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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Será que somos Cristãos ?


Os evangélicos crêem que foram salvos pela graça, por meio da fé (Efésios 2.8-9), mas então acrescentam uma renúncia, feita por homens, de que você tem de trabalhar o mais duro que puder para corresponder a padrões de comportamento de classe média. Isso parece oposto ao que o Evangelho diz, onde, entre os muitos ensinos de Jesus sobre o serviço, os últimos se tornam os primeiros. É um Reino às avessas, que contraria o que parece ser a ordem natural dos primeiros e dos melhores vencendo. A igreja, portanto, deveria se opor radicalmente a essa síndrome do sucesso.

Isso parece ter afetado Bono. Outra estranha sutileza sobre a igreja é a de que ela possui qualidades especificas que indicam se você é ou não um “acrobata”. Estas qualidades, normalmente, tem a ver com não falar palavrão, não fumar e não beber. Por alguma razão, há alguns ensinos bíblicos que não são – mas talvez devessem ser – muito valorizados. Por exemplo: avareza materialista, discriminação preconceituosa, a opressão às mulheres ou a negligência, quanto à justiça social. Talvez você possa ignorar muitos dos discursos à ação de Cristo e dos profetas, e porque você seja abstêmio, menos eloqüente em sua linguagem e freqüente a igreja duas vezes por semana, seja declarado espiritualmente saudável.

Bono fala da graça como sendo o grande atrativo do Cristianismo. Ele então diz que gostaria de ser um cristão, mas não poderia jamais estar à altura, ou que é um mau exemplo para o Cristianismo. Ou ele está tentando evitar que a imprensa o rotule ou está enganado sobre o que seja um cristão. Assim como seus críticos, ele deixa de seguir a Jesus de modo comprometido e radical quando faz coisas como dar uma enorme quantidade de seu tempo ao Jubileu 2000. Ele adiou compromissos e o lançamento de seu novo disco mais de um ano para tentar livrar o Terceiro Mundo de dívidas que comprometem seu crescimento, para dar novo ânimo aos pobres e a restaurar a igualdade e a justiça no mundo.

E ele diz que não é um bom exemplo de cristão.

Jesus não disse que os bodes fumavam, bebiam ou falavam muitos palavrões. Ele disse que eles não se envolveram em prol das mudanças nas condições de vida de marginalizados ao alimentá-los quando estavam com fome, ou visitá-los na prisão. Estas eram as questões do Reino de Deus.

Quando se trata do dilema dos complexos de culpa de católicos e protestantes, é necessário lembrar que Bono tem ambas as heranças e, ao mesmo tempo, nenhuma delas. Ele tem falado de modo consistente sobre como despreza a religião, mas é um grande discípulo de Cristo. Para Bono, The Edge e Larry, o Deus que encontraram e com o qual têm caminhado em sua maravilhosa estrada é um Deus maior de que a igreja ou que as fronteiras religiosas. Eles O descobriram fora das camisas-de-força da religião tradicional e têm continuado a enxergá-lo como um Deus cada vez maior.

Trecho de Walk On – A Jornada Espiritual do U2 – págs. 68-70 – Esteve Stockman – W4 Editora

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1 comentários:

Anônimo, eu não sei quem é você, mas o Senhor te conhece muito bem. Sendo assim, pense duas vezes antes de utilizar este espaço LIVRE (poderia bloquear comentários de anônimos mas não o faço por convicção pessoal e direção espiritual) antes de ofender quem quer que seja. Estou aberto para discutimos idéias sem agredir NINGUÉM ok? - Na dúvida, leia mil vezes Romanos 14, até ficar encharcado com a Verdade sobre este assunto...