘tinha razão’ em minha mágoa. Como Jonas e Elias, desejei a morte a ter que rever meus conceitos e valores e extender a mão, temendo mais uma vez a rejeição.

Ai a razão da minha rebeldia. Dói passar por cima de todas as ofensas e buscar a reconciliação. É horrível dar o braço a torcer. Entretanto, tudo isso faz parte do processo de amadurecimento e cura. Assim como várias vezes ‘me operei’ sem anestesia, nesta área também vejo ser necessário tomar nas mãos todo instrumental cirúrgico que envolve o perdão e começar a cirurgia o quanto antes.

Quando perdoamos, fazemos verdadeiras amputações a sangue frio, lançando fora o membro necrosado que vinha lançando na alma suas metástases, verdadeiras sementes de morte, comprometendo a integridade do que ainda respirava vida. Perdoar é uma poda racional e consciente, que visa o bem do que resta são dentro de nós. Mas dói! Dói por nosso orgulho ferido.

Ao tirarmos de dentro de nós a raiz de amargura, ficamos aleijados aos olhos dos homens. E ninguém gosta de ser visto aleijado em seus direitos, mas - como diz o texto bíblico citado acima - é melhor entrar cego ou coxo no Reino de Deus do que ir com o corpo inteiro pro INFERNO.

Estou na pista, tenho muito a aprender. Mas continuo avançando, mesmo capenga.

Reações:

2 comentários:

  1. Gostei desse relato
    Muito sincero.

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  2. Obrigado querid@. Eu precisava reler este texto e você foi o instrumento... God bless you!

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Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...